segunda-feira, 1 de abril de 2013


A Exaltação e a Glorificação de Jesus Cristo
Pelo que também Deus o exaltou soberanamente,
e lhe deu um nome que é sobre todo o nome…
                                                                 Filipenses 2:9
Introdução      
Tendo-Se oferecido voluntariamente na cruz como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o corpo morto do Senhor Jesus Cristo foi arriado da cruz e foi sepultado num túmulo novo que havia num jardim próximo.

Três dias depois logo se cumpriu a Sua promessa e ressuscitou dos mortos. Como Senhor ressurrecto e eternamente vivo, durante quarenta dias persistiu em aparecer corporal e pessoalmente aos Seus seguidores e apóstolos, consolando-os, guiando-os e prometendo-lhes que enviaria o Espírito Santo a fim de dotá-los para agirem como Suas testemunhas, a começar em Jerusalém e, paulatinamente, atingindo o mundo inteiro.

Prometendo estar com eles todos os dias, até à consumação dos séculos, Jesus, levantando as suas mãos, os abençoou…se apartou deles e foi elevado ao céu. (Mateus 28:20, Lucas 24:50-51). É a Ascensão do Senhor Jesus Cristo.

Propósito: Louvemos e adoremos ao Senhor Jesus Cristo, porque triunfou em todas as coisas como nosso Salvador e Senhor e subiu ao céu onde foi exaltado e glorificado.

I. O que aconteceu com Cristo depois da Sua Ascensão ao céu?
     Jesus foi EXALTADO e GLORIFICADO. Como e onde? À direita de Deus Pai no céu:

- Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome… (Fil.2:9);

- …está assentado nos céus, à dextra do trono da majestade. (Heb.8:1);

- O qual está à dextra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências. (I Pedro 3:22)

- Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. (Heb.2:9);

- E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse…Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. (João 17:5,24)

            Jesus está assentado no trono celestial, prova e sinal inquestionável de que a Sua obra expiatória na cruz para a salvação do homem pecador e condenado foi consumada com total vitória.

            Estar à direita de Deus Pai, no trono da majestade, ressalta a Sua excelência. Jesus é Rei, coroado, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Salienta a glória e a autoridade de Jesus Cristo.

II. Sobre o que é que Jesus Cristo reina e qual o Seu domínio?
            No lugar e posição de autoridade a que Jesus subiu, eis o Seu divino domínio:
- E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. (Daniel 7:14)
    
- E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. (Ef.1:19-23)

- Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. (Fil.2:9-11);

- O qual está à dextra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências. (I Pedro 3:22)

                 A maioria e as principais passagens sobre a Ascensão, Exaltação e Glorificação do Senhor Jesus Cristo fazem-no numa progressão magnífica iniciando com a Sua ressurreição dos mortos. Jesus foi honrado com a honraria mais elevada, recebendo poder, glória e autoridade para reinar e governar sobre tudo e sobre todos, eternamente e em todo o Universo, com o mesmo poder com que o criou.

            É declarado que Jesus sustenta a Igreja da qual é o Cabeça. Declara-se que JESUS É SENHOR DE TUDO, que a Sua posição é suprema, é acima de todos os poderes num domínio absoluto.

            De facto, Ele foi exaltado soberanamente e recebeu um nome que é sobre todo o nome. Este nome é supremo, no grego “Kyrios”. Perante esta exaltação e glória de Cristo, perante Ele mesmo, todos se ajoelharão e confessarão que Ele é o Senhor.

             Sujeição de anjos e todas as autoridades e potências, diz Pedro. Adoração e confissão universal, sem excepção, nos céus, e na terra e debaixo da terra, diz Paulo.
            Mas não há competição entre o Filho e o Pai, pois Jesus é exaltado para a glória de Deus Pai. Jesus disse: Eu e o Pai somos um. (João 10:30). Na primeira carta de João, lemos:…e aquele que confessa o Filho, tem também o Pai (I Jo.2:23).

III. O que faz o Cristo exaltado e glorificado?
            Para que subiu ao céu e foi exaltado o Senhor Jesus Cristo?

1. Enviar o Espírito Santo. Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. (João 16:7);
2. Conceder dons espirituais: Pelo que diz, subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. (Efésios 4:8)
3. Ser o nosso Mediador, Intercessor, Advogado e Sumo-sacerdote: Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. (Rom.8:34);

ORA, a suma do que temos dito é que temos um sumo-sacerdote tal, que está assentado nos céus à dextra do trono da majestade. (Heb-8:1);

Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; (Heb.9:24);
Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. (Heb.7:25);

Visto que temos um grande sumo-sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. (Heb.4:14)

 4. Para cumprir a promessa de ir preparar um lar eterno para os crentes: Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. (João 14:2-3). Jesus foi, mas virá de novo buscar-nos.

              O nosso Senhor Jesus Cristo está agora a cuidar dos nossos interesses junto do Pai. De facto, Ele é o ÚNICO MEDIADOR que os homens têm. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. (I Tim2:5).

            A Ascensão, Exaltação e Glorificação de Cristo são importantíssimas para a fé cristã. O Senhor tem os Seus olhos postos em nós, está em nós, ao nosso lado, dia a dia. Um dia no futuro estaremos com Ele para sempre, vê-Lo-emos face a face e estaremos para sempre com  Ele.

            Nada faltará no lugar onde está Aquele que encarnou e veio ao mundo, morreu, ressuscitou  e subiu de novo ao céu por nós: Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente. (Sal.16:11).

Conclusão
            Sabendo estas verdades bíblicas sobre o Senhor Jesus Cristo, qual deve ser a nossa atitude?
            Uma atitude de amor profundo, gratidão, temor, reverência, humildade, adoração a este Senhor que tem um nome acima de todo o nome, que o Cabeça da Igreja, que domina sobre todos os poderes e que reina, exaltado e glorificado, sobre todo o Universo.

Rui Simão
pastor

quarta-feira, 6 de março de 2013


Carta Aberta às igrejas e pastores da Convenção Baptista Portuguesa e à Aliança Evangélica Portuguesa

Como é do conhecimento de todos, no passado dia 17 de Fevereiro, a Igreja Baptista do Estoril – Meeting Point, promoveu a consagração ao ministério pastoral da irmã Connie Main Duarte. Sem qualquer desvalorização das qualidades académicas e pessoais da referida irmã, todos sabemos que lhe faltam as qualificações bíblicas para assumir o pastorado. Assim, o passo que foi dado, embora condizente com a cultura em que estamos inseridos, foi um passo de desrespeito para com a Palavra de Deus, perfeitamente inspirada por Deus na antiguidade e perfeitamente preservada para os nossos dias.
A intenção desta carta não é fazer a defesa bíblica exaustiva da nossa posição. No entanto, como todos sabem, quando ensina as qualificações para o pastorado, a Palavra diz, “convém que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher...” (1 Tim. 3:2). Capaz e academicamente qualificada como seguramente será, a irmã em questão não consegue cumprir os claros requisitos bíblicos. Aqueles que sempre se propõem a fazer a actualização cultural das palavras inspiradas, precisam de lidar com pelo menos duas questões. Em primeiro lugar, Paulo escreve aquelas palavras num contexto, o do antigo mundo helenizado, em que era comum as práticas religiosas serem lideradas por mulheres. Mesmo assim, inspirado pelo Espírito Santo, as palavras gregas escolhidas são específicas em género. A prática ministerial de Paulo, apesar de limitar o pastorado ao género masculino, não exclui ninguém do ministério para o Senhor na igreja local. Uma segunda questão a considerar é a da actualidade das palavras das Escrituras. A Bíblia foi verbalmente inspirada e preservada por um Deus que já sabia que iríamos estar a olhar para estas palavras no século XXI. Nenhuma das palavras do Novo Testamento passou ainda do seu prazo de validade.
As igrejas baptistas, por regra, desde há muitos anos, têm nas suas declarações de fé: “A Bíblia é a nossa única regra de fé e prática.” Esta afirmação tem grandes responsabilidades. O posicionamento daqueles que defendem e praticam a consagração de mulheres ao ministério pastoral é um posicionamento de afronta à  “fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 1:3). É precisamente quando deixamos que as palavras de Deus comecem a ser colocadas em dúvida (“É assim que Deus disse?” – Gen. 3:1), que nos abrimos a toda a espécie de desvios que, começando na doutrina, se alastram depois para a prática e para a moral (“um abismo chama outro abismo...” – Salmo 42:7). 
Sendo, tanto quanto sabemos, a Igreja Baptista do Estoril – Meeting Point, e a irmã Connie Main Duarte, membros, quer da Convenção Baptista Portuguesa, quer da Aliança Evangélica Portuguesa, este grave posicionamento coloca algumas questões importantes. As igrejas e pastores que amam a Deus e a Sua Palavra, têm a responsabilidade bíblica de se demarcarem daqueles que têm um posicionamento doutrinário contrário às Escrituras (Rom. 16:17) e, como sabem, não devem com eles ter alianças ou convenções. Pelo menos sem que haja, da parte destes, um arrependimento público dos seus desvios. Os irmãos e igrejas que partilham desta mesma preocupação bíblica poderão continuar a cooperar institucionalmente com quem tem tal desrespeito pela Palavra de Deus? As igrejas poderão continuar a recomendar um seminário que tem entre os seus professores alguém com esta visão crítica da Palavra de Deus?
Poderão pensar que não existe nada a fazer, que as coisas são o que são. O que pode um só pastor fazer? Qual o peso de apenas uma igreja? A verdade é que existe no nosso país um grupo de igrejas baptistas, legalmente constituídas e que não fazem parte nem da CBP, nem da AEP. Trata-se de igrejas e pastores com uma posição bíblica conservadora e fideística. Estas igrejas baptistas, independentes, não são, no entanto, isolacionistas. Têm comunhão entre si, participam juntas em eventos, conferências, acampamentos, projectos de evangelização e de publicação de literatura. Qualquer igreja que decidir dar um passo de fé e deixar de estar associada a quem desrespeita a Palavra de Deus, não estará, seguramente, sózinha. Existem outros, em Portugal e no mundo, que já decidiram assim.
O propósito desta carta é de encorajamento. Aqueles que amam a Deus e a Sua Palavra, estão certamente tristes com o rumo que grande parte do mundo evangélico está a tomar. Estão também tristes com as ramificações desses movimentos em Portugal. Do relativismo cultural, passou-se ao relativismo doutrinário, que coloca tudo em causa. Se você não está disposto a colocar em causa a eterna Palavra de Deus, não deve desanimar e deve, agora, tornar claro que está disposto a  “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” (Judas 3)

Signatários:
Mark Machado Pereira, Pastor, Igreja Baptista Esperança Viva
Rui António Robalo Simão, Pastor, Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia
Tito Tiago Pereira, Obreiro, Missão Baptista em Castanheira do Ribatejo
Allen Ray Newton, Pastor, Igreja Baptista Esperança Viva de Castelo Branco (Missão)
David Loop, Pastor, Igreja Baptista de Esgueira
Mark James Hale, Pastor, Igreja Baptista do Barlavento (Missão)
Jovito Nunes, Pastor, Igreja Evangélica Baptista de Fernão Ferro e Igreja Evangélica Baptista de Casalinhos de Alfaiata
David Booth, Pastor, Missão Baptista do Montijo
Michael Andrzejewski, Pastor, Igreja Evangélica Baptista de Barcelos

5 de Março de 2013


No NT não há referências a mulheres pastoras, bispas, presbíteras, anciãs. As palavras que encontramos são "SERVE, TRABALHOU". Apenas um exemplo em Romanos: "RECOMENDO-VOS, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja...Saudai a Maria, que trabalhou ... Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor. Saudai à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor..."(Romanos 16) - Rui Simão
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É verdade! O Pr. Dr. Manuel Alexandre tem razão. Não há nenhuma evidência de mulheres pastoras, na Bíblia.
Li, com atenção a tomada de posição do pr. Abel Pego, aliás muito bem elaborada, mas cheguei ao fim com um sabor amargo de incompleto.
Porque não se encorajam as mulheres cristãs, a cumprirem alegremente o nobre papel de esposas e mães? De esposas ajudadoras, amorosas, aconselhadoras e boas administradoras do "salário" do marido? De mães, alegres educadoras e instrutoras de seus filhos, tão necessário nos nossos dias?
Já têm uma carga por demais pesada. Não acham que lançar sobre elas mais esse encargo de pastoras seria brutal, gigantesco, difícil de aguentar? Bem, pode argumentar-se que nem todas as mulheres são esposas e mães mas, como em tudo, são excepções à regra divina.
Vamos animá-las a cumprirem seu nobre papel dado por Deus, e permitir que continuem a ser boas cooperadoras dos servos de Deus, como o foram Evódia e Síntique do apóstolo Paulo, a contribuírem com seu testemunho de experiência com Deus e oração na edificação das igrejas, como se ode deduzir das palavras de Paulo (1ª. Cor.11:5, sem uso e abuso do "dom de línguas" porque neste caso devem calar-se na igreja, e como se deduz de Atos 21:9; a participarem na instrução de possíveis "Apolos", como Áquila e Priscila; a serem servas, como Febe, serva (diaconon) da igreja de Cencreia. (Rom. 16:2).
Não somos nós que temos de nos conformar ao mundo, na contemporaneidade, mas o mundo a nós, que somos santos em Cristo Jesus. Logo, é necessário que as mulheres cristãs aprendam a ficar em silêncio e nem ensinem na igreja no papel de presbíteras/pastoras que é uma responsabilidade que Deus entregou a homens de Deus.


Pastor António Tiago Pereira - Igreja Evangélica Baptista de Tremês

domingo, 3 de fevereiro de 2013



Amando a Cristo sem O ter visto


…Jesus Cristo; ao qual, não o havendo visto, amais…
                                                                      I Pedro 1:8


Introdução      
Esta carta de Pedro foi escrita a que destinatários? …aos estrangeiros, dispersos… (1:1). Podemos ter aqui dois entendimentos. Refere-se:
 - Aos judeus, crentes no Senhor Jesus, da diáspora, que tiveram que escapar das perseguições que lhes foram movidas e dispersaram-se por uma vasta região e para as igrejas dos gentios;
- A todos os crentes que, afinal, são estrangeiros e forasteiros neste mundo, também perseguidos pelo mundo, e que aguardam a pátria celestial.

IL.: Tenho um amigo Beja que, há cerca de 40 anos atrás, casou por procuração. Pelo jornal conheceu uma rapariga brasileira, corresponderam-se e, sem se terem encontrado, sem se terem visto uma única vez, começaram a amar-se com um amor que resultou em matrimónio.

Pedro começou no v.3 uma longa lista de agradecimentos ao Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. A base destas bênçãos celestiais é a Pessoa de Cristo e a Sua ressurreição dos mortos.  

Acreditamos n’Ele, apesar de Cristo nos ser invisível aos nossos olhos físicos.

Propósito: Estejamos sempre gratos a Deus por Cristo, a quem amamos mesmo sem o termos visto.

I. Amando a Cristo sem O ter visto - …não o havendo visto…
              Os leitores desta carta de Pedro haviam recebido a pregação do Evangelho e converteram-se a Cristo. Naquela altura, estavam a passar por uma perseguição iniciada por Nero no ano 64. Eles eram membros daquelas igrejas locais referidas no v.1.

            E o que diz Pedro destes crentes dispersos, fugitivos, expulsos das suas casas, famílias, dos seus lares? O que escreve Pedro destes irmãos perseguidos e sujeitos a serem espancados, atirados às feras, queimados? Pedro diz que a sua fé em Cristo é muito mais preciosa do que o ouro (v.7).

            Mas, o mais surpreendente é que Pedro acrescenta que eles não apenas acreditavam, não apenas exerceram fé em Cristo, como também AMAVAM Aquele Senhor que eles não tinham visto.

            Pedro tinha tido o grande privilégio de ter sido escolhido pessoalmente para apóstolo do Senhor. Viveu na companhia de Jesus cerca de três anos. Trabalhou com Jesus. Dormiu nos mesmos lugares, viajou com Ele a pé, de barco, ouviu as Suas pregações, viu os Seus milagres, sentiu o amor de Cristo pessoalmente.

            As mãos de Pedro tocaram no Jesus Deus-Homem encarnado: …as nossas mãos tocaram da Palavra da vida.- escreveu João (I Jo.1:1). Pedro foi abençoado nisto.

            Mas, aqueles crentes dispersos, não. Não viram Jesus com os olhos carnais. Nem O estavam a ver no presente: não o vendo agora. Pedro está a dizer: “Vocês não O viram como eu o pude ver. Mas, mesmo assim, amam-No”.

            Qual o tipo de relação que tinham com o Senhor Jesus?
            Eles ouviram falar do carácter de Jesus, do Seu sacrifício na cruz pelo pecado. Sacrifício em que Jesus levou sobre Ele mesmo os nossos pecados. Como diz o profeta Isaías em 53:4-6,10: Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades: o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos... a sua alma se puser por expiação do pecado....
Aqueles crentes a quem Pedro escreve ouviram também falar da ressurreição de Jesus dos mortos.
Eram crentes e amavam a Jesus porque se arrependeram do seu pecado.

      É deste modo que Pedro descreve a relação daqueles crentes com Jesus: “Amam-No, sem o terem visto, e não o vendo agora.”

            E o que é que este amor por Jesus lhes está a fazer?
- É esse amor (e essa fé) neste Senhor Jesus que lhes está a dar a perseverança, a confiança, a coragem e a firmeza em todas aquelas terríveis situações e problemas que estão a viver.

            - Este amor (e esta fé) a Jesus transformou tudo nas suas vidas. Transformou os problemas e as tristezas numa alegria impossível de descrever: …vos alegrais com gozo inefável e glorioso.

            A relação deles com Jesus é espiritual, mas cheia de amor. Eles O amam pelo motivo exposto pelo Apóstolo João: “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” - I João 4.19
            Jesus amou-nos primeiro e é este amor que Jesus tem por nós que nos constrange a amá-LO também.

            Jesus exerce uma atracção fortíssima em nós para O amarmos. Porquê? Por causa da Sua cruz. Vejam o que o Senhor disse: E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. (Jo.12:32).

            Ainda hoje, o amor de Jesus atrai todos os dias almas para O conhecerem e amarem.

A pessoa de Cristo é excelente, amorosa. Cristo é verdadeira fonte de Graça e ninguém mais. Foi o que Ele fez, o que Ele realizou na cruz que fez com que aqueles nossos irmãos perseguidos e feridos no primeiro século O amassem de todo coração e forças, permanecendo dispostos a Servi-lO.

            Eles estavam a cumprir e a praticar o primeiro e o maior de todos os mandamentos que O Senhor ensinou: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento… (Luc.10:27).

II. Como é que amamos verdadeiramente ao Senhor Jesus Cristo?
              Será que temos vero amor por Jesus? Como podemos sabê-lo? Qual é o peso do nosso amor por Ele?

              O próprio Jesus ensina-nos como amá-Lo verdadeiramente.

1.º- Recebê-Lo como nosso Salvador e Senhor.
            Há uma responsabilidade por parte do homem. Este é o passo inicial: Mas a todo quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus. (João 1:12)
       Há um passo a dar pelo pecador revelada em Romanos 10:9-10, 13: "A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo. Visto que, com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação...Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.

       Jesus disse em João 13:20: ...e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Veja a diferença entre receber e rejeitar: Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue... (João 12:48)

       Quem não O reconhece desta forma não O ama de facto. Só estes são filhos de Deus. Por isso, Ele disse: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis… (Jo.8:42).
E os que O receberam viverão para servi-Lo, para amá-Lo, para se entregarem a Ele na esperança que em breve irão vê-lo e servi-Lo face a face.

2.º - Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. João 14:15
            Os vs. 21, 23 e 24 reforçam esta verdade. Quem ama Jesus obedece à Palavra de Jesus. E vai receber o amor de Jesus e o amor do Pai.

Por outro lado, se não amamos a Jesus, não quereremos obedecer à Sua Palavra. É muito perigoso e uma grande tristeza não amar a Jesus. Vejam-se as palavras fortes que Paulo usa: Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema; Maranata. (I Cor.16:22).

O que quer dizer anátema? Os que são culpados de um crime que merece a mais severa condenação; estão expostos à sentença de "condenação definitiva do Senhor”. Todos aqueles que não amam ao Senhor são objecto de repulsa de todos os crentes: "maldito, ou considerado aquele que está fora da Igreja". Tratava-se da máxima punição. Uma sentença pronunciada e mediante a qual se expulsava alguém considerado um “herege” do seio da sociedade religiosa; esta expulsão era considerada uma pena mais grave que a excomunhão.
  
Conclusão
            Não precisamos de ver a Jesus para crer n’Ele e amá-Lo intensamente do fundo do nosso coração. Milhões e milhões creram e amam a Jesus sem nunca o terem visto. Aqueles crentes dispersos e perseguidos estavam firmes no amor a Cristo, mesmo sem o terem visto.

            O apóstolo Pedro termina esta primeira epístola saudando-os e escrevendo que eles estavam firmes. (I Pedro 5.12)

              Termino com Efésios 6:24: A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com sinceridade. Amém.

Rui Simão
pastor
Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

terça-feira, 1 de janeiro de 2013



Ezequias - Rei de Judá

Uma vida nas mãos de Deus

II Reis 18:1-8 
       O início de cada ano é um bom momento para reflectirmos no ano que passou e nas decisões para o ano que se segue. Seja o nosso propósito como o deste grande homem de Deus. Decidiu fazer o que era agradável aos olhos de Deus e confiar n'Ele todos os dias da sua vida.

Introdução                                          
            Estávamos numa época em que a nação de Israel como um todo estava dividida em duas nações, dois reinos, por guerras entre as tribos, dando origem ao reino do Norte, chamado Israel, e reino do Sul, Judá. A nação esteve unida apenas com os reis Saúl, David e Salomão, com cuja morte se dividiu.

            Ezequias foi rei de Judá, reino do Sul, cuja capital era Jerusalém. Começou a reinar com vinte e cinco anos de idade, por volta do ano 716 até 687 antes de Cristo e reinou durante 29 anos.
             
Ezequias, filho do ímpio rei Acaz, foi um dos melhores reis de Judá, um hábil administrador e reformador. Mas, o que mais se salientou no rei Ezequias foi a sua fidelidade e amor a Deus e às Suas leis.

Propósito: Que os nossos corações sejam submissos a Deus e à Sua Palavra, pois a nossa vida está nas mãos do Senhor.

Ezequias foi um homem cuja vida, espiritual e física, estava nas mãos de Deus.

I. Ezequias, um rei obediente a Deus na sua vida pessoal – II Reis 18:1-3
             Ezequias, apesar do mau exemplo do seu pai, contrastando com todos os demais reis de Judá, seguiu o exemplo do rei ideal, David: E fez o que era recto aos olhos do Senhor… (v.3).

            Andar, fazer o que era recto… conforme tudo o que fizera David, é algo dito nas Escrituras somente acerca de quatro reis de Judá: Asa (I Rs.15:11); Josafá (II Cr.17:3), Josias (II Rs.22:2) e Ezequias. Deus olhava para ele, o povo observava-o, o mundo analisava-o e concluía: “Eis aqui um homem com uma vida pessoal recta, sincero e que faz o que é agradável a Deus”.
           
            Ele procurou seguir os mandamentos e as leis de Deus. Também nós devemos proceder assim.   

II. Ezequias, um rei obediente a Deus na sua vida espiritual – II Reis 18:4-7a
             Nada escapou ao zelo espiritual de Ezequias. Destruiu tudo o que tinha a ver com idolatria e removeu todas as coisas que pudessem influenciar o povo a praticar culto desagradáveis e desobedientes ao Senhor e à Sua Palavra. (v.4)

Uma das mais elevadas qualidades espirituais de Ezequias está nos v.5 e 6: No SENHOR, Deus de Israel, confiou… porque se chegou ao SENHOR, não se apartou dele e guardou os seus mandamentos… Vejam as 4 acções de testemunho para com Deus: “confiou, se chegou, não se apartou, guardou”.

A falta de confiança em Deus é um forte passo para a derrota espiritual e a decadência, pessoal e nacional, de uma nação.

Outros reis tiveram bons inícios de vida, mas não foram fiéis até ao fim. Não foi o caso de Ezequias, pois foi sempre fiel à Palavra, às leis do Senhor. Foi um homem de fé e de santidade. Foi um homem que pôs em prática o seu amor a Deus nas muitas reformas e obras que fez em Judá.

No seu tempo, a obediência às leis de Deus era o padrão para uma avaliação espiritual. Ele apegou-se ao Senhor, guardou os mandamentos que davam prazer ao Senhor.
 Por sua fidelidade pública e notória, Deus abençoou muito o rei Ezequias. Ele foi bem sucedido: Assim foi o SENHOR com ele… (v.7). Não foi um homem perfeito, também teve os seus erros, mas procurou ser sempre ser fiel ao Senhor.

III. Ezequias, um rei obediente a Deus no seu governo – II Reis 20:20; II Cr.32:27-30
 Como governante, foi um rei memorável, construiu muitas coisas que favoreceram o povo e o reino a fim de beneficiar pessoas e áreas necessitadas.
 Conduziu Judá sabiamente em batalhas contra os seus inimigos. Com a força e bênção do Senhor, Ezequias conseguiu derrotar o grande inimigo de Judá, o rei da Assíria.
  
IV. Ezequias, um rei que confiava em Deus em todas as coisas – II Reis 18:28-37
Durante o seu reinado, Ezequias sofreu a ameaça de invasão e de destruição por parte da grande potência da altura, a Assíria, que tinha conquistado tudo por onde passava.

Perante essa ameaça real, o que faz o rei Ezequias? Mostrou a sua espiritualidade e em quem confiava. Ler II Rs.19:1-6, 14-20, 32-37.
 Ezequias era um rei, um homem, que confiava em Deus em todas as coisas da sua vida. Era um homem de oração.

V. Ezequias, uma vida nas mãos de Deus – II Reis 20:1-11
Isaías era o profeta leal de Deus nos dias de Ezequias. O rei estava sempre atento a buscar, neste profeta do Senhor, a Palavra, as profecias e a orientação de Deus.

O que vai acontecer a este homem espectacular? O que virá à vida deste rei obediente a Deus na sua vida pessoal, recto, zeloso na sua vida espiritual, dedicado no seu governo? O que espera este homem de oração que confiava no Senhor em todas as coisas na sua vida?

Geralmente, os nossos pensamentos e julgamentos humanos levam-nos a pensar que nada de mal sucederá a um crente dedicado e fiel ao Senhor. Nem a Bíblia, nem Deus prometem nada disto.

O Senhor Jesus disse aos Seus apóstolos: …no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Jo.16:33).

Paulo escreveu aos crentes da igreja em Roma: Porque, para mim, tenho por certo que as aflições deste tempo presente, não são para comparar com a glória que em nós há-de ser revelada. (8:18).

Temos na Bíblia os exemplos de notáveis homens de Deus, de Job e deste fiel rei Ezequias.

Certo dia, o fiel e dedicado rei Ezequias recebeu uma das piores notícias que poderemos receber: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás. (v.1).

Aplicação/Conclusão  

Apesar de sermos fiéis e dedicados ao Senhor, não estamos isentos do mal. Pensamos que somos bons, mas nada somos perante um Deus santo e puro. Ele diz do homem: Não há um justo, nem um sequer…todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. (Rom.3:10-12).

Foi por isso, porque as nossas obras não são suficientes, não nos salvam, que Jesus Cristo encarnou e levou na Sua cruz o nosso pecado. Ele veio para ser o Salvador do mundo, a fim de que toda a pessoa que confia em Jesus pela fé, arrependido do seu pecado, possa ser perdoado por Deus e ter a vida eterna.

A vida de Ezequias, a nossa vida, está nas mãos de Deus. No próximo estudo, veremos como vai reagir este homem perante a fatal notícia recebida pelo profeta Isaías e quais as respostas que recebe.


Ezequias - Rei de Judá
Uma vida nas mãos de Deus
A Doença e a Cura de Ezequias
II Reis 20:1-11; Isaías 38 

Agora, contudo, este fiel rei surge prestes a cair diante de uma doença fatal.

I. Ezequias e a sua doença fatal – II Reis 20:1
             Temos lições importantíssimas para a nossa vida em Ezequias. Os caminhos e os propósitos de Deus são um mistério para nós. Mesmo o crente mais fiel não está isento do mal. O rei está seriamente doente. É fatal, mortal. É o próprio profeta de Deus, Isaías, falando em nome do Senhor, que lhe anuncia o fim dos seus dias.

II. A reacção de Ezequias à notícia do profeta - Oração – II Reis 20:2-3
             O anúncio da morte perturba muito o rei levando-o a irromper em grande choro em voz alta. Ele tem um desejo intenso de viver. De imediato, o rei mostra em quem confia: …e orou ao Senhor…
             
            O rei não tomou a palavra do profeta como palavra final. Teve esperança e confiança na misericórdia de Deus. Creu que podia ser mudado.

            Qual é a oração de Ezequias?
            Ele menciona a devoção e piedade com que tinha andado diante de Deus. Ele relembra ao Senhor quanto tinha sido fiel, como tinha andado em obediência às Suas leis. Ele não fala especificamente em prolongamento de vida, mas as suas palavras subentendem-no.
            Ele sabia que de Deus tinha vindo a ordem e é para Deus que ele se volta para que seja anulado o decreto divino. Ezequias confia no poder da oração. Já tinha provas suficientes da intervenção do Senhor.

            AP.: O que fazemos nós perante situações difíceis na nossa vida? Para quem nos voltamos em primeiro lugar? Confiamos no Senhor para entregar-lhe a nossa vida? Podemos receber uma notícia de uma autoridade, de um médico, de um juiz, etc, e parece que é final, que não há solução. Mas para Deus nada é impossível. Deus pode mudar. Temos que crer, confiar e orar. Se for da vontade de Deus, tudo mudará.
           
            Recorda-nos Jairo a pedir a Jesus para ir curar a sua filha que estava à morte. Mas enquanto falava, recebeu a notícia fatal: A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre. Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas, crê somente e será salva. (Lc.8:41-42, 49-50)

III. A resposta do Senhor à oração – II Reis 20:4-6
 Vemos agora o poder da oração. Ainda o profeta Isaías mal tinha saído da casa do rei e recebeu ordens de Deus para voltar para trás. A resposta veio rapidamente: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei.

 Não significa que Deus muda, pois Ele é imutável e não se arrepende como as pessoas. Deus mostra a Sua vontade a pouco e pouco e as coisas tornam-se favoráveis pelo poder da oração. Tudo se deve à misericórdia e à graça divinas.  Nós não podemos exigir nada de Deus e nada merecemos, pois somos pecadores e Ele é Santo. Tudo vem da Sua bondade e favor imerecido.

Como Pai, Deus tem prazer em ouvir as orações dos Seus filhos e em mudar as coisas a seu favor. Jesus ensina-nos no Sermão do Monte: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. (Mt.7:7-8 e I João 5:14-15).

A oração prevaleceu. A oração é poderosa. Naquele dia, Ezequias recebeu duas grandes e abençoadas respostas divinas na forma de dois milagres. Quais foram (v.6)?
1. A cura e o prolongamento da sua vida por mais 15 anos;
2. A certeza da libertação, da defesa e do amparo de Deus perante o rei da Assíria.

No v.8, Ezequias já fala em subir à casa do Senhor para agradecer. O seu coração está cheio de gratidão pelo milagre do Senhor.

IV. O Salmo de Ezequias em louvor e gratidão – Isaías 38:9-22
O rei irrompe em agradecimento a Deus. Ele começa por descrever o horror e a dor que se apoderaram dele em face da morte. Até ao v. 16 ele continua a levantar os seus olhos para o alto para obter alívio e restauração.

Do v.17 em diante, o rei dá testemunho do seu alívio e da salvação de Deus: O Senhor veio salvar-me… (v.20).

Aplicação/Conclusão  

Apesar de sermos fiéis e dedicados ao Senhor, não estamos isentos do mal.  A vida de Ezequias, a nossa vida, está nas mãos de Deus. A pior notícia pode ser mudada pelo Deus Altíssimo, o Todo-Poderoso.

Há grande poder na oração: E a oração da fé salvará o doente e o Senhor o levantará…A oração feita por um justo pode muito nos seus efeitos. (Tiago 5:15, 17).

Tudo vai depender da vontade de Deus, dos Seus planos para as nossas vidas.


Rui Simão, Pr.
Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

sábado, 8 de dezembro de 2012


“Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável”
II Coríntios 9:15


  Numa altura em que o mundo se centra no Natal, certamente é uma boa ocasião para sermos agradecidos. Porquê? Porque celebramos o dom, a dádiva de Deus à Humanidade. Natal pode ser resumido numa só palavra: Emanuel, cujo significado é Deus connosco. Deus encarnou.

Natal, "nascimento".  Poderemos nós celebrar o Natal sem meditar no seu real significado? Sabemos que o Senhor Jesus Cristo não nasceu a 25 de Dezembro. Também não temos qualquer proibição, nem mandamento bíblico sobre celebrar o nascimento de Cristo, nem qualquer exemplo de alguma igreja do Novo Testamento a celebrar o Seu nascimento. Mas, de facto, Jesus Cristo nasceu há cerca de 2000 anos em Belém, cumprindo as profecias e as promessas das Escrituras. Como cristãos, é nosso dever e privilégio testemunharmos, agora ou em qualquer outra altura do ano, do verdadeiro significado da encarnação de Deus Filho,  Jesus Cristo, através da eterna, imutável e verdadeira Palavra de Deus.


         A celebração do nascimento, da vinda do Filho de Deus ao mundo há mais de 2.000 anos tem sido tristemente transformada num truque para o crescimento do comércio, na festa da família e obscurecida pelo Pai Natal com o seu trenó cheio de prendas a entrar pela chaminé. As atenções mundanas centram-se nisto e é isto que é passado às gerações mais novas. Assim, infelizmente:
         - O maravilhoso objectivo do Natal é ignorado;
         - As implicações eternas do nascimento de Jesus são desconhecidas;
         - O profundíssimo mistério da encarnação divina não é compreendido.

           É nosso dever discernirmos a verdadeira natureza do Natal, conhecermos o Dom de Deus, Jesus Cristo, e sermos-Lhe gratos.

I. O Tempo de Deus Gál.4:4-5
Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher…

…vindo a plenitude dos tempos… - Deus tem o Seu tempo, o Seu relógio. A vinda de Cristo, prometida havia séculos, esperada pelo povo de Deus, não foi acidental, mas, sim, por determinação divina. O Messias manifestou-Se, encarnou, no momento exacto estabelecido pelo Pai (ver o v.2b).

O sentido destas palavras é “o momento exacto”. Quando chegou o momento exacto, Deus trouxe a Luz a um mundo em trevas espirituais, Deus inaugurou a dispensação da Sua graça.
Estas palavras chamam a atenção para a importância deste acontecimento.

…Deus enviou o seu Filho… - Esta expressão tem grande lição. Apresenta-nos a divindade e a pré-existência de Cristo nos lugares celestiais. Vê-se que a Sua missão não era terrena. O Filho eterno recebeu uma missão, aceitou-a e encarnou. Deus enviou o seu Filho.

…nascido de mulher… - Depois de se declarar a sua divindade (Cristo é o Filho Unigénito de Deus), temos uma declaração da autêntica humanidade de Jesus. Esta foi a forma escolhida por Deus para Se revelar ao mundo. O Filho encarnou, nasceu de uma mulher. O Criador a nascer por meio da criatura. Fala-nos da Sua humildade e humilhação.

O Filho assumiu a forma humana. João 1:14 esclarece: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós… Paulo quer falar-nos do profundo mistério da encarnação divina. O Filho de Deus nasceu de uma mulher. Deus entrou no mundo, triunfante, em carne e osso.

Qual o propósito da encarnação? Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adopção de filhos (v.5).
- Para remir... O Pai enviou o Filho numa missão importantíssima, universalmente aplicável a todos os homens e a toda a criação. Cristo nasceu para morrer numa cruz para pagar a culpa do pecador condenado.
- ...a fim de recebermos a adopção de filhos. Crisro nasceu para podermos ser filhos adoptivos de Deus.

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3:17).

II. Gratos pelo Dom Inefável de Deus II Coríntios 9:15
 Na questão de dar, ninguém se equipara a Deus nem ao que Ele fez. O Seu dom maior é impossível de ser descrito por palavras ou pela mente humana.
Um dos pecados mais comuns da nossa era é a ingratidão. E a ingratidão está bem patente no Natal na forma em que é celebrado pelo mundo.

Em Romanos 1:21, Paulo diz que o mundo volta as costas a Deus ignorando o Seu propósito na Encarnação: Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram e o seu coração insensato se obscureceu.

Natal é tempo de adoração, de louvor e, sobretudo, da mais profunda gratidão a Deus. O mundo não o faz, mas os crentes têm o dever de o fazer.

Paulo começa por dizer aqui o quê? Graças a Deus… Obrigado, porquê?

…pelo seu dom inefável.

Temos que, primeiramente, expressar gratidão pela dádiva do Senhor Jesus Cristo: Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho Unigénito… (João 3:16). Temos que agradecer o Seu grande amor para connosco.

Cristo é o dom de Deus. É por causa deste dom que temos todos os demais. É em Cristo que temos a vida e toda a bênção.

Deus permitiu que o Seu Filho Se humilhasse e fosse humilhado, que Se esvaziasse de Deus e Se assumisse como servo sofredor carregando na cruz o pecado de todo o mundo para nos poder resgatar. É por isso que Paulo usa aqui uma palavra única e exclusiva em todo o N.T.: inefável. É um dom inefável.

O dom de Cristo é indescritível, indizível, inexprimível, inexplicável. O facto de Deus ter vindo até ao homem foi a atitude mais incompreensível, mais indescritível que já ocorreu. Deus encarnou, fez-se homem, mas continuou Deus. A profundidade desta verdade é tremenda! Através de Cristo, Deus dá-nos perdão dos pecados, reconciliação.

Paulo diz que é um dom, é a graça de Deus. Deve ser acolhido com fé e gratidão: aquele que nem mesmo a seu próprio Filho, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também, com ele, todas as coisas? (Rom.8:32). Poderia existir algum dom melhor do que este?

Quando o Salvador das nossas almas encarnou, houve alguns que reconheceram aquele bebé como o Messias, o Redentor há muito prometido, assim como hoje há pessoas que compreendem o significado sobrenatural do Natal.

Natal só se compreende quando Jesus recebe um lugar prioritário nas nossas vidas: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus (João 1:12). Para estes, o Natal é uma celebração duradoura de gratidão, enquanto para o mundo, a alegria de uma festa que dura apenas 24 horas.

No Natal, Deus deu o que tinha de melhor: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai da luzes… (Tg.1:17).

Natal:
1. NÃO é A festa para alguém que entra por uma chaminé numa festa de 24 horas;
2. É o Dom de Deus, Jesus Cristo, que bate e quer entrar pela porta do nosso coração: Eis que estou à porta, e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei e ele comigo (Ap.3:20).
3. Natal é Deus que encarnou em Cristo no “Seu momento exacto”, na plenitude dos tempos, nascido de mulher, que veio trazer a salvação a todo o que n’Ele crê: para remir…a fim de recebermos a adopção de filhos.
4. Natal é celebração, adoração e expressão da mais profunda gratidão dos filhos de Deus ao Deus-homem: Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável.

Rui Simão
pastor