quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017



O que Cristo se tornou para nós

Mas vós sois d’Ele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito, por Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.

I Coríntios 1:29-31 

Introdução

          No início desta primeira carta que Paulo escreveu à igreja em Corinto, Paulo põe a Pessoa do Senhor Jesus Cristo como o centro de tudo. Diz que a igreja não é de nenhum homem, de nenhum apóstolo, mas sim de Cristo. Diz que foi o próprio Cristo que o enviou para evangelizar (v.17), diz que o centro da sua pregação era Cristo crucificado (v.23), diz que Cristo é o poder de Deus (v.24) e que o tema único da sua mensagem naquela cidade foi Jesus Cristo, e este crucificado (2:2).

 

         A centralidade de Cristo na igreja, a centralidade de Cristo na mensagem a transmitir às pessoas, o centro da mensagem do Evangelho é Jesus Cristo. A igreja é Cristocêntrica e a sua mensagem também.

         Por isso, ao concluir este primeiro capítulo, Paulo apresenta quatro importantes atribuições de Jesus para nós. Paulo vai ensinar-nos sobre o que Cristo Se tornou para nós, crentes: sabedoria, justiça, santificação e redenção.

 

I. Pertencemos a Deus – Mas vós sois d’Ele… - v.30  

          Que grande verdade! Que grande declaração que vem do próprio Deus. Pertencemos a Deus. Somos de Deus. Os crentes, os salvos são d’Ele. Os salvos estão em Jesus Cristo. O crente está na mais estreita relação possível com o Seu Senhor.

 

         O crente está em Cristo, está com Cristo. Cristo é uma Pessoa. Portanto, Paulo descreve aqui uma ligação pessoal com um Salvador Pessoal. O crente,o salvo, está estreitamente relacionado com a maravilhosa Pessoa do Salvador, Jesus Cristo: …vós sois d’Ele.

                                              

         E como, de que forma, é que somos d’Ele?

      

Um simples olhar para os pensamentos e ideias de muitos cristãos sugere que a ideia de justiça pelas obras, isto é, justiça própria, está muito bem enraizada nas mentes de muitos cristãos. É o acreditar e confiar que alguma coisa fizemos, algum mérito existe da nossa parte que nos fez pertencer a Deus. Puro e perigoso engano!

 

Em nenhuma parte das Escrituras encontramos apoio para esta ideia de boas obras nos levarem a pertencer a Deus. Na verdade, o que a Escritura nos aponta não é a nossa capacidade de atingir uma posição correcta diante de Deus, mas sim o sacrifício de Cristo na cruz é que conseguiu este direito para nós.


Mas vós sois dele, significando que somos filhos de Deus, em Jesus Cristo…

 

Como podemos ver, é POR CAUSA DELE, ou seja, de Jesus, que agora estamos em Deus. Não é por causa do nosso valor ou das nossas habilidades, mas por causa da graça, do amor e da bondade de Deus que Ele exerceu através do Seu Filho, Jesus.

 

Vejam o contexto. No versículo anterior, Paulo diz claramente: Para que nenhuma carne se glorie perante ele. Ninguém poderá nunca apresentar nada de seu perante Deus para se gabar ou envaidecer. Não, pertencemos a Deus por causa de Jesus.

 

Prestem atenção a algumas passagens que nos ajudam a compreender esta preciosa verdade – sois dele - ou seja, de que somos filhos de Deus por causa da nossa fé em Jesus.

 

1. - João 1:12: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creêm no seu nome. Foi Deus que nos fez filhos d’Ele.

 

2. - Gálatas 3:26: Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

 

3. – I João 4:15: Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus.

 

Por isso está escrito no v.30: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.

 

       Além de crer em Cristo, o mesmo Jesus exige de cada pessoa, de cada pecador arrependimento do seu pecado. Esta foi a Sua mensagem desde o início: …veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo:…Arrependei-vos e crede no evangelho. (Mar.1:14-15). Em Lucas 13:3,5, Jesus é bem claro: …se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. O Apóstolo Pedro, na sua primeira mensagem evangelística depois da ascensão de Jesus e já cheio do Espírito Santo, uma mensagem que tinha Cristo no centro, perante a pergunta de milhares de ouvintes: Que faremos? … E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos… (Actos 2:37-38).

 

II. O que Jesus se tornou para os crentes; o que Deus fez de Jesus para nós:

            …o qual para nós foi feito por Deus…  - v.30

Antes de prosseguirmos, quero salientar a primeira palavrinha do v.30, uma conjunção adversativa: Mas.

 

Põe os crentes, os filhos de Deus, em forte contraste com os sábios do mundo dos versículos 18 a 28. A mensagem do Evangelho fala da cruz de Jesus. Apresenta o Salvador do mundo enviado pelo próprio Deus. Um carpinteiro de Nazaré pregado numa cruz é o poder de Deus para salvar o homem perdido.

 

Mas os inteligentes deste mundo acham isso uma grande loucura, outros acham a cruz redentora um escândalo. Mas esta sua rejeição da mensagem cruz leva-os à perdição eterna. Não pertencem a Deus: Pelo que também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina; e uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.” (I Pedro 2:6-8)

 

Depois, em total contraste, referindo-se aos que aceitam e amam a mensagem da Cruz, aceitam e amam Aquele que foi pregado na cruz, Paulo diz: Mas vós sois d’Ele.

 

Jesus Cristo tornou-Se, foi feito para nós, crentes, todas estas coisas: sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.

 

Tornou-se, foi feito (passado). Não diz que nós nos tornamos para Ele. Em vez disso ELE tornou-Se para nós. Quando? Na cruz.

 

Ele, Jesus, é que Se tornou sabedoria de Deus, justiça, santificação e redenção. Então, já sabemos porque é que somos justos, redimidos e santos diante de Deus? Porque Jesus Cristo tornou-se, foi feito por Deus para nós todas essas coisas. Não é nosso mérito, mas o mérito está na obra de Jesus quando encarnou, morreu na cruz e ressuscitou de entre os mortos.

 

Vamos, pois, ver o que Cristo é para nós? O que representa Jesus para as nossas vidas? Deus fez de Jesus a nossa

 

1. Sabedoria        

Uma das coisas que Paulo está a querer dizer é que em Cristo, Deus revelou a Sua sabedoria, pois Deus planeou salvar o homem em Cristo, e teve a capacidade de fazer com que esse Seu plano fosse executado.

 

Vejam, já há dois mil anos atrás, muito pouco tempo depois de Jesus ter feito a Sua obra, o mundo achava a mensagem do Evangelho uma autêntica loucura, uma coisa sem nexo algum: Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. (v.18). E hoje não é assim também?

 

O mundo, achando-se sábio, diz que a mensagem da cruz é uma loucura, uma coisa fraca. Pelo contrário, Deus diz que é na cruz de Cristo que está o Seu poder, que está a Sua sabedoria, a Sua salvação.

 

Aos que se acham sábios deste mundo, a cruz não agrada, não se revêem nada nela. Em agudo contraste, os crentes amam a grandeza do Evangelho, é tudo menos superficial, é sabedoria, oposto de loucura. Os homens sempre acham que os seus métodos é que são os certos: Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. (Pv.14:12;16:25).

 

Mas Deus refuta a inteligência deles, reduz a nada os seus sistemas. Como? Apresentando-nos a pessoa e a obra do Seu Amado Filho, Jesus Cristo.

 

Tudo quanto os homens precisam de conhecer sobre a verdadeira sabedoria, a razão da existência, para onde vamos, como conhecer a verdade, como alcançar Deus, tudo está em Cristo.

As pessoas precisam de conhecer a maravilhosa Pessoa de Jesus. A aparente loucura , afinal, é a verdadeira sabedoria. Colossenses 2:3 diz que em Jesus Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

 

A sabedoria de Deus é demonstrada no Seu plano de salvar a humanidade. O homem não o conseguirá fazer. E a mensagem da cruz de Cristo é o tema central dessa sabedoria. Essa sabedoria é a única que permanecerá em pé no juízo de Deus.

 

A sabedoria de Deus está encarnada em Cristo, que veio e Se ofereceu a Si mesmo para que os homens pudessem ser salvos. Aqui está a sabedoria real, argumentem como quiserem os filósofos, os sábios deste mundo. E é a esta sabedoria de Deus que têm que se humilhar e dobrar, reconhecendo a sua ignorância espiritual e olhando para Jesus.

 

O que mais Cristo é para nós? O que mais representa Jesus para as nossas vidas? Deus fez de Jesus a nossa

 

2. Justiça   

Isto é muito importante. Prestem atenção, irmãos.

Cristo é a nossa rectidão. Perante um Deus Santo e Justo, o homem pecador não tem qualquer hipótese de aceitação, nem de salvação. Mas apenas condenação por causa do seu pecado.

 

Mas, aos crentes, aos salvos, Cristo oferece-nos a justificação perante Deus. O pecador, ao ouvir a mensagem do evangelho, a mensagem de Jesus crucificado, esse pecador crê no Salvador. Arrependido do seu pecado, pela sua fé em Jesus, é justificado da sua culpa, da culpa das suas transgressões às leis de Deus:

“Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê.” (Atos 13:38-39)

 

 Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gálatas 2:16)

 

Por causa da cruz de Jesus, o crente recebe esta atitude, esta decisão de Deus em conceder à pessoa que crê no Seu Filho uma nova posição diante d’Ele, não a posição de condenado, mas a posição de justo: “Justificado, declarado justo, sem culpa”.

 

É a restauração ao favor divino – A Justificação proporciona ao homem que crê em Cristo a certeza da sua aceitação diante de Deus, a certeza de que agora Deus é-lhe favorável. E Deus faz isto porque está baseado, não em alguma coisa de nós mesmos, mas na obra redentora de Cristo Jesus, Seu Filho Amado.


Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, (está justificado) mas aquele que não crê no Filho (não está justificado) não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” (João 3:36)

 


Vários textos da Palavra de Deus nos dão conta disso. Eis alguns:
       Mas, também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor, o qual, por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação. Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. (Rom.4:24-5:1). Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. (II Cor.5:21).

 

Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:9-26)

Quando o homem crê em Cristo, e, consequentemente, é justificado por Deus, ele é livre da pena, no que diz respeito à morte espiritual e eterna:


       Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...” (Romanos 8:1)


       Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica…” (Romanos 8:33-34)

 

 “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:18)

 

Não conhecemos outra justiça senão a de Jesus. Ele é a nossa justiça. É assim que Deus nos restaura ao Seu favor. Não fomos justificados porque Deus encontrou alguma justiça em nós que possibilitasse a que, por nossos próprios méritos, estivéssemos de pé diante d’Ele. Foi-nos imputada a justiça de Cristo. Isso ocorre pela fé. Não há obras para isso. Como diz o nosso texto base, “...Jesus Cristo... para nós foi feito por Deus... justiça...”.


Conclusão

O Cristo crucificado, então, pode ser um escândalo para alguns, e uma loucura para outros, mas para nós que somos salvos é o poder, o dúnamis de Deus que operou o milagre da nossa salvação; é a manifestação da sabedoria de Deus que planejou e soube como efetuar o plano para a nossa salvação; e é a nossa justiça. Nós não temos justiça própria, Cristo é a nossa justiça. É nele que somos perdoados, é nele que somos libertos da pena do pecado, é nele que somos justificados, é nele que somos salvos, é nele que somos aceitos diante de Deus, é por ele que temos acesso a essa graça, é por ele que Deus se tornou favorável a nós; e é só por ele; não há outro meio.

 
Rui Simão
 
 

 

 

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017




As Cinco Afirmações de Certeza, Conhecimento e Confiança

E sabemos…

I João 5:13, 15, 18, 19 e 20 

Introdução      

            A Bíblia diz que o nosso Deus é um Deus de certezas, não de dúvidas. Um grande exemplo desta verdade está no cap. 5 de I de João. A partir do 13.º versículo temos o Epílogo, ou seja, a Conclusão, as afirmações e exortações finais desta epístola, que assevera o propósito central porque foi escrita: A certeza, a confiança que temos em Jesus Cristo, na Sua verdadeira Pessoa e obra.

Propósito: Como filhos de Deus, não deixemos de confiar no Senhor, com a certeza da Sua Palavra que nos encoraja e nos anima em todas as áreas da nossa fé e vida.

A Conclusão desta carta envolve cinco retumbantes declarações de Certeza, Conhecimento e Confiança que possuem os crentes autênticos e que caracteriza a epístola inteira. João também já o tinha enunciado no seu Evangelho: Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. (20:31)

I. A Certeza da Vida Eterna – v.13
 Estas coisas vos escrevi…para que saibais que tendes a vida eterna... Que grande declaração de certeza! Esta carta apresenta-nos, e leva-nos a reconhecer, a Pessoa de Jesus como o Filho de Deus, o Verbo que se fez carne, Deus feito homem que veio ao mundo fazer expiação pelos nossos pecados pelo Seu sacrifício na cruz: Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo… (v.6).

             Conhecendo a verdadeira Pessoa, a verdadeira natureza e a verdadeira missão remidora de Jesus Cristo, o pecador que for a Ele arrependido do seu pecado, crendo na Sua Pessoa, confiando no nome do Filho de Deus, tem a certeza da vida eterna. Não pode ser ignorado o divino convite a toda e qualquer pessoa deste mundo: Estas coisas vos escrevi…para que creiais no nome do Filho de Deus.

E a esse que aceitar este convite e crer, confiar a sua alma aos cuidados remidores de Jesus Cristo, torna-se um filho de Deus, nasce de novo e tem a certeza de vida eterna: Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus. (v.1); Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome. (João 1:12)

            Mas não é uma crença qualquer em Jesus. Há milhões de pessoas que acreditam em Jesus Cristo. Não, é crer que Jesus é o Cristo, ou seja, o Messias prometido desde a antiguidade, o Verbo que se fez carne, Deus feito homem que veio ao mundo fazer expiação pelos nossos pecados pelo Seu sacrifício na cruz: Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo… (v.6). É crer que Ele veio para me salvar da culpa e da penalidade do meu pecado. Esta fé dá a certeza da vida eterna que o crente nunca perderá.

II. A Certeza de que Deus nos ouve e nos atende – v.15
 E se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizermos. Aqui está em foco a confiança (v.14) e a certeza de que Deus está atento, Ele nos ouve em tudo, ouve as nossas petições. Esta certeza está aqui bem firme e alicerçada. O nosso Pai ouve e pode dar-nos tudo. Mas isto não significa que podemos pedir-Lhe qualquer coisa que quisermos e ela ser-nos-á dada. Há uma condição: …se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. (v.14).

Deus é propício às nossas orações. Não duvidemos. Esperemos e confiemos que o Senhor cumpra aquilo que Lhe pedimos. O que está envolvido nesta promessa é que temos que ser sábios e pedir o que nos é proveitoso, mas que contribua para a glória de Deus. Peçamos o que tem a ver com o progresso do evangelho, com a salvação das almas, com a plenitude do Espírito Santo nas nossas vidas.

Deus incentiva-nos activamente a orar. Pensamos que Deus é tão grande e nós tão pequeninos que não nos atrevemos a orar. Mas quando estamos conscientes das nossas necessidades e da Pessoa do nosso Pai celestial, podemos orar com confiança e com esta certeza: sabemos que nos ouve...sabemos que alcançamos as petições.

III. A Certeza de que o crente verdadeiro vive uma vida de santidade – v.18
 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca... É apresentado aqui o filho de Deus que, pela sua fé em Jesus, é um crente que verdadeiramente nasceu de novo: Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. (II Cor.5:17). O crente não é uma pessoa perfeita. O v.14 fala de podermos ver pecado num nosso irmão.

            O crente tem o poder do Espírito Santo que vive nele e que lhe confere vitória sobre o pecado, foi-lhe conferida a natureza santa de Deus: Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver. Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. (I  Pedro 1:14-16).

            O crente é conhecido pela sua vida. Pelos seus frutos os conhecereis, disse Jesus. (Mt.7:16).

            I João 3:9-10 é muito claro. Não há dúvidas. Sabemos quem é o crente, ele não vive pecando.

IV. A Certeza de que pertencemos a Deus – v.19
 Sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno. Esta é outra grande afirmação. Somos filhos de Deus, carinhosamente intitulados em I João 4:4 de filhinhos: Filhinhos, sois de Deus… Sentimos segurança e certeza na nossa salvação porque um filho de Deus será sempre Seu filho: …somos de Deus.

       Aos Gálatas 4:6-7, lemos: E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai…e se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

            Jesus Cristo veio, encarnou, e fez a propiciação dos nossos pecados na cruz. Por isso, o pecador arrependido do seu pecado confia em Jesus e torna-se filho de Deus, pertença d’Ele, saiu do mundo, separou-se deste mundo perdido e condenado ao inferno se não aceitar o amoroso convite do Salvador.

            Pelo contrário, o mundo não arrependido aos pés de Cristo, está perdido, pertence a Satanás, ao maligno.

            Mas, o Deus de amor dá esta certeza ao crente: Sabemos que somos de Deus. 

V. A Certeza de que o Filho de Deus encarnou – v.20
 E sabemos que já o Filho de Deus é vindo… Ao encerrar a sua epístola, o apóstolo João também dá um golpe nas falsas doutrinas que assaltavam a igreja naquele tempo. Os gnósticos perturbavam a igreja com a seguinte falsidade sobre Jesus: 1. Acerca da Pessoa de Jesus, Ele era um “aeon”, um “espírito”, uma emanação angelical de Deus disfarçado de homem. A sua natureza humana não era real; 2. O homem Jesus de Nazaré era real. Mas um espírito apossou-se dele quando foi baptizado (o Espírito Santo desceu sobre Jesus) e abandonou-o quando foi crucificado. Ou seja, negavam a encarnação do Filho de Deus, negavam o valor da Sua morte e da expiação divina.

Por isso, nesta carta, o apóstolo João chama de mentirosos e anticristos a estes falsos profetas que negam a Pessoa de Jesus, Sua encarnação e Sua obra: I João 2:22; 4:1-6

Mas Deus dá-nos esta garantia e certeza de que, de facto, Jesus é o Filho de Deus, e veio a este mundo. Isto é verdade. E mais do que isso, é que esse Jesus, não apenas encarnou, como é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Portanto, Deus, o verdadeiro Deus, fez-se homem, viveu entre nós.

Conclusão
No final da sua primeira carta, o apóstolo João recebe de Deus verdades que concedem ao crente verdadeiro estas certezas inabaláveis:
I. A Certeza da Vida Eterna que o crente nunca perderá – v.13
 …para que saibais que tendes a vida eterna...

II. A Certeza de que Deus ouve as nossas orações e atende-nos – v.15
 E se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizermos.

III. A Certeza de que o crente verdadeiro é santo em toda a sua maneira de viver – v.18
 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca...

IV. A Certeza de que pertencemos a Deus, somos filhos do pai celestial – v.19
 Sabemos que somos de Deus…

V. A Certeza de que o Filho de Deus encarnou e viveu entre nós – v.20
 E sabemos que já o Filho de Deus é vindo…

Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

terça-feira, 1 de novembro de 2016




Fortalece-te no Senhor, teu Deus

…todavia David se fortaleceu no SENHOR, seu Deus.

I Samuel 30:1-6 (v.6) 

Introdução   

         Somos surpreendidos muitas vezes com reveses na nossa vida, surpresas que nos deixam caídos. Qual é a nossa primeira reacção, a primeira coisa que fazemos na adversidade? Todas as pessoas têm problemas ao longo das suas vidas, mas nem todas tentam resolver os seus problemas da mesma maneira. E qual é a melhor maneira de abordar a resolução dos problemas?
  
Propósito: Como filhos de Deus, não podemos esquecer-nos do nosso Deus nos momentos críticos, mas sim buscarmos o Senhor e a Sua força.

Uma das pessoas na Bíblia que passou por muitos momentos de tribulação foi o rei David. Os seus escritos são disto testemunha:

1. Ele foi perseguido pelo rei Saúl; 2. Escapou à justa em diversas tentativas de assassinato; 3. Teve que passar muito tempo, anos, escondido no deserto; 4. Toda a sua família foi raptada numa ocasião; 5. Os seus companheiros voltaram-se contra ele para o matar; 6. Sofreu a vergonha por ter cometido adultério e assassinato; 7. O seu filho Amnon violou a sua filha Tamar; 8. Absalão, outro dos seus filhos, matou seu irmão Amnon; 9. Absalão liderou uma revolta contra o seu próprio pai, David; 10. Absalão, seu filho, veio a ser morto, para grande tristeza de David.

David foi certamente um homem com muitos problemas, apesar de ser rei. Mas ele sobreviveu a todas estas adversidades e veio a ser conhecido como “um homem segundo o coração de Deus”. Como é que isto foi possível?
 

I. O que fazia David em tempos de problemas
         Qual é o contexto da nossa passagem? Na sua fuga da ira assassina do rei Saúl, buscando um lugar seguro para ele e sua família, foi oferecido a David ficar na cidade de Ziclague, na terra dos filisteus, e com ele centenas de homens também desprezados pela sociedade (I Sam.27:1-7).
 

         Os filisteus prepararam uma batalha contra o rei Saúl e David quis juntar-se a eles. Porém, os filisteus não confiaram totalmente em David e mandaram-no embora de volta à cidade onde habitava.

         Chegado a Ziclague, ele e todos os que o acompanhavam, tiveram um choque enorme. A cidade estava queimada a fogo, as mulheres e filhos, tudo tinha sido levado cativo pelos amalequitas. Apoderou-se de David e de todos os demais um grande desespero e angústia por tão grande perda. Mas, em cima de tudo isto, o povo falava em apedrejá-lo…por causa dos seus filhos e das suas filhas (v.6).
  
         O que David estava agora a enfrentar era uma situação terrível, uma tribulação enorme, um ataque total. De um lado, uma angústia interna pelo choque da perda da família. Do outro, o povo à volta a querer matá-lo.
      
         Mas notemos cuidadosamente a última parte do v.6. O que é que David podia fazer? O que é que ele fez em primeiro lugar? Ele fez aquilo que estava na sua alma, tomou a decisão sábia, voltou-se para o Único que o poderia socorrer, ele buscou a solução em Deus: …todavia, David se fortaleceu no SENHOR, seu Deus.
    
         David encorajou-se a si mesmo, não em qualquer apoio humano, mas no SENHOR, seu Deus. E com esta força que recebeu do Alto, ele estava apto para lidar com o problema que tinha à sua frente.

 II. Como é que David se fortalecia a si mesmo no SENHOR, seu Deus?
 1. Em tempos de problemas, David compunha salmos
a) Quando perseguido, ele escreveu o Salmo 59 – vs.1-4; Aqui, aprendemos que David estava determinado em continuar a louvar a Deus pela Sua ajuda - vs.16-17

b) Quando foi aprisionado em Gate, escreveu o Salmo 56 – vs.1-2; Aqui, aprendemos que David punha a sua confiança em Deus para o ajudar – vs.3, 9-11

c) Ao fugir para escapar de Absalão, escreveu o Salmo 3 - vs.1-2;

d) Escondido no deserto de Judá, escreveu o Salmo 63 – vs.1-4. Deste salmo, nós vemos que David ultrapassou o seu problema de solidão através de: Buscar o Senhor (vs.1-2); Louvando e orando (vs.3-5); Meditando no Senhor (vs.6-7); Fazendo isto (v.8)

         Por estes salmos, podemos ver como David se encorajava e fortalecia a si mesmo no Senhor. Em cada um destes salmos, David está basicamente a dizer o mesmo: 1. Em tempo de problemas, põe a tua confiança no Senhor, teu Deus; 2. Fica bem perto d’Ele, por meio de louvá-Lo e orar a Ele; 3. Faz isto e serás fortalecido à medida que o Senhor te sustenta: A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta (Sl.63:8).
       
         Era assim que David se encorajava e se fortalecia a si mesmo no SENHOR, seu Deus e assim era capaz de enfrentar os seus problemas, com a ajuda que o Senhor lhe dava.

    E quanto a nós hoje? Em tempos de problemas, seguimos nós o exemplo de David?

 III. Lidando com os nossos problemas hoje
1. Mesmo os crentes em Jesus enfrentam muitos problemas.
Alguns são relacionados com a família, outros são de natureza pessoal. Outros são relacionados com o emprego ou com a segurança das nossas finanças e sustento.
 
2. Em muitos casos, tentamos resolver os nossos problemas sozinhos.
         Deixamos Deus completamente de fora. Por vezes, até o abandonamos completamente. Como? Por não mais O louvarmos nem orarmos a Ele diariamente. Por negligenciarmos os cultos nos quais nos juntamos para nos edificarmos uns aos outros e adorarmos juntos em congregação.

3. Deus quer que coloquemos a nossa confiança n’Ele
         Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e vós, de duplo ânimo, purificai os corações (Tg.4:8); Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte; lançando sobre ele a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (I Pe.5:6-7).
 
         A verdade sobre este assunto é esta: NÃO é: “Deus ajuda aqueles que se ajudam a si mesmos”. NÃO, mas sim que Deus ajuda aqueles que confiam no Senhor de todo o seu coração: Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.  (Pv.3:5-6).
 
         Quando deixamos Deus de fora na resolução dos problemas, uma coisa é certa: Deus deixa-nos a lidar sozinhos com esses problemas, sem a Sua ajuda.
 
Conclusão
         Aprendamos com David a lidar com os problemas. Em tempos de adversidade, olhemos para o Senhor para sermos fortalecidos. Confiemos no Senhor e sejamos firmes na adoração à Sua Pessoa e na oração a Ele. Não nos esqueçamos d’Ele, nem faltemos aos cultos, nos quais nos aproximamos mais d’Ele com nossos irmãos na fé.

         Deixemos que aquilo que David disse de si mesmo seja verdadeiro sobre nós também: A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta. (Sl.63:8).

Lembremo-nos que aqueles que confiam verdadeiramente em Deus encontrarão força, livramento e verdadeira paz.
Confiamos na nossa força? Ou confiamos nós no Senhor, nosso Deus?

Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

sábado, 1 de outubro de 2016



 
O Dever da Separação Bíblica – Fundamentos da Fé

E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, engando-vos a vós mesmos com falsos discursos.
  Tiago 1:22
 Introdução     
               Nestes dias de confusão teológica e de contemporização eclesiástica, qual é a posição bíblica que o crente deve assumir para com ensinadores de heresias e de erros religiosos? Devemos patrociná-los, associarmo-nos com eles, aceitar sustento ou sustentá-los, aumentar os seus números, enviar-lhes convertidos, fortalecer-lhes o prestígio, seguir a liderança deles, identificar as nossas igrejas com eles, ocultar e esquecer importantes diferenças bíblicas que temos com eles?

A resposta da Bíblia é clara. Quem quiser ser fiel, atenda-a. Quem não quiser ser fiel, rejeite-a.

Propósito: Aprendamos o dever da separação bíblica em relação aos que seguem e promovem erros e práticas doutrinárias contra a Palavra de Deus.

I. Qual o dever bíblico em relação às transgressões à Palavra de Deus?        
    1. Provai-os -  Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (I Jo. 4:1);

2. Notai-os - E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.” (Rm. 16:17);

3. Repreende-os - Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé.” (Tt. 1:13);

4. Não tenhais comunhão - E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Ef. 5:11);

5. Apartai-vos ... Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu.” (II Ts 3:6) (Ver também I Tim 6:3-5; Rom.16:17, acima);

6. Destes afasta-te - Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” (II Tm. 3:5);

7. Não o recebais - "Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.” (II Jo.1:10-11)

8. Não vos mistureis com ele - Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe.” (II Ts. 3:14);

9. Evitai-o - Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o,” (Tt 3:10);

10. Apartai-vos... Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei;” (II Co. 6:17);

1. A minoria fiel é muito pequena. Exemplos vivos: IL.: Spurgeon, um dos maiores pregadores de todos os tempos: A junta da união baptista votou contra Spurgeon, 95 a 5 votos, e a assembleia geral votou  2000 a 7 para expulsá-lo;  

2. A verdade é sacrificada frequentemente sobre o altar de um sentimental e falso clamor pela paz, amor e unidade e pelo ministério.

3. A doutrina precisa de ser constantemente reconhecida, ser aplicada e praticada:E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.” (Tg 1:22 ACF)

            O cristianismo que não é rigoroso não é bíblico: Catolicismo. O cristianismo autêntico e bíblico e é rigoroso na doutrina (I Tim. 1:3) e rigoroso na vida cristã (Ef. 5:11). Batalha  pela fé com todo ardor e sinceridade (Judas 3) e é inamovível e não transigente, é resoluto. Basta abrir o Novo Testamento em qualquer página e começar a ler, não levará muito tempo até isto se tornar evidente.


            O rigor e o zelo pela verdade não significa que alguém tem falta de amor ou de compaixão. Jesus era o rigor personificado e era também o amor e a compaixão personificados. À mulher apanhada em adultério Ele disse, “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” (Jo. 8:11).


II. Um Cristianismo de popularidade e de massas não é bíblico            
 Todos que desejam confiar e obedecer à Palavra de Cristo e que querem ser Seus verdadeiros discípulos (Jo 8.31-32), precisam estar prontos a permanecer sozinhos, como Daniel e seus amigos. Com medo de serem diferentes, muitos cristãos seguem a multidão. Famintos pelos louvores deste mundo, eles amam "mais a glória dos homens, do que a glória de Deus" (Jo 12.43).

            IL.: C.H. Spurgeon ficou virtualmente sozinho, abandonado mesmo pelos seus ex-alunos e amigos, quando foi censurado pela União Batista Britânica, por sua indisposição em tolerar a apostasia dentro daquele grupo.


       A. W. Tozer declarou, pouco antes de morrer: "por causa do que tenho pregado não sou bem recebido em quase nenhuma igreja na América do Norte." Que acusação contra aqueles pastores e igrejas!

            Cristo advertiu: "Ai de vós, quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas" (Lc 6.26). Ele afirmou que a verdadeira fé em Deus é impossível quando nós aceitamos "glória uns dos outros", e, contudo, não procuramos "a glória que vem só de Deus" (Jo 5.44).


III. Devemos, pela Palavra de Deus, testar e julgar publicamente os erros   
            Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalónica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (At 17:11 ACF)

Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.” (2Tm 4:2 ACF)

 “Fala disto, e exorta e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze.” (Tt 2:15 ACF)


Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;” (Hb 3:13 ACF)

          Não vemos nada na Bíblia que impeça certos pastores influentes de estarem sujeitos a serem testados e reprovados publicamente. Os profetas do passado reprovaram publicamente até mesmo os mais piedosos reis, quando esses transigiram espiritualmente: Natan e David.

          Paulo repreendeu Pedro publicamente, pela sua hipocrisia: Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gl 2:14 ACF).

          Os bereanos não são chamados de "nobres" na Escritura. Porquê? Porque eles concediam uma lealdade cega a Paulo? Não! Eles são chamados de "nobres", porque eles constantemente testavam a pregação de Paulo pela Palavra de Deus. Não só eles estavam certos em fazê-lo, como também eles estavam exercendo um ministério espiritual essencial e fundamental.

          A única autoridade de um pregador é a Bíblia, e é quando ele se desvia dela que ele não tem autoridade nenhuma. Considere a seguinte exortação: Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.” (Hb 13:7 ACF)

          Temos que aprender que nunca vamos concordar com qualquer pastor em todos os assuntos. As decisões finais para a liderança espiritual da igreja são de responsabilidade dele e ele as deve tomar em temor e tremor diante da face de Deus, pois é ele é quem vai dar conta por elas.

          E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; 13 E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós.” (I Ts.5:12-13 ACF)

      Pastores realmente chamados e qualificados por Deus têm real autoridade espiritual que Deus lhes deu e devem ser alegremente obedecidos enquanto e na medida em que eles obedecem à Palavra de Deus: Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Hb 13:17 ACF).

    Como cristãos fiéis ao Senhor, e como igreja fiel, Baptista Independente, é nosso dever bíblico não nos associarmos com quem transgride à são doutrina bíblica. A igreja de Cristo tem um compromisso com o Senhor Jesus. Não tem compromisso com pragmatismo, números, estatísticas, agradar a pessoas.

Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia