terça-feira, 2 de fevereiro de 2016




MATEUS (Levi)

A conversão de um homem de negócios

Mateus 9:10-13; Marcos 2:13-17; Lucas 5:27-32
 Introdução

            No início do Seu ministério, Jesus chamou para junto de Si, de entre todos os discípulos, aqueles que viriam a ser os doze apóstolos. Mateus, também conhecido por Levi, era um destes apóstolos. Este homem exercia uma profissão famosa pelas piores razões: era publicano.

1.      O que fazia um publicano?
Era um funcionário público, cobrador dos impostos que Roma exigia. Era responsável por entregar, aos ocupantes romanos, o montante de imposto fixado para cada cidade, região ou zona. O seu ganho, ou vencimento, era tudo o que pudesse arrecadar para além dessa verba e sem qualquer controlo. 

            2. Como funcionava este cargo?
Depois de fazerem a previsão do imposto a receber, os romanos “abriam concurso” para o lugar de cobrador, e davam o lugar a quem mais dinheiro prometesse entregar-lhes acima do mínimo estabelecido. Como é fácil de imaginar, tal sistema permitia todos os abusos. Não havia limites para a possibilidade de fraude e extorsão por parte de uma pessoa que era temida. Não admira que tantos publicanos enriquecessem rapidamente.

            3.  Como eram vistos os publicanos?
            Por tudo isto, e por serem judeus a cobrarem impostos aos próprios judeus, sua nação e povo, os publicanos eram odiados pelo povo. Eram considerados colaboracionistas e traidores. A agravar, as autoridades  religiosas de Israel consideravam-nos os piores pecadores e vedavam-lhes o aceso aos lugares sagrados.

            Ninguém queria ser, sequer, apontado como amigo de um publicano. Provavelmente, um publicano seria a última pessoa que um pastor de uma igreja escolheria para seu colaborador.

Mas não foi assim com o Senhor Jesus Cristo.
                         

I. A chamada de Mateus – Lucas 5:27-28 - Segue-me…e o seguiu
            Jesus não Se importou com a acusação de ser chamado amigo dos publicanos e dos pecadores (Luc.7:34). Jesus escolheu Mateus, chamou-o e preparou-o para uma missão infinitamente mais dignificante, embora não menos arriscada e não isenta de inimigos.

Que missão? Ser um apóstolo, pregador do Evangelho da Salvação e um baluarte da Sua igreja.

            A fim de demonstrar a graça de Deus, Jesus escolhe um homem publicano. Jesus mostrou que não há pessoa que não possa conhecer o amor de Deus e arrepender-se. Do meio das pessoas mais vis, Deus pode tirar quem quiser, para ser usado de uma forma especial no Seu reino.  

            Certamente Mateus já teria tido conhecimento de Jesus, dos Seus milagres e mensagem, pois moravam na mesma cidade. O terreno já estaria preparado.
 

            Jesus faz um grande convite: Segue-me. Qual foi a sua resposta? E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu (v.28). É o início do discipulado. Este é o primeiro passo que qualquer pessoa tem que dar, sem reservas, e seguir Jesus Cristo.
 

            Mateus estava assentado. Ao chamá-lo, Jesus força-o a pôr-se de pé, a levantar-se. Jesus levanta muitas pessoas das suas vidas antigas. Em Cristo, as pessoas levantam-se para uma nova vida. O filho pródigo, no chiqueiro dos porcos, disse: Levantar-me-ei e irei ter com meu pai.

            De repente, toda a ambição material e de riqueza, deixou de fazer sentido. Mateus, simplesmente, levantou-se, largou tudo e foi-se embora com Jesus ao Seu lado.
     Levantar-se é a acção resultante de uma decisão interior. Se Mateus continuasse assentado, nada teria mudado.

            O que sucedeu a Mateus ilustra como Cristo chama e transforma uma vida, e lhe dá novo rumo e sentido. Pode acontecer com qualquer pessoa.        Basta que a pessoa responda à chamada de Cristo e se torne um discípulo genuíno. Se uma pessoa não se levantar, se não deixar a vida antiga, o mundo, e não seguir a Jesus, não é um discípulo de Cristo.

            Sabemos que Mateus jamais se arrependeu da escolha que fez naquele dia. Mais tarde, o apóstolo Paulo viria a dizer: Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo… pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo (Fil.3:7-8).
 

Naquele dia, Mateus preferiu Cristo, levantou-se para os caminhos da justiça e da vida eterna.

II. Um banquete memorável – Lucas 5:29-32 e Marcos 2:15
            1. Qual foi o primeiro acto de Mateus como discípulo de Jesus?
            Foi oferecer-Lhe um grande banquete. A vasta lista de convidados incluia: …e havia ali uma multidão de publicanos; …e pecadores (Mar.2:15), ou seja, os marginais da sociedade. O propósito de Mateus era, além de honrar a Jesus, partilhar com toda a gente, a boa nova da mudança radical que o Senhor Jesus operara na sua vida. Não se envergonhou de Jesus nem do Evangelho.
 

            Reparemos que Jesus também não receou estar com aquelas pessoas: estavam com eles à mesa. Ele não participaria dos seus pecados, mas queria levar-lhes a luz da vida. Jesus era sal e luz naquela mesa de pecadores.

             Mas, para os lideres religiosos, escribas, o que estava a acontecer na casa de Mateus era insopurtável. Como podia um mestre da religião, Jesus, juntar-se com aquele tipo de gente?

            2. Qual a resposta de Jesus às críticas? Ler vs.31-32
            Jesus respondeu com sentido de missão. Porque é que Jesus veio ao mundo? Jesus veio ao mundo buscar os enfermos espirituais, os pecadores condenados ao inferno.

3. O que Jesus veio fazer? Ele veio chamar.
Chamar quem? …chamar os pecadores. Chamar para quê? … ao arrependimento.

Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido (Luc.19:10).
 

É preciso que o pecador (enfermo) se ache pecador, confesse o seu pecado e se arrependa. Sem arrependimento, não há salvação, nem perdão.

Os que se acham são, justos, ou seja, não pecadores, não podem receber a salvação. Jesus morreu crucificado para pagar o preço, a culpa do pecado do homem.

 Jesus procurava e acolhia os perdidos. Ele deixou esta ordem no fim, a Sua missão: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura (Mar.16:15).

AP.: Já todos deram este passo de seguir a Jesus, arrependidos do seu pecado?

III. Deixando tudo
            Para Mateus, os custos da sua decisão de tudo abandonar para seguir a Jesus não foram só financeiros.

            Também perdeu muitos dos seus amigos e colegas de trabalho, que acharam que ele tinha perdido o juízo ao trocar um emprego tão bem pago pelos ensinos de um Mestre itinerante.
 

            Mas Mateus permaneu firme com Jesus, disposto a pagar o preço de O seguir e servir fielmente.
           
            E nós? Deixemos para trás o que possa interferir a nossa caminhada com Jesus.

            Ler Mateus 19:27-29

Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

 
A ORAÇÃO
Não estejais inquietos com coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com acções de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Filipenses 4:4-7
 
“Treme o Diabo quando vê, o crente de joelhos e com fé”
A oração tem um alto valor na Bíblia. Não vemos Jesus a ensinar os Seus discípulos a pregar, mas sim a orar. De facto, os discípulos pediram: Senhor, ensina-nos a orar”. Orar é falar com Deus. (Lucas 11:1)
No entanto, muitos crentes enfrentam lutas para orar. Muitos acham a oração um fardo e não um momento de gozo e de comunhão íntima com o Senhor. É orando que se aprende a orar, como em tudo na vida: A experiência da oração.
 Vejamos a visão que Paulo tinha da oração em Filipenses 4:6-7. Aqui, vemos que o propósito da oração é dar-nos a alegria, o alívio e paz que só Deus pode dar-nos.
 I. A ORAÇÃO – v.6
  Não estejais inquietos... ansiosos...
Muitas coisas nos perturbam. A oração visa libertar-nos da inquietude e da ansiedade ao entrarmos em comunhão íntima com o Senhor. Estamos inquietos, ansiosos? Queremos evitar a ansiedade? Oração!
 ...por coisa alguma...
As nossas orações devem ter a ver com tudo, com todas as situações, com todos os interesses, grandes e pequenos. Para Deus nada é grande demais para o Seu poder. Nem pequeno demais que não mereça o Seu interesse e cuidado paternal.
Oremos por tudo.
 ...as vossas petições... ( pedidos...)
Neste caso, oração é pedir, pedir, para receber.
 ...sejam em tudo conhecidas...
Orar é “declarar, revelar”. É como se Deus não soubesse quais são os nossos desejos e necessidades. Mas, na Sua omnisciência Ele sabe tudo, mesmo antes de lho pedirmos. Orar é confiar que estamos a falar como Deus vivo, É fé.
...diante de Deus... - A oração é feita unicamente a Deus, não a qualquer outro.
Tudo deve ser feito na presença do Senhor, em que o crente se dirige só a Ele. Deus está sempre perto, pronto a ouvir-nos. O caminho para Ele nunca está interrompido ou ocupado. Temos livre acesso. Não há motivo para ansiedade. O Pai está sempre pronto para ouvir a ajudar-nos.
 ...pela oração e súplicas...
súplica = pedido intenso.
Fala-nos da oração em geral e de pedidos específicos. A oração oferece-nos um abrigo onde nos podemos ocultar das preocupações mundanas, um lugar onde podemos ficar a sós com o Senhor, um refúgio onde renovamos a esperança, onde os cuidados ficam amortecidos. Confiemos sempre na oração.
 ...com acção de graças.
Temos que nos recordar sempre da gratidão, das bênçãos e das vitórias passadas. A gratidão devem acompanhar todas as nossas orações. É um mandamento.
 
II. A RESPOSTA À ORAÇÃO – v.7
Quando assim oramos, o que podemos esperar?
 E a paz de Deus...
A paz é uma resposta de Deus quando oramos, porque a comunhão com Deus acalma as nossas ansiedades.
 ...que excede todo o entendimento...
A paz de Deus é insondável, transcende o raciocínio humano, não se pode medir.
...guardará os vossos corações e os vossos pensamentos...
A paz de Deus guarda o nosso homem interior, fruto da nossa oração. Guardar, significa “manter sob custódia”, “montar guarda” para proteger.  Deus é a sentinela que guarda o nosso homem interior. É como se o crente estivesse num castelo inexpugnável.
 ...em Cristo Jesus.
(I Timóteo 2:5 - ler)
Ou seja, em comunhão, em união com Jesus.
 Em I Pedro 5:6-7, temos o mesmo pensamento e mandamento sobre a oração.
Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
 O Senhor ama-nos, tem cuidado de nós.
 Ler: Hebreus 4:16; 11:6
"Orando, em todo o tempo, com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica, por todos os santos. (Efésios 6:18)
 
Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista em Moreira da Maia
 
 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015




                                  A PARÁBOLA DO SEMEADOR

(Marcos 4:1-20; Mateus 13:1-23; Lucas 8:4-15)
 
           Esta pode ter sido a primeira parábola que Jesus proferiu. Cumpriam as profecias (Salmo 78:2).  Jesus começa a ensinar por Parábolas. Uma parábola é uma comparação, uma curta narrativa de ficção da qual se extrai uma verdade moral ou espiritual. Uma história da terra com um significado celestial. Permanece inesquecível ao longo dos séculos.

   Quais as vantagens duma lição apresentada desta forma?

  Atinge os simples, fixa as verdades nas mentes dos ouvintes, distingue, separa as pessoas que querem aprender e os que zombam. Atrai a atenção das pessoas para as verdades do reino de Deus. Mostra que os segredos de Deus podem ser alcançados por todos os que quiserem. Na maior parte das vezes, o significado da parábola é óbvio, noutras é mais subtil, mas permanece vivo ao longo dos séculos. Os ensinamentos mais expressivos de Jesus foram dados através de parábolas.
Causa um impacto no ouvinte e exige uma reacção.
 
   Como é que Jesus começa e termina a Sua parábola? (vs.3 e 9)

   Ouvi! Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Significa ouvir e agir. Salienta a importância da mensagem, em estar atento e agir. Os ouvidos servem para ouvir.

   AP: Ouço a Palavra de Deus com atenção. Ouço e fico na mesma, ou ajo, faço qualquer coisa?

   Quais são as três figuras desta parábola e o que significam?

§  O semeador - Jesus Cristo e todo o servo de Deus pregador das boas-novas, do         evangelho(Mt.13:37- 38). É todo o que espalhar a semente.

§  A semente -   A Palavra de Deus proclamada (Marcos 4:14). A pura Palavra de Deus, não as tradições da igreja, não as doutrinas de homens. Só a Palavra de Deus é "...viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (Hebreus 4:12)

§  O terreno -    As pessoas e seus diferentes estados de coração

       Há aqui duas partes, invisíveis, que lutam pelo mundo, pela posse da humanidade (Deus e o diabo). Um luta com amor, outro com ódio.

   O semeador é ele mesmo. A semente é ela mesma. Como os resultados são diferentes, a diferença tem que depender das condições do terreno, do coração humano.

   AP: Sou semeador? Tenho semeado? Quero semear o evangelho da salvação? A semente que uso é a Palavra de Deus ou é outra qualquer palavra? O meu terreno (coração) de que tipo é?

  Ouvi! - O ensino geral desta parábola é este: Por muito fiel que seja o pregador, por muito pura e fiel que seja a sua mensagem, o resultado dependerá do estado do coração do ouvinte. Também tem o propósito de nos encorajar, pois face a muito desinteresse e oposição há sempre bons resultados. Mostra a responsabilidade do ouvinte em perseverar face ao diabo e ao mundo. Marca a diferença entre os discípulos e os incrédulos.
Há quatro tipos de pessoas, corações, e quatro tipos de reacção à proclamação do evangelho.
 

A PARÁBOLA E A SUA INTERPRETAÇÃO


1. O PRIMEIRO CASO - Junto ao Caminho   vs.4, 15

      Uma parte da semente cai nas veredas, nos trilhos duros não charruados que há nos campos, calcados pelos pés. São pessoas endurecidas, impenetráveis. Mentes, ouvidos e olhos estão fechados para as palavras e obras de Deus. Não tem receptividade. Muito antes que a Palavra de Deus possa penetrar nas suas mentes e corações desinteressados para ganhar alguma raiz, Satanás a roubará pois não quer perder uma vítima.. PORQUÊ? ...para que se não convertam e lhes sejam perdoados os pecados (v.12 b).

AP: Há aqui alguém nestas condições? Um coração assim, duro para não agir e não usar os seus dons, duro para não mudar as suas atitudes quando ouve a Palavra de Deus? Ouvimos dizer: "Sou católico, mas não praticante". Mas, cuidado que não se diga: "Sou evangélico, mas não praticante".

 2. SEGUNDO CASO - Sobre Pedregais - vs.5, 16-17

   Outra semente cai num lugar com uma fina camada de terra e rocha por baixo. Germina a semente e nasce logo a planta, mas por falta de raiz profunda e de humidade na terra, não sustenta o crescimento, não resiste ao calor do sol e queima-se. São as pessoas promissoras, que ouvem e recebem a palavra com alegria e entusiasmo. Falam e dão testemunho das suas experiências empolgantes, dos seus desejos e planos. Mas a sua crença dura pouco. É tudo muito superficial. Não têm estabilidade. Apenas crêem por algum tempo (Lc.8:13) NÃO TÊM RAIZ, "pouca duração", disse Jesus. Não suportam o calor queimante das tribulações e perseguições por causa de Jesus Cristo. As pressões secam e queimam os frutos que pareciam querer dar. Só durou enquanto tudo era fácil e alegre. Não querem tomar a cruz. Escandalizam-se, quer dizer que desistem facilmente, não estão dispostas a seguir um Jesus cujo travesseiro é a cruz. Não têm estabilidade.
 
AP: Há aqui algum coração assim? Tens raiz? Cuidado! Ouvi!

3. TERCEIRO CASO - Entre Espinhos - vs. 7, 18-19

   Outra semente cai numa terra com espinhos fortes que sufocam a semente, não lhe dão luz nem espaço para crescer. É o problema das pessoas seduzidas pelo mundo, pela sua época, pelo ambiente em que vivem. É o namoro com o mundo, o querer servir a Deus e gozar a vida mundana ao mesmo tempo; os deleites da vida, como diz Lucas 8:14. São as seduções das riquezas, dos prazeres e as ambições da vida. Não é possível! A pessoa fica dividida e distraída e não se entrega a Jesus de alma e coração. Quando estes interesses e alvos entram no coração da pessoa que ouviu a Palavra de Deus, sufocam-na e não produz fruto, não vinga. Não dão fruto com perfeição (Lc.814). Esta é uma advertência séria para crentes e descrentes. Nenhuma igreja poderá cumprir a sua vocação se os seus membros namorarem a sociedade em que vivem: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há..." (I João 1:15ss)

AP: Há aqui algum coração assim? Não damos fruto com perfeição? Cuidado! Ouvi!

4. QUARTO CASO - A Boa Terra  - vs.8, 20 "ouvem a Palavra... a recebem...frutificando...vingou e cresceu" (v.9)

   A boa terra é o coração gentil e manso que se deixa tocar pelas verdades eternas. É o coração honesto e bom que conserva a palavra e dá fruto com perseverança, com paciência, diz Lucas 8:15. Protegem a Palavra do mundo e de tudo o que a destruiu nos casos anteriores. São os olhos que vêem e os ouvidos que ouvem. São os verdadeiros crentes e o que os distingue é que dão fruto. São os que responderam genuinamente à Palavra de Deus e uns são mais produtivos que outros.

AP: Que fruto estamos a dar? Trinta, sessenta, cem? Não há que ter inveja do próximo, pois tudo depende da qualidade do coração, da terra; a semente é a mesma.

   No v. 9, Jesus volta a falar nos ouvidos e no ouvir. Os ouvidos são uma dádiva de Deus, mas ouvir e agir é a responsabilidade do homem. É a tua e a minha responsabilidade.

   Esta parábola é a parábola do semeador ou dos solos?

   Jesus começa por falar no semeador e acaba a falar nos solos. Há responsabilidade em ser-se semeador da Palavra, em ouvir, agir e dar fruto. Seja como for, o importante é que apesar da terra dura, das aves famintas (diabo), dos espinhos, das pedras, de todas as oposições e lutas, o reino de Deus triunfará e Ele terá a Sua colheita abundante - e a hora dela aproxima-se. Jesus quer encorajar os Seus semeadores a discipularem. Há aqui advertência, convite e esperança.
"Pelos seus frutos os conhecereis" (Mateus 7:16)
 
CONCLUSÃO
Chegados ao final de mais um ano, como está o nosso coração, o fruto da nossa vida cristã?
 
Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista em Moreira da Maia

segunda-feira, 2 de novembro de 2015


 

A Alegria do louvor a Deus
 
 
 

Regozijai-vos no SENHOR, vós, justos, pois aos rectos convém o louvor.

Salmo 33 (v.1)


Introdução      

Este Cântico de Louvor não apresenta título nem indicação de autoria. Olhamos para a Escritura como totalmente inspirada por Deus e não a avaliamos pelos seus autores. É um hino a Deus como Criador e Senhor de toda a história do mundo. É também uma convocação à adoração.
 

Propósito: Como filhos de Deus somos exortados a louvar e a alegrar-nos no louvor ao nosso Deus e Senhor.

 I. Uma exortação para que se louve a Deus – vs.1-3

v.1 – Regozijai-vos no SENHOR – O louvor ao Senhor é o assunto deste salmo. O louvor é pedido por Deus, é conveniente. Também há uma chamada para a alegria. Regozijar é “cantar com alegria. A alegria é uma das qualidades do fruto do Espírito Santo. Devemos alegrar-nos em Quem? …no SENHOR…

              Quem deve louvar? Não os ímpios, mas os justos. Os que são beneficiados pelo Benfeitor sempre terão razões para cantar e louvar. Viver sem louvor não condiz com o crente.

v.2 – …com a harpa… com o saltério de dez cordas – Louvamos com as nossas vozes, mas também com instrumentos musicais. São legítimos, agradam ao Senhor e melhoram o louvor da congregação. Pertencia aos levitas este ministério musical. Não podiam tocar um instrumento não aceite no templo.

v.3 – Cantai-lhe… tocai bem… com júbilo – O dever de mantermos o frescor no louvor, entusiasmo, de louvarmos ao Senhor bem, com arte, não do género “qualquer coisa serve.. já está bom”.

II. Os argumentos para que se louve ao Senhor – vs.4-19

vs.4-5 – Porque a palavra do SENHOR é recta… – Temos pelo menos quatro fortes motivos para o nosso louvor que têm a ver com a natureza do próprio Deus: A Sua palavra é recta, Ele é fiel, Ele ama a justiça e a rectidão, a Sua bondade não tem limites.

              Louvamo-Lo por causa da excelência do Seu carácter e isto inspira os homens a entoar cânticos de louvor.

              Estes atributos são visíveis pelas acções divinas no Seu mundo.

vs.6-7 – Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus… – A criação divina é um dos grandes motivos de louvor ao Criador. O poder da Sua Palavra no acto criativo e o controlo que exerce sobre tudo.

v.8 – Ao vermos a poderosa criação divina, compreendemos melhor o que, na verdade, somos, a nossa pequenez e devemos temer a Deus. Não apenas os crentes o devem fazer: …toda a terra… todos os moradores do mundo. Em lugar de desafiarem a Deus, devem respeitá-Lo.

              Neste temor começa a sabedoria do homem. Temos aqui a reverência, a admiração, a nossa obrigação em relação ao Senhor. É a alma do culto.

v.9 –  O poder da Sua palavra e o controlo que exerce sobre tudo. Deus não abandonou a Sua criação. Continua a preservá-la, a dirigi-la, a sustentá-la. Como? Pelo poder da palavra que sai da Sua boca: …falou e foi feito… É a palavra irresistível de Deus. A mesma palavra que chama o Seu povo para o consolar e livrar nas necessidades. A mesma Palavra que chama à salvação e cria uma nova pessoa, regenerada, nascida de novo.

              Por isso, louvamo-Lo pela majestade da criação.
 

O Conselho do SENHOR Deus – vs.10-12

vs.10-11 –  A atenção do salmista volta-se agora para a terra, depois de falar sobre a glória divina.

              Agora, ensina-nos que Deus é o Senhor, não apenas da criação, mas também da História humana, desde que criou tudo, no princípio, e até ao fim da história da humanidade.

     Devemos alinhar-nos por ele. Ele não abandonou a Sua criação. Pelo contrário, o Senhor está atento, Ele intervém nas actividades humanas, recompensa, pune, guia, faz-Se presente: …desfaz … quebranta…

              As decisões de Deus, os Seus planos, são uma realidade e são eficazes. Nada acontece por acaso. E Deus continuará a fazê-lo …para sempre… de geração em geração. (v.11).

               O Seu conselho é eterno. O Seu conselho durará para sempre, frustrando os planos e pensamentos das nações pagãs.

v.12 –  Há um povo bendito, escolhido por Deus, em contraste com os ímpios e pagãos que não O reconhecem: Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR…

              Este povo é aquele que Ele escolheu para sua herança. É o povo de Israel, mas também todos os crentes em Jesus Cristo (I Pedro 2:9)

              Este é outro motivo porque Deus deve ser louvado. Ele é o Deus de palavras e de obras poderosas e que intervém na História. Não é o homem que faz a história, mas Deus.

O Olho do SENHOR Deus – vs.13-19 – A vigilância de Deus
vs.13-14 –  O Poderoso lá dos céus mostra-Se alerta para com tudo quanto os homens fazem e é activo nas Suas recompensas e castigos. Ele conhece os nossos pensamentos e planos. É omnisciente e omnipresente. Nenhum truque nosso pode distorcer, ocultar-nos ou opor-se aos propósitos do Senhor.

              Da Sua habitação celestial, o Rei Todo-Poderoso, sentado no trono, observa, vigia tudo e depois age. Com Ele temos que tratar todos os dias. Ele tem as Suas leis e mandamentos para os homens.

vs.15-17 –  O Criador do Universo também e o Criador dos indivíduos. Governa os destinos das nações e também dos homens. Conhece-nos e quer ajudar-nos a fazermos o que Lhe agrada.

              O poder que as autoridades têm não está nelas, mas vem de cima, vem de Deus. Golias era bem mais forte que David, mas foi o mais fraco que ganhou a batalha, porque recebeu a força de Deus.

 vs.18-19 –  Os olhos do SENHOR sabem muito bem quais são os homens que O amam e temem. Para estes tem reservadas grandes bênçãos. Temos boas razões para esperar e depender da Sua misericórdia.

              Também aqui temos um outro grande motivo para louvar a Deus, o nosso Deus.

III. A confiança do povo de Deus no Seu nome, sua felicidade e petição – vs.20-22

              O salmo termina com uma fervente expressão de confiança e uma oração sincera. A vida inteira do crente pauta-se por isto: a nossa alma espera no SENHOR.

              Porquê? Porque ele é nosso auxílio e o nosso escudo.

              Confiamos, não nas autoridades, não nas multidões, não nos exércitos, não nos guerreiros, não nas circunstâncias, não em nós mesmos, mas em Deus.

               E como confiamos em Deus?

              A par desta confiança, que continua dia a dia a esperar em Deus, está em que o fazemos, não gemendo, não queixando-nos, mas com alegria no nosso coração. Há alegria em quem serve a Jesus. Por isso, a alegria é uma das qualidades do fruto do Espírito santo.

Conclusão
              No final do Salmo são reafirmadas verdades fulcrais para o crente: É reafirmada a fé, a esperança, a confiança e a alegria no SENHOR. O povo de Deus demonstra estas verdades: pois temos confiado no seu santo nome.

               E o Deus em quem confiamos tem um nome santo, pois Ele é Santo. Por isso, pede-nos: Sede santos, porque eu sou santo.

              Deste Deus esperamos misericórdia neste mundo tão difícil, tal como o estamos a ver dia a dia, com crimes, atentados terroristas, etc. Não nos cansemos de orar pedindo-lhe esta dádiva tão preciosa: Seja a tua misericórdia, SENHOR, sobre nós, como em ti esperamos.

 Rui Simão