terça-feira, 13 de junho de 2017

 
 
O Evangelho
A Palavra essencial no Ministério Cristão
…anuncio o evangelho… pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho.
 I Coríntios 9:16 
 
Introdução
         A Palavra “Evangelho” é importantíssima na Bíblia. Nunca surge nas Escrituras com um sentido vago ou abrangente. Não! A palavra “Evangelho” é usada sempre num contexto que permite apenas um único significado. Qual é? Evangelho proclama as doutrinas referentes à salvação da alma, pregadas apenas com o objectivo primário de salvar almas.
         Há apenas um, há apenas um único verdadeiro evangelho, o Evangelho da salvação, designado e expresso nas páginas da Bíblia como o Evangelho de Jesus Cristo, o evangelho do reino de Deus (Lc.8:1), evangelho da graça de Deus (At.20:24); o evangelho da paz (Ef.6:15); o evangelho eterno (Ap.14:6).
               Paulo estava plenamente consciente da sua chamada e mensagem obrigatória: anuncio o evangelho… pois me é imposta essa obrigação.
E como é que ele, os outros apóstolos e os primeiros cristãos, as primeiras igrejas anunciavam o Evangelho? Por meio de testemunhos e pregações insistentes, convincentes e persuasivas, mostrando a misericórdia e a redenção de Deus a almas à beira da morte. Sim, porque todo aquele que está ao nosso lado e ainda não for crente, ele está permanentemente à beira da morte espiritual. Se morrer sem Cristo, está perdido eternamente no lago de fogo e enxofre.
 
A mensagem bíblica exclusiva do EVANGELHO tem sido cada vez mais substituída por mensagens totalmente diferentes daquilo que Jesus nos mandou fazer. São uma sombra da mensagem bíblica. São um emaranhado de filosofias humanas que estão mais cheias de sabedoria de lógica humanas e não da força que só o Evangelho tem.
                  A palavra grega “euangelion” significa “evangelho”, “boas novas, boas notícias”.
O verbo grego “euangelizomai” significa “proclamar, pregar, trazer, ou anunciar boas novas”. Vemos este verbo em Lc. 2:10 - εὐαγγελίζομαι – quando o anjo anuncia aos pastores que Jesus tinha nascido: …eis aqui vos trago novas de grande alegria
          Isto é o evangelho: novas de grande alegria.
Evangelho é e sempre será tão só e unicamente “boas novas” sobre a vida e a obra do Senhor Jesus Cristo. Evangelho não pode ir além da fé referente à salvação da alma. Um pregador, um teólogo, um crente pode passar grande parte da sua vida a falar de toda a Bíblia e não abordar a singular mensagem do Evangelho de Cristo para os ímpios perdidos, mostrando-lhes Cristo, incomodando as suas consciências, advertindo-os das consequências de rejeitar o Salvador e instando para que o busquem e creiam nEle.
 Permanecem na Bíblia estas palavras: …me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho. Partilhamos este sentimento? Seguimos este exemplo?
 A seguir, vamos fazer um pequeno levantamento de algumas passagens do NT em que a palavra “Evangelho” é empregada, a fim de estabelecer o seu significado original.
O substantivo grego “euangelion” ocorre 78 vezes no NT e 60 vezes nas epístolas de Paulo. Associado ao Evangelho surgem quase sempre os verbos: “pregando, anunciando
 Marcos 1:14-15. E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o EVANGELHO do reino de Deus, E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no EVANGELHO.
         Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o EVANGELHO do reino de Deus; porque para isso fui enviado. (Lucas 4:43)
Não pode haver dúvida. O evangelho é pregado à população em geral, é algo que se refere ao Reino de Deus e à necessidade de se arrepender e crer. Urge que os ouvintes respondam a esta mensagem.
 
Marcos 16:15. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o EVANGELHO a toda criatura.
        
Aqui, Evangelho é o que é apropriado para ser pregado a toda a pessoa no mundo. É proclamar os elementos que são aptos para salvar a alma.
 
Marcos 13:10. Mas importa que o EVANGELHO seja primeiramente pregado entre todas as nações. Jesus garante que o fim não virá antes desta tarefa de pregar o evangelho.
 
Lucas 4:18. O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração.
Aqui, o Evangelho é a mensagem que cura a alma, salva, liberta.
                                              
 
Lucas 9:6. E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o EVANGELHO, e fazendo curas por toda a parte.
Os doze apóstolos partiram proclamando, anunciando a vinda do Senhor Jesus e pedindo às pessoas para O ouvirem e crerem nEle como o Messias. Foi esta mensagem limitada, restrita.
 
Actos 8:25. Tendo eles, pois, testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e em muitas aldeias dos samaritanos anunciaram o EVANGELHO
O v. 12 ajuda-nos a compreender a mensagem de Filipe: Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo.
 
Actos 14:7,15. E ali pregavam o EVANGELHO…. E dizendo: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, o mar, e tudo quanto há neles.
Pregar o Evangelho é argumentar, protestar com elas para que se afastem de coisas vãs e vazias e creiam em Jesus.
 
Actos 15:7. E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do EVANGELHO, e cressem
Mais uma vez, o Evangelho é usado para mostrar o tipo de mensagem que conduz o perdido a crer em Cristo.
 
Romanos 1:16-17. Porque não me envergonho do EVANGELHO de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.
As palavas memoráveis de Paulo definem o Evangelho como a única mensagem que conduz à salvação. Não há outra.
 
Romanos 10:13-15. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o EVANGELHO de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.
Mais uma vez, Evangelho refere-se especificamente às boas novas de salvação dirigidas ao não convertido.
 
Romanos 15:20-21. E desta maneira me esforcei por anunciar o EVANGELHO, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, e os que não ouviram o entenderão.
Outra vez o Evangelho como uma mensagem estritamente evangelística para pessoas não alcançadas, não salvas.
 
I Coríntios 1:17-18, 21 e 23. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar (pregar o EVANGELHO); não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus… aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação… Mas nós pregamos a Cristo crucificado.
Aqui, o Evangelho é a mensagem usada por Deus para trazer pessoas à salvação. Evangelho centra-se na morte expiatória de Cristo pelos pecadores.
 
I Coríntios 4:15. Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu pelo EVANGELHO vos gerei em Jesus Cristo.
Aqui, Paulo diz que o Evangelho como o agente do novo nascimento.
 
I Coríntios 9:18-19. Logo, que prémio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o EVANGELHO de Cristo para não abusar do meu poder no EVANGELHO… fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais.
Paulo usa em toda esta passagem 5 vezes a palavra ganhar, definindo Evangelho como a mensagem que adiciona indivíduos à igreja.
 
I Coríntios 15:1-2. TAMBÉM vos notifico, irmãos, o EVANGELHO que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos…
Aqui, o Evangelho é o tema, aquele componente específico da verdade de Deus, que pessoas não convertidas ouvem no período da sua salvação. Depois, Paulo passa imediatamente a declarar que o Evangelho é a respeito de como Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. E Paulo é bem claro ao recordar-lhes que esta mensagem foi a inicial: Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi…, ou seja, o Evangelho.
 
II Coríntios 4:3-4. Mas, se ainda o nosso EVANGELHO está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do EVANGELHO da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.
O Evangelho é a mensagem que dá a luz da salvação a pessoas perdidas, condenadas, não regeneradas. A alma perder-se-á porque nunca conheceu o Evangelho. Nossa missão: revelar, descobrir o Evangelho, não deixar que fique encoberto. O diabo tudo fará para que o Evangelho permaneça escondido dos pecadores.
 
Gálatas 3:8. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o EVANGELHO a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.
Aos Gálatas, o termo Evangelho é usado doze vezes relacionado com a justificação pela fé em oposição às obras. Aqui, Paulo revela que o Evangelho até foi pregado a Abraão, ou seja, a mensagem de que na descendência de Abraão viria Jesus, o Salvador do mundo. Abraão creu.
 
Efésios 1:13. Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o EVANGELHO da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.
Aqui, a salvação vem pela pregação do Evangelho, designada como a palavra da verdade, mensagem que os pecadores ouviram, depois de a ouvirem, creram, e depois de crerem, foram salvos, regenerados, nascidos de novos pela acção do Espírito Santo que passou a habitar neles e os marcou como propriedade de Deus. O Evangelho salva as almas perdidas.
 
Filipenses 1:12. E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do EVANGELHO.
A vida de Paulo era pregar o Evangelho. Proveito significa “avanço”. O Evangelho avança quando ele é proclamado às almas perdidas.
 
I Tessalonicenses 1:5-6. Porque o nosso EVANGELHO não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra...
Mais um notável exemplo do tipo de mensagem que Paulo levou em primeira mão àquela cidade e o que as pessoas fizeram dela: recebendo a palavra.
 
II Tessalonicenses 2:13-14. Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; Para o que pelo nosso EVANGELHO vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.
Pela pregação do Evangelho é que Deus chama os perdidos para a salvação.
 
Conclusão
         A não correcta compreensão do que é e para que serve o Evangelho tem trazido muitos danos. Não podemos fugir nem deixar de cumprir o que Deus verdadeiramente nos revela sobre o Evangelho, por forma a termos sempre presente o desafio de Paulo: …anuncio o EVANGELHO… pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o EVANGELHO.
 
Neste mesmo pensamento, no AT, Deus alertou os Seus profetas sobre a sua missão: o EVANGELHO de Deus, o qual antes havia prometido pelos seus profetas, nas santas escrituras, acerca de seu Filho… (Rom.1:1-3).
 
Cada um de nós deveria ter bem presente, a cada dia, talvez numa placa, o que Deus disse a Ezequiel: Mas, se quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniquidade, porém o seu sangue requererei da mão do atalaia.
 
Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia
                                                   
                                                                   Bibliografia: “Médico de Almas”, Peter Masters

segunda-feira, 1 de maio de 2017


 
 
 
Mãe, uma pessoa influenciadora
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.
 (Êxodo 20:12)
Introdução   
         O estadista americano, Abraão Lincoln, décimo sexto presidente dos Estados Unidos, afirmou que as mãos que embalam o berço, governam o mundo. Mesmo tendo perdido a sua mãe muito cedo, Lincoln disse que tudo o que era e tudo o que viria a ser devia à sua mãe. Liderança é, sobretudo, influência.
 
         Ser mãe é ser líder, pois ninguém influencia os filhos mais do que as mães. A mãe carrega os filhos no coração, no ventre, nos braços, no bolso, nos sonhos. Mãe, uma pessoa influenciadora debaixo das leis de Deus e do Evangelho de Jesus Cristo. Em face disto, quero destacar quatro pontos importantes.
 
I. Mãe, uma pessoa que influencia os filhos pela oração
 Muitas mães, pela sua fé em Cristo, influenciaram decisivamente a vida dos seus filhos pela oração.
 
1. Ana - Orou pelo seu filho, Samuel, antes dele nascer e consagrou-o a Deus depois que ele nasceu. Ana era estéril, porque o próprio Deus havia cerrado a sua madre. No seu tempo, este era um problema doloroso, que trazia muitos estigmas. Ana teve ainda que enfrentar a zombaria da sua rival, a incredulidade do seu marido e a censura do seu sacerdote.
         Ela, contudo, não desistiu. Continuava a orar diante de Deus, pedindo-lhe um filho. Houve um dia, porém, que ela resolveu fazer um voto a Deus. Prometeu-lhe que se Deus lhe desse um filho, o devolveria para o Senhor por todos os dias da sua vida. Deus ouviu o seu clamor e ela concebeu e deu à luz a Samuel, o maior juiz, o maior profeta e o maior sacerdote da sua geração.
         Precisamos de mães que ousem consagrar o melhor daquilo que Deus lhes tem dado ao Senhor. Mães que coloquem seus filhos no altar. Mães que consagrem seus filhos para Deus, para cumprirem os soberanos propósitos de Deus.
 
2. A mulher Cananéia – Esta mãe, em grande aflição, não desistiu de rogar a Jesus por sua filha e prevaleceu pela oração.
         Hoje, também precisamos de mães que ousem interceder pelos seus filhos e que jamais abram mão de vê-los no altar do Senhor.
 
II. Mãe, uma pessoa que influencia os filhos pelo ensino da Palavra
            A mãe é uma educadora. Grande é a sua responsabilidade. A palavra da sabedoria e a instrução da verdade devem estar nos seus lábios.
 
1. Eunice e Lóide – Mãe e avó, ambas crentes fiéis e dedicadas, ensinaram a Timóteo as sagradas letras desde a sua infância. Assim, a Bíblia tornaram-no sábio para a salvação. (II Tim.3:14-17). Educaram o filho e neto pelo exemplo. Transmitiram-lhe as mesmas verdades aprendidas no seu lar. Nela habitava uma fé sem fingimento. Essa mesma fé, ela transmitiu para o seu filho. Eunice era uma mulher comprometida com a Palavra de Deus. Ela ensinou a Timóteo as sagradas letras desde a sua infância. A palavra grega usada é “brefos”, que quer dizer “desde o ventre”. Essas sagradas letras tornaram Timóteo sábio para a salvação. Mais tarde, Timóteo tornou-se discípulo do apóstolo Paulo e constitui-se num dos maiores pastores da igreja cristã, aquele que haveria de dar continuidade ao ministério do grande apóstolo dos gentios.
 
         Você, mãe, é desafiada a andar com Deus, a ensinar aos seus filhos a Palavra de Deus e a prepará-los para serem vasos de honra nas mãos de Deus.
 
2. Joquebede – Mãe de Moisés. Uma mãe que ousou lutar pela sobrevivência do seu filho. Por ser menino, a lei do Faraó determinava a sua morte à nascença.      Mas esta mãe não desistiu do seu filho. Ela montou um plano para salvar o seu filho da morte. Ela transcendeu o comum. Deus honrou seu gesto e salvou o seu filho das águas do Nilo.
         A providência divina fez o menino Moisés parar no palácio de Faraó e retornar aos braços de Joquebede para ser amamentado. Foi nesse tempo, da primeira infância de Moisés, que sua mãe deu tudo de si para transmitir ao seu infante as verdades que mais tarde governariam a sua vida. Foi o ensino aprendido com sua mãe que levou Moisés a rejeitar as glórias do Egito por causa do opróbrio de Cristo.
        
          Ensinou Moisés na sua infância e ele veio a tornar-se o maior líder da história de Israel. Precisamos de mães que invistam tempo na vida espiritual de seus filhos.
Mães, busquem a salvação dos vossos filhos mais do que o seu sucesso.
Mães, dêem o melhor do vosso tempo para inculcar nos filhos as verdades eternas, verdades essas que os ajudarão a tomar as mais importantes decisões ao longo da vida.
 
         A Palavra de Deus diz que esse ensino precisa ser respaldado pelo exemplo, uma vez que o exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas a única maneira eficaz de fazê-lo.
         Antes de inculcar nos filhos a Palavra, essa Palavra precisa de estar no coração da mãe. Precisamos de mães educadoras, crentes e praticantes da Palavra de Deus e das suas leis e mandamentos, de mães que invistam tempo no ensino da Palavra a seus filhos.
 
III. Mãe, uma pessoa que influencia os filhos pela piedade
      Há muitas pessoas que têm um grande conhecimento da Palavra, mas não são piedosas. Há outras que têm uma agenda robusta de oração, mas são desprovidas de piedade.
 
          Precisamos de mães firmes na Palavra, comprometidas com a oração, mas, também, mães que reflitam na vida a beleza e o amor de Cristo.
         Precisamos de mães que transformem conhecimento em vida, teologia em piedade, mães que sejam cheias do Espírito Santo. Precisamos de mães que sejam prudentes no falar, irrepreensíveis na conduta, sensatas no agir e paradigma dos fiéis na santidade. Precisamos de mães que influenciem os seus filhos a andarem com Deus.
 
IV. Mãe, uma pessoa que influencia os filhos pela correcção
         Uma mãe nem sempre dá aos filhos o que eles querem, mas o que eles precisam. O papel da mãe como educadora não é agradar sempre aos filhos, mas prepará-los para a vida, ensinando-os a amar a Deus e a serem responsáveis na vida.
 
         A disciplina é um acto responsável de amor. A disciplina pode, no momento, trazer lágrimas e dor, mas ao fim produz os frutos da justiça.
         A mãe precisa de corrigir os filhos também preventivamente, alertando-os para os perigos que os cercam. Como a águia, a mãe deve colocar o ninho dos seus filhos nos lugares altos, longe dos predadores (Jó 39.27,28).
 
Conclusão
Por tudo isto, as mães são instrumentos importantíssimos nas mãos de Deus.
As palavras não serão suficientes para enaltecer a sublime missão da maternidade. O amor de mãe é cantado e decantado na poesia e na prosa. Ao  nível humano, nenhum amor transcende o amor de mãe. A mãe entrega-se, doa-se e investe o melhor do seu corpo, do seu tempo, da sua vida, dos seus recursos e dos seus sonhos na vida dos filhos. A mãe é um monumento vivo da graça de Deus.
         Uma mãe é aquela que, como a águia, coloca o ninho dos seus filhos no alto dos penhascos, longe dos predadores (Jó 39.27) e nunca abre mão deles (Dt 32.11). Uma mãe é uma heroína admirável quando se trata de defender seus filhos, de lutar por eles, e vê-los caminhando vitoriosamente na vida.  
        
         As mães são como espelho para os filhos. Elas demonstram mais do que falam. Elas ensinam pelo exemplo mais do que com as palavras. Elas são verdadeiras pedagogas que ensinam os seus filhos na dinâmica da vida, ao deitar e ao levantar. Elas ensinam seus filhos no caminho e não apenas o caminho. Elas inculcam as verdades eternas na mente dos seus filhos.
 
1.   Uma mãe é uma intercessora incansável; 2. Uma mãe é uma educadora responsável; 3. Uma mãe é uma heroína admirável
 
         Que Deus nos dê mães intercessoras, educadoras, influenciadoras dos caminhos do Evangelho de Jesus, que, como bravas guerreiras, lutem e chorem pelos filhos até vê-los como coroas de glória nas mãos do Senhor.
Rui Simão
Pastor na igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia
 
 
Referências: Herdandes D Lopes 

sábado, 1 de abril de 2017





O Calvário

Gloriar-me na cruz de Cristo

Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

Gálatas 6:14

(João 19:14-24)

                                                   

I. O que é o Calvário?  

         Calvário vem do aramaico "gulgata", do grego "kraniou topos" e do latim "calvaria": "lugar da caveira, uma colina que pela sua morfologia se assemelha a um crânio.
O Calvário foi um lugar próximo da cidade de Jerusalém, onde o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, foi crucificado. Fora disto, não sabemos muito mais sobre o Calvário.

Mas, o Calvário apresenta-nos uma obra divina majestosa: O sofrimento e a crucificação de Cristo. O Calvário existiu para que se cumprissem as Escrituras, para que se cumprissem as profecias proferidas pelo próprio Deus: Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. (I Cor.15:3) Que Escrituras? As do AT, sem dúvida, como Gén.22; Salmo 22 e Isaías 53.

         É unicamente a Biblia que nos revela a razão do Calvário: …Cristo morreu pelos nossos pecados. Existe muita ignorância e superstição nas pessoas no que respeita ao sofrimento de Jesus Cristo. Muitos não vêem nenhuma glória nem beleza na história da crucificação. Pelo contrário, acham-na dolorosa, humilhante e degradante. Não vêem grande ganho na história da morte e dos sofrimentos de Cristo. Preferem olhar para isso como algo sem grande sentido. Mas estão muito erradas e não podemos concordar com quem assim pensa. No Calvário revela-se a grande sabedoria de Deus na salvação da humanidade.

         É, sem dúvida, fundamental para todos nós discorrermos continuamente sobre a crucificação de Cristo. É essencial sermos continuamente lembrados de como Jesus foi abandonado nas mãos de homens maus. Como essas autoridades ímpias O condenaram com o mais injusto julgamento, como cuspiram n’Ele, como O açoitaram, como O espancaram e coroaram com espinhos. Porquê? Porque Ele estava a morrer pelos meus, pelos teus pecados.

Jesus foi levado como um cordeiro para ser abatido no matadouro, sem murmúrio ou resistência. Não podemos esquecer em como pregaram os pregos contra as Suas mãos inocentes, contra os Seus pés santos e como O deixaram no Calvário entre dois ladrões, perfurando o Seu lado com uma lança, zombando do Seu sofrimento e deixado ali a morrer. Porquê? …pelos nossos pecados.
          

         A crucificação é dos poucos assuntos que encontramos nos quatro evangelhos. Daí a sua elevada importância.

II. O sofrimento de Cristo no Calvário foi predeterminado – Apoc. 13:8: ...Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

         A Cruz foi prevista e planeada desde toda a eternidade. Nos propósitos de Deus, a Cruz de Cristo foi estabelecida desde o início. Não houve uma palpitação de dor, nem uma preciosa gota de sangue vertida por Jesus, que não tenha sido preestabelecida há muito tempo. A infinita Sabedoria divina estabeleceu que a libertação do homem pecador caído, perdido, condenado, destituído da glória de Deus, deveria ocorrer pela cruz. A infinita Sabedoria trouxe Jesus à cruz no tempo devido. Ele foi crucificado pelo plano e pela previsão de Deus.  

III. O sofrimento de Cristo no Calvário foi necessário para a salvação humana – Vamos ler Isaías 53

         Jesus Cristo precisava de carregar os nossos pecados. Apenas com as Suas chicotadas e dor nós poderíamos ser curados. Esse foi o único pagamento pelos nossos débitos que Deus aceitaria; esse foi o maravilhoso sacrifício de que dependia a nossa vida eterna. Sem este sofrimento e morte de Jesus não haveria qualquer esperança para o pecador. A cruz foi necessária, a fim de que o seu poder fosse a redenção para o pecado.

 IV. Todo o sofrimento de Cristo foi suportado voluntariamente e por Sua própria vontade  - João 10:17-18

         Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi do meu Pai.

Jesus não estava sob coerção, não foi obrigado. Foi por escolha própria de Jesus que Ele sacrificou a Sua vida. Ele poderia facilmente chamar  doze legiões de anjos com uma palavra, e dispersar Pilatos, Herodes e todo o seu exército, como a palha diante do vento. Mas Jesus estava disposto a sofrer. 

Porquê? Por vários motivos. O que aprendemos com o Calvário, a cruz de Cristo?

1.º - Na Cruz de Jesus conhecemos da forma mais clara o grande amor de deus pelo pecador perdido
          Nós olhamos para a cruz de Cristo e ali nós vemos que Deus tanto amou esse mundo pecaminoso, que deu o Seu único, primogénito, Filho – deu-O para sofrer e morrer – para que qualquer pessoa que n’Ele cresse, não perecesse, mas tivesse a vida eterna.

E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. (I João 3:5)

2.º - Na Cruz de Cristo descobrimos claramente o quanto o pecado é depravado e abominável à vista de Deus

Olhamos para o que aconteceu no Calvário e lá vemos que o pecado é tão obscuro e condenável que nada, a não ser o sangue do Filho de Deus, poderia lavá-lo; Na Cruz vemos que o pecado nos separou tanto do santo Criador, que nem mesmo os anjos no céu poderiam fazer a paz entre nós: nada poderia reconciliar-nos, apenas a morte de Cristo: O qual se deu a si mesmo pelos nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai. (Gál.1:4)
 

3. Na Cruz de Cristo conhecemos a plenitude e a perfeição da salvação que Deus providenciou para os pecadores
  Olhamos para a crucificação no Calvário e vemos que um pagamento completo foi feito por todos os meus pecados horríveis. A maldição daquela lei que quebrei, derramou-se sobre Um, que lá sofreu no meu lugar; a exigência daquela lei já foi satisfeita: o pagamento foi feito por mim, por ti, por nós até ao último cêntimo. E este sacrifício não será exigido uma segunda vez.

4. Na Cruz de Cristo encontramos razões fortes para nós sermos pessoas santas
      Levando ele mesmo, em seu corpo, os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para o pecado, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas pisaduras fostes sarados. (I Pedro 2:24)
            Lá, na cruz levantada no Calvário, tu vês, eu vejo o amor de Cristo compelindo-me a viver para Ele e n’Ele. Lá, eu vejo que não sou mais meu, eu fui comprado com um preço e sou compelido pelo mais sagrado compromisso a glorificar a Jesus com o meu corpo e espírito, que são dEle: …e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim… (II Cor.5:17)

Lá, no Calvário, eu vejo que Jesus deu-Se a Si mesmo por mim, não apenas para me redimir das iniquidades, mas também para me purificar, e fazer-me uma pessoa singular, zelosa das boas obras. Ele perfurou os teus, os meus pecados no Seu próprio corpo na cruz para que eu morresse para o pecado e vivesse na rectidão.

             Sim, não há nada tão purificador quanto uma visão clara da cruz de Cristo! Ela crucifica o mundo em nós, e nós para o mundo. Como podemos amar o pecado quando nos lembramos que foi por causa do pecado que Jesus morreu? Certamente ninguém é tão santo quanto os discípulos de um Senhor crucificado.


         Eu olharei, tu olharás para o Calvário e para a crucificação. Ali, tu vês, eu vejo que Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O para morrer por mim, irá certamente, com Ele, dar-me todas as coisas de que realmente preciso. Ele, que sofreu aquela dor por minha alma, não irá, certamente, reter de mim nada que for verdadeiramente bom.

IV. Em conclusão, todos os crentes devem dar mais importância à Cruz de Cristo, devem dar-lhe todo o valor  

                  Não nos encandalizemos com a Cruz do Senhor Jesus e não deixemos de a valorizar. Cristo foi crucificado pelos pecadores e, mesmo assim, muitos cristãos vivem como se Ele nunca tivesse sido crucificado!

 

               Mas, este glorioso Senhor não ficou morto na cruz, nem na sepultura. Ao terceiro dia ressuscitou dos mortos e é a garantia plena do perdão e salvação eterna de todo o que crê e confia n’Ele.

         Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

 

               Glória ao nome do Senhor Jesus Cristo.