terça-feira, 4 de março de 2014



Vinde

Brancos como a neve

Vinde, então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.
Isaías 1:18

Introdução      
            O nosso texto dá-nos uma clara explicação para entender a atitude que Deus tem para com o pecado e também como a vida é transformada pela salvação.

Propósito: Em Deus, e só no Senhor, temos esperança de que pelo Seu amor e bondade, tudo será transformado para o nosso bem.

I. O Grande convite divino - Vinde, então, e argui-me
 1. Um imperativo - Este convite é um imperativo, ou seja, dado em forma de mandamento, uma ordem.

            É propício notar pela Bíblia que quando o pecador é chamado ou instruído a crer, por exemplo, em Actos 16.31, “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa, é sempre num imperativo, ou seja, como mandamento.

            Não é um convite informal, nem um choramingo. É falsa a ideia de que Deus choraminga. A Bíblia diz: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho, não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3.36).

            Nas Escrituras, os que não crêem, são considerados como os que “não obedecem à palavra” (I Ped.3.1). Por não crer no Evangelho e não agir conforme aquela fé, é tido como desobediência. Por isso, há maior punição para os que ouviram o Evangelho e negaram ouvi-lo.

            Maior punição para os que ouviram do que para os que nunca O ouviram: “E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.” (Lc. 12.47-48).

2. Um convite com urgência - Também este é um convite com urgência.
            Ninguém sabe quanto mais anos, ou minutos, restam para viver. Acção imediata é necessária! “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” (Tg. 4.14). “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hb.9.27). “Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação;” (II Co.6.2).

 3. Um convite a arguir -E argui-me, diz o Senhor”. Arguir aponta para entrar num diálogo argumentativo, expor um assunto e tratá-lo. É uma linguagem de tribunal em que, perante o juiz, se apresentam os motivos de um processo para a sua sentença.

            Aqui, o Senhor, o Juiz Supremo, Aquele que decide a salvação da pessoa para viver no céu eternamente, ou a condenação eterna do pecador no inferno, faz um convite misericordioso: argui-me.

Porque é que o Senhor convida a argui-Lo? Neste caso, porque está disposto a conceder o perdão ao pecador. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef.2:8-9).

II. A Atitude de Deus para com o pecado
1. O terrível pecado
            O pecado é transgressão e desobediência aos mandamentos de Deus. O pecado conduz à morte: O salário do pecado é a morte. (Romanos 6:23). Precisamos de compreender quão horrível é o pecado aos olhos de Deus e quão imensas são as suas consequências.  
IL.: Cancro: Doença mortal. Perante a notícia, as pessoas desesperam. Assim devia cada um ver o  seu pecado.
  
            Todo o mundo estará perante o grande trono branco para ser julgado por Deus e condenado eternamente ao inferno. E o motivo é o pecado que não alcançou o perdão divino porque o pecador não se arrependeu dele.

Mas, Deus fez e fará tudo para que o pecador alcance a salvação. Há esperança na misericórdia e no amor de Deus.

2. A cor do pecado aos olhos de Deus
            “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata ... ainda que sejam vermelhos como o carmesim
            É interessante notar que muitos pregadores comparam o pecado à cor ‘preta’. A Bíblia não faz assim. As Escrituras usam duas tonalidades de vermelho, como aqui neste versículo, para representar o pecado.
             “Escarlata” é um vermelho brilhante. É uma cor obtida a partir dos ovos de um insecto, coccus ilicis”, que vive nas árvores mediterrânicas.

            Carmesim também é uma cor vermelha muito viva, forte, profunda, obtida também a partir de um insecto – kermes vermilio. Combinado com algum azul, resulta em púrpura. A ideia é que os tecidos tingidos de escarlate ou carmesim ficam com cores vivas, fixas. Eram as cores mais permanentes.

            O que nos quer Deus ensinar aqui? Pelo uso dessas palavras, Deus revela que a alma está tingida pelo pecado e como o pecado é repugnante aos olhos do Senhor. Como poderá o homem brincar com pecado!?
            Nem o orvalho, nem a chuva, nem o lavar, nem o uso ao longo dos anos iria remover estas cores vivas e brilhantes de escarlata e carmesim. Seriam sempre vistas, destacadas. Representam a fixidez profunda do pecado no coração do homem.

            Nenhum meio humano pode lavar estas cores. São impossíveis de tirar como certas nódoas. Nenhum esforço humano, nenhum ritual, nem lágrimas, nem sacrifícios, nem orações, são suficientes para levar embora o pecado. Só um poder omnipotente o poderá remover.

3. A atitude do Deus amoroso
Se tornarão brancos como a neve ... se tornarão como a branca lã”.
O branco é emblema de pureza, santidade, inocência. O branco não tem nódoas nem manchas.
O que nenhum ser humano poderia remover, será tirado. O pecado será perdoado e a alma será purificada, ficará alva como a neve.

A comparação da feiúra do pecado é contrastada à beleza da branquidão da neve recém caída do céu. Esta é um contraste fácil para a mente perceber e representa o contraste do pecado diante da santidade de Deus.

Deus deseja que vejamos o pecado conforme a podridão que é. Na verdade, para ser verdadeiramente arrependido, é necessário perceber o pecado como vil. “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5,6).

            O contraste feito pelas Escrituras também expressa a mudança que a salvação faz. Há diferença entre o perdão do pecado e a purificação do pecado. Se alguém pecar contra mim e pedir perdão, eu devo perdoar-lhe (Mt 18.21,22).

            Porém, somente o sangue do Senhor Cristo pode purificar-lhe o seu pecado. “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Rm 3.25). Há poder de purificação no Sangue de Cristo. Que Deus amoroso, maravilhoso, nós temos
  
Conclusão
            Para que o pecado fosse perdoado foi necessária a vinda ao mundo do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo. Ele deu a Sua vida na cruz para o perdão e purificação do pecado. 

Esta purificação não é automática. É preciso que a pessoa reconheça a profundidade fixa e permanente das suas ofensas e pecados, vivos e brilhantes como carmesim e escarlata, arrepender-se e aceitar Jesus Cristo como Aquele que foi sacrificado na cruz para ser o Salvador do mundo.
           
            É preciso um coração rendido plenamente à Palavra de Deus, uma obediência manifesta pelo arrependimento do pecado e a fé em Cristo Jesus como Senhor e Salvador.

            Ouve e aceita o convite de Deus: Vinde.
Reconhece o Seu amor e bondade. No Senhor Deus há esperança e salvação. Só Ele tem o poder e a autoridade para salvar. Por Seu amor em Cristo, os nossos pecados se tornarão brancos como a neve, perdoados para a vida eterna com o Senhor no céu.



Rui Simão
pastor, Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

sábado, 1 de fevereiro de 2014


   Também vos notifico, irmãos, o evangelho...pelo                                  qual também sois salvos...


Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes e no qual também permaneceis.

Introdução      
 O que é o Evangelho? Qual é a mensagem do Evangelho? À medida que os anos passam, assistimos a uma diversidade de igrejas, de mensagens e de práticas que chegam a confundir as pessoas sobre o que é o Evangelho.

Propósito: Fiquemos firmes na verdadeira mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, não nos fascinando com enganos doutrinários.

I. O que é o Evangelho?
            1.º- Boas Notícias - A palavra grega “euangelion” significa “evangelho”, “boas novas, boas notícias”. E que boas e alegres notícias são estas? Ou seja, qual é a boa mensagem que o evangelho traz?
            É a boa notícia centrada na Pessoa e na obra de Jesus Cristo, de que Deus cumpriu as Suas promessas da antiguidade de enviar o Seu Ungido e, n’Ele, o caminho da salvação foi aberto para todos.

 II. O que é que o Senhor Jesus mandou pregar e anunciar? – I Cor.15:1-2
            Vamos ver isto na pessoa do apóstolo que antes tinha sido o maior perseguidor da igreja e que se tornou o maior missionário e fundador de igrejas no N.T.. Qual o seu método e a razão do "seu sucesso", o qual não era dele, mas sim do Senhor Jesus?

            Paulo foi o fundador da igreja na cidade de Corinto (Actos 18:1ss). Era apropriado lembrá-los do que ele, apóstolo de Cristo, lhes havia ensinado ao princípio. Lembrar os crentes das grandes verdades elementares e fundamentais em que a igreja tinha sido fundada, estabelecida e edificada.  
Assim, aqui, o apóstolo Paulo é muito claro no que ele anunciou àquela igreja de Corinto e o que cada igreja de Cristo deve anunciar em exclusivo às pessoas hoje e em todas a eras. O quê? Apenas e somente o Evangelho.
                     
1.º- Paulo anunciou o evangelho – Ele começa com uma palavra forte que tem o intuito de os impressionar, de os lembrar: vos notifico. O que vai dizer é importante que recordem e que gravem nos corações. Ele está a dizer: “Lembrem-se do que eu vos anunciei quando cheguei a Corinto - o Evangelho.”

2.º- O Evangelho tem que ser recebido – o qual também recebestes. Esta é a resposta que cada pessoa tem que dar ao anuncio do evangelho. Tem que abraçar a sua mensagem, crer e recebê-lo no seu coração.

3.º- O crente tem que permanecer no evangelho – e no qual também permaneceis. O crente não pode deixar de perseverar na mensagem exclusiva do evangelho, essa mensagem que apresenta a Pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo.

4.º- Só o evangelho salva as pessoas da condenação – pelo qual também sois salvos. Nada mais tem o poder de resgatar um pecador da condenação ao inferno senão a mensagem do Evangelho. Por isso mesmo, a uma outra igreja, à igreja de Roma, o mesmo apóstolo Paulo ensinou isto sobre o evangelho: Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê… (Ro.1:16).

            E este Evangelho não pode ser alterado. No v.2, Paulo adverte a igreja: se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado. Já naquele tempo, logo desde o início, Satanás quis adulterar a mensagem pura e central do evangelho para que as pessoas não fossem salvas.
            Se o evangelho não explicar às pessoas a verdade de Deus, as pessoas não serão salvas.

            Era justo o fundador da igreja lembrar aqueles cristãos destas verdades simples. Mas, Paulo vai prosseguir. Vejamos mais atentamente o conteúdo do Evangelho que ele pregou e comparemos isto com o que hoje está a ser anunciado e praticado por tantos pastores e igrejas.

III. O Evangelho consiste em três pontos – I Cor.15:3-4
            Paulo diz que a igreja ainda permanecia nos 3 pontos principais da mensagem do evangelho. E isto foi a primeira coisa que Paulo comunicou: primeiramente vos entreguei. Ele não era o autor desta mensagem. Ele pregou o que também recebi. Ele recebeu a inspiração do próprio Senhor Jesus para levar esta mensagem aos pecadores perdidos.
          E a igreja verdadeira continua a entregar esta mensagem, cujo Autor é Deus, é o Senhor Jesus Cristo:

1.º - Cristo morreu por nossos pecados; 2.º - Cristo foi sepultado; 3.º - Cristo ressuscitou dos mortos.

            Há aqui algum ensino ou prática de sinais, de milagres? Há aqui algum foco em curas, em libertação, em aproveitamento para assuntos materiais? Não. Porque o Evangelho não é nada disso. Ele é:
1.º- Cristo morreu por nossos pecados – A mensagem do Evangelho ensina que o Filho de Deus veio ao mundo morrer num sacrifício expiatório por causa das nossas desobediências aos mandamentos e às leis de Deus. Jesus foi crucificado, derramou o Seu sangue para fazer a expiação dos nossos (não dos d’Ele) pecados. Foi uma oferta vicária, substitutiva. Jesus não foi um mártir.
            E esta morte estava prometida na Palavra de Deus, foi programada por Deus, foi segundo as Escrituras do Antigo Testamento. Ver Isaías 53:4-9.

2.º- Cristo morreu e foi sepultado – Isaías 53:9 e Mateus 27:57-60 mostram como José de Arimateia sepultou Jesus no seu sepulcro novo que havia aberto em rocha.

3.º- Cristo ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras – Também o A.T. profetizou que Jesus haveria de ressuscitar dentre os mortos, no Salmo 16:10. O Evangelho estava previsto no A.T.

            Estas foram as primeiras coisas que o apóstolo Paulo pregou em Corinto, anunciou o Evangelho com estas verdades. A igreja foi fundada nestas doutrinas e por estas verdades é que foram salvos. A doutrina da morte, sepultamento e ressurreição de Jesus é a base da fé cristã.
Não pode haver uma igreja verdadeira, nem nenhuma esperança de salvação se este evangelho não foi anunciado e recebido pelas pessoas.

Vamos ler I Cor.2:1-3 e veremos que os sinais, maravilhas, curas, bênçãos, prosperidade que hoje tanto se anuncia, não fazem parte do Evangelho. Bem pelo contrário! E eu estive convosco em fraqueza, e em temor e em grande tremor.
 O Evangelho diz respeito ao filho de Deus e sua obra por nós. Diz que Ele veio como salvador.

Escrevendo mais tarde à mesma igreja em Corinto, Paulo volta a advertir aqueles crentes para não se desviarem do puro Evangelho, da simplicidade que há em Cristo, sendo enganados pelo diabo. Ler II Coríntios 11:3-4.
Outro Evangelho, não é o mesmo que Paulo pregou, tem uma qualidade diferente.
  
            Hoje somos confrontados com um novo tipo de evangelho, de experiências sobrenaturais, curas e às vezes até mesmo ensino sobre prosperidade é incluído.  A promessa de cura como ensinada hoje não é encontrada na Bíblia. O foco era Cristo e seu perdão e o homem ser reconciliado com o santo Deus.

É interessante que quando ouvimos todas as promessas afirmadas hoje nunca é mencionada a promessa de perseguição ou tribulações para aqueles que verdadeiramente seguem ao Senhor (Marcos 10:30; João16:33; I Tessalonicenses 3:4; Apocalipse 1:9). Tente pregar isso num programa evangelístico e veja quem se manifestará, quem atrairá ou veja quão popular o seu ministério vai ser.

Mateus 7:21-23 fala de pessoas usando o nome do Senhor Jesus para profetizar, expulsar demónios e até mesmo fazer milagres (do grego dunamis). Mas Jesus vai dizer-lhes: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Eles apartaram-se de Jesus para começarem a praticar tais actos. Eles operavam por eles mesmos sem as instruções de Cristo. Não era esse o Evangelho que Jesus mandara anunciar.

E quem é que Jesus está a alertar? A Igreja, em todas as eras, a igreja de hoje.

Em Mateus 24:3, Jesus avisa: "Acautelai-vos, que ninguém vos engane

Conclusão
 Seguimos os ensinos dos apóstolos, ensinos esses que lhes foram entregues em pessoa pelo Senhor Jesus ou que foram escritos por eles inspirados pelo Espírito Santo. Não nos desviamos da Palavra de Deus.

Pregamos o Evangelho de Jesus com os ensinos fundamentais, sem misturas, sem sensacionalismo nem populismo:
- Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou, segundo as Escrituras.

É por isso que Paulo disse na I Coríntios 4:6, a "para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito."

Estes são alertas para nosso bem e protecção. Ignorá-los é um grande perigo espiritual.


            É dever do crente não se tornar insensato, não se fascinar perigosamente ao abraçar outras doutrinas que corrompem a lição do Evangelho. Obedeçamos à verdade e que seja sempre evidente para nós Jesus Cristo crucificado.

Rui Simão
pastor - Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014




A Paz de Jesus Cristo
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá.
 Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.
João 14:27 

Introdução      
Estamos a iniciar o novo ano de 2014. O primeiro dia de Janeiro é o Dia Mundial da Paz. Esta escolha do tema da paz para o primeiro dia de cada ano, procura mostrar ao mundo que a paz é essencial à vida das pessoas. Contudo, a paz continua e continuará a faltar neste mundo trazendo tanta dor.

O ano que passou deixou as mais diversas marcas. Uma delas foi a de muitas vidas perdidas. Vidas perdidas pela fúria do nosso planeta, nas catástrofes naturais, tais como cheias, terramotos, furacões.   
Vidas perdidas nas guerras e atentados nos quatro cantos do mundo que deixam o mundo sem paz.  

Propósito: Estejamos preparados para enfrentar o novo ano de 2014, confiando e descansando no nosso Deus e Senhor que nos dá a verdadeira paz, paz sem igual.

No início deste novo ano, vamos falar de paz, de 3 tipos de paz.

I. A paz exterior
A guerra tirou vidas e paz em 2013. Pela graça de Deus, em Portugal, nós acompanhamos de longe, via satélite, pela TV, rádio, jornais, as guerras e catástrofes no mundo.
As guerras na Síria, Afeganistão, Faixa de Gaza, entre tantas outras, fizeram milhares de mortos e milhões de deslocados e refugiados. Cidades destruídas e vidas destruídas.
Vemos as pessoas em dor, a chorar com as perdas dos seus bens, de filhos e familiares.

Quão preciosa é a paz. Dormir sem medo de acordar ao som de bombas e de tiroteio. Saber que o pai, a mãe, o irmão, o avô voltarão para casa no final do dia. Saber que andamos em segurança nas ruas, que os nossos filhos podem ir normalmente para a Escola amanhã.

Quantas vezes agradecemos pela paz de que desfrutamos? Quantas vezes contribuímos para a paz à nossa volta? O que nos acontece quando perdemos a paz? Choramos, sofremos?

Mas falámos da paz exterior e é verdade que o mundo, e todos nós, precisamos deste tipo de paz.

II. A paz interior
Mas há um tipo de paz que é independente das circunstâncias que nos rodeiam. É a paz que vem de dentro. Esta paz não pode ser fabricada, nem fingida, porque esta paz reside no coração daquele que tem fé no Senhor Jesus Cristo, que tem fé no Príncipe da Paz que o profeta Isaías anunciou que nasceria.

Assim, mesmo estando no meio da guerra, ainda que atacados pelas lutas da vida, fustigados pelas catástrofes naturais, podemos desfrutar de paz interior, de paz no nosso coração, porque temos Jesus Cristo como Aquele que nos dá a Sua paz. E Ele está pronto para nos conceder esta paz todos os dias de 2014.

Neste novo ano iremos enfrentar muitas situações difíceis que nos quererão tirar a paz. Por isso, precisaremos de paz. Refugiemo-nos na Paz do nosso Senhor Jesus Cristo.

III. A Paz de Cristo – João 14:27
Há paz onde Cristo está. Quando ele ressuscitou dos mortos e apareceu aos Seus discípulos, a Sua saudações foi: Paz seja convosco. Jesus é o Pacificador de Deus.

Ele estava para ser preso e deixar os Seus apóstolos e discípulos naquela mesma noite em que proferiu as palavras de João 14:27. Vejamos as promessas que Ele deixou à Sua Igreja antes da Sua partida deste mundo. Como é que Jesus começa?

1. Deixo-vos a paz…
Jesus fala como quando alguém deixa um testamento. De facto, Jesus está prestes a morrer e a deixar os Seus discípulos. Como uma das Suas últimas vontades e como o melhor legado que Ele poderia deixar-nos, deixa-nos a paz. Deixo-vos a paz”. Pensemos bem nesta oferta.

Com a paz de Cristo teremos tudo o que é verdadeiramente bom. Jesus deixa a paz connosco, pessoalmente.

2. …a minha paz vos dou… - Que tipo de paz é esta?
a). Paz de Cristo - Quem a deixa não é uma pessoa qualquer. É uma paz que vem de Cristo, d’Aquele tem o poder de a fazer e de a conferir. Jesus afirma que é a minha paz.
É uma paz especial. Porquê? Porque tem um alcance e um objectivo que mais nenhuma paz pode sequer almejar. Qual é? É a…

b). Paz com Deus - Pelo sacrifício de Cristo na cruz, o pecador foi reconciliado com Deus e alcançou a paz com Deus: …Jesus nosso Senhor; o qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. (Rom.4:24-5:1).

Cristo é a nossa paz, conforme lemos em Efésios 2:13-17. E é esta paz eterna que Jesus dá a toda aquela pessoa que, arrependida do seu pecado e transgressões a Deus, crê em Jesus Cristo, confia n’Ele, recebendo-O como único e divino Salvador.

É uma paz de tipo especial porque traz …

c). Paz na nossa consciência – Precisamos de paz na nossa consciência por causa da culpa dos nossos erros para com Deus e para com o nosso próximo, da culpa e da tristeza dos erros da nossa vida.

Só Jesus nos pode dar essa paz tranquilizadora da consciência. Hebreus 10:21-22 garante isso ao que tem Cristo no coração: E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa.
Que maravilhosa é a paz que Cristo nos dá. Mas Ele continua.

3. …não vo-la dou como o mundo a dá…
Não é a paz vazia do mundo. Jesus não no-la dá como o mundo. O que nos dá o mundo?

a).Prazer, fama, riqueza que não satisfazem e não proporcionam a paz que a alma precisa e anseia;

b). O mundo dá-nos palavras vãs e lisonjeiras, mas não temos a certeza da sua sinceridade;

c). O mundo e as suas filosofias e falsas religiões professam uma paz que não é real, que não concilia a alma com Deus, não concede o perdão da culpa do nosso pecado que nos retira a paz;

d). O mundo pode dar-nos muitas coisas, mas os nossos corações só ficam satisfeitos com a tranquilidade, com a felicidade sem fim, com a amizade eterna com Deus que Jesus nos dá com a Sua paz. Não existe paz igual.

Jesus diz: “A minha paz é que atende às necessidades da alma, silencia os alarmes das consciências, é segura e certa no meio de tantas mudanças externas no mundo. É uma paz que vai permanecer na hora da morte e para sempre.”

Por não ser uma paz do mundo, Jesus prossegue em prometer:

4. …Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.
O sentido da palavra é “não deixar o nosso coração recuar por medo de qualquer mal que se aproxime.”
 Não nos aflijamos na nossa vida diária neste mundo. Temos um Senhor e um Amigo que nunca nos deixará e cuja paz permanece nos nossos corações para sempre.  Por isso, Ele pede para não ficarmos perturbados nem receosos.
  
Conclusão
            Guardemos nos nossos corações, dia a dia deste novo ano, estas palavras do nosso Senhor e Salvador.
            Só em Jesus Cristo, não no mundo, temos a paz que preenche todas as áreas da nossa vida.
            Se alguém ainda não conhece Cristo como Salvador, saiba que só por Ele temos paz com Deus, pelo perdão dos nossos pecados. Por isso, eis o permanente convite do Senhor Jesus Cristo:
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração; E encontrareis descanso para as vossas almas. (Mateus 11:28-29)
       Que melhor início de ano desejaríamos, senão este que Cristo nos dá: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou.

Rui Simão
Pastor
Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

domingo, 1 de dezembro de 2013



(Veja no final as apresentações em PP)

O Verbo se fez Carne
João 1:1-14


            Esta é a época do ano quando, querendo ou não, as nossas mentes e corações voltam-se para no nascimento de Jesus Cristo. Não há nenhuma probabilidade de que o nosso Salvador Jesus Cristo tenha nascido nesse dia 25 de Dezembro, e a observância dele é puramente de origem papal e uma tradição. Não temos sequer no NT um exemplo de que alguma igreja tenha celebrado o nascimento de Cristo, nem nenhum mandamento para o fazer. 

           No entanto, ainda que não sigamos os passos de outros, não vemos dano algum em pensarmos na encarnação e no nascimento do Senhor Jesus Cristo.
Estamos a meditar nas Escrituras, e só nelas, sobre A Encarnação do Filho de Deus, a Sua Primeira Vinda ao mundo, pois, agora, aguardamos a Sua Segunda Vinda. Vamos olhar e meditar nas palavras do apóstolo João no seu Evangelho.

Propósito: Fortaleçamos a nossa fé com a revelação da verdade das Escrituras sobre a Encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo.

 

            Os primeiros versículos deste Evangelho contêm declarações e verdades importantíssimas e fundamentais sobre a Pessoa e a Natureza de Jesus Cristo.

I. A Pessoa do Verbo, Jesus Cristo – No princípio era o Verbo… - v.1-2
 Não é por acaso que o Evangelho começa com as mesmas palavras que Génesis 1:1: No princípio… Em Génesis inicia a história da primeira criação; aqui, inicia a história da nova criação. Nas duas obras da criação, o agente é a Palavra de Deus, o Verbo.
Temos que entender o que significa esta expressão o Verbo. 
Continuando a ler o texto bíblico, claramente entendemos que o Verbo é uma Pessoa, não é uma coisa. 
O v.3 diz que o Verbo criou todas as coisas e o v.14 revela que este Verbo encarnou e veio habitar entre nós. 

Portanto, não temos dúvidas, o Verbo é uma pessoa.
E que pessoa? Isto é muito importante. O Verbo tem existência real e relaciona-Se com outra pessoa. Por isso, é uma pessoa divina, é Deus: …o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
O Verbo é uma das Pessoas da Trindade Divina, mas distinto das outras duas Pessoas e tem uma relação pessoal muito íntima com elas; mais ainda, Ele participa da própria natureza de Deus, porque o Verbo era Deus.

No princípio de tudo, o Verbo já estava ali. Ele não começou a existir quando as coisas foram criadas. Em João 17:5, Jesus revela: E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo, antes que o mundo existisse. Colossenses 1:17 revela: E ele é antes de todas as coisas…

Portanto, desde a eternidade, antes que a terra e os céus fossem criados, o Verbo, que é uma Pessoa, a Pessoa de Jesus Cristo, já existia, eternamente. Ele não foi criado, porque é o próprio Criador, foi e é e sempre será Deus, nunca deixou de ser Deus Filho.

Temos, só neste versículo 1, quatro lições importantíssimas:
1.   O Verbo é uma Pessoa, Jesus Cristo;
2.   Jesus Cristo é eterno, já era, estava antes de tudo, antes do princípio;
3.   Jesus Cristo é uma pessoa distinta de Deus Pai e de Deus Espírito Santo, mas é um com Deus: ..o Verbo estava com Deus…Ele estava no princípio com Deus (v.2);
4.    Jesus Cristo é verdadeiro Deus: …e o Verbo era Deus.

II. O Verbo, Jesus Cristo, é o Criador e a fonte de toda a Vida – vs.3-4
Depois de termos visto a Pessoa de Jesus e a Sua relação com Deus, o Pai, vemos agora a Sua relação com o mundo.

v.3 – Jesus Cristo é o Criador de todas as coisas. Sem Jesus, não houve nada.
v.4 – Jesus é a fonte, a origem  de toda a vida, da vida espiritual e luz. Jesus é a origem de toda a espécie de matéria, a vida criada, a criação original, mas também de uma forma de vida especial, uma forma de vida mais elevada, a vida espiritual, a vida eterna.

A vida verdadeira, que dura para sempre, eterna, é uma vida diferente da vida física criada por Jesus. Esta vida vem da luz que Jesus nos dá. Por isso, Ele disse que era a Luz do mundo (João 8:12). Esta luz resplandece nas trevas (v.5), dissipa a escuridão do pecado.
  
III. A Realidade da Encarnação de Jesus – v.14
Os versos iniciais concorriam para a majestade deste v.14.: E o Verbo se fez carne… Há 2000 anos atrás, Deus, na Pessoa de Deus Filho - …o Verbo era Deus… - assumiu a natureza humana.

Sem deixar de ser Deus, Jesus foi gerado no ventre de Maria, virgem, e nasceu como pessoa humana, mas sem pecado e nunca pecou. Deus eterno, fez-se carne, humilhou-Se e deixou a glória eterna do céu.

Esta é a grande verdade do Cristianismo, verdade única, a encarnação de Deus, a vinda ao mundo de um Salvador que é ao mesmo tempo Deus e homem, sem pecado. Ele tornou-Se um homem igual a todos nós, mas sem pecado e sem deixar de ser Deus. Grande mistério, mas grande verdade. Só assim podia ser Salvador do mundo.

A outra afirmação também é muito importante: …e habitou entre nós… 
Este verbo tem o significado de fazer tenda. Vai buscar a referência ao tabernáculo do deserto, o lugar da presença de Deus entre o Seu povo de Israel. Deus habitava entre o Seu povo no tabernáculo. E o povo via a manifestação da Sua glória na nuvem e na coluna de fogo.

Mas agora, Deus veio habitar entre nós, fez a Sua morada connosco na Pessoa de Jesus.
E também vimos a sua glória, diz João. A glória de Jesus, Deus Filho, foi vista nos Seus milagres, na transfiguração, na Sua ressurreição dos mortos, na Sua ascensão ao céu.

Portanto, qual é a verdadeira celebração do Natal?
Será que o mundo, nesta ocasião de Dezembro, com todas as luzes e festas, celebra esta verdade revelada nas Sagradas Escrituras? Será que o mundo se curva perante esta verdade bíblica, espiritual, e a respeita e teme? Infelizmente, NÃO! O mundo celebra um Natal comercial ou da família que se reúne e se diverte.

Mas, o verdadeiro Natal é a celebração da encarnação de Deus, que Deus tornou-Se homem e habitou entre nós com uma missão única. Jesus encarnou para quê? Deus deixou a glória celestial para vir passear e conhecer este mundo pecador? Não! Ele não precisava de descer na terra para a conhecer como o homem desceu na Lua. Jesus é Deus e conhece todas as coisas

Lendo Filipenses 2:5-8 e Hebreus 5:8-9 compreenderemos mais profundamente o motivo da encarnação do Filho Unigénito de Deus. Jesus encarnou para dar a Sua vida na cruz para salvar, para resgatar o homem pecador da sua condenação eterna ao inferno, separado de Deus para sempre.


 A verdadeira celebração do nascimento de Jesus é esta, é esta verdade.

O que fazer, então, com Jesus Cristo? O mesmo Evangelho de João, cap.1, vs.11 e 12, dá-nos a resposta.
O v.11 apresenta-nos uma das respostas do mundo: "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam." Muitos não aceitam a Pessoa de Jesus Cristo como Ele é, ou seja, Deus que encarnou, o Messias prometido nas Escrituras, o Salvador do mundo. Não O recebem, não acreditam, não confiam n'Ele e na Sua verdade.

Mas, o v. 12 mostra-nos a resposta certa: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome." Celebrar o verdadeiro significado do Natal é crer, RECEBER Jesus Cristo na sua própria vida como Senhor e Salvador, como o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar o condenado pecador. 
"Arrependei-vos e crede no Evangelho", disse Jesus em Marcos 1:15. Porque, acrescentou Ele, "...se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis." (Lucas 13:5).
Natal, a vinda ao mundo do Senhor Jesus Cristo, o FIlho de Deus, o Salvador do Mundo. Que os nossos corações se curvem em amor profundo, gratidão sem limites, temor reverente e aceitação incondicional perante este maravilhoso Senhor e Deus, Jesus Cristo.

Rui Simão
pastor
(Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia)