segunda-feira, 4 de julho de 2016

 
O Poder triunfante da Oração
Está alguém entre vós aflito? Ore.
 Tiago 5:13 
Introdução     
          Tiago é uma carta prática. Tiago fala-nos das características da maturidade cristã visíveis no controlo da língua, no cuidado dos necessitados, na pureza pessoal, na paciência, no cuidado das nossas palavra proibindo juramentos e, agora, sobre a oração.
         Tal como outros escritores do N.T., Tiago conclui a sua carta com um incentivo à oração. A oração é claramente o assunto deste parágrafo, sendo mencionada por sete vezes.
         Tiago recomenda a oração nas diferentes situações que o crente possa enfrentar. E ele vai sublinhar os poderosos efeitos de uma oração procedente de coração justo (v.16).
Tiago fala da oração como um poder, uma grande fonte de forças para as aflições que possamos experimentar. Um cristão maduro é aquele que tem uma vida plena de oração diante das lutas da vida. Em vez de ficar amargurado, desanimado, ou a reclamar, ele coloca a sua causa diante de Deus e Deus responde ao seu clamor.
 Por isso, aqui, Tiago ensina-nos a orar em qualquer circunstância. Devemos orar quando estamos aflitos, a sofrer, se estivermos doentes, e também quando estivermos contentes. Já Paulo nos instrui em I Tess.5:17: Orai sem cessar. E em Efésios 6:18, sobre a oração, diz: Orando em todo o tempo.
O que está à nossa disposição na oração? Quanto perdemos por não orarmos?
 I. Toda a oração – Efésios 6:18
      Esta é uma passagem muito profunda sobre a oração inserida num contexto de batalha espiritual e da armadura que Deus dá para a enfrentar. Meditemos bem nas palavras.
 
       AP.: Como é a nossa vida de oração? O que sabemos, o que cremos sobre a oração? Cremos e estamos conscientes do enorme poder da oração?
          Lembremo-nos de grandes homens de oração: Moisés, David, Salomão, Daniel, Jesus Cristo. O apóstolo João, no final da sua vida, era conhecido como “joelhos de camelo”, devido ao estado dos seus joelhos pela muita oração que praticava.
1. O que é a oração?
          Oração “É alcançar/conseguir das mãos de Deus tudo o que Ele nos quer dar”. É o privilégio de um momento íntimo com o nosso Pai, de diálogo, louvor, agradecimento, petição. É um mandamento de Deus para o Seu povo.
         A oração é um acto da alma, mediante o qual nos pomos debaixo dos cuidados de Deus, pois reconhecemos, em qualquer ocasião que orarmos, que dependemos de Deus e que temos limitações que só podem ser supridas por Ele.     
           Toda a oração deve estar alicerçada na fé pois Jesus disse que devemos pedir crendo e pedir no nome de Jesus. Esta atitude é um acto de submissão a Cristo, na certeza de que Ele é capaz de fazer o que Lhe solicitamos: e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis (Mat.21:22).
      A oração é muito mais do que pedir e receber. A oração aprofunda a nossa comunhão com Deus. Consiste na entrega da alma a Deus esperando o favor divino.
          A oração tem várias formas. Pode ser individual ou colectiva, de adoração, louvor e de agradecimento ao Senhor, ou de petição, súplica, intercessão.
           Este trecho de Efésios 6:18 mostra-nos os quatro todos da oração. QUAIS SÃO?
-  em todo o tempo…toda a oração...toda a perseverança...por todos os santos.
 
 2. A oração é exigente. Porquê?
        Porque requer perseverança: Perseverai na oração (Col.4:2; Rom.12:12); orai sem cessar (I Tes.5:17). Persistência.
 
3. A Oração é uma luta e exige esforço
        Vejam as palavras utilizadas. Paulo pediu em Rom.15:30: Rogo-vos...que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus. E em Col.4:12 diz sobre a vida de oração de Epafras:  servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações… Porquê? Porque tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodiceia e pelos que estão em Hierapolis. (v.13).
        Epafras confiava no poder da oração junto do Pai celestial.
 
4. …toda a oração…
       Fala de toda a forma. Indica uma vida de oração plena, intensa, perseverante, ampla. É estar todo o dia com o coração em Deus nas nossas actividades. Andamos aqui e ali, cumprindo as nossas tarefas e responsabilidades, mas num espírito de oração.
 5. …e súplica…
       É “rogo”, é um apelo profundo ao poder divino num pedido específico.
6. …em todo o tempo…
          Em qualquer ocasião, em todas as oportunidades, e não “sempre”, com o sentido de “incessante”. A mente, a alma, do filho de Deus deve estar sempre pronta e disposta a orar ao Senhor.
7. …no Espírito…
           Mediante comunhão com Ele, pois o Espírito Santo também intercede por nós: E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.  (Rom.8:26) e inspira as verdadeiras orações.
       Por aqui vemos que a oração não é um acto meramente humano, mas um exercício da alma, inspirado pelo Espírito de Deus.
8. …e vigiando nisto com toda a perseverança…
        Estas palavras mostram que não é um combate fácil, uma vitória fácil, e  que a vitória seria impossível sem esta oração. Há aqui um apelo à “constância, à paciência activa”, à oração coerente e persistente.
       A perseverança é indispensável tanto para a oração como para todos os demais aspectos da vida e do desenvolvimento espirituais.
           A nossa vida não consiste em um único combate que, ao ter terminado com sucesso, nos ofereça descanso. Antes, a nossa luta consiste de uma fileira de muitas batalhas e somente uma grande perseverança, por meio da oração, nos dará a vitória.
9. …por todos os santos.
       Quem são "os santos"? De acordo com a Palavra de Deus, são os crentes em Jesus, chamados, que vivem nesta terra e foram separados do mundo para Deus.
É uma expressão bíblica que encontramos sempre no plural - "santos" - e não "santo".
Não estamos sozinhos na batalha espiritual. Somos igreja, somos corpo de muitos membros, somos edifício de muitas pedras. Portanto, não nos podemos preocupar apenas connosco mesmos.
 

Conclusão

        A batalha não é para um soldado, mas para todo o exército de Cristo. É preciso a oração, a intercessão mútua entre os crentes: Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.  (João 15:7)
Não esqueçamos um dos versículos centrais de Tiago: E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes.. (1:22).
Rui Simão,
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia
 
                          
 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

 

A Bondade de Deus

 A terra está cheia da bondade do Senhor 
Salmo 33:5
                                                                                                                              
            Um dia, um jovem, rico, correu para Jesus e chamou a Jesus de Bom Mestre. Jesus perguntou-lhe: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. (Mc.10-17-18). Esta grande declaração ensina-nos que somente Deus é essencialmente bom e perfeito, de uma forma infinita, ilimitada e eterna.
     

I. O que é a Bondade de Deus?
Pensemos profundamente na bondade de Deus. A Bondade de Deus alcança todos os Seus atributos e faz com que Ele seja amado e desejado por nós. Deus é bom e deleita-se em mostrar a Sua Bondade: O Senhor é bom para todos… (Sl.145:9). Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia. (Salmo 34: 8).
      
Deus sempre foi, é e será BOM, nunca mudará a Sua bondade. Que grande conforto!
            Ele é a fonte de tudo o que é bom. A noção de Bondade é inseparável de Deus. Ele não poderia ser Deus, se não fosse BOM: Verdadeiramente bom é Deus para com Israel… (Sl.73:1).

II. A Manifestação da Bondade de Deus – Onde a vemos?
   Um exemplo: Olhe para este lugar, o Monte das Oliveiras? Porque é que ele existe? Pela bondade dos corações de quem o planeou e quis que existisse um lugar para todos desfrutarem. Não é para lucro financeiro, mas sim amor e lucro espiritual.
 
 Então, primeiro, vemos a bondade de Deus manifestada na criação. Pense no Universo inteiro, na terra com uma imensidão de criaturas, milhares de espécies nos oceanos e rios, sobre a terra, a voar nos céus, na variedade de sons, cores, fragrâncias, e gostos, que Deus, na Sua bondade, criou para que o homem desfrutasse.  
          
De acordo com o primeiro capítulo de Gênesis, a bondade de Deus era uma característica proeminente na criação. No final de cada dia criativo, o Deus bondoso olhava: E viu Deus que era bom. Quando acabou de criar, no 6º dia, lemos: E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom (Gn.1:31). Se Deus não fosse bom, a criação também não o poderia ser.
 
A bondade é a Sua marca registrada sobre todas as coisas. Ele não tinha necessidade de criar absolutamente nada, mas criou tudo, e criou o homem à sua imagem e semelhança. Que Deus bondoso!

III. Para que serve a Bondade de Deus? – Romanos 2:4-5
Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;

(Nota: A versão KJV traduz “bondade”).

            Quem não gostaria de conhecer e de desfrutar da presença deste Deus bondoso? Quem não gostaria de beneficiar de uma eternidade com todas as coisas boas que Ele tem?

            Mas não podemos com tanta facilidade. Porquê? Por causa da Pessoa que Ele é, da Sua natureza divina revelada nas Escrituras.

                  Neste texto de Romanos, Paulo é claro a explicar que a bondade de Deus te leva ao arrependimento. O que significa isto? Vou explicar!

             Eis uma coisa boa! Seria terrível pensar que este Universo foi criado por um Deus mau. Um Deus Omnipotente que fosse mau, seria completamente terrível. Uma das verdades mais assustadoras das Escrituras é que Deus é bom. Então, qual é o problema? Qual é o problema com um Deus perfeitamente bom? Porque é que isto parece ser uma má notícia, em Deus ser bom? É assustador, porque nós não somos bons.
        
            Pensemos na natureza de Deus. Além de completamente BOM, Deus também é Justo e Santo. E Ele não pode violar os Seus atributos

             Então, o que é que um Deus perfeitamente BOM faz com pessoas más, pecadoras? Pecamos contra Deus, transgredimos aos Seus mandamentos, pecamos uns contra os outros, pecamos contra a natureza, pecamos contra tudo. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rom.3:23); Porque o salário do pecado é a morte. (Rom.6:23)

             Se Deus é verdadeira e totalmente Santo, Justo e BOM, o que fará de nós, pecadores? Ele diz que ao culpado não tem por inocente (êx.34:7). Se um Deus justo, simplesmente perdoa o ímpio, Ele não é mais justo.

             Então, a grande questão das Escrituras é esta: como é que um Deus justo e bom perdoa o ímpio descrente e continua a ser justo? E a resposta encontra-se na cruz de Cristo. Na cruz vemos a tremenda revelação da justiça e da bondade de Deus. A Cruz de Cristo é a prova suprema da bondade de Deus.

 Deus é amor, bondade e justo, por isso tem que condenar o pecador. Então, Deus faz-se homem na Pessoa do Filho Unigénito, Jesus Cristo, vive uma vida perfeita e vai à cruz. E, naquela cruz, os pecados do pecador são lançados sobre Jesus e toda a ira de Deus que nós merecemos são atirados na pessoa de Jesus. Para satisfazer a justiça de Deus.

No final do Seu sofrimento, Jesus disse: Está consumado (Jo.19:30). Quer dizer que Ele cumpriu as exigências de Deus. Jesus pagou o preço, pagou a nossa culpa por completo.

É muito importante que se compreenda isto. Os nossos pecados não foram expiados simplesmente porque os romanos bateram e pregaram Jesus na cruz. Os nossos pecados foram expiados porque naquela cruz Jesus carregou os nossos pecados: mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. (Is.53:6). Isaías 53:10 diz: Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo…

Sabem o que é moer? É esmagar, oprimir o cereal de trigo até se tornar em farinha. A ira de Deus que deveria cair sobre ti e mim, caiu sobre o Seu único e amado Filho. Jesus foi esmagado debaixo do peso da ira de Deus.

 E Ele morreu porque o salário do pecado é a morte (Rom.6:23). Foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. E em nenhum outro há salvação. E não há nenhum nome, nenhum nome, dado entre os homens, pelo qual possamos ser salvos, a não ser pelo nome de Jesus Cristo (Actos 4:12). Só Ele, Jesus, é o Caminho, e a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por Ele. Há apenas um Mediador entre Deus e os homens, Jesus.

E a fim de que sejam salvos, Deus chama os homens ao arrependimento dos seus pecados e a crer no Evangelho, em Jesus Cristo.

 É para este objectivo que temos a bondade de Deus.

             A bondade de Deus não é apenas para ser vista, conhecida e contemplada. Ela tem um propósito bem definido, único e grandioso: a bondade de Deus te leva ao arrependimento – Rom.2:4. E isto é tão importante que Jesus disse: Se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

             É para isto que existe a bondade de Deus, para salvar o homem pecador da condenação do inferno.

             Reparem nas palavras fortes que Paulo usa: Ou desprezas tu as riquezas da sua bondade, e paciência e longanimidade, ignorando…

             Desprezas – “Não fazer caso, rejeitar, dar ao desprezo”.
 
As riquezas da sua bondade – A bondade de Deus é tão abundante, tão grande, tão valiosa.
A bondade de Deus vê-se na Sua paciência e longanimidade. Por ser BOM, Deus é paciente em irar-Se, não castiga logo o pecador. Na Sua bondade, Ele poupa as pessoas, dia após dia, ano após ano; desde a meninice, até à adolescência; da juventude até serem adultos, de adultos até serem idosos.

Ignorando – “Não considerando”.

Te leva ao arrependimento – A Bondade de Deus tem este desígnio de encorajar, apelar, levar, guiar as pessoas, não ao pecado, mas ao arrependimento. Te leva é o presente contínuo: “Está a levar-te sempre, enquanto tu estás desprezando”.

 Cada pessoa está debaixo da obrigação de deixar os seus pecados e voltar-se para o Deus Santo e Bom. É uma profunda depravação resistir à grandiosa Bondade de Deus, mas milhões fazem-no.

Não podemos desprezar, ignorar, não fazer caso da bondade de Deus. Ela é uma riqueza que Deus tem para levar, conduzir um pecador ao arrependimento para a salvação. Toda esta maravilhosa, valiosa, linda bondade de Deus serve este objectivo: salvar uma alma pecadora.

            E o que é arrependimento? O que significa arrepender-se?

            A palavra significa “mudar de mente”. Mas quer dizer muito mais. Precisamos de saber o que é a mente de uma pessoa? Na Bíblia, é o coração, o centro do controlo do ser humano, das suas decisões e vontade, das emoções, do intelectuo, é onde tomamos as nossas decisões. Então, Deus diz que se a mente for mudada, tudo o mais mudará na pessoa. Arrependimento é esta mudança de mente que leva a uma vida inteiramente nova. É nascer de novo.

             Eis um bom exemplo de arrependimento, de mudança de mente, o apóstolo Paulo. Quando ele foi para a estrada de Damasco, foi com ordens de capturar cristãos. Porquê? Porque era nisso que ele acreditava. Paulo pensava que Jesus era o maior blasfemo e mentiroso que tinha existido. Ele também pensava que os cristãos eram uma seita blasfema que tinha que ser destruída.

             Então, naquela estrada, ele teve um encontro com o Cristo ressurrecto. E o que aconteceu? A sua mente mudou. Tudo o que ele pensava sobre Deus estava errado. Ele reconheceu que estava errado e arrependeu-se dos seus pecados. Ele agora acreditava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, o Messias há muito esperado e prometido nas Escrituras. Ele agora acreditava que os cristãos eram povo de Deus. Tudo mudou na sua vida. Arrependido, transformado, foi baptizado nas águas e começou logo a pregar o Evangelho. Começou a pregar Jesus, Aquele que ele algumas horas antes perseguia até à morte.

                  Veja que arrependimento é esta mudança total de mente que leva a mudança de vida. É mudar de opinião sobre quem Deus é, sobre quem Jesus é e o que Ele fez na cruz, sobre quem eu verdadeiramente sou e o que faço aos olhos de Deus.

             Arrependimento do pecado leva a deixar o pecado e a viver vida santificada em obediência aos mandamentos de Deus. O pecado não nos agrada mais, apesar de continuarmos a ser pecadores. Rom.6:1-2 diz: Permaneceremos no pecado?...De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? O cristão verdadeiro não pode viver num estado contínuo de carnalidade.

              E a partir desse dia, a nossa vida vai transformar-se e ser cada vez mais parecida com Cristo. Hebreus 12:6 diz que o nosso Pai do céu cuidará de nós como a um filho. Ele até nos disciplinará e punirá quando sairmos do caminho. E isto porque Ele é bom, ama-nos e deseja a nossa santidade.

             Não apenas temos que nos arrepender, como também crer em Jesus Cristo. Foi Jesus que disse: Arrependei-vos e crede no Evangelho… Se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

             Crer em Jesus, na Sua Pessoa e obra, de que em mais ninguém há esperança de salvação. Acreditar ao ponto de que se alguém lhe dissesse que podia entrar no céu por alguma boa obra, você negaria e gritaria: “Não, não, não! Eu sou salvo apenas porque há dois mil anos atrás o Filho de Deus sofreu no Calvário e morreu por mim”.

  
            A salvação vem até nós através do arrependimento e da fé em Jesus Cristo. E se alguém já se arrependeu e creu em Jesus Cristo, tem a vida eterna.

             Bom, a questão é esta: Você já se arrependeu, já mudou de mente? Essa mudança levou a uma transformação de vida? Os pecados que você antes amava, agora, despreza-os? A santidade que antes ignorava, agora anseia por ela? Ama o Cristo de quem antes vivia separado? Considera que o reino de Deus é algo real e de grande valor?

             Feliz é a pessoa que não ignorou, nem desprezou a bondade de Deus e se arrependeu dos seus pecados e crê em Jesus Cristo.

            Se alguém não o fez, Deus avisa em Romanos 2:5 que segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti, a ira de Deus que te condenará no dia do juízo de Deus.

            Se alguém ainda não o fez, hoje é uma boa oportunidade para o fazer, permitindo que a bondade de Deus de leve ao arrependimento. Considera a bondade de Deus e o Seu amor revelado em Jesus Cristo.

 Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

  

                      

 

 

quinta-feira, 5 de maio de 2016




Ser Sóbrio e Vigilante

Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios.
I Tessalonicenses 5:1-8 (v.6) 

Introdução      

            Ser sóbrio é uma virtude bíblica muito importante. É uma das principais características do filho de Deus e do discípulo do Senhor Jesus Cristo.

            A Bíblia manda-nos ser disciplinados, com auto-controlo, a fim de vivermos neste mundo de maneira sóbria e vigilantes em relação aos perigos espirituais.

Propósito: Como discípulos de Jesus, deixemos que a Sua Palavra e o Espírito Santo nos guiem numa vida sóbria e vigilante, especialmente nestes últimos tempos.

I. Ser sóbrio
            No N.T., temos várias palavras gregas que apontam para esta característica cristã - palavra grega σωφρων sophron, σωφρονιζω Sophronizo, σωφρονεω Sophroneo: sóbrio, moderado, prudente.
       Vejam-se a força das palavras e das figuras, das ilustrações, usadas por Paulo nos primeiros oito versículos.
 
Ser sóbrio significa: “estar espiritualmente alerta, montando guarda, vigilante, não adormecido, acordado, desperto” como uma sentinela no seu turno, e vigilante. É também uma linguagem militar, de guerra, de batalha espiritual. Podemos sofrer danos.

            Mas não temos dúvidas que esta é uma das principais características que podemos encontrar na vida de um crente. Podemos facilmente ver os perigos e os danos que virão à nossa vida por falta desta disciplina, por não sermos sóbrios, moderados, prudentes, vigilantes.

 A quem se destina este mandamento? A Bíblia aconselha e exorta todos na igreja, sem excepção, a porem em prática este mandamento do Senhor: pastores, diáconos, homens, mulheres, mães, pais, solteiros, casados, viúvos, viúvas, jovens, idosos. É para todos.

Porquê? Porque temos um inimigo das nossas almas que os ataca e um mundo à nossa volta que nos atrai, a fim de cairmos e sermos prejudicados na nossa vida cristã: Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (I Pedro 5:8)

II. Ser sóbrio e vigilante – Uma alta chamada do Senhor para uma vida disciplinada

1.  Os pastores devem ser sóbrios (σωφρων sophron): Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. (I Tim.3:2)
            Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições , faze a obra de um evangelista , cumpre o teu ministério. (II Tim.4:5)

2.  Os homens mais velhos devem ser sóbrios: Os velhos, que sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, no amor, e na paciência (Tito 2:2);
 3. As mulheres mais velhas devem ser sóbrias (σωφρονιζω Sophronizo): As mulheres idosas, semelhantemente, sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem. (Tito 2:4)

4. As mulheres novas devem ser prudentes: Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos… (Tito 2:3)
5. Os jovens devem ser moderados (σωφρονεω Sophroneo): Exorta semelhantemente os jovens a que sejam moderados (Tito 2.6)

6. As esposas de pastores e diáconos devem ser sóbrias: Da mesma sorte, as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo: (I Tm. 3:11).

O homem de Deus tem que ter sob controlo cada área da sua vida.

O seu amor pelo Senhor Deus. O seu amor e cuidado pela família, pela esposa, marido, filhos, pais. Recebemos esta chamada do Alto para uma vida disciplinada, sóbria e moderada que Lhe agrada.

Termos auto-controlo, ou seja, domínio próprio. E isto é o que Deus requer de cada uma de nós. Prudentes para controlarmos os impulsos da carne com a ajuda do Espírito Santo.

Temos que ser moderados e sóbrios no que comemos, bebemos, vestimos, como gastamos o nosso dinheiro. Vigilantes para não sermos iludidos pelo mundo que nos pressiona para nos conformarmos com este sistema de coisas.  

Irmãos, a nossa responsabilidade como filhos de Deus é muito grande!

Conclusão

            Na Primeira carta aos Tessalonicenses, o Senhor dá bons conselhos:

"Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios." (I Tes.5:6).

"Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação." (I Tes.5:8).

            Nós temos que vigiar, pois a qualquer momento o Senhor poderá voltar para arrebatar a Sua igreja.

            A primeira carta do apóstolo Pedro ainda nos diz:


            "E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração." (I Pedro 4:7).

            Portanto, sejamos sóbrios, prudentes, moderados e vigiemos e oremos!

...e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo.  (I Tess. 5:23)
Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

quarta-feira, 13 de abril de 2016



Áquila e Priscila
 Uma Família Missionária Exemplar

Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças... saudai também a igreja que está em sua casa...
(Rom. 16:3-5)
 

Actos 18:1-3; 18-26; Romanos 16:3-5; I Coríntios 16:19; II Tim.4:19
 

O tema de hoje tem lugar no final da Segunda e início da Terceira Viagem Missionária de Paulo. Paulo vai para Atenas e depois chega a Corinto, capital da província da Acaia, centro de comércio e transporte marítimo.

É aqui, na cidade de Corinto, que vamos ver mais em foco como um dedicado casal que Paulo encontra, Áquila e Priscila, serve na obra de Deus e abre as portas da sua casa para reunir ali uma igreja.
 

  I. UMA FAMÍLIA UNIDA NA OBRA DE DEUS Actos 18:1-3

Áquila e Priscila eram um casal de Judeus cristãos que tinha como profissão o fabrico de tendas, feitas de peles de animais, bem como trabalhos em couro.

         Eram naturais da região do Ponto, que teve os seus representantes no Dia de Pentecostes em Jerusalém (Actos 2:9).

Era um casal crente em Jesus Cristo, muito harmonioso e unido – que não precisava da advertência que mais tarde Paulo dirigiu aos coríntios: não vos prendais a um jugo desigual...

1. Mudança (v.º2)
        Um decreto do 4.º imperador romano Cláudio, sucessor de Calígula, expulsou todos os judeus da cidade de Roma, por volta de 49/50.d.C..

 Uma mudança abrupta deste calibre perturba bastante a vida, os projectos, a estabilidade e o ganha pão das pessoas.

Mas o plano de Deus para a vida deste casal vai revelar-se e uma nova e fascinante vida de serviço aguardava-os.

2. Servindo
Ao serem expulsos de Roma, muito tinham deixado para trás: Amigos, bens, estabilidade. Mas vão continuar a servir na obra de Cristo na nova residência.

 Eram tão dedicados e unidos em termos de visão evangelística  na obra de Deus que Paulo  chamou-os,  recomendou-os e apresentou-os a outras igrejas como meus cooperadores em Cristo Jesus.

Tal como Jesus, Paulo seleccionou cuidadosamente os seus colaboradores.

3. Trabalhando v.º3
As palavras, eram do mesmo ofício, indicam que Paulo e o casal tinham a mesma profissão. Naquele tempo, era costume que as pessoas da mesma profissão se juntassem em grupo. Na cultura judaica todos tinham que aprender alguma profissão, até mesmo os rabis. 

AP.: É muito honroso que os cristãos trabalhem e que ensinem os seus filhos a dar bom exemplo no seio da sociedade onde vivem.

Neste caso, o casal Áquila e Priscila era um testemunho vivo de uma família unida na obra de Deus e empenhados no seu trabalho.

 II. COMPANHEIRISMO NA FAMÍLIA  Actos 18:18-19
  Depois de ano e meio na cidade de Corinto, fundou-se ali uma grande igreja cristã. Então, Paulo sai e prossegue a sua viagem em direcção a Jerusalém. Toma um barco para Éfeso, passando por Cencreia onde fora fundada uma igreja cristã (Rom.16:1).

Quem acompanhou Paulo? O casal Áquila e Priscila, dispostos a mais uma viagem de centenas de quilómetros. Ao seguirem o Apóstolo, este casal mostra, como família, a sua amizade e companheirismo para com Paulo, assim como união, disponibilidade, consagração e constância na obra do Evangelho.

1. Fortalecendo Laços v.º19  deixou-os ali
Enquanto Paulo prosseguiu a sua viagem até Jerusalém, o casal ficou em Éfeso a fortalecer e a edificar a igreja durante vários anos.

Anos mais tarde, 58 d.C., quando Paulo escreveu a Carta aos Romanos, o casal já tinha viajado de novo para Roma e tinham uma igreja em sua casa (Rom.16:3).

Cerca de 6 anos depois disto, - 64 d.C. - quando Paulo escreveu a 2ª Carta a Timóteo, o casal já estava de novo em Éfeso (II Tm.4:19).

O facto de Paulo os referir nas suas cartas mais importantes, comprova três coisas: 1. A profunda amizade que nutriam uns pelos outros; 2. Eram sempre zelosos, fervorosos e activos no testemunho do Evangelho; 3. Eram recordados com gratidão em todas as igrejas.

2. Cooperadores  Rom. 16:3-5

Como é que Paulo os chamava agora? Meus cooperadores em Cristo Jesus. Porquê?  Porque ajudavam Paulo na expansão da fé cristã.
 

Neste texto aos Romanos, Paulo faz referência a uma atitude espectacular do casal. Qual foi? …pela minha vida expuseram as suas cabeças.

Priscila e Áquila eram completos na dedicação ao Evangelho. Arriscaram a sua própria vida, em sentido físico, para protegerem Paulo, ficaram ao lado dele nas suas tribulações. Naqueles tempos, as perseguições eram constantes.

Isto quer dizer que, por mais que uma vez, o casal poderia ter sido morto por serem fiéis a Cristo e ao apóstolo. E isto lhes agradeço…, diz Paulo.
 

Era só Paulo que mostrava gratidão? Não! ...também todas as igrejas dos gentios conheciam Áquila e Priscila e agradeciam todo o seu papel desempenhado naquelas regiões. Eles eram figuras centrais, instrumentos poderosos nas mãos de Cristo naqueles territórios.
 

Muitas almas foram conduzidas à salvação em Cristo e firmadas na doutrina cristã directamente por eles. Certamente, isto é uma altíssima recomendação para este casal crente.
 

Saudai igualmente a igreja que está em sua casa.

Continua a ver-se por que é que Paulo lhes chama cooperadores. A sua casa era hospitaleira e aberta ao ponto de formaram lá uma igreja.

 Até ao séc. III não há evidências de construção de templos cristãos, principalmente devido a dificuldades económicas, à falta de liberdade e às perseguições. As igrejas reuniam em casas particulares.
 

Assim, vidas foram transformadas, salvas e renovadas pelo evangelho pregado em casa de Áquila e Priscila. Para eles, a sua casa era um utensílio colocado à disposição do culto a Cristo e não algo para o culto do ego.

AP.: Como casais crentes, mostramos este companheirismo?

 Somos motivo de agradecimento pelo nosso contributo ao Evangelho

 em geral e em particular?

 Como usamos o nosso lar para o Evangelho?

III. HOSPITALIDADE NA FAMÍLIA   Actos 18:24-26
Este trecho é mais um exemplo da hospitalidade do casal. Um talentoso pregador judeu, chamado Apolo, chegou a Éfeso. Vemos aqui algumas das suas grandes qualidades que servem de exemplo para nós hoje:
eloquente... poderoso nas Escrituras... instruído no caminho do Senhor... fervoroso de espírito... falava e ensinava diligentemente.
Contudo, ele pregava a verdade de Cristo, mas de forma incompleta. Priscila e Áquila detectaram imediatamente as falhas na sua mensagem. Possivelmente, não teria conhecimento dos resultados da morte e ressurreição de Cristo nem do derramamento do Espírito Santo.
AP.: O caso de Apolo serve de exemplo e de aviso para nós hoje: ser cristão, mas estar ainda incompleto no conhecimento de Cristo.
O que fazem Áquila e Priscila?  V.º26
Convidaram-no para a sua casa, onde reunia toda ou parte da igreja de Éfeso, e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus. Isto faz-nos lembrar II Tm.2:2.
Vejam que não o criticaram, não o ignoraram nem desprezaram, nem tiveram qualquer ciúme daquele pregador eloquente e poderoso nas Escrituras.
Áquila e Priscila, tal como nós, tiveram a consciência que cada um recebe dons de Deus e cada um é um instrumento para uma missão particular nas mãos de Deus.  
Que bênção e quão providencial foi aquele casal que Paulo deixou em Éfeso.
Os vs.27b e 28 já nos mostram resultados do seu trabalho na Acaia bem como em Corinto (At.19:1 c/ I Cor.1:12)
IV. O VALOR DA FAMÍLIA CRISTà I Cor.16:19
Áquila e Priscila reuniram a igreja na sua casa em pelo menos três cidades: Roma, Éfeso e, possivelmente, em Corinto. Esta lição reforça o valor do culto familiar e da família cristã consagrada ao Evangelho.
 
1. Lugar de Adoração
A casa deste casal estava sempre à disposição da obra cristã. Não eram pastores, mas o seu lar era um espaço para adoração e ensino do Evangelho. Igrejas floresceram nos grupos de estudo em sua casa.
2. Desenvolvendo Ministérios
Desde Roma, Éfeso, Corinto, onde quer que passassem, construíam amizades e partilhavam a fé em Cristo. Eram competentes, pois instruíam quem precisasse de melhor esclarecimento.
Adoptaram igrejas inteiras, missionários, pregadores intenerantes, tornando o seu lar o palco de boa parte da expansão do reino de Deus na primeira igreja.
 Hoje há muitas possibilidades negligenciadas: abrir e disponibilizar o seu lar para partilhar o Evangelho a vizinhos, colegas, amigos e, depois, encaminhá-los para a igreja.
2. Servindo ao Senhor Juntos
As referências a Áquila e Priscila mostram que estão sempre juntos. Que exemplo de harmonia, felicidade e consagração! O seu casamento é fascinante e um exemplo para os casais de hoje. Os dois tinham os mesmos interesses sociais e espirituais. Tinham o mesmo propósito de vida, as mesmas amizades.
A vida exigiu muito deles, não foi fácil para eles, mas tinham muita vitalidade para se adaptarem constantemente a novas situações. Fizeram grandes e cansativas viagens. Foram corajosos e arriscaram a vida pelos irmãos na fé e pela expansão do Evangelho.
A expressão  saúdam-vos afectuosamente no Senhor Áquila e Priscila vai além de uma saudação normal. Indica ardente afecto cristão que residia em seus corações pelos irmãos na fé dos lugares por onde passaram.
Que o Senhor nos ajude a sermos imitadores de Áquila e Priscila: uma família cristã missionária exemplar. 
Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia