quarta-feira, 13 de abril de 2016



Áquila e Priscila
 Uma Família Missionária Exemplar

Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças... saudai também a igreja que está em sua casa...
(Rom. 16:3-5)
 

Actos 18:1-3; 18-26; Romanos 16:3-5; I Coríntios 16:19; II Tim.4:19
 

O tema de hoje tem lugar no final da Segunda e início da Terceira Viagem Missionária de Paulo. Paulo vai para Atenas e depois chega a Corinto, capital da província da Acaia, centro de comércio e transporte marítimo.

É aqui, na cidade de Corinto, que vamos ver mais em foco como um dedicado casal que Paulo encontra, Áquila e Priscila, serve na obra de Deus e abre as portas da sua casa para reunir ali uma igreja.
 

  I. UMA FAMÍLIA UNIDA NA OBRA DE DEUS Actos 18:1-3

Áquila e Priscila eram um casal de Judeus cristãos que tinha como profissão o fabrico de tendas, feitas de peles de animais, bem como trabalhos em couro.

         Eram naturais da região do Ponto, que teve os seus representantes no Dia de Pentecostes em Jerusalém (Actos 2:9).

Era um casal crente em Jesus Cristo, muito harmonioso e unido – que não precisava da advertência que mais tarde Paulo dirigiu aos coríntios: não vos prendais a um jugo desigual...

1. Mudança (v.º2)
        Um decreto do 4.º imperador romano Cláudio, sucessor de Calígula, expulsou todos os judeus da cidade de Roma, por volta de 49/50.d.C..

 Uma mudança abrupta deste calibre perturba bastante a vida, os projectos, a estabilidade e o ganha pão das pessoas.

Mas o plano de Deus para a vida deste casal vai revelar-se e uma nova e fascinante vida de serviço aguardava-os.

2. Servindo
Ao serem expulsos de Roma, muito tinham deixado para trás: Amigos, bens, estabilidade. Mas vão continuar a servir na obra de Cristo na nova residência.

 Eram tão dedicados e unidos em termos de visão evangelística  na obra de Deus que Paulo  chamou-os,  recomendou-os e apresentou-os a outras igrejas como meus cooperadores em Cristo Jesus.

Tal como Jesus, Paulo seleccionou cuidadosamente os seus colaboradores.

3. Trabalhando v.º3
As palavras, eram do mesmo ofício, indicam que Paulo e o casal tinham a mesma profissão. Naquele tempo, era costume que as pessoas da mesma profissão se juntassem em grupo. Na cultura judaica todos tinham que aprender alguma profissão, até mesmo os rabis. 

AP.: É muito honroso que os cristãos trabalhem e que ensinem os seus filhos a dar bom exemplo no seio da sociedade onde vivem.

Neste caso, o casal Áquila e Priscila era um testemunho vivo de uma família unida na obra de Deus e empenhados no seu trabalho.

 II. COMPANHEIRISMO NA FAMÍLIA  Actos 18:18-19
  Depois de ano e meio na cidade de Corinto, fundou-se ali uma grande igreja cristã. Então, Paulo sai e prossegue a sua viagem em direcção a Jerusalém. Toma um barco para Éfeso, passando por Cencreia onde fora fundada uma igreja cristã (Rom.16:1).

Quem acompanhou Paulo? O casal Áquila e Priscila, dispostos a mais uma viagem de centenas de quilómetros. Ao seguirem o Apóstolo, este casal mostra, como família, a sua amizade e companheirismo para com Paulo, assim como união, disponibilidade, consagração e constância na obra do Evangelho.

1. Fortalecendo Laços v.º19  deixou-os ali
Enquanto Paulo prosseguiu a sua viagem até Jerusalém, o casal ficou em Éfeso a fortalecer e a edificar a igreja durante vários anos.

Anos mais tarde, 58 d.C., quando Paulo escreveu a Carta aos Romanos, o casal já tinha viajado de novo para Roma e tinham uma igreja em sua casa (Rom.16:3).

Cerca de 6 anos depois disto, - 64 d.C. - quando Paulo escreveu a 2ª Carta a Timóteo, o casal já estava de novo em Éfeso (II Tm.4:19).

O facto de Paulo os referir nas suas cartas mais importantes, comprova três coisas: 1. A profunda amizade que nutriam uns pelos outros; 2. Eram sempre zelosos, fervorosos e activos no testemunho do Evangelho; 3. Eram recordados com gratidão em todas as igrejas.

2. Cooperadores  Rom. 16:3-5

Como é que Paulo os chamava agora? Meus cooperadores em Cristo Jesus. Porquê?  Porque ajudavam Paulo na expansão da fé cristã.
 

Neste texto aos Romanos, Paulo faz referência a uma atitude espectacular do casal. Qual foi? …pela minha vida expuseram as suas cabeças.

Priscila e Áquila eram completos na dedicação ao Evangelho. Arriscaram a sua própria vida, em sentido físico, para protegerem Paulo, ficaram ao lado dele nas suas tribulações. Naqueles tempos, as perseguições eram constantes.

Isto quer dizer que, por mais que uma vez, o casal poderia ter sido morto por serem fiéis a Cristo e ao apóstolo. E isto lhes agradeço…, diz Paulo.
 

Era só Paulo que mostrava gratidão? Não! ...também todas as igrejas dos gentios conheciam Áquila e Priscila e agradeciam todo o seu papel desempenhado naquelas regiões. Eles eram figuras centrais, instrumentos poderosos nas mãos de Cristo naqueles territórios.
 

Muitas almas foram conduzidas à salvação em Cristo e firmadas na doutrina cristã directamente por eles. Certamente, isto é uma altíssima recomendação para este casal crente.
 

Saudai igualmente a igreja que está em sua casa.

Continua a ver-se por que é que Paulo lhes chama cooperadores. A sua casa era hospitaleira e aberta ao ponto de formaram lá uma igreja.

 Até ao séc. III não há evidências de construção de templos cristãos, principalmente devido a dificuldades económicas, à falta de liberdade e às perseguições. As igrejas reuniam em casas particulares.
 

Assim, vidas foram transformadas, salvas e renovadas pelo evangelho pregado em casa de Áquila e Priscila. Para eles, a sua casa era um utensílio colocado à disposição do culto a Cristo e não algo para o culto do ego.

AP.: Como casais crentes, mostramos este companheirismo?

 Somos motivo de agradecimento pelo nosso contributo ao Evangelho

 em geral e em particular?

 Como usamos o nosso lar para o Evangelho?

III. HOSPITALIDADE NA FAMÍLIA   Actos 18:24-26
Este trecho é mais um exemplo da hospitalidade do casal. Um talentoso pregador judeu, chamado Apolo, chegou a Éfeso. Vemos aqui algumas das suas grandes qualidades que servem de exemplo para nós hoje:
eloquente... poderoso nas Escrituras... instruído no caminho do Senhor... fervoroso de espírito... falava e ensinava diligentemente.
Contudo, ele pregava a verdade de Cristo, mas de forma incompleta. Priscila e Áquila detectaram imediatamente as falhas na sua mensagem. Possivelmente, não teria conhecimento dos resultados da morte e ressurreição de Cristo nem do derramamento do Espírito Santo.
AP.: O caso de Apolo serve de exemplo e de aviso para nós hoje: ser cristão, mas estar ainda incompleto no conhecimento de Cristo.
O que fazem Áquila e Priscila?  V.º26
Convidaram-no para a sua casa, onde reunia toda ou parte da igreja de Éfeso, e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus. Isto faz-nos lembrar II Tm.2:2.
Vejam que não o criticaram, não o ignoraram nem desprezaram, nem tiveram qualquer ciúme daquele pregador eloquente e poderoso nas Escrituras.
Áquila e Priscila, tal como nós, tiveram a consciência que cada um recebe dons de Deus e cada um é um instrumento para uma missão particular nas mãos de Deus.  
Que bênção e quão providencial foi aquele casal que Paulo deixou em Éfeso.
Os vs.27b e 28 já nos mostram resultados do seu trabalho na Acaia bem como em Corinto (At.19:1 c/ I Cor.1:12)
IV. O VALOR DA FAMÍLIA CRISTà I Cor.16:19
Áquila e Priscila reuniram a igreja na sua casa em pelo menos três cidades: Roma, Éfeso e, possivelmente, em Corinto. Esta lição reforça o valor do culto familiar e da família cristã consagrada ao Evangelho.
 
1. Lugar de Adoração
A casa deste casal estava sempre à disposição da obra cristã. Não eram pastores, mas o seu lar era um espaço para adoração e ensino do Evangelho. Igrejas floresceram nos grupos de estudo em sua casa.
2. Desenvolvendo Ministérios
Desde Roma, Éfeso, Corinto, onde quer que passassem, construíam amizades e partilhavam a fé em Cristo. Eram competentes, pois instruíam quem precisasse de melhor esclarecimento.
Adoptaram igrejas inteiras, missionários, pregadores intenerantes, tornando o seu lar o palco de boa parte da expansão do reino de Deus na primeira igreja.
 Hoje há muitas possibilidades negligenciadas: abrir e disponibilizar o seu lar para partilhar o Evangelho a vizinhos, colegas, amigos e, depois, encaminhá-los para a igreja.
2. Servindo ao Senhor Juntos
As referências a Áquila e Priscila mostram que estão sempre juntos. Que exemplo de harmonia, felicidade e consagração! O seu casamento é fascinante e um exemplo para os casais de hoje. Os dois tinham os mesmos interesses sociais e espirituais. Tinham o mesmo propósito de vida, as mesmas amizades.
A vida exigiu muito deles, não foi fácil para eles, mas tinham muita vitalidade para se adaptarem constantemente a novas situações. Fizeram grandes e cansativas viagens. Foram corajosos e arriscaram a vida pelos irmãos na fé e pela expansão do Evangelho.
A expressão  saúdam-vos afectuosamente no Senhor Áquila e Priscila vai além de uma saudação normal. Indica ardente afecto cristão que residia em seus corações pelos irmãos na fé dos lugares por onde passaram.
Que o Senhor nos ajude a sermos imitadores de Áquila e Priscila: uma família cristã missionária exemplar. 
Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

quarta-feira, 2 de março de 2016



Qual a Natureza da Morte de Jesus Cristo na Cruz

       O Senhor Jesus Cristo é honrado por vários aspectos da Sua obra, mas é estimado e reconhecido, sobretudo, pela Sua morte, por meio da qual Deus e os homens são reconciliados. A Encarnação tinha em vista a Expiação. Cristo encarnou a fim de poder fazer a expiação e a propiciação. Nasceu para morrer. É uma das verdades cardeais do Evangelho: Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras (I Cor.15:1-3).

         A Santidade de Deus e o pecado do homem tornaram necessária a morte de Jesus: Tu és tão puro de olhos que não podes ver o mal (Hab.1:13). Porque o salário do pecado é a morte (Rom.6:23). Por vezes é costume atribuir a morte de Cristo aos judeus, ou aos soldados romanos. Mas, de facto, Jesus morreu de Sua própria vontade e conforme os planos eternos de Deus.

       Deus, na Pessoa do Filho, o Unigénito do Pai, encarnou e morreu para salvar o homem pecador da ira do Deus Santo: "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Rom.5:9).
 

 
A ênfase do Evangelho de Marcos recai sobre o significado, o propósito divino da morte de Jesus, pois isto é que é verdadeiramente importante.
No próprio instante da morte do Filho Unigénito de Deus, vários acontecimentos extraordinários e miraculosos comprovam o carácter único desta morte:
-          As palavras de Cristo: Está consumado (João 18)
-          As trevas na terra por três horas e que terminaram assim que Jesus morreu;
-          A terra tremeu e houve ressurreição de mortos;
-          O Véu do Templo Rasgou-se em Dois – Marcos 15:33-41
   O véu do Templo, lugar de adoração a Deus, era uma cortina forte, espessa, que dividia o Lugar Santo do Santo dos Santos (Êx.26:31-37). Só passava por este véu, uma vez por ano, o Sumo-sacerdote, no dia da expiação, ao entrar no Santo dos Santos e levando sangue para purificação dos pecados do povo. O véu impedia, fechava o acesso a Deus, cuja presença estava no Santo dos Santos. Era tão espesso que para o rasgar era necessária uma junta de bois. Ao ser rasgado por Deus na hora em que Jesus morreu, quer dizer que estava aberto o caminho para o Senhor.
    Pela morte de Cristo, temos acesso a Deus (Hb.10:19-20). Através de Cristo temos acesso eterno ao trono da graça. Só por Cristo temos comunhão com Deus.
A Morte de Cristo:

 

 

1. Foi pré-determinada, planeada desde a fundação do mundo e profetizada   

    A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus (Act.2:23; Apo.13:8).
 
"...livro da vida do Cordeiro, que foi morto desde a fundação do mundo. (Apoc.13:8)

2. Foi voluntária, por livre escolha, ofereceu-Se, entregou a vida por vontade própria.

    Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a toma-la (João 10:17-18).

3. Foi vicária (a favor de muitos), uma única vez, logo, perfeita e poderosa.

    Porque, também, Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus (I Ped.3:18); Hebreus 9:27-28
 

4. Foi sacrificial (como holocausto pelo pecado), não foi mártir, nem vítima humana, mas um sacrifício

    Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós (I Cor. 5:7).

 5. Foi expiatória (apaziguando ou tornando satisfatório), reconciliando, anulando a culpa, suportou a maldição divina em nosso lugar

    Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro (Gal.3:13); Rom.5:18

6. Foi propiciatória (cobrindo ou tornando favorável), meio pelo qual Deus mostra misericórdia ao pecador, expiação

    Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados (I João 4:10).

7. Foi redentora (resgatar por meio de pagamento)

   Mas vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho... para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de receberem a adopção de filhos (Gal.4:4-5).

8. Foi substitutiva (em lugar de muitos), Jesus carregou o pecado da humanidade no Seu próprio corpo

    Levando ele mesmo, em seu corpo, os nossos pecados sobre o madeiro... e pelas suas pisaduras fostes sarados (I Ped.2:24).
           
          Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.  (Isaías 53:4-6)
 
9. Foi pelo mundo inteiro e por cada pessoa - Ninguém é excluído da bênção da expiação.

    E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo (I João 2:2).

    Vemos, porém, coroado de glória e de honra, aquele Jesus... para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos (Heb.2:9).

10. Foi pelos pecadores, pelos injustos, pelos ímpios

  Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios... Porque dificilmente alguém morrerá por um justo... Mas, Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores Rom.5:6-8).

   A morte e ressurreição de Jesus Cristo constituem a pedra base da nossa fé. A morte de Jesus Cristo é a maior expressão do amor de Deus. Daí, talvez possamos compreender melhor a razão do primeiro mandamento que Cristo nos deixou: Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento." (Marcos 12:30)

Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016




MATEUS (Levi)

A conversão de um homem de negócios

Mateus 9:10-13; Marcos 2:13-17; Lucas 5:27-32
 Introdução

            No início do Seu ministério, Jesus chamou para junto de Si, de entre todos os discípulos, aqueles que viriam a ser os doze apóstolos. Mateus, também conhecido por Levi, era um destes apóstolos. Este homem exercia uma profissão famosa pelas piores razões: era publicano.

1.      O que fazia um publicano?
Era um funcionário público, cobrador dos impostos que Roma exigia. Era responsável por entregar, aos ocupantes romanos, o montante de imposto fixado para cada cidade, região ou zona. O seu ganho, ou vencimento, era tudo o que pudesse arrecadar para além dessa verba e sem qualquer controlo. 

            2. Como funcionava este cargo?
Depois de fazerem a previsão do imposto a receber, os romanos “abriam concurso” para o lugar de cobrador, e davam o lugar a quem mais dinheiro prometesse entregar-lhes acima do mínimo estabelecido. Como é fácil de imaginar, tal sistema permitia todos os abusos. Não havia limites para a possibilidade de fraude e extorsão por parte de uma pessoa que era temida. Não admira que tantos publicanos enriquecessem rapidamente.

            3.  Como eram vistos os publicanos?
            Por tudo isto, e por serem judeus a cobrarem impostos aos próprios judeus, sua nação e povo, os publicanos eram odiados pelo povo. Eram considerados colaboracionistas e traidores. A agravar, as autoridades  religiosas de Israel consideravam-nos os piores pecadores e vedavam-lhes o aceso aos lugares sagrados.

            Ninguém queria ser, sequer, apontado como amigo de um publicano. Provavelmente, um publicano seria a última pessoa que um pastor de uma igreja escolheria para seu colaborador.

Mas não foi assim com o Senhor Jesus Cristo.
                         

I. A chamada de Mateus – Lucas 5:27-28 - Segue-me…e o seguiu
            Jesus não Se importou com a acusação de ser chamado amigo dos publicanos e dos pecadores (Luc.7:34). Jesus escolheu Mateus, chamou-o e preparou-o para uma missão infinitamente mais dignificante, embora não menos arriscada e não isenta de inimigos.

Que missão? Ser um apóstolo, pregador do Evangelho da Salvação e um baluarte da Sua igreja.

            A fim de demonstrar a graça de Deus, Jesus escolhe um homem publicano. Jesus mostrou que não há pessoa que não possa conhecer o amor de Deus e arrepender-se. Do meio das pessoas mais vis, Deus pode tirar quem quiser, para ser usado de uma forma especial no Seu reino.  

            Certamente Mateus já teria tido conhecimento de Jesus, dos Seus milagres e mensagem, pois moravam na mesma cidade. O terreno já estaria preparado.
 

            Jesus faz um grande convite: Segue-me. Qual foi a sua resposta? E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu (v.28). É o início do discipulado. Este é o primeiro passo que qualquer pessoa tem que dar, sem reservas, e seguir Jesus Cristo.
 

            Mateus estava assentado. Ao chamá-lo, Jesus força-o a pôr-se de pé, a levantar-se. Jesus levanta muitas pessoas das suas vidas antigas. Em Cristo, as pessoas levantam-se para uma nova vida. O filho pródigo, no chiqueiro dos porcos, disse: Levantar-me-ei e irei ter com meu pai.

            De repente, toda a ambição material e de riqueza, deixou de fazer sentido. Mateus, simplesmente, levantou-se, largou tudo e foi-se embora com Jesus ao Seu lado.
     Levantar-se é a acção resultante de uma decisão interior. Se Mateus continuasse assentado, nada teria mudado.

            O que sucedeu a Mateus ilustra como Cristo chama e transforma uma vida, e lhe dá novo rumo e sentido. Pode acontecer com qualquer pessoa.        Basta que a pessoa responda à chamada de Cristo e se torne um discípulo genuíno. Se uma pessoa não se levantar, se não deixar a vida antiga, o mundo, e não seguir a Jesus, não é um discípulo de Cristo.

            Sabemos que Mateus jamais se arrependeu da escolha que fez naquele dia. Mais tarde, o apóstolo Paulo viria a dizer: Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo… pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo (Fil.3:7-8).
 

Naquele dia, Mateus preferiu Cristo, levantou-se para os caminhos da justiça e da vida eterna.

II. Um banquete memorável – Lucas 5:29-32 e Marcos 2:15
            1. Qual foi o primeiro acto de Mateus como discípulo de Jesus?
            Foi oferecer-Lhe um grande banquete. A vasta lista de convidados incluia: …e havia ali uma multidão de publicanos; …e pecadores (Mar.2:15), ou seja, os marginais da sociedade. O propósito de Mateus era, além de honrar a Jesus, partilhar com toda a gente, a boa nova da mudança radical que o Senhor Jesus operara na sua vida. Não se envergonhou de Jesus nem do Evangelho.
 

            Reparemos que Jesus também não receou estar com aquelas pessoas: estavam com eles à mesa. Ele não participaria dos seus pecados, mas queria levar-lhes a luz da vida. Jesus era sal e luz naquela mesa de pecadores.

             Mas, para os lideres religiosos, escribas, o que estava a acontecer na casa de Mateus era insopurtável. Como podia um mestre da religião, Jesus, juntar-se com aquele tipo de gente?

            2. Qual a resposta de Jesus às críticas? Ler vs.31-32
            Jesus respondeu com sentido de missão. Porque é que Jesus veio ao mundo? Jesus veio ao mundo buscar os enfermos espirituais, os pecadores condenados ao inferno.

3. O que Jesus veio fazer? Ele veio chamar.
Chamar quem? …chamar os pecadores. Chamar para quê? … ao arrependimento.

Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido (Luc.19:10).
 

É preciso que o pecador (enfermo) se ache pecador, confesse o seu pecado e se arrependa. Sem arrependimento, não há salvação, nem perdão.

Os que se acham são, justos, ou seja, não pecadores, não podem receber a salvação. Jesus morreu crucificado para pagar o preço, a culpa do pecado do homem.

 Jesus procurava e acolhia os perdidos. Ele deixou esta ordem no fim, a Sua missão: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura (Mar.16:15).

AP.: Já todos deram este passo de seguir a Jesus, arrependidos do seu pecado?

III. Deixando tudo
            Para Mateus, os custos da sua decisão de tudo abandonar para seguir a Jesus não foram só financeiros.

            Também perdeu muitos dos seus amigos e colegas de trabalho, que acharam que ele tinha perdido o juízo ao trocar um emprego tão bem pago pelos ensinos de um Mestre itinerante.
 

            Mas Mateus permaneu firme com Jesus, disposto a pagar o preço de O seguir e servir fielmente.
           
            E nós? Deixemos para trás o que possa interferir a nossa caminhada com Jesus.

            Ler Mateus 19:27-29

Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

 
A ORAÇÃO
Não estejais inquietos com coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com acções de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Filipenses 4:4-7
 
“Treme o Diabo quando vê, o crente de joelhos e com fé”
A oração tem um alto valor na Bíblia. Não vemos Jesus a ensinar os Seus discípulos a pregar, mas sim a orar. De facto, os discípulos pediram: Senhor, ensina-nos a orar”. Orar é falar com Deus. (Lucas 11:1)
No entanto, muitos crentes enfrentam lutas para orar. Muitos acham a oração um fardo e não um momento de gozo e de comunhão íntima com o Senhor. É orando que se aprende a orar, como em tudo na vida: A experiência da oração.
 Vejamos a visão que Paulo tinha da oração em Filipenses 4:6-7. Aqui, vemos que o propósito da oração é dar-nos a alegria, o alívio e paz que só Deus pode dar-nos.
 I. A ORAÇÃO – v.6
  Não estejais inquietos... ansiosos...
Muitas coisas nos perturbam. A oração visa libertar-nos da inquietude e da ansiedade ao entrarmos em comunhão íntima com o Senhor. Estamos inquietos, ansiosos? Queremos evitar a ansiedade? Oração!
 ...por coisa alguma...
As nossas orações devem ter a ver com tudo, com todas as situações, com todos os interesses, grandes e pequenos. Para Deus nada é grande demais para o Seu poder. Nem pequeno demais que não mereça o Seu interesse e cuidado paternal.
Oremos por tudo.
 ...as vossas petições... ( pedidos...)
Neste caso, oração é pedir, pedir, para receber.
 ...sejam em tudo conhecidas...
Orar é “declarar, revelar”. É como se Deus não soubesse quais são os nossos desejos e necessidades. Mas, na Sua omnisciência Ele sabe tudo, mesmo antes de lho pedirmos. Orar é confiar que estamos a falar como Deus vivo, É fé.
...diante de Deus... - A oração é feita unicamente a Deus, não a qualquer outro.
Tudo deve ser feito na presença do Senhor, em que o crente se dirige só a Ele. Deus está sempre perto, pronto a ouvir-nos. O caminho para Ele nunca está interrompido ou ocupado. Temos livre acesso. Não há motivo para ansiedade. O Pai está sempre pronto para ouvir a ajudar-nos.
 ...pela oração e súplicas...
súplica = pedido intenso.
Fala-nos da oração em geral e de pedidos específicos. A oração oferece-nos um abrigo onde nos podemos ocultar das preocupações mundanas, um lugar onde podemos ficar a sós com o Senhor, um refúgio onde renovamos a esperança, onde os cuidados ficam amortecidos. Confiemos sempre na oração.
 ...com acção de graças.
Temos que nos recordar sempre da gratidão, das bênçãos e das vitórias passadas. A gratidão devem acompanhar todas as nossas orações. É um mandamento.
 
II. A RESPOSTA À ORAÇÃO – v.7
Quando assim oramos, o que podemos esperar?
 E a paz de Deus...
A paz é uma resposta de Deus quando oramos, porque a comunhão com Deus acalma as nossas ansiedades.
 ...que excede todo o entendimento...
A paz de Deus é insondável, transcende o raciocínio humano, não se pode medir.
...guardará os vossos corações e os vossos pensamentos...
A paz de Deus guarda o nosso homem interior, fruto da nossa oração. Guardar, significa “manter sob custódia”, “montar guarda” para proteger.  Deus é a sentinela que guarda o nosso homem interior. É como se o crente estivesse num castelo inexpugnável.
 ...em Cristo Jesus.
(I Timóteo 2:5 - ler)
Ou seja, em comunhão, em união com Jesus.
 Em I Pedro 5:6-7, temos o mesmo pensamento e mandamento sobre a oração.
Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
 O Senhor ama-nos, tem cuidado de nós.
 Ler: Hebreus 4:16; 11:6
"Orando, em todo o tempo, com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica, por todos os santos. (Efésios 6:18)
 
Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista em Moreira da Maia