domingo, 3 de fevereiro de 2013



Amando a Cristo sem O ter visto


…Jesus Cristo; ao qual, não o havendo visto, amais…
                                                                      I Pedro 1:8


Introdução      
Esta carta de Pedro foi escrita a que destinatários? …aos estrangeiros, dispersos… (1:1). Podemos ter aqui dois entendimentos. Refere-se:
 - Aos judeus, crentes no Senhor Jesus, da diáspora, que tiveram que escapar das perseguições que lhes foram movidas e dispersaram-se por uma vasta região e para as igrejas dos gentios;
- A todos os crentes que, afinal, são estrangeiros e forasteiros neste mundo, também perseguidos pelo mundo, e que aguardam a pátria celestial.

IL.: Tenho um amigo Beja que, há cerca de 40 anos atrás, casou por procuração. Pelo jornal conheceu uma rapariga brasileira, corresponderam-se e, sem se terem encontrado, sem se terem visto uma única vez, começaram a amar-se com um amor que resultou em matrimónio.

Pedro começou no v.3 uma longa lista de agradecimentos ao Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. A base destas bênçãos celestiais é a Pessoa de Cristo e a Sua ressurreição dos mortos.  

Acreditamos n’Ele, apesar de Cristo nos ser invisível aos nossos olhos físicos.

Propósito: Estejamos sempre gratos a Deus por Cristo, a quem amamos mesmo sem o termos visto.

I. Amando a Cristo sem O ter visto - …não o havendo visto…
              Os leitores desta carta de Pedro haviam recebido a pregação do Evangelho e converteram-se a Cristo. Naquela altura, estavam a passar por uma perseguição iniciada por Nero no ano 64. Eles eram membros daquelas igrejas locais referidas no v.1.

            E o que diz Pedro destes crentes dispersos, fugitivos, expulsos das suas casas, famílias, dos seus lares? O que escreve Pedro destes irmãos perseguidos e sujeitos a serem espancados, atirados às feras, queimados? Pedro diz que a sua em Cristo é muito mais preciosa do que o ouro (v.7).

            Mas, o mais surpreendente é que Pedro acrescenta que eles não apenas acreditavam, não apenas exerceram fé em Cristo, como também AMAVAM Aquele Senhor que eles não tinham visto.

            Pedro tinha tido o grande privilégio de ter sido escolhido pessoalmente para apóstolo do Senhor. Viveu na companhia de Jesus cerca de três anos. Trabalhou com Jesus. Dormiu nos mesmos lugares, viajou com Ele a pé, de barco, ouviu as Suas pregações, viu os Seus milagres, sentiu o amor de Cristo pessoalmente.

            As mãos de Pedro tocaram no Jesus Deus-Homem encarnado: …as nossas mãos tocaram da Palavra da vida.- escreveu João (I Jo.1:1). Pedro foi abençoado nisto.

            Mas, aqueles crentes dispersos, não. Não viram Jesus com os olhos carnais. Nem O estavam a ver no presente: não o vendo agora. Pedro está a dizer: “Vocês não O viram como eu o pude ver. Mas, mesmo assim, amam-No”.

            Qual o tipo de relação que tinham com o Senhor Jesus?
            Eles ouviram falar do carácter de Jesus, do Seu sacrifício na cruz pelo pecado. Sacrifício em que Jesus levou sobre Ele mesmo os nossos pecados. Como diz o profeta Isaías em 53:4-6,10: Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades: o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos... a sua alma se puser por expiação do pecado....
Aqueles crentes a quem Pedro escreve ouviram também falar da ressurreição de Jesus dos mortos.
Eram crentes e amavam a Jesus porque se arrependeram do seu pecado.

      É deste modo que Pedro descreve a relação daqueles crentes com Jesus: “Amam-No, sem o terem visto, e não o vendo agora.”

            E o que é que este amor por Jesus lhes está a fazer?
- É esse amor (e essa fé) neste Senhor Jesus que lhes está a dar a perseverança, a confiança, a coragem e a firmeza em todas aquelas terríveis situações e problemas que estão a viver.

            - Este amor (e esta fé) a Jesus transformou tudo nas suas vidas. Transformou os problemas e as tristezas numa alegria impossível de descrever: …vos alegrais com gozo inefável e glorioso.

            A relação deles com Jesus é espiritual, mas cheia de amor. Eles O amam pelo motivo exposto pelo Apóstolo João: Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro- I João 4.19
            Jesus amou-nos primeiro e é este amor que Jesus tem por nós que nos constrange a amá-LO também.

            Jesus exerce uma atracção fortíssima em nós para O amarmos. Porquê? Por causa da Sua cruz. Vejam o que o Senhor disse: E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. (Jo.12:32).

            Ainda hoje, o amor de Jesus atrai todos os dias almas para O conhecerem e amarem.

A pessoa de Cristo é excelente, amorosa. Cristo é verdadeira fonte de Graça e ninguém mais. Foi o que Ele fez, o que Ele realizou na cruz que fez com que aqueles nossos irmãos perseguidos e feridos no primeiro século O amassem de todo coração e forças, permanecendo dispostos a Servi-lO.

            Eles estavam a cumprir e a praticar o primeiro e o maior de todos os mandamentos que O Senhor ensinou: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento… (Luc.10:27).

II. Como é que amamos verdadeiramente ao Senhor Jesus Cristo?
              Será que temos vero amor por Jesus? Como podemos sabê-lo? Qual é o peso do nosso amor por Ele?

              O próprio Jesus ensina-nos como amá-Lo verdadeiramente.

1.º- Recebê-Lo como nosso Salvador e Senhor.
            Há uma responsabilidade por parte do homem. Este é o passo inicial: Mas a todo quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus. (João 1:12)
       Há um passo a dar pelo pecador revelada em Romanos 10:9-10, 13: "A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou de entre os mortos, serás salvo. Visto que, com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação...Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.

       Jesus disse em João 13:20: ...e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Veja a diferença entre receber e rejeitar: Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue... (João 12:48)

       Quem não O reconhece desta forma não O ama de facto. Só estes são filhos de Deus. Por isso, Ele disse: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis… (Jo.8:42).
E os que O receberam viverão para servi-Lo, para amá-Lo, para se entregarem a Ele na esperança que em breve irão vê-lo e servi-Lo face a face.

2.º - Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. João 14:15
            Os vs. 21, 23 e 24 reforçam esta verdade. Quem ama Jesus obedece à Palavra de Jesus. E vai receber o amor de Jesus e o amor do Pai.

Por outro lado, se não amamos a Jesus, não quereremos obedecer à Sua Palavra. É muito perigoso e uma grande tristeza não amar a Jesus. Vejam-se as palavras fortes que Paulo usa: Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema; Maranata. (I Cor.16:22).

O que quer dizer anátema? Os que são culpados de um crime que merece a mais severa condenação; estão expostos à sentença de "condenação definitiva do Senhor”. Todos aqueles que não amam ao Senhor são objecto de repulsa de todos os crentes: "maldito, ou considerado aquele que está fora da Igreja". Tratava-se da máxima punição. Uma sentença pronunciada e mediante a qual se expulsava alguém considerado um “herege” do seio da sociedade religiosa; esta expulsão era considerada uma pena mais grave que a excomunhão.
  
Conclusão
            Não precisamos de ver a Jesus para crer n’Ele e amá-Lo intensamente do fundo do nosso coração. Milhões e milhões creram e amam a Jesus sem nunca o terem visto. Aqueles crentes dispersos e perseguidos estavam firmes no amor a Cristo, mesmo sem o terem visto.

            O apóstolo Pedro termina esta primeira epístola saudando-os e escrevendo que eles estavam firmes. (I Pedro 5.12)

              Termino com Efésios 6:24: A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com sinceridade. Amém.

Rui Simão
pastor
Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

terça-feira, 1 de janeiro de 2013



Ezequias - Rei de Judá

Uma vida nas mãos de Deus

II Reis 18:1-8 
       O início de cada ano é um bom momento para reflectirmos no ano que passou e nas decisões para o ano que se segue. Seja o nosso propósito como o deste grande homem de Deus. Decidiu fazer o que era agradável aos olhos de Deus e confiar n'Ele todos os dias da sua vida.

Introdução                                          
            Estávamos numa época em que a nação de Israel como um todo estava dividida em duas nações, dois reinos, por guerras entre as tribos, dando origem ao reino do Norte, chamado Israel, e reino do Sul, Judá. A nação esteve unida apenas com os reis Saúl, David e Salomão, com cuja morte se dividiu.

            Ezequias foi rei de Judá, reino do Sul, cuja capital era Jerusalém. Começou a reinar com vinte e cinco anos de idade, por volta do ano 716 até 687 antes de Cristo e reinou durante 29 anos.
             
Ezequias, filho do ímpio rei Acaz, foi um dos melhores reis de Judá, um hábil administrador e reformador. Mas, o que mais se salientou no rei Ezequias foi a sua fidelidade e amor a Deus e às Suas leis.

Propósito: Que os nossos corações sejam submissos a Deus e à Sua Palavra, pois a nossa vida está nas mãos do Senhor.

Ezequias foi um homem cuja vida, espiritual e física, estava nas mãos de Deus.

I. Ezequias, um rei obediente a Deus na sua vida pessoal – II Reis 18:1-3
             Ezequias, apesar do mau exemplo do seu pai, contrastando com todos os demais reis de Judá, seguiu o exemplo do rei ideal, David: E fez o que era recto aos olhos do Senhor… (v.3).

            Andar, fazer o que era recto… conforme tudo o que fizera David, é algo dito nas Escrituras somente acerca de quatro reis de Judá: Asa (I Rs.15:11); Josafá (II Cr.17:3), Josias (II Rs.22:2) e Ezequias. Deus olhava para ele, o povo observava-o, o mundo analisava-o e concluía: “Eis aqui um homem com uma vida pessoal recta, sincero e que faz o que é agradável a Deus”.
           
            Ele procurou seguir os mandamentos e as leis de Deus. Também nós devemos proceder assim.   

II. Ezequias, um rei obediente a Deus na sua vida espiritual – II Reis 18:4-7a
             Nada escapou ao zelo espiritual de Ezequias. Destruiu tudo o que tinha a ver com idolatria e removeu todas as coisas que pudessem influenciar o povo a praticar culto desagradáveis e desobedientes ao Senhor e à Sua Palavra. (v.4)

Uma das mais elevadas qualidades espirituais de Ezequias está nos v.5 e 6: No SENHOR, Deus de Israel, confiou… porque se chegou ao SENHOR, não se apartou dele e guardou os seus mandamentos… Vejam as 4 acções de testemunho para com Deus: “confiou, se chegou, não se apartou, guardou”.

A falta de confiança em Deus é um forte passo para a derrota espiritual e a decadência, pessoal e nacional, de uma nação.

Outros reis tiveram bons inícios de vida, mas não foram fiéis até ao fim. Não foi o caso de Ezequias, pois foi sempre fiel à Palavra, às leis do Senhor. Foi um homem de fé e de santidade. Foi um homem que pôs em prática o seu amor a Deus nas muitas reformas e obras que fez em Judá.

No seu tempo, a obediência às leis de Deus era o padrão para uma avaliação espiritual. Ele apegou-se ao Senhor, guardou os mandamentos que davam prazer ao Senhor.
 Por sua fidelidade pública e notória, Deus abençoou muito o rei Ezequias. Ele foi bem sucedido: Assim foi o SENHOR com ele… (v.7). Não foi um homem perfeito, também teve os seus erros, mas procurou ser sempre ser fiel ao Senhor.

III. Ezequias, um rei obediente a Deus no seu governoII Reis 20:20; II Cr.32:27-30
 Como governante, foi um rei memorável, construiu muitas coisas que favoreceram o povo e o reino a fim de beneficiar pessoas e áreas necessitadas.
 Conduziu Judá sabiamente em batalhas contra os seus inimigos. Com a força e bênção do Senhor, Ezequias conseguiu derrotar o grande inimigo de Judá, o rei da Assíria.
  
IV. Ezequias, um rei que confiava em Deus em todas as coisasII Reis 18:28-37
Durante o seu reinado, Ezequias sofreu a ameaça de invasão e de destruição por parte da grande potência da altura, a Assíria, que tinha conquistado tudo por onde passava.

Perante essa ameaça real, o que faz o rei Ezequias? Mostrou a sua espiritualidade e em quem confiava. Ler II Rs.19:1-6, 14-20, 32-37.
 Ezequias era um rei, um homem, que confiava em Deus em todas as coisas da sua vida. Era um homem de oração.

V. Ezequias, uma vida nas mãos de DeusII Reis 20:1-11
Isaías era o profeta leal de Deus nos dias de Ezequias. O rei estava sempre atento a buscar, neste profeta do Senhor, a Palavra, as profecias e a orientação de Deus.

O que vai acontecer a este homem espectacular? O que virá à vida deste rei obediente a Deus na sua vida pessoal, recto, zeloso na sua vida espiritual, dedicado no seu governo? O que espera este homem de oração que confiava no Senhor em todas as coisas na sua vida?

Geralmente, os nossos pensamentos e julgamentos humanos levam-nos a pensar que nada de mal sucederá a um crente dedicado e fiel ao Senhor. Nem a Bíblia, nem Deus prometem nada disto.

O Senhor Jesus disse aos Seus apóstolos: …no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Jo.16:33).

Paulo escreveu aos crentes da igreja em Roma: Porque, para mim, tenho por certo que as aflições deste tempo presente, não são para comparar com a glória que em nós há-de ser revelada. (8:18).

Temos na Bíblia os exemplos de notáveis homens de Deus, de Job e deste fiel rei Ezequias.

Certo dia, o fiel e dedicado rei Ezequias recebeu uma das piores notícias que poderemos receber: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás. (v.1).

Aplicação/Conclusão  

Apesar de sermos fiéis e dedicados ao Senhor, não estamos isentos do mal. Pensamos que somos bons, mas nada somos perante um Deus santo e puro. Ele diz do homem: Não há um justo, nem um sequer…todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. (Rom.3:10-12).

Foi por isso, porque as nossas obras não são suficientes, não nos salvam, que Jesus Cristo encarnou e levou na Sua cruz o nosso pecado. Ele veio para ser o Salvador do mundo, a fim de que toda a pessoa que confia em Jesus pela fé, arrependido do seu pecado, possa ser perdoado por Deus e ter a vida eterna.

A vida de Ezequias, a nossa vida, está nas mãos de Deus. No próximo estudo, veremos como vai reagir este homem perante a fatal notícia recebida pelo profeta Isaías e quais as respostas que recebe.


Ezequias - Rei de Judá
Uma vida nas mãos de Deus
A Doença e a Cura de Ezequias
II Reis 20:1-11; Isaías 38 

Agora, contudo, este fiel rei surge prestes a cair diante de uma doença fatal.

I. Ezequias e a sua doença fatal – II Reis 20:1
             Temos lições importantíssimas para a nossa vida em Ezequias. Os caminhos e os propósitos de Deus são um mistério para nós. Mesmo o crente mais fiel não está isento do mal. O rei está seriamente doente. É fatal, mortal. É o próprio profeta de Deus, Isaías, falando em nome do Senhor, que lhe anuncia o fim dos seus dias.

II. A reacção de Ezequias à notícia do profeta - Oração – II Reis 20:2-3
             O anúncio da morte perturba muito o rei levando-o a irromper em grande choro em voz alta. Ele tem um desejo intenso de viver. De imediato, o rei mostra em quem confia: …e orou ao Senhor…
             
            O rei não tomou a palavra do profeta como palavra final. Teve esperança e confiança na misericórdia de Deus. Creu que podia ser mudado.

            Qual é a oração de Ezequias?
            Ele menciona a devoção e piedade com que tinha andado diante de Deus. Ele relembra ao Senhor quanto tinha sido fiel, como tinha andado em obediência às Suas leis. Ele não fala especificamente em prolongamento de vida, mas as suas palavras subentendem-no.
            Ele sabia que de Deus tinha vindo a ordem e é para Deus que ele se volta para que seja anulado o decreto divino. Ezequias confia no poder da oração. Já tinha provas suficientes da intervenção do Senhor.

            AP.: O que fazemos nós perante situações difíceis na nossa vida? Para quem nos voltamos em primeiro lugar? Confiamos no Senhor para entregar-lhe a nossa vida? Podemos receber uma notícia de uma autoridade, de um médico, de um juiz, etc, e parece que é final, que não há solução. Mas para Deus nada é impossível. Deus pode mudar. Temos que crer, confiar e orar. Se for da vontade de Deus, tudo mudará.
           
            Recorda-nos Jairo a pedir a Jesus para ir curar a sua filha que estava à morte. Mas enquanto falava, recebeu a notícia fatal: A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre. Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe, dizendo: Não temas, crê somente e será salva. (Lc.8:41-42, 49-50)

III. A resposta do Senhor à oraçãoII Reis 20:4-6
 Vemos agora o poder da oração. Ainda o profeta Isaías mal tinha saído da casa do rei e recebeu ordens de Deus para voltar para trás. A resposta veio rapidamente: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei.

 Não significa que Deus muda, pois Ele é imutável e não se arrepende como as pessoas. Deus mostra a Sua vontade a pouco e pouco e as coisas tornam-se favoráveis pelo poder da oração. Tudo se deve à misericórdia e à graça divinas.  Nós não podemos exigir nada de Deus e nada merecemos, pois somos pecadores e Ele é Santo. Tudo vem da Sua bondade e favor imerecido.

Como Pai, Deus tem prazer em ouvir as orações dos Seus filhos e em mudar as coisas a seu favor. Jesus ensina-nos no Sermão do Monte: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. (Mt.7:7-8 e I João 5:14-15).

A oração prevaleceu. A oração é poderosa. Naquele dia, Ezequias recebeu duas grandes e abençoadas respostas divinas na forma de dois milagres. Quais foram (v.6)?
1. A cura e o prolongamento da sua vida por mais 15 anos;
2. A certeza da libertação, da defesa e do amparo de Deus perante o rei da Assíria.

No v.8, Ezequias já fala em subir à casa do Senhor para agradecer. O seu coração está cheio de gratidão pelo milagre do Senhor.

IV. O Salmo de Ezequias em louvor e gratidão – Isaías 38:9-22
O rei irrompe em agradecimento a Deus. Ele começa por descrever o horror e a dor que se apoderaram dele em face da morte. Até ao v. 16 ele continua a levantar os seus olhos para o alto para obter alívio e restauração.

Do v.17 em diante, o rei dá testemunho do seu alívio e da salvação de Deus: O Senhor veio salvar-me… (v.20).

Aplicação/Conclusão  

Apesar de sermos fiéis e dedicados ao Senhor, não estamos isentos do mal.  A vida de Ezequias, a nossa vida, está nas mãos de Deus. A pior notícia pode ser mudada pelo Deus Altíssimo, o Todo-Poderoso.

Há grande poder na oração: E a oração da fé salvará o doente e o Senhor o levantará…A oração feita por um justo pode muito nos seus efeitos. (Tiago 5:15, 17).

Tudo vai depender da vontade de Deus, dos Seus planos para as nossas vidas.


Rui Simão, Pr.
Igreja Evangélica Baptista de Moreira da Maia

sábado, 8 de dezembro de 2012


“Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável”
II Coríntios 9:15


  Numa altura em que o mundo se centra no Natal, certamente é uma boa ocasião para sermos agradecidos. Porquê? Porque celebramos o dom, a dádiva de Deus à Humanidade. Natal pode ser resumido numa só palavra: Emanuel, cujo significado é Deus connosco. Deus encarnou.

Natal, "nascimento".  Poderemos nós celebrar o Natal sem meditar no seu real significado? Sabemos que o Senhor Jesus Cristo não nasceu a 25 de Dezembro. Também não temos qualquer proibição, nem mandamento bíblico sobre celebrar o nascimento de Cristo, nem qualquer exemplo de alguma igreja do Novo Testamento a celebrar o Seu nascimento. Mas, de facto, Jesus Cristo nasceu há cerca de 2000 anos em Belém, cumprindo as profecias e as promessas das Escrituras. Como cristãos, é nosso dever e privilégio testemunharmos, agora ou em qualquer outra altura do ano, do verdadeiro significado da encarnação de Deus Filho,  Jesus Cristo, através da eterna, imutável e verdadeira Palavra de Deus.


         A celebração do nascimento, da vinda do Filho de Deus ao mundo há mais de 2.000 anos tem sido tristemente transformada num truque para o crescimento do comércio, na festa da família e obscurecida pelo Pai Natal com o seu trenó cheio de prendas a entrar pela chaminé. As atenções mundanas centram-se nisto e é isto que é passado às gerações mais novas. Assim, infelizmente:
         - O maravilhoso objectivo do Natal é ignorado;
         - As implicações eternas do nascimento de Jesus são desconhecidas;
         - O profundíssimo mistério da encarnação divina não é compreendido.

           É nosso dever discernirmos a verdadeira natureza do Natal, conhecermos o Dom de Deus, Jesus Cristo, e sermos-Lhe gratos.

I. O Tempo de Deus Gál.4:4-5
Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher…

…vindo a plenitude dos tempos… - Deus tem o Seu tempo, o Seu relógio. A vinda de Cristo, prometida havia séculos, esperada pelo povo de Deus, não foi acidental, mas, sim, por determinação divina. O Messias manifestou-Se, encarnou, no momento exacto estabelecido pelo Pai (ver o v.2b).

O sentido destas palavras é “o momento exacto”. Quando chegou o momento exacto, Deus trouxe a Luz a um mundo em trevas espirituais, Deus inaugurou a dispensação da Sua graça.
Estas palavras chamam a atenção para a importância deste acontecimento.

…Deus enviou o seu Filho… - Esta expressão tem grande lição. Apresenta-nos a divindade e a pré-existência de Cristo nos lugares celestiais. Vê-se que a Sua missão não era terrena. O Filho eterno recebeu uma missão, aceitou-a e encarnou. Deus enviou o seu Filho.

…nascido de mulher… - Depois de se declarar a sua divindade (Cristo é o Filho Unigénito de Deus), temos uma declaração da autêntica humanidade de Jesus. Esta foi a forma escolhida por Deus para Se revelar ao mundo. O Filho encarnou, nasceu de uma mulher. O Criador a nascer por meio da criatura. Fala-nos da Sua humildade e humilhação.

O Filho assumiu a forma humana. João 1:14 esclarece: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós… Paulo quer falar-nos do profundo mistério da encarnação divina. O Filho de Deus nasceu de uma mulher. Deus entrou no mundo, triunfante, em carne e osso.

Qual o propósito da encarnação? Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adopção de filhos (v.5).
Para remir... O Pai enviou o Filho numa missão importantíssima, universalmente aplicável a todos os homens e a toda a criação. Cristo nasceu para morrer numa cruz para pagar a culpa do pecador condenado.
- ...a fim de recebermos a adopção de filhos. Crisro nasceu para podermos ser filhos adoptivos de Deus.

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3:17).

II. Gratos pelo Dom Inefável de Deus II Coríntios 9:15
 Na questão de dar, ninguém se equipara a Deus nem ao que Ele fez. O Seu dom maior é impossível de ser descrito por palavras ou pela mente humana.
Um dos pecados mais comuns da nossa era é a ingratidão. E a ingratidão está bem patente no Natal na forma em que é celebrado pelo mundo.

Em Romanos 1:21, Paulo diz que o mundo volta as costas a Deus ignorando o Seu propósito na Encarnação: Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram e o seu coração insensato se obscureceu.

Natal é tempo de adoração, de louvor e, sobretudo, da mais profunda gratidão a Deus. O mundo não o faz, mas os crentes têm o dever de o fazer.

Paulo começa por dizer aqui o quê? Graças a Deus… Obrigado, porquê?

…pelo seu dom inefável.

Temos que, primeiramente, expressar gratidão pela dádiva do Senhor Jesus Cristo: Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho Unigénito… (João 3:16). Temos que agradecer o Seu grande amor para connosco.

Cristo é o dom de Deus. É por causa deste dom que temos todos os demais. É em Cristo que temos a vida e toda a bênção.

Deus permitiu que o Seu Filho Se humilhasse e fosse humilhado, que Se esvaziasse de Deus e Se assumisse como servo sofredor carregando na cruz o pecado de todo o mundo para nos poder resgatar. É por isso que Paulo usa aqui uma palavra única e exclusiva em todo o N.T.: inefável. É um dom inefável.

O dom de Cristo é indescritível, indizível, inexprimível, inexplicável. O facto de Deus ter vindo até ao homem foi a atitude mais incompreensível, mais indescritível que já ocorreu. Deus encarnou, fez-se homem, mas continuou Deus. A profundidade desta verdade é tremenda! Através de Cristo, Deus dá-nos perdão dos pecados, reconciliação.

Paulo diz que é um dom, é a graça de Deus. Deve ser acolhido com fé e gratidão: aquele que nem mesmo a seu próprio Filho, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também, com ele, todas as coisas? (Rom.8:32). Poderia existir algum dom melhor do que este?

Quando o Salvador das nossas almas encarnou, houve alguns que reconheceram aquele bebé como o Messias, o Redentor há muito prometido, assim como hoje há pessoas que compreendem o significado sobrenatural do Natal.

Natal só se compreende quando Jesus recebe um lugar prioritário nas nossas vidas: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus (João 1:12). Para estes, o Natal é uma celebração duradoura de gratidão, enquanto para o mundo, a alegria de uma festa que dura apenas 24 horas.

No Natal, Deus deu o que tinha de melhor: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai da luzes… (Tg.1:17).

Natal:
1. NÃO é A festa para alguém que entra por uma chaminé numa festa de 24 horas;
2. É o Dom de Deus, Jesus Cristo, que bate e quer entrar pela porta do nosso coração: Eis que estou à porta, e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei e ele comigo (Ap.3:20).
3. Natal é Deus que encarnou em Cristo no “Seu momento exacto”, na plenitude dos tempos, nascido de mulher, que veio trazer a salvação a todo o que n’Ele crê: para remir…a fim de recebermos a adopção de filhos.
4. Natal é celebração, adoração e expressão da mais profunda gratidão dos filhos de Deus ao Deus-homem: Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável.

Rui Simão
pastor

domingo, 4 de novembro de 2012


A Bondade de Deus
 A terra está cheia da bondade do SenhorSalmo 33:5
                                                                                                                                  
            Um dia, um jovem, rico, correu para Jesus e chamou a Jesus de Bom Mestre. Jesus perguntou-lhe: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. (Mc.10-17-18). Esta grande declaração ensina-nos que somente Deus é essencialmente bom e perfeito, de uma forma infinita, ilimitada e eterna.
             
I. O que é a Bondade de Deus?
Pensemos profundamente na bondade de Deus. A Bondade de Deus alcança todos os Seus atributos e faz com que Ele seja amado e desejado por nós. Deus é bom e deleita-se em mostrar a Sua Bondade: O Senhor é bom para todos… (Sl.145:9). Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia. (Salmo 34: 8).
           
Deus sempre foi, é e será BOM, nunca mudará a Sua bondade. Que grande conforto!
            Ele é a fonte de tudo o que é bom. A noção de Bondade é inseparável de Deus. Ele não poderia ser Deus, se não fosse BOM: Verdadeiramente bom é Deus para com Israel… (Sl.73:1).

II. A Manifestação da Bondade de Deus – Onde a vemos?
            Um exemplo: Olhe para este lugar, o Acampamento Monte das Oliveiras? Porque é que ele existe? Pela bondade dos corações de quem o planeou e quis que existisse um lugar como este para todos dele desfrutarem. Não é para lucro financeiro, mas sim amor e lucro espiritual no serviço a Cristo.

 Então, primeiro, vemos a bondade de Deus manifestada na criação. Pense no Universo inteiro, na terra com uma imensidão de criaturas, milhares de espécies nos oceanos e rios, sobre a terra, a voar nos céus, na variedade de sons, cores, fragrâncias, e gostos, que Deus, na Sua bondade, criou para que o homem desfrutasse.  
           
De acordo com o primeiro capítulo de Gênesis, a bondade de Deus era uma característica proeminente na criação. No final de cada dia criativo, o Deus bondoso olhava: E viu Deus que era bom. Quando acabou de criar, no 6º dia, lemos: E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom (Gn.1:31). Se Deus não fosse bom, a criação também não o poderia ser.

A bondade é a Sua marca registrada sobre todas as coisas. Ele não tinha necessidade de criar absolutamente nada, mas criou tudo, e criou o homem à sua imagem e semelhança. Que Deus bondoso!

III. Para que serve a Bondade de Deus? – Romanos 2:4-5
Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;

            Quem não gostaria de conhecer e de desfrutar da presença deste Deus bondoso? Quem não gostaria de beneficiar de uma eternidade com todas as coisas boas que Ele tem?
            Mas não o podemos com tanta facilidade. Porquê? Por causa da Pessoa que Ele é, da Sua natureza divina revelada nas Escrituras.
           
            Neste texto de Romanos, Paulo é claro a explicar que a bondade de Deus te leva ao arrependimento. O que significa isto? Vou explicar!

            Eis uma coisa boa! Seria terrível pensar que este Universo foi criado por um Deus mau. Um Deus Omnipotente que fosse mau, seria completamente terrível. Uma das verdades mais assustadoras das Escrituras é que Deus é bom. Então, qual é o problema? Qual é o problema com um Deus perfeitamente bom? Porque é que isto parece ser uma má notícia, em Deus ser bom? É assustador, porque nós não somos bons.
           
            Pensemos na natureza de Deus. Além de completamente BOM, Deus também é Justo e Santo. E Ele não pode violar os Seus atributos

            Então, o que é que um Deus perfeitamente BOM faz com pessoas más, pecadoras? Pecamos contra Deus, transgredimos aos Seus mandamentos, pecamos uns contra os outros, pecamos contra a natureza, pecamos contra tudo. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rom.3:23); Qual o resultado do pecado? Deus diz: Porque o salário do pecado é a morte. (Rom.6:23)
             Se Deus é verdadeira e totalmente Santo, Justo e BOM, o que fará de nós, pecadores? Ele diz que ao culpado não tem por inocente (êx.34:7). Se um Deus justo, simplesmente perdoa o ímpio, Ele não é mais justo.

            Então, a grande questão das Escrituras é esta: como é que um Deus justo e bom perdoa o ímpio descrente e continua a ser justo? E a resposta encontra-se na cruz de Cristo. Na cruz vemos a tremenda revelação da justiça e da bondade de Deus. A Cruz de Cristo é a prova suprema da bondade de Deus.

Deus é amor, bondade e justo, por isso tem que condenar o pecador. Então, Deus faz-se homem na Pessoa do Filho Unigénito, Jesus Cristo, vive uma vida perfeita e vai à cruz. E, naquela cruz, os pecados do pecador são lançados sobre Jesus e toda a ira de Deus que nós merecemos é atirada na pessoa de Jesus. E isto para satisfazer a justiça de Deus.
No final do Seu sofrimento, Jesus disse: Está consumado (Jo.19:30). Quer dizer que Ele cumpriu as exigências de Deus. Jesus pagou o preço, pagou a nossa culpa por completo.

É muito importante que se compreenda isto. Os nossos pecados não foram expiados simplesmente porque os romanos bateram e pregaram Jesus na cruz. Os nossos pecados foram expiados porque naquela cruz Jesus carregou os nossos pecados: mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. (Is.53:6). Isaías 53:10 diz: Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo…
Sabem o que é moer? É esmagar, oprimir o cereal de trigo até se tornar em farinha. A ira de Deus que deveria cair sobre ti e mim, caiu sobre o Seu único e amado Filho. Jesus foi esmagado debaixo do peso da ira de Deus.

 E Ele morreu porque o salário do pecado é a morte (Rom.6:23). Foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos. E em nenhum outro há salvação. E não há nenhum nome, nenhum nome, dado entre os homens, pelo qual possamos ser salvos, a não ser pelo nome de Jesus Cristo (Actos 4:12). Só Ele, Jesus, é o Caminho, e a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por Ele. Há apenas um Mediador entre Deus e os homens, Jesus.

            E a fim de que sejam salvos, Deus chama os homens ao arrependimento dos seus pecados e a crerem no Evangelho, em Jesus Cristo.

É para este objectivo que temos a bondade de Deus.

            A bondade de Deus não é apenas para ser vista, conhecida e contemplada. Ela tem um propósito bem definido, único e grandioso: a bondade de Deus te leva ao arrependimento – Rom.2:4. E isto é tão importante que Jesus disse: Se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.
             É para isto que existe a bondade de Deus, para salvar o homem pecador da condenação do inferno.
             Reparem nas palavras fortes que Paulo usa: Ou desprezas tu as riquezas da sua bondade, e paciência e longanimidade, ignorando…
             Desprezas – “Não fazer caso, rejeitar, dar ao desprezo”.
As riquezas da sua bondade – A bondade de Deus é tão abundante, tão grande, tão valiosa.
A bondade de Deus vê-se na Sua paciência e longanimidade. Por ser BOM, Deus é paciente em irar-Se, não castiga logo o pecador. Na Sua bondade, Ele poupa as pessoas, dia após dia, ano após ano; desde a meninice, até à adolescência; da juventude até serem adultos, de adultos até serem idosos.
Ignorando – “Não considerando”.
Te leva ao arrependimentoA Bondade de Deus tem este desígnio de encorajar, apelar, levar, guiar as pessoas, não ao pecado, mas ao arrependimento. Te leva é o presente contínuo: “Está a levar-te sempre, enquanto tu estás desprezando”.

Cada pessoa está debaixo da obrigação de deixar os seus pecados e voltar-se para o Deus Santo e Bom. É uma profunda depravação resistir à grandiosa Bondade de Deus, mas milhões fazem-no.
Não podemos desprezar, ignorar, não fazer caso da bondade de Deus. Ela é uma riqueza que Deus tem para levar, para conduzir um pecador ao arrependimento para a salvação. Toda esta maravilhosa, valiosa, e linda bondade de Deus serve este objectivo: salvar uma alma pecadora.

            E o que é arrependimento? O que significa arrepender-se?
            A palavra significa “mudar de mente”. Mas quer dizer muito mais. Precisamos de saber o que é a mente de uma pessoa? Na Bíblia, é o coração, o centro do controlo do ser humano, das suas decisões e vontade, das emoções, do intelectuo, é onde tomamos as nossas decisões. Então, Deus diz que se a mente for mudada, tudo o mais mudará na pessoa. Arrependimento é esta mudança de mente que leva a uma vida inteiramente nova. É nascer de novo.

            Eis um bom exemplo de arrependimento, de mudança de mente, o apóstolo Paulo. Quando ele foi para a estrada de Damasco, foi com ordens para capturar cristãos. Porquê? Porque era nisso que ele acreditava. Paulo pensava que Jesus era o maior blasfemo e mentiroso que tinha existido. Ele também pensava que os cristãos eram uma seita blasfema que tinha que ser destruída.
             Então, naquela estrada, ele teve um encontro com o Cristo ressurrecto. E o que aconteceu? A sua mente mudou. Tudo o que ele pensava sobre Deus estava errado. Ele reconheceu que estava errado e arrependeu-se dos seus pecados. Ele agora acreditava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, o Messias há muito esperado e prometido nas Escrituras. Ele agora acreditava que os cristãos eram povo de Deus. Tudo mudou na sua vida. Arrependido, transformado, foi baptizado nas águas e começou logo a pregar o Evangelho. Começou a pregar Jesus, Aquele que ele algumas horas antes perseguia até à morte.
           
             Veja que arrependimento é esta mudança total de mente que leva a mudança de vida. É mudar de opinião sobre quem Deus é, sobre quem Jesus é e o que Ele fez na cruz, sobre quem eu verdadeiramente sou e o que faço aos olhos de Deus.

            Arrependimento do pecado leva a deixar o pecado e a viver vida santificada em obediência aos mandamentos de Deus. O pecado não nos agrada mais, apesar de continuarmos a ser pecadores. Rom.6:1-2 diz: Permaneceremos no pecado?...De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? O cristão verdadeiro não pode viver num estado contínuo de carnalidade.
           
            E a partir desse dia, a nossa vida vai transformar-se e ser cada vez mais parecida com Cristo. Hebreus 12:6 diz que o nosso Pai do céu cuidará de nós como a um filho. Ele até nos disciplinará e punirá quando sairmos do caminho. E isto porque Ele é bom, ama-nos e deseja a nossa santidade.

            Não apenas temos que nos arrepender, como também crer em Jesus Cristo. Foi Jesus que disse: Arrependei-vos e crede no Evangelho… Se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

            Crer em Jesus, na Sua Pessoa e obra, de que em mais ninguém há esperança de salvação. Acreditar ao ponto de que se alguém lhe dissesse que podia entrar no céu por alguma boa obra, você negaria e gritaria: “Não, não, não! Eu sou salvo apenas porque há dois mil anos atrás o Filho de Deus sofreu no Calvário e morreu por mim”.
           
            A salvação vem até nós através do arrependimento e da fé em Jesus Cristo. E se alguém já se arrependeu e creu em Jesus Cristo, tem a vida eterna.

            Bom, a questão é esta: Você já se arrependeu, já mudou de mente? Essa mudança levou a uma transformação de vida? Os pecados que você antes amava, agora, despreza-os? A santidade que antes ignorava, agora anseia por ela? Ama o Cristo de quem antes vivia separado? Considera que o reino de Deus é algo real e de grande valor?

            Feliz é a pessoa que não ignorou, nem desprezou a bondade de Deus e se arrependeu dos seus pecados e crê em Jesus Cristo.
            Se alguém não o fez, Deus avisa em Romanos 2:5 que segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti, a ira de Deus que te condenará no dia do juízo de Deus.
            Se alguém ainda não o fez, hoje é uma boa oportunidade para o fazer, permitindo que a bondade de Deus de leve ao arrependimento. Considera a bondade de Deus e o Seu amor revelado em Jesus Cristo.

  
Castelo Branco, Acampamento Monte das Oliveiras
Retiro Nacional das Igrejas Baptistas Independentes, 09-06-2012
Rui Simão, pastor