domingo, 21 de janeiro de 2018

 

Resultados Implícitos da Salvação

Deus é Pai

E, se invocais por Pai…

I Pedro 1:17

  

Introdução     

Pedro, depois de ter declarado tantas e tão grandes verdades cristãs, após o louvor a Deus pelas bênçãos da salvação, é agora inspirado a fazer aplicações práticas dessas verdades. Pedro disse-nos no que consiste o Evangelho e quais são as suas promessas. Agora, passou a mostrar-nos o que esse Evangelho exige das nossas vidas. Pedro iniciou isso no v.13.

 O elevado privilégio da salvação arrasta consigo um imperativo. QUAL É? Uma vida santa. Devemos viver vidas santas. O alvo do crente é ser segundo a imagem do nosso Senhor Jesus Cristo. Agora, no v.17, Pedro começa com uma espécie de constatação, uma lembrança.
 
I. Deus, que é Santo, é nosso Pai – “E, se invocais por Pai…”

           Aqueles crentes, como verdadeiros cristãos, dirigiam-se em oração a Deus chamando-O de Pai. Nós podemos chamar a Deus de Pai. Nós chamamos a Deus como nosso Pai muito frequentemente, diariamente. Mas, às vezes, é bom alguém nos lembrar o que isso representa.
 
           A designação de Deus como Pai já aparecera anteriormente nos vs,1,2 e 3. Esta revelação de Deus como Pai representa para o cristão daquele tempo, as primeiras igrejas, uma das maiores graças que acompanham a salvação em Jesus Cristo.
 
Na verdade, alguma coisa mudou do judaísmo para os cristãos. Algo profundo mudou com a vinda do Filho de Deus. Algo mudou para os discípulos de Jesus, para nós, crentes.
 
O que foi que mudou?

1. – Deus está agora mais próximo.
 
2. – Deus é conhecido de forma mais íntima pela pessoa que O louva e bendiz. Isto deve-se a um acontecimento fundamental: A encarnação de Deus Filho. Deus habitou e viveu entre nós.
 
3. – Deus agora não é mais só O Senhor, Deus de Israel, da nação escolhida. Ele é Quem? É Pai.

É o nosso Pai, o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. Cristo veio e mostrou-nos o Pai. Cristo revelou-nos o Pai que O enviou. Jesus é a expressa imagem de Deus. Jesus ensinou-nos a orar ao Pai e que o Pai celestial conhece-nos e supre as nossas necessidades. Jesus ensinou-nos isto de uma forma magnífica no Sermão do Monte. (Mt.6:4,6,9,18,26, 31-34: “vosso Pai celeste”
                                                     

           Era assim que Jesus Se dirigia a Deus: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice… (Marc.14:36).

           Foi assim que Jesus ensinou os seus discípulos, e a nós, a que fizessem: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estais nos céus… (Lucas 11:2).
 
4. – O apóstolo Paulo, num texto muito importante, fala da nossa adoção em Cristo como filhos de Deus: …Deus enviou seu Filho… para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu filho, que clama: Aba, Pai. (Gál.4:4-6).
 
           Por sermos filhos, o Espírito de Cristo, que o Pai colocou nos nossos corações, clama dentro de nós, “Paizinho”. No texto paralelo de Romanos 8:14-16, Paulo efetivamente aplica a si mesmo esse privilégio, dizendo que por isso podemos dirigir-nos a Deus como Pai.

          Pai (gr. Pater) fala-nos de um manancial de vida, de um relacionamento, de um amor. Pai declara que aquele que leva este nome tem que educar, governar e corrigir. Um pai sabe de que coisas os seus filhos precisam antes que eles lhas peçam.

 
         É ao abrigo desta relação de Pai que o N.T. apresenta os aspetos mais ternos do Seu caráter, ou seja, o Seu amor, o Seu vigilante cuidado, a Sua fidelidade, etc. Daí que Jesus tenha dito tantas vezes aos Doze: “...quanto mais vosso Pai, que está nos céus…” (Mat.7:11).
 
II. Pai, alguns dos Seus nomes e títulos

1. – Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo – “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias… (II Cor.1:3; Efés.3:14; I Pedro 1:3)

         Este é o título completo do Pai.
Jesus, o Pai da eternidade (Is.9:6), era o Filho Unigénito do Pai desde a eternidade e, sendo o próprio Deus, está eternamente em absoluta igualdade com o Pai. “Pai” era a designação de Deus mais comum nos lábios de Jesus e que está reservada especialmente para a Primeira Pessoa da Trindade.
 
Cristo usava-a de uma maneira específica e pessoal aplicando-a, antes de mais nada, à Sua relação com Deus e à Sua posição incomparável de Filho.

É uma relação sem paralelo e que não pode ser compartilhada por qualquer criatura. É uma Filiação num nível inteiramente sem igual no Universo. É uma relação eterna, sem princípio nem fim, imutável e essencial na Natureza Divina.
 
É significativo que Jesus, no Seu ensino aos apóstolos, nunca se associou com eles dizendo “nosso Pai”; Jesus usou sempre o singular, “Meu Pai”(Mt.11:27; 25:34; Ap.2:27; 3:5).

 

Depois da ressurreição indicou duas relações distintas: “meu Pai e vosso Pai”(Jo.20:17).

Assim, os apóstolos falavam de Deus como o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo (Rm.15:6; II Co.1:3; Ef.3:14).

 

2. – Aba, Pai – “E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” -  Gálatas 4:6, Marcos 14:36; Romanos 8:15

Nos únicos três lugares em que aparece no N.T. é utilizada para invocar o Pai em oração. É usada na vida diária da família e adquiriu o tom caloroso de “papá querido, paizinho”.

 

Não encontramos Aba como um modo de se dirigir a Deus no A.T.. O judeu piedoso conhecia perfeitamente o grande abismo entre Deus e o homem (Ec.5:1) e não se sentia livre para se dirigir a Deus deste modo.

Contudo, numa maneira inteiramente nova e nunca imaginada, Jesus dirigia-Se assim ao Pai em oração, expressando um relacionamento sem igual de amor e confiança.

        

Aba mostra que Jesus nos abriu esta porta para nos dirigirmos ao Pai de uma maneira carinhosa, íntima e familiar. Paulo vê em Aba (Pai querido) evidência de duas coisas: da nossa adoção como filhos através de Cristo e de possuirmos o Espírito Santo.

 

A bênção da Igreja poder dizer Aba é um cumprimento da promessa de Deus: E eu serei para vós Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor, Todo-Poderoso (II Co.6:18).

 

3. – Pai celestial – “ …quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem”. – Lucas 11:13

         Jesus referiu-se muitas vezes ao Pai como Pai celeste e Pai que estás nos céus. Todas as pessoas têm um pai que as gerou. Mas só os nascidos de novo pelo Espírito Santo, os que receberam Jesus pela fé, têm além deste pai terreno um Pai que está céu (Jo.1:12-13), que deu origem a todas as coisas visíveis e invisíveis.

        

É muito claro no ensino de Cristo a restrição da Paternidade de Deus ao Seu povo crente. Deus não é o Pai de todos os homens. É o criador de todos os homens, mas Ele é Pai de todos os que creem. Em caso algum dá a entender que essa relação existe entre Deus e os incrédulos.

 

Aos Seus inimigos zombadores, Jesus foi inteiramente franco e explícito quando disse: “Vós tendes por pai ao diabo...” (Jo.8:44).

 

Para ser salvo, o homem tem que ser “filho do Pai celestial” e é junto d’Ele que teremos o nosso galardão. É Ele, também, Quem “perdoa as nossas ofensas” e Quem conhece as nossas necessidades (Mt.6:1,14,32). Os fiéis ouvirão o seu nome ser confessado, disse Jesus, “...diante do meu Pai que está nos céus” (Mt.10:32).

 

4. – Pai da Glória – “Para que o Deus do nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação”. (Efésios 1:17)

   "Glória" (gr. doxa), tem a ver com a natureza e os atos de Deus na Sua manifestação, o que Ele essencialmente é e faz, a Sua majestade e poder. Descreve Deus como a fonte de onde procede toda a perfeição e esplendor divinos. Sugere alguma coisa que irradia daquele que a tem. Em geral, traz a ideia de dignidade, peso, reputação.

 

No A.T., a glória de Deus saiu com o Seu povo na nuvem no deserto, foi vista no monte Sinai, encheu o tabernáculo e é referida em muitas visões dos profetas.

Jesus Cristo, na Sua Pessoa e obra, revelou o Pai ao mundo, pois Ele "é o resplendor da sua glória" (Hb.1:3).

 

No trecho de Efésios 1:15-23, Paulo apresenta Aquele que ouve e responde às orações como sendo o Pai da glória e descreve-O como Aquele que dá ao Seu povo o espírito de sabedoria e de revelação e que ilumina os olhos do nosso entendimento de forma a que possamos vir a conhecer as riquezas da glória da sua herança nos santos e a sobreexcelente grandeza do seu poder que mostrou ao ressuscitar Jesus Cristo dos mortos.

 

Renovando a sua oração em Efésios 3:14-21, Paulo, na sua prece, diz que se põe de joelhos perante o Pai a fim de fortalecer a sua fé e para que o Pai compartilhe da Sua riqueza connosco, ao nos abençoar, concedendo-nos muito mais do que aquilo que nós Lhe pedimos ou pensamos.

E termina dizendo que a esse [Pai da glória], todos os crentes devem louvar e render glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Ámen.

 

5. – Pai Justo – “Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci.”João 17:25

Jesus refere-se deste modo ao Pai quando proferiu a Sua oração sacerdotal. O Pai é justo (gr. dikaios) porque é reto, verdadeiro, fiável, imparcial no Seu modo de lidar com o homem. Todos os tratos do Pai com os homens baseiam-se na justiça absoluta.

 

Ele é justo na redenção e na salvação, no Seu amor à retidão e na Sua indignação contra a iniquidade, na punição dos perversos e injustos, na recompensa dos justos, no cumprimento da Sua Palavra e das Suas promessas aos que Lhe pertencem.

 

Desde sempre que os Seus atos justos são louvados e glorificados. Todo aquele que anseia pela redenção invoca a justiça do Pai, para que o livre e o salve.

 

O mundo ímpio e descrente, por contraste, descobre que a justiça do Pai é a raiz da sua queda. A justiça do Pai foi vista na morte de Seu Filho, pois por ela mostrou ao mundo que não é indiferente ao pecado nem olha para ele levemente. Pelo contrário, condena-o.

 

Sendo um Pai Justo, é perfeito e absolutamente equilibrado na demonstração da Sua bondade e severidade. Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus (Rm.11:22), adverte a Escritura acerca do caráter d'Aquele com quem temos de tratar e que agirá sem favoritismos.

 

6. – Pai das Luzes – “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação.” – Tiago 1:17

Esta descrição do Pai é única nas Escrituras. I João 1:5 faz uma afirmação absoluta e grandiosa: Deus é luz e não há nele trevas nenhumas.

A palavra luz (gr. phos), é usada em conexão com alegria, bênção e vida, em contraste com a tristeza e a morte. Tem a ver com a presença e o favor de Deus. O Pai das luzes é o Criador e a fonte última da luz física, intelectual e espiritual. A Sua santidade e a glória do Seu lugar de habitação são expressos em termos de luz: "...habita na luz inacessível, a quem nenhum homem viu nem pode ver..." (II Tm.6:16).

 

         É quase certo que luzes deve ser entendido como os corpos celestes, provavelmente incluindo o sol, a luz e as estrelas. A Bíblia diz que o firmamento dos céus é evidência da obra criadora de Deus. "Mudança" e "sombra de variação" (v.17) sugerem, naturalmente, os movimentos periódicos dos corpos celestes, as fases da lua, a sobra projetada por um eclipse e a constante alternância de noites e dias.

Ora, o sol e a lua variam. Podem ser eclipsados e deixar-nos às escuras. Não é assim com o Pai das luzes. N'Ele não há mudança nem sobra de variação. Toda a bênção que gozamos devemo-la à Sua bondade infalível e à Sua graça e misericórdia inalteráveis. A imutabilidade é um dos atributos do Pai das luzes.

Este nome mostra o contraste com a ideia corrente na astrologia de que as estrelas e os astros controlam fatalmente o destino de cada pessoa. Tiago afirma que o nosso Pai, que é perfeito em benevolência, rodeia o nosso caminho com dádivas que descem lá do alto, ou seja, do Seu lugar de habitação, o céu.

         Das afirmações acerca do ser essencial do Pai, luz revela a Sua perfeita pureza e inexprimível majestade. O Salmo 104:1-2 diz que a roupa do Senhor é luz, que Ele é magnificentíssimo, vestido de glória e de majestade. A luz simboliza a justiça e a verdade.

 

Tal como Jesus Cristo, os crentes são a luz do mundo, pelo que devem vestir-se das armas da luz (Rm.13:12) e tomar consciência de que não há comunhão entre a luz e as trevas (II Co.6:14). Os discípulos não devem esconder-se, mas viverem e trabalharem em lugares onde a sua influência seja sentida e a luz que neles haja possa ser vista, expressa em atos reais de amor e de serviço, luz que não é deste mundo mas que desce do alto, do Pai das luzes.


7. – Pai das Misericórdias – “Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, e o Deus de toda a consolação.” – II Coríntios 1:3

         Acompanhar o conceito de misericórdia, na Bíblia em português, é algo complicado devido ao facto de que há diversas raízes gregas: eleos, oiktirmos e splanchnon.

Misericórdia” é compaixão, pena, amor para com alguém que sofre necessidade ou está em angústia desesperada, ou que está em dívida e não pode solicitar tratamento favorável, pelo que também tem a ver com graça, bondade, favor, longanimidade.

 

A graça do Pai volta-se para o homem como culpado; a Sua misericórdia volta-se para ele como miserável. O Pai é riquíssimo em misericórdia, pois estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (Ef.2:4-5).

 

Reparemos neste exclusivismo: Ele é o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação. Só n'Ele há apoio, consolo e força para todas as vicissitudes da vida, pois este é o Seu nome. Ele fica connosco, conforta-nos com ternura e compreensão, enche-nos de força para a batalha. Por muito que façamos, não podemos escapar às tribulações da vida. Os dias da adversidade chegarão. Na verdade, todos temos que chegar ao nosso Getesêmane. Mas eis a mensagem: há Um — Um único —que nas emergências permanece sempre connosco, tal como dizia David (Sl.145:8-9). Os outros podem abandonar-nos, o Pai das misericórdias nunca o faz.

 

Mas, por que é que o Pai das misericórdias...nos consola em toda a nossa tribulação?

A resposta está aqui: ...para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação (II Co.1:4). Eis a nossa obrigação como cristãos, sermos misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso, acrescentando que ele é benigno para com os ingratos e maus (Lc.6:35-36; Mt.18:21; Cl.3:12).

Os misericordiosos são bem-aventurados e para com eles usar-se-á de misericórdia (Mt.5:7). O Pai das misericórdias vem até nós e por nós vai aos outros.

 

8. – Pai Santo – “…Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste…” – Joa.17:11

A Santidade do Pai é o Seu atributo mais exaltado e destacado, pois expressa a majestade da Sua natureza e caráter morais. Sendo Santo, Ele é separado de tudo quanto é de natureza pecaminosa, e absolutamente perfeito, puro e íntegro na Sua Pessoa e nas Suas obras. Ele nunca fez, nem fará, nada errado (Jb.34:10). Toda a Sua vontade e planos são corretos porque Ele é Santo (gr. ayios).

 

A santidade do Pai também é vista na Sua aversão ao pecado, pois os seus olhos são tão puros que não podem ver o mal (Habac.1:13). Ele ama os pecadores mas abomina o pecado, deleitando-Se apenas naquilo que é santo e reto.

 

Assim, sendo Ele infinitamente Santo, providenciou a aceitação dos pecadores e ímpios ao enviar o Seu Filho Unigénito, Jesus Cristo, para derramar o Seu sangue na cruz, pois o pecado precisa de ser coberto antes que possa haver comunhão entre o Pai Santo e o pecador. Nisto, o Pai mostrou o Seu amor, ao amar seres tão totalmente pecadores.

 

Mas agora prestem bem atenção ao restante de I Pedro 1:17.
O que aqueles crentes, e nós, não podem esquecer é que esse mesmo Deus, com o qual foram colocados numa relação tão íntima, também faz o quê?…julga.
O Pai também é o quê? É Juiz, o Deus julgador da história.
 
Mas essa será outra mensagem.
 
Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

sábado, 16 de dezembro de 2017



Profecias e Promessas Messiânicas Cumpridas em Jesus Cristo

Encarnação/Nascimento, Vida e Obra

       Introdução: Como saberemos que Jesus é o Messias? O nascimento de Cristo é celebrado em todo o mundo. Os cristãos, filhos de Deus, celebram o nascimento do Filho Unigénito com gratidão e reverência. Jesus Cristo é a Pessoa central das Escrituras. Cristo é o tema central da mensagem divina transmitida aos homens através dos séculos. Cristo é a figura central da História. A História do mundo, desde a sua concepção, é a história da preparação para a vinda de Cristo, quer da Primeira, quer da Segunda Vinda de Cristo.

          Do Génesis ao Apocalipse, as Escrituras apresentam a Pessoa de Cristo. Depois da Sua ressurreição, na estrada de Emaús, Jesus Cristo começou por Moisés e percorreu todos os profetas, explicando aos dois discípulos o que d’Ele se achava profetizado e escrito em todas as Escrituras: E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras (Lc.24:27); A este dão testemunho todos os profetas… (At.10:43) João 5:39: Examinais as Escrituras… e são elas que de mim testificam. (João 5:39.

                     A Bíblia tem muitíssimas profecias e promessas (mais de três centenas) sobre a vinda, a vida e a obra do Messias. Apenas Jesus Cristo as cumpriu plenamente. Este facto é surpreendente, como uma pessoa cumpre tudo. Os judeus ainda aguardam o Messias e o cumprimento das profecias divinas. Vamos ver apenas algumas dessas promessas e profecias messiânicas, em especial sobre a encarnação (e outras) de Jesus Cristo, o seu cumprimento e os acontecimentos que envolveram o Seu nascimento.
 

1. Jesus como Descendente da Mulher e Vindo no Tempo Certo

Génesis 3:15 >>> Gálatas 4:4   (profecia desde o Princípio da Humanidade)

(P:>) Promessa: > E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente… (Gn.3:15).

(C:>) Cumprimento:>Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher… (Gl.4:4); E deu à luz seu filho primogénito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa mangedoura… (Lc.2:7).

 
2. Como Descendente de Abraão – profecia cerca de 2.000 anos antes

Génesis 12:3; 18:18 >>> Mateus 1:1-16; Lucas 3:34

P:> …e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Génesis 12:3)

C:> Livro da geração de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão…e Jacob gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo (Mt.1
 

3. O Messias viria para todos os povos e seria uma bênção para todas as nações – profecia cerca de 2.000 anos antes

P:> E em tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; porquanto obedeceste à minha voz. (Génesis 18:18; 22:14,18).

C:> Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo…Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa. (Gál.3:14,26-29); Sim, e todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também predisseram estes dias. Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra. (Atos 3:24-25)

 
4. Como Descendente de Isaque – cerca de 1.900 anos antes

P:> E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele (Gén.17:19).

C:> Livro da geração de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão. Abraão gerou Isaque, e Isaque gerou Jacob, e Jacob gerou Judá …e Jacob gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo (Mat.1:1-16); (Lucas 3:34).
 

5. Como Descendente de Jacob – cerca de 1.800 anos antes

Génesis 28:13-14 >>> Mateus 1:2-16; Lucas 3:34

P:> Eu sou o Senhor… e a tua semente será como o pó da terra… e em ti e na tua semente serão benditas todas as famílias da terra (Gén.28:14).

C:> e Judá (filho) de Jacob, e Jacob de Isaque, e Isaque de Abraão… (Lc.3:34)

 
6. O Messias seria descendente de Judá e seria Rei de Israel – profecia cerca de 1.900 anos antes

P:> O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés... (Génesis 49:10).

C:> Livro da geração de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão. Abraão gerou Isaque, e Isaque gerou Jacob, e Jacob gerou Judá …e Jacob gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo (Mat.1:1-16).

Natanael respondeu e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és os Rei de Israel. (João 1:49)

 
7. Como um Grande Profeta e Rei e em que Deus falaria através do Messias – cerca de 1.400 anos antes

Deuteronómio 18:15-19 >>> Mateus 21:11; João 5:46; 6:14; Actos 3:22-23; 7:37

P:> O Senhor, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, dos teus irmãos, como eu; a ele ouvireis (Deut.18:15-19); …uma estrela precederá de Jacob, e um ceptro subirá de Israel… (Números 24:17)

C:> E a multidão dizia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia. (Mat.21:11) Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele… Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é, evidentemente, o profeta que devia vir ao mundo (Jo.5:46;6:14); Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei-de dizer e sobre o que hei-de falar. (João 12:49); E Pilatos escreveu, também, um título, e pô-lo em cima na cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS. (João 19:19).

Este é aquele Moisés, que disse aos filhos de Israel: O Senhor, vosso Deus, vos levantará, de entre os vossos irmãos, um profeta como eu, a ele ouvireis (At.7:37).
 

8. O Messias seria rejeitado pelos gentios, conspirariam contra Ele, seria Rei, o Filho de Deus, Ungido de Deus, as crianças dariam louvor ao Messias – cerca de 1000 anos antes Salmos 2; Salmo 8:2 >>> Mateus 21:15-16; 26:3-4; Lucas 1:31-35; João 12:12-13

P:> Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os turbará. Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. (Salmos 2); Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam…(Salmos 8:2)

C:> Então os principais sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás. E consultaram-se mutuamente para, com dolo, prenderem Jesus e o matarem. (Mat.26:3-4); E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus (Lucas 1:35); No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que Jesus vinha a Jerusalém, Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor. (Jo.12:12-13); Vendo, então, os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se, E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? (Mt.21:15-16)

 
9. Herdaria o Trono de David – cerca de 700 anos antes (e 1000 anos antes) Isaías 11:1-5; Salmo 89:3-4, 36-37 >>> Mateus 1:1,6

P:> Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o espírito do Senhor… (Is.11:1-5).

C:> Livro da geração de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão… E Jessé gerou o rei David; e o rei David gerou Salomão…(Mat.1:1,6);

Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo: A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração. (Selá.)… Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu. (Selá.)

 
10. Nasceria de uma Virgem e Seria Chamado “Emanuel” – cerca de 700 anos antes  Isaías 7:14 >>> Mateus 1:18,22-23; Lucas 1:26-35

P:> Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e será o seu nome EMANUEL (Is.7:14).

C:> Ora, o nascimento de Jesus Cristo, foi assim; Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo… Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz… (Mat.1:18,22-23). E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, desposada com um varão, cujo nome era José, da casa de David… (Luc.1:26ss).

 
11. O Messias seria homem, Deus e Filho de Deus – cerca de 700 anos antes 

P:> Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado estará sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. (Isaías 9:6)

C:> No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus… E o Verbo se fez carne… (João 1:1,14). E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. (Lucas 1:35); Eu e o Pai somos um. (João 10:30)
 

12. Nasceria em Belém, da Judeia, mas cresceria em Nazaré – cerca de 700, 751 a 687 anos antes Miquéias 5:2 >>> Mateus 2:1; Lucas 2:4-7

P:> E tu, Belém-Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade (Miq.5:2); …mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galileia das nações. O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz. (Isaías 9:1-2)

C:> E, tendo nascido Jesus, em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes…(Mat.2:1); …mas avisado num sonho, por divina revelação, foi para as partes da Galileia. E chegou, e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno. (Mat.2:22-23)
 

13. Grandes viriam adorá-Lo – cerca de 1.000 anos antes

P:> Os reis de Társis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sheba e de Sabá oferecerão dons. E todos os reis se prostrarão perante ele… (Sl.72:10-11a).

C:> E, tendo nascido Jesus, em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram, do oriente, a Jerusalém, dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? … viemos a adorá-lo (Mat.2:1-2).
 

14. O Massacre dos meninos de Belém – cerca de 600 anos antes

P:> Assim diz o Senhor: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo: Raquel chora pelos seus filhos, sem admitir consolação por eles, porque já não existem (Jer.31;15).

C:> Então, Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo… (Mat.2:16).

 
15. Fuga para o Egipto e Ser Chamado do Egipto – cerca de 800 anos antes             

P:> Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egipto chamei a meu filho (Os.11:1)

C:> E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José, em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egipto, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há-de procurar o menino para o matar… E esteve lá até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta… (Mat.2:13-15).
  

16. O Messias seria a Pedra rejeitada por Israel

P:> A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina.

Da parte do Senhor se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos. (Sl.118:22-23).

C:> Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça da esquina; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? (Mateus 21:42-43);

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. (João 1:11)

 
17. O Messias falaria por parábolas – cerca de 1000 anos antes

P:> Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade. (Salmo 78:1-2).

C:> Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo. (Mateus 13:34-35)

 
18. Um mensageiro prepararia o caminho para o Messias

P:> Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos. (Malaquias 3:1).

C:> Mas, então que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta; Porque é este de quem está escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho. (Mt.11:10)

 
Conclusão

Numa referência às Sagradas Escrituras do AT, que eram as únicas existentes na altura, tal como profetiza mil anos antes o Salmo 40:7: Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito., em verdade falou o nosso Senhor quando disse: …convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos salmos. (Lucas 24:44),

 Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista em Moreira da Maia