sábado, 9 de setembro de 2017

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Deus e as Suas promessas de cuidado pelo Seu povo

O SENHOR é quem te guarda…
Salmo 121
Introdução

         Quantas promessas tem este salmo? São todas para nós.
      

I. Montes

LEVANTAREI os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro. O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra.

         O que esperar de um monte, de uma ’montanha’? Porquê questionar de onde vem o socorro, após observar as montanhas? Para compreender este verso, temos de nos socorrer de outras passagens bíblicas.

 

         Na Bíblia, ‘monte’, ‘montanha’, ‘outeiro’, além de fazer referência às diversas formas de relevo, tais expressões, também, são utilizadas como figuras, para fazer referência as nações e aos povos.

 

         Nos tempos bíblicos do passado, os montes e as montanhas eram procurados para refúgio em tempos de guerra ou de perseguição. Pela sua altitude e relevo, eram um bom esconderijo e protecção.

 

         Por outro lado, os profetas utilizavam os ‘montes’ e os ‘outeiros’ como figura para se referirem, tanto à nação de Israel, quanto às nações vizinhas, como se lê:

"E acontecerá, nos últimos dias, que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações" (Is 2:2; Ez 3:6);

 

         O profeta Isaías fez uso da figura do ‘monte’, como sendo a nação de Israel. Após restaurada a sua glória, ou seja, a nação de Israel será estabelecida acima de todas as nações (se elevará por cima dos outeiros).

         Quando o profeta Jeremias disse: "Certamente em vão se confia nos outeiros e na multidão das montanhas; deveras no SENHOR nosso Deus está a salvação de Israel" (Jr 3:23), estava a alertar o povo de Israel para não fazer aliança com os povos vizinhos (outeiros e montanhas) quando saíssem à guerra ou, à procura de proteção (Jr 50:6).

        

     Quais as instruções e preceitos de Deus para o Seu povo quanto às guerras? Vejam em Deuteronómio 20.

Quando houvesse guerra, segundo a lei de Moisés, era necessário que o sacerdote se pusesse diante do povo e apregoasse que Deus estava com ele (Dt 20:4). Não era para irem direitos ao combate, corpo a corpo, antes, era para sitiar a cidade, confiados em Deus, que entregaria os inimigos nas mãos dos filhos de Israel (Dt 20:12): Pois o Senhor vosso Deus é o que vai convosco, a pelejar contra os vossos inimigos, para salvar-vos. (v.4)

 

         No entanto, não era isso que se via. Porquê? Porque os filhos de Israel queriam traçar estratégias de guerra, como os povos vizinhos faziam, confiados, não em Deus, mas no número de homens e cavalos à disposição dos seus capitães e nas alianças politicas dos seus reis. Deus não Se agradou desta desobediência e falta de confiança n’Ele.

 

         O Egito foi uma nação (monte) para onde os filhos de Israel ‘olharam’, esperando socorro, e Isaias os alertou, dizendo: Que descem ao Egito, sem pedirem o meu conselho; para se fortificarem com a força de Faraó e para confiarem na sombra do Egito. Porque a força de Faraó se vos tornará em vergonha e a confiança na sombra do Egito, em confusão(Is 30:2-3; Is 31:1).

"Certamente, em vão se confia nos outeiros e na multidão das montanhas; deveras no SENHOR nosso Deus está a salvação de Israel" (Jr 3:23);

 

         Então, o termo ‘monte’ é muitas vezes uma figura para fazer referência a uma nação.

        

         Assim, à pergunta do v.1 no Salmo 121, o Salmista, inspirado pelo Espírito de Deus, profetiza acerca da confiança que devemos ter no Senhor, que fez os céus e a terra, ou seja: “O meu socorro vem do SENHOR que fez o céu e a terra (Sl 121:2).

 

II. O Filho de Davi, Jesus Cristo, e os crentes, filhos de Deus no Salmo 121

         Diferentemente dos filhos de Israel, que procuravam estabelecer alianças políticas para repelirem os seus inimigos (olhavam para as nações esperando socorro), o salmista olhou mas foi para o Senhor, o Criador, que fez os céus e a terra.

 

         Ora, sabemos que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Davi, é o Senhor que fez os céus e a terra. Por isso, como crentes em Jesus, devemos confiar n’Ele. Comparemos:

E Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, e, como um manto, os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” (Hb 1:10-12). Fala sobre Jesus

 

Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim (Sl 102:25-27).

        

         O que vemos aqui neste Salmo? Três coisas muito importantes:

a)    O Salmista enumera as bênçãos de Deus sobre o Seu povo, Israel;

b)    Estas mesmas promessas também se aplicam hoje aos crentes em Jesus, o povo de Deus, que O têm como seu Pai Celestial;

c)    Estas promessas também podem ser comparadas à protecção do Pai para com o Seu próprio Filho, Jesus Cristo, enquanto encarnado na terra, entre nós, há dois mil anos.

 

Vejamos as promessas, seu número e conteúdo:

 

1.ª Promessa - v.3. Não deixará vacilar o teu pé  – O Senhor Jesus nunca vacilou, nem frente aos homens, nem frente ao diabo na tentação. Vejam o Salmo 16, um salmo messiânico e que se aplica a Cristo:

“Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente(Sl 16:8-11).

 

  Por confiar no Pai, Cristo não vacilou (Sl 91:2). Confiemos nós também no nosso Senhor.

 

2.ª Promessa - v.4. Aquele que te guarda não tosquenejará, eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel. O SENHOR é quem te guarda  

         Deus velou e guardou o Seu Filho com todo o zelo e mais faria. Jesus disse: …vós me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo. (João 16:32); Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?  (Mat.26:53 ). Não haveria o menor descuido do Pai quanto ao Filho (não tosquenejará). O Filho de Deus jamais ficaria abandonado neste mundo, pois seria objeto do cuidado constante do Pai, mesmo nas horas de angústia que antecederiam a Sua morte.

O mesmo fará o nosso Pai quanto a nós que confiamos no Seu Nome.

 

3.ª Promessa - v.5 - O SENHOR é a tua sombra à tua direita  – Deus promete proteção constante, ou seja, será a nossa própria sombra, como o foi quanto ao Seu Filho, Jesus:

"Guarda-me como a menina dos olhos; esconde-me debaixo da sombra das tuas asas" (Sl 17:8);

"Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem, em todos os teus caminhos" (Sl 91:11; Sl 91:15).

 

4.ª Promessa - v.6 - O sol não te molestará de dia, nem a lua de noite  – Este verso aponta a investida dos homens, do mundo e de satanás contra o povo de Deus: Não terás medo do terror de noite, nem da seta que voa de dia, nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia (Sl 91:5-6).

 

5.ª Promessa - v.7a - O SENHOR te guardará de todo o mal… Por colocarmos o nosso Pai como nosso refúgio, Deus promete uma proteção muito abrangente para a nossa vida: Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda” (Sl 91:9-10).

 

6.ª Promessa - v.7b - Guardará a tua alma (v. 7b) – Esta é uma promessa que vai para lá da nossa existência terrena. Uma promessa até para além-túmulo que tem a ver com a nossa própria salvação.

Vejam esta promessa quanto ao próprio Cristo, que morreu, foi sepultado, mas não seria deixado na morte: "Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção" (Sl 16:10). "Para que viva para sempre, e não veja corrupção" (Sl 49:9). "Em ti, ó Senhor, me refugio; nunca seja eu envergonhado; livra-me pela tua retidão (...) Nas tuas mãos encomendo o meu espírito...” (Sl 31:1-5).

 

Nós podemos também confiar nesta mesma promessa, pois quem promete é o nosso Pai celestial.

 

7.ª Promessa - v.8 - O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre (v. 8)

Esta promessa remete à nossa vida completa, desde que nascemos até que partamos deste mundo. Mostra que o Senhor nosso Deus estará atento a todas as áreas do nosso viver, dos nossos projetos que visam a Sua glória e que nos são necessários.

 

Conclusão

         O crente em Cristo deve ver no Salmo 121 as promessas do nosso Deus quanto à Sua protecção, ao seu zeloso cuidado por nós nesta vida terrena.

Confiemos no Senhor! O crente precisa de ter em mente que a sua vida está escondida com Cristo em Deus, pois, quando creu em Cristo, para a sua salvação, passou a ser um dos Seus filhos: "Porque já estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus" (Cl 3:3).

         Cristo prometeu estar com os Seus seguidores, todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28:20). Mas, não esqueçamos que a presença de Cristo na nossa vida não exclui as aflições deste mundo (Jo 16:33).

         O alívio e o descanso prometido por Cristo, não diz dos trabalhos, fadigas, desilusões e aflições deste mundo.

 

O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra… O Senhor é quem te guarda… O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma.

 
Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia  

 

terça-feira, 22 de agosto de 2017



As Sete Últimas Declarações de Jesus na Cruz

Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. 

 Romanos 5:6-11 

E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.

 Lucas 23:33 

 Introdução

         A morte de Jesus Cristo não foi uma morte normal, nem uma morte por acaso. As Escrituras largamente profetizavam deste sacrifício muitos séculos antes de ter acontecido. O próprio Cristo ensinou que para isto tinha vindo. Ele disse a Pilatos em João 19:38: Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.

                                              

         Jesus também disse aos Seus discípulos que daria voluntariamente a Sua vida, ninguém lha iria tirar. Jesus sabia e conhecia a hora que se aproximava e orou ao Pai para que O fortalecesse em tudo o que iria suportar e que iria sofrer: …Pai, é chegada a hora… (João.17:1).

 

         Depois de traído e preso durante a noite no jardim, Jesus foi em poucas horas foi julgado ilegalmente no Sinédrio judaico, que buscavam falso testemunho contra Jesus para poderem dar-lhe a morte; e não o achavam… (Mateus 26:59-60). Logo ali começou o sofrimento de Jesus: Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam. (v.67)

 

Depois levaram Jesus a Pilatos, autoridade romana, governador que o remeteu a Herodes que com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos. (Lucas 23:7,11).

 

Novamente perante Pilatos, Jesus vai ser julgado publicamente pela autoridade romana e perante a multidão enraivecida que pedia furiosamente, crucifica-o, crucifica-o. Fazendo a vontade do povo, …tendo mandado açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado. (Mat.27:26).

 

Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã, a 3ª hora dos judeus, contada desde o nascer do sol. Neste período, Jesus falou por três vezes, referindo-Se aos outros. Ao meio-dia, a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra (Mateus 27:45). Durante este período, Jesus falou por mais quatro vezes, dizendo respeito a Si mesmo. Às 15 horas, a hora nona, Jesus expirou. São um total de sete as frases, as palavras, que Jesus pronunciou durante estas terríveis seis horas.

 

         Além do profundo significado da cruz, estas sete declarações de Jesus na cruz são autênticas lições espirituais e um ministério. Não vamos seguir uma ordem particular.

 

I. Uma palavra de PERDÃO – Lucas 23:34

E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem…

É uma oração que expressa a Sua compaixão e amor pelos Seus inimigos. A ignorância dos soldados foi circunstâncial, porque foram envolvidos na crucificação por ordens superiores.

 

Os judeus tinham as promessas, desde Abraão, Moisés e dos profetas. Os judeus esperavam o Messias. Mas não O reconheceram e crucificaram Aquele que era a esperança de Israel. Agora, Jesus suplica ao Pai que os perdoe, que tenha misericórdia, pois não sabiam quem estavam a crucificar. E era necessário que se cumprisse a redenção e a profecia bem clara de Isaías 53.

 

E a resposta do Pai não se fará esperar. O salteador crucificado ao Seu lado e o centurião romano, em poucos minutos, chegam à fé e à conversão a Jesus. O centurião reconhecerá: Verdadeiramente este era o Filho de Deus… deu glória a Deus dizendo: Na verdade, este homem era justo. (Mat.27:54; Luc.23:47).

 

Com estas palavras, Jesus intervém junto do Pai como Mediador, implorando perdão. Cristo estava a ser humilhado, em grande sofrimento, pregado numa cruz. Mas orava e intercedia junto do Pai, revelando a misericórdia divina diante do pecador que Ele ama.

 

Isaías escreveu: … e intercedeu pelos transgressores. (53:12); …Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios… Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rom.5:6,8)

II. Uma palavra de COMPAIXÃO – João 19:26-27

Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E, desde aquela hora, o discípulo a recebeu em sua casa.

 

Em primeiro lugar vamos ver o que estas palavras NÃO significam.

 

Não significa que Jesus estava a entregar a igreja aos cuidados de Maria, como interpreta a teologia católica romana. OS romanistas vêem nesta passagem que Jesus estava a colocar Maria como mãe da igreja. Dizem que o apóstolo João ali presente representa a igreja e que Jesus estava a dizer a Maria: Mulher, eis aí o teu filho (eis aí a igreja).

 

Mas isto é uma grande heresia e uma deturpação do texto bíblico. Porque vejam que no v.27 o discípulo a recebeu em sua casa. Foi assim que João interpretou as palavras de Jesus.

 

Portanto, a interpretação é muito simples. Do alto da cruz, Jesus contempla a sua mãe e entrega-a aos cuidados do apóstolo João que doravante a amparia, pois é provável que José já tivesse morrido. Vemos o cuidado de Jesus pela família mesmo na crítica hora da morte: …eis aí tua mãe…eis aí o teu filho.

Jesus queria que a Sua mãe fosse bem cuidada depois da Sua morte. Estas palavras de Jesus mostram apenas o amor, o carinho e a preocupação de Jesus pela Sua mãe.

 

III. Uma palavra de SALVAÇÃO – Lucas 23:42-43

E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

 

A oração/pedido daquele homem é uma das mais ousadas: Senhor, lembra-te de mim…

 

Enquanto o outro condenado insultava e reprovava a Jesus, este outro, pelo contrário, arrependido, reconhece o seu erro e pecado. Ele repreende o outro: …tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? Reconhece que ele injusto e que Jesus era justo.

 

A salvação está sempre aberta para todos até à hora da morte. A salvação estava disponível para aqueles dois, mas apenas um a recebeu. Ele mostra confiança, ele profere com grande declaração de fé a um Rei moribundo, a um Rei envolto em zombaria, dor e vergonha.

 

Aquele arrependido reconheceu que a morte não seria o fim de tudo para ele e que além da morte existia um reino celestial onde Jesus é Rei e Senhor. Aquele homem exerceu uma fé em nada inferior aos dos heróis da fé de Hebreus 11.

 

As palavras de Jesus, dando-lhe confiança, deram-lhe mais do que ele pensara ou pedira. Não teria que esperar por um futuro longínquo. Não, seria naquele mesmo dia, em poucos momentos: hoje.

 

…comigo no paraíso, isto é, compartilhando com o próprio Senhor Jesus o lugar e a condição de bem-aventurança no paraíso.

 

Temos aqui, também algumas outras verdades nestas palavras finais de Jesus na cruz:

1.º- O sono da alma é uma doutrina falsa de várias seitas, como TJ, Adventistas 7º Dia. A alma é imortal e depois da morte não fica a dormir na sepultura à espera de uma decisão divina. A alma também não será destruída se não for salva. Não! Existe céu e inferno. Depois da morte, a alma estará ou no céu com Deus ou no inferno, consoante a pessoa é um salvo ou um ímpio.

 

2.º- A demonstração da justificação pela fé. Aquele homem pecador creu em Jesus, arrependeu-se do seu pecado e recebeu de imediato a salvação de Deus. Como Paulo e Silas disseram ao carcereiro em Filipos: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo. (Actos 16:31)

 

3.º- Jesus é o Salvador e tem a autoridade para pronunciar uma palavra que garante a salvação eterna do pecador que se volta para Ele em fé e arrependimento.

 

4.º- Nenhum mérito, nenhuma obra humana, nem mesmo as ordenanças divinas da Ceia e do Baptismo são necessários para a salvação de uma alma. A salvação vem da graça de Deus e é pela fé: Pela graça sois salvos, por meio da fé… (Efésios 2:8).

         Esta promessa de Jesus é também para todo o crente, palavras de conforto, de paz, certeza e de salvação.

 

IV. Uma palavra de SOFRIMENTO ESPIRITUAL – Mateus 27:46; Marcos 15:34

E perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lama sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?

   Aproximava-se o momento crucial da morte de Jesus. Agora, Jesus, conscientemente, cumpre mais outra profecia bíblia, a do Salmo 22:1. Este grito de Jesus assinalou a realidade de que, naquele momento, Ele foi feito pecado por nós, Deus lançou sobre o pecado da humanidade:

Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. (II Cor.5:21);

…fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. (Gál.3:13);

…provasse a morte por todos. (Hebreus 2:9)

 

Ilustração do livro.

Suponham que neste livro estão escritos todos os meus, os teus pecados. A minha outra mão simboliza Jesus na cruz. Deus diz pelo profeta Isaías: …mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. (Isaías 53:6). Lançar o livro na outra mão

 

O que estava a acontecer em que Jesus Se viu sozinho e abandonado pelo próprio Pai?

Jesus era o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Deus abandonou Jesus, o Filho Unigénito, que naquele momento era o representante dos homens pecadores, para que provasse a morte em substituição do homem pecador! Naquele momento, Jesus estava a suportar a justiça de Deus, recebe estava a receber o castigo de Deus sobre Ele, a ira de Deus sobre o pecado: Porque, como, pela desobediência de um só homem (Adão), muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um (JESUS), muitos serão feitos justos (Rom.5:19).

 

 Era o grito de angústia do Cordeiro, do Salvador que Se estava a sacrificar a Si mesmo, sozinho, abandonado pelo Deus Santo e humilhado pelos homens cruéis e ímpios. Sozinho!

Era a hora das trevas. O Filho clamou, mas do Pai não houve qualquer resposta. Jesus foi abandonado para que nós não o fôssemos.

 

V. Uma palavra de ANGÚSTIA e de SOFRIMENTO FÍSICO – João 19:28

Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.

A vida inteira de Jesus, o Messias, do mais ínfimo pormenor até ao maior, cumpriu as profecias do AT.. Aqui, conscientemente, Jesus cumpria a profecia do Salmo 69:21: Deram-me fel por mantimento, e na minha sede deram-me a beber vinagre.

 

Estes sofrimentos físicos faziam parte integral dos momentos finais da Sua missão terrena. Foi um grito por parte d’Aquele que garantira aos outros: e quem crê em mim nunca terá sede. (João 6:35)… porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. (João 4:14). Esta é a água que o nosso Salvador nos oferece, mas para a ganhar para nós Ele mesmo teve que experimentar a sede horrível na cruz do calvário.

 

Os soldados tentaram dar a Jesus vinho com mirra, mas ele não o tomou (Mc.15:23). Para cumprir a Escritura, Jesus recusou o vinho, mas aceitou o vinagre. Recusou tomar qualquer droga par alívio da sua dor. Queria estar consciente para a plena concretização da redenção da humanidade. Mas Jesus aceitou beber vinagre para ficar lúcido até ao final (Jo. 19:29).

 

Esta exclamação tem um importante significado teológico que mostra a humanidade de Jesus. Cristo era verdadeiro homem. Nos tempos das primeiras igrejas grassou uma heresia proveniente de uma seita conhecida como gnosticismo. Dentro dessa seita, havia ainda um grupo mais restrito, os docetistas. Ensinavam que o corpo de Cristo era uma ilusão e que a Sua crucificação tinha sido apenas aparente, não real. Diziam que Deus não poderia estar contido na matéria. Não entenderam e rejeitaram a encarnação.

 

Basta lermos o evangelho de João e a sua clara revelação: E o Verbo se fez carne. Como homem, Jesus teve sede e morreu.

 

Os apóstolos foram claros em todos os seus escritos do NT ao afirmarem a humanidade, assim, como a divindade, mas também a HUMANIDADE de Jesus.

Assim, aqui, o apóstolo João registou claramente esta palavra de Jesus na cruz na Sua agonia humana: Tenho sede. Quem estava a morrer na cruz era homem, além de Deus. O Seu sangue estava a esvair-se e humanamente o corpo pedia a compensação de líquido.

 

VI. Uma palavra de VITÓRIA – JOÃO 19:30

E quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado…

Jesus pronunciou a palavra grega, o verbo “tetelestai”, que significa: “Está tudo pago, está tudo cumprido”. Nós podemos terminar uma obra magnífica, mas será sempre imperfeita. Só Deus faz tudo perfeito.

 

Aqui, conscientemente, Jesus sabe que a Sua grande obra da redenção estava terminada, concluída com todo o sucesso, perfeitamente. Jesus sabe que todos os propósitos e desígnios de Deus foram concretizados. Ele já tinha profetizado em João 17:4: Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. Com esta declaração:

1.- Jesus sabe que satisfez todas as exigências da justiça de Deus para a salvação do homem perdido e condenado: …se ofereceu a si mesmo, imaculado, a Deus… (Heb.9:14)

2.- Jesus sabe que cumpriu tudo quanto foi escrito pelos profetas.

3.- Jesus sabe que o caminho para o Santo dos Santos foi aberto pelo Seu sangue, o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

4.- Jesus sabe que foi uma consumação tremenda, mas gloriosa, sabe que provou a morte por todos.

5.- Jesus sabe que pela Sua morte redentora, pelo derramamento do Seu sangue na cruz, Deus estava reconciliado com os homens: Isto é, Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados… (II Cor.5:19).

 

Também significa que nada mais há a acrescentar para a salvação dos pecadores. A salvação está completa. Nenhuma obra humana meritosa se pode acrescentar, mas unicamente pela obra perfeita de Cristo na cruz.

 

VII. Uma palavra de INTIMIDADE, CONFIANÇA E DE UNIDADE COM O PAI – Lucas 23:46 - E clamando Jesus com grande brado, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.

…E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. (João 19:30)

E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. (Mateus 27:50)

 

A morte de Jesus não foi por esgotamento. Como Ele mesmo tinha dito, foi um acto voluntário: …ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou… (João 10:18). Jesus rendeu-Se ao Pai no momento que Ele decidiu.

 

Jesus sempre esteve em unidade e em comunhão com o Pai, desde o princípio até ao fim da Sua existência terrena. Começou o Seu ministério com oração. Orou no início da Sua paixão no jardim do Getsemani. À medida que o crucificaram e as horas passavam, orava ao Pai e expirou orando em íntima comunhão, intimidade, confiança e unidade com o Seu Pai amado. 

 

Na hora da Sua morte, Jesus foi para o Pai. Jesus sabia que o Seu corpo permaneceria ali, preso na cruz, para ser sepultado e ressuscitaria dali a três dias.

Mas o Seu espírito não adormeceu, mas seria com toda a certeza recebido pelo Pai logo após a Sua morte.

 
Conclusão

Esta é a mesma confiança que nós temos.

Também o mesmo acontece connosco, os crentes salvos. Ao morrermos, o nosso corpo fica cá e será sepultado. Mas o nosso espírito parte para estar com o nosso Pai celestial.

Foi Jesus que ganhou para nós esta salvação na Sua cruz no Calvário.

E nas Suas últimas sete palavras, nos Seus últimos gritos, nas Suas últimas sete declarações temos maravilhosas lições que podemos aplicar hoje às nossas vidas pessoais.

 
         Glória ao nome do Senhor Jesus Cristo

Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista de Moreira da Maia