terça-feira, 31 de julho de 2018



O que deixar e o que desejar

Primeira Epístola Universal de Pedro

O Crescimento na Palavra

Deixando, pois, toda a malícia… Desejai… para que… vades crescendo.

I Pedro 2:1-3

Introdução

            Entramos agora na terceira parte da terceira seção de I Pedro que vai de 1:12-2:10.

              O Apóstolo Pedro continua a mostrar àqueles grupos de cristãos o que implica o seu novo estatuto, o resultado da sua fé em Jesus: crescer espiritualmente na Palavra do Senhor.



            O que exige de nós a nossa salvação? A resposta começou a ser dada já nos vs.15 e 16: Santidade de vida. Não é opcional, faz parte da nossa salvação. Somos filhos de um Deus Santo, recebemos uma nova natureza quando o Senhor nos fez filhos d’Ele pela nossa fé em Jesus. Por isso, outro resultado da nossa fé no Salvador Jesus é o novo nascimento, nascemos de novo pela palavra de Deus (v.23). É precisamente debaixo desta verdade, deste pensamento do novo nascimento que Pedro prossegue agora a sua exortação e que vem a seguir.



            Qual é o nome que se dá a alguém que nasce hoje? É um bebé.

              Ora, esta é a figura do cristão. Os cristãos, nascidos de novo, são agora como bebés, como meninos novamente nascidos. Precisam de se desenvolver e de crescer. E o alimento para tal é a Palavra de Deus, é a própria Palavra pela qual foram gerados.

              Esta nova vida que o crente tem é vivida no mundo, com as pressões e as lutas diárias até que o Senhor Jesus venha ou nos chame para Ele.

       

        O cristão nascido de novo vive numa contante luta entre o velho homem e o novo. O novo luta por impor-se e crescer. O velho é constantemente realimentado pelo mundo ao redor e pelas paixões interiores até que sejam totalmente transformadas pelo Espírito santo que habita nele e o santifica.

                                        

              Como é que isto se processa na vida do crente, essa pessoa que creu em Jesus Cristo, essa pessoa que se arrependeu do seu pecado e que nasceu de novo? É uma ação em duas direções: despojar-se do antigo e alimentar o novo. Vamos ver o que Pedro diz sobre os aspetos práticos e da nova vida que cumpre viver aquele que nasceu de novo.



I. O que temos de DEIXAR – “Deixando, pois…”  - v.1 -Não podemos iludir-nos. Ser crente não é uma brincadeira. É a maior decisão da vida de uma pessoa. É uma decisão com implicações eternas e imediatas. Ser crente implica mudanças. Sempre devemos recordar o que Paulo escreve em II Cor.5:17: Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.



O pois, faz a ponte com a seção anterior e indica a continuidade do pensamento.

O crente tem de deixar. O grego indica: despojar-se, rejeitar, ou melhor, deixar de lado. É a figura de “despir roupas sujas, livrar-se de algo”. A ideia de Pedro é que o crente tem que lidar concretamente e tomar uma atitude em relação ao pecado livrando-se, afastando-se. E a seguir dá como que uma lista do que deve ser deixado de lado, uma lista de cinco vícios.



Já que somos de novo gerados, nascidos de novo, como poderíamos viver naqueles vícios que tipificam a vida antiga? Esta breve lista será depois aumentada a partir de 2:11ss.



   Analisemos a lista dos vícios, as coisas que têm de ser eliminadas da vida do crente em Jesus.



1.- Toda a Malícia - A primeira coisa a ser eliminada é toda a malícia. Observem a palavra toda. É mesmo toda e não apenas uma parte. Indica maldade, depravação, abrange todo o mal do mundo pagão, ímpio. Deixemos a maldade, livremos o nosso coração e as nossas vidas da malícia.



2.- Todo o Engano - A segunda coisa que tem que ser banida do crente que nasceu de novo é todo o engano. No grego é “dolo, ludíbrio, traições”. Engano é falsificar, é o espírito traiçoeiro que não hesita em usar de meios maus para obter vantagens. É astúcia, esperteza negativa e destrutiva. Jesus elogiou Natanael porque nele não havia dolo, engano: Eis aqui um verdadeiro israelita em quem não há dolo (João 1:47). Já o nosso Senhor Jesus é o nosso maior e grande exemplo a este nível: O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano (I Ped.2:22).

Os próximos vícios pecaminosos a serem deixados pelo novo crente estão no plural.



3.- Fingimentos - Significa hipocrisias. É querer parecer o que não é. É ser um ator na vida, um mentiroso. São atitudes insinceras como as máscaras com que as pessoas fingidas e desonestas se apresentam umas às outras. Foi a maior acusação de Jesus aos fariseus. Vejam o que Deus nos diz: Abominação ao SENHIR são os perversos de coração, mas os de caminho sincero são o seu deleite. (Prov.11:20). Job podia dizer de si mesmo: (Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade. (Job 31:6). Não haja fingimentos em nós.



4.- Invejas - Fala também de ciúme e é descrita como uma das obras da carne de Gálatas 5:21. É querer ter o que o outro tem, ou invejar o que o outro é. É cobiça. Isto não é característico de um cristão. O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, benignidade, mansidão, temperança. Gálatas 5:26 diz: “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros”. Tiago 3:15 diz: “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica”. Ter inveja mostra que não estamos satisfeitos com o que Deus nos tem dado. Deixemos, livremo-nos das invejas.



5.- Todas as Murmurações - São maledicências, difamação, calúnia, falatório da vida alheia, geralmente fruto das invejas. Pedro ataca agora os pecados da língua, mas com um significando mais pesado, deixando implícito que se está a falar mal dos outros. É um pecado que puxa muito.

Vejam que em todos estes pecados estão em vista as relações sociais e humanas.



Depois de exortar ao abandono destes vícios, vem agora a preocupação com o novo que deve ocupar o lugar daquilo que foi abandonado na vida do novo crente.



II. O que devemos desejar – v.2 - Primeiramente, Pedro introduz uma figura que vai usar para nos ajudar a compreender melhor o que acontece com os crentes que nasceram de novo, que foram regenerados pela Palavra. Já viram um bebé a mamar ao peito da sua mãe? O bebé alimenta-se do seu leite como se a sua vida dependesse do mesmo; e é verdade.



Tendo nascido de novo, os crentes são como meninos novamente nascidos. Como os bebés anseiam pelo leite materno, assim os renascidos espiritualmente devem desejar com ardor, afetuosamente, o leite racional. Vejam a intensidade. Vejam o objeto do desejo ardente, o leite.  



Pedro não está a dizer aqui que aqueles crentes eram crentes recentes e que ainda era bebés espirituais. O que ele quer salientar é que, sem importar o seu estado espiritual presente, nem o tempo que já conhecem a Jesus, todos precisamos de crescer espiritualmente. E isso é feito como? Pela Palavra de Deus. É preciso anelar, é necessário ter sempre um desejo afetuoso pela Palavra de Deus para crescer, tal como uma criança recém-nascida anseia pelo leite da sua mãe.



O leite é aqui uma figura da Palavra de Deus, tema dos vs. anteriores, 1:23-25. O leite é usado como sinónimo de todo o alimento espiritual do qual todos os cristãos se devem alimentar até ao fim das suas vidas. Em I Tes. 2:7, Paulo interpreta o seu trabalho jutos dos tessalonicenses na figura de uma ama que amamenta os seus filhos.



Mas há aqui dois importantes adjetivos que caracterizam este leite: é racional, ou espiritual. Também é não falsificado, ou genuíno, puro, isento de mentira, o contrário de engano do v.1.



Temos um desejo intenso pela Palavra de Deus? Alimentamo-nos dela diariamente?

Esta atitude constante levará a um objetivo concreto: para que...

Reparem a sequência lógica do pensamento de Pedro: Deixando… Desejai… para que…



…por ele, pelo leite espiritual  da Palavra vades crescendo.  O alvo de todo o crente é a maturidade, o crescimento espiritual. Pedro considera que todos os crentes, quer recentes quer mais antigos, fortes ou fracos, a precisarem urgente e constantemente do leite da Palavra de Deus.



Nenhum crente alguma vez ficará tão avançado e forte em termos espirituais, que não precise mais do leite racional. Ninguém jamais atinge uma tão elevada espiritualidade que não possa ser como um mero bebé a desejar afectuosamente a Palavra de Deus para continuar a crescer até à maturidade. É a Palavra que nos alimenta, nutre a nossa alma, nos conforta, nos anima, nos dá esperança continuada e confiança no nosso Senhor e Salvador.



No v.3, por fim, a concluir a ideia iniciada no v.1, Pedro afirma que é o Senhor a verdadeira fonte do alimento espiritual: Se é que já provastes que o Senhor é bom.

O pano de fundo é o Salmo 34:8: Provai e vede que o SENHOR é bom.

O que Pedro está a fazer é a lembrar aqueles crentes que estas palavras se aplicam a eles: “Já tendes a experiência de que o Senhor é bom”.



Esta é uma verdade, uma certeza que atravessa toda a Bíblia. A maior prova da bondade de Deus teve o seu ápice na vinda ao mundo do Seu Filho. Esta suprema bondade mostrou-se real quando Jesus agiu indo à cruz em sacrifício de redenção pelos ímpios pecadores perdidos e condenados. A cruz mostrou as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para connosco, em Cristo Jesus. (Efés.2:7).



Anteriormente, o leite é a Palavra. Agora, é o próprio Senhor. O que Pedro quer resumir e ensinar profundamente aqui é que Quem está aqui em foco é o Senhor Jesus Cristo. Assim como um bebé recém-nascido fica muito satisfeito com o leite materno, desejando-o afectuosamente, assim também o filho de Deus já provou, anela pela nutrição espiritual que encontra em Jesus, buscando-O ferverosamente.



Conclusão - Pedro continua a ensinar-nos das implicações de se ser um crente nascido de novo pela fé em Jesus, regenerado pela Palavra de Deus: Santidade de vida, deixar as coisas da velha vida (v.1); Desejar a Palavra de Deus para crescer (v.2) sabendo que o Senhor é bom.


Rui Simão, pastor
                      Moreira, 22 de Abril de 2018 (17h) 

quarta-feira, 27 de junho de 2018



Oferecer Sacrifícios Espirituais agradáveis a Deus

Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

I Pedro 2:5

Introdução

           Este trecho do cap. 2 de Pedro está cheio de bom ensino bíblico. O apóstolo revelou para aqueles irmãos verdades importantíssimas que o Evangelho de Jesus nos trouxe. Jesus, o Salvador, o Messias, é a pedra viva  que trouxe uma nova realidade, Boas Novas. Agora, aquele que crê nesta pedra viva, Jesus, torna-se filho de Deus e casa de habitação, templo do próprio Deus. Deus faz morada no crente, somos o templo de Deus. Deus não habita em templos feitos pela mão dos homens, mas o crente é casa espiritual de Deus. Com a vinda de Cristo, acabou a ida ao templo para oferecer sacrifícios a Deus por meio dos sacerdotes. Agora, os crentes são eles mesmos sacerdócio santo, são pedras vivas a quem Deus pede que ofereçam sacrifícios espirituais agradáveis a Ele.

 
           Queria que meditássemos sobre quais são os sacrifícios espirituais que são agradáveis a Deus. E vamos ver isso no primeiro culto, nas primeiras ofertas ao Senhor Deus que a Bíblia regista. É a famosa história dos dois primeiros filhos de Adão e Eva, Caim e Abel, que se encontra em Génesis 4:1-16.
 

I. As ofertas de Caim e de Abel 

         No relato bíblico, vemos que os dois irmãos tinham um relacionamento com Deus. Receberam isto dos seus pais, Adão e Eva, já depois da Queda, já depois do pecado ter entrado no mundo pela desobediência do casal ao mandamento do Senhor.

Caim e Abel acreditavam em Deus e cultuavam a Deus, mas as suas atitudes eram muito diferentes nesta área espiritual. Tinham visões diferentes de Deus e de prestar culto a Deus.

Tal e qual nos nossos dias. Crentes acreditam em Deus mas nem todos têm uma mesma comunhão e uma igual entrega a Deus que agrada ao Senhor. O Senhor Jesus falou nisto na parábola do semeador, dizendo que uns produzirão fruto a 30, outros a 60 e outros a 100.
 

Vamos descobrir que o primeiro assassinato na Bíblia ocorreu num culto, numa reunião religiosa. O famoso e premiado escritor José Saramago mostrou a sua revolta contra Deus por causa desta história. Mas as Escrituras inspiradas pelo próprio Deus apresentam o texto com a mais perfeita naturalidade e realidade. Lemos nas Escrituras que os dois irmãos vão apresentar as suas ofertas a Deus. Hebreus 11 revela que se tratou de sacrifício. E no que consistiu?
 

1. Caim – Caim era lavrador da terra e trouxe, ofereceu a Deus do fruto da terra. Abel era pastor de ovelhas e trouxe dos primogénitos das suas ovelhas e da sua gordura.
 

Nos vs.4 e 5 temos a resposta de Deus a estas ofertas ao Senhor: …e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou.

 
A pergunta é: Porque é que Deus Se agradou de uma oferta e não da outra?
 

Nada na Bíblia diz que Deus prefere mais um culto com sacrifício de animais. Na Lei que Deus deu havia ofertas de cereais, ou manjares. Havia celebrações anuais em Israel com as festas das colheiras e dos primeiros frutos, as primícias.
 

    Precisamos de olhar melhor o texto bíblico (vs.3-5). Lemos simplesmente que Caim trouxe do fruto da terra. Ou seja, Deus foi tratado por Caim como um qualquer. Não há nenhum esforço, não escolheu a melhor fruta, ou a primeira. Simplesmente trouxe do que tinha à sua frente.
 

A maneira como Deus é tratado depende do nosso conhecimento d’Ele, qual a visão que temos d’Ele. 
Esse é o sério aviso e o lamento de Deus através do profeta Oséas: O meu povo foi destruído, porque lhe faltou conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei… 4:6)

Para Caim, Deus não merece nada especial e trata o Senhor como uma pessoa comum. E Deus lê e conhece os corações. Para Caim, Deus não merece prioridade. Qualquer coisa serve.  Caim dá o mínimo para Deus. É o reflexo do desinteresse do conhecimento de Deus, do afastamento de Deus. E Deus rejeita esta oferta, este culto de Caim. 
 

Leva o seu irmão para o campo e num sentimento perverso vai matá-lo. Não vemos arrependimento nenhum em Caim.
 
2. Abel – Já o caso de Abel é diferente. Hebreus 11:4 marca a grande diferença entre os irmãos. Diz que pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim…

Em que consistiu essa fé? Hebreus explica o que é a fé e que apenas pela fé que podemos ser aceites e agradáveis a Deus: Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. ... Ora, sem fé é impossível agradar-lhe…

 
Abel procurou conhecer Deus e saber em que é que Deus teria maior agrado e maior prazer. E a sua oferta é o reflexo disso mesmo. Abel trouxe dos primogénitos das suas ovelhas (primeiras crias) e da sua gordura.

O que é que Abel faz? Ele separa o melhor do rebanho. Abel olhou para Deus e quis prestar-Lhe um culto tratando Deus como alguém especial, que merece o melhor. O que ele fez mostra qual era o relacionamento que tinha com Deus. Abel buscava ao Senhor e queria o melhor para Deus. Hebreus confirma que por meio do sacrifício das suas ovelhas alcançou testemunho de que era justo. E é o próprio Deus que dá testemunho dos seus dons.

Passaram os séculos e aquele culto ficou para a história e continua a ser um incentivo para o povo de Deus. A fé de Abel ainda fala hoje: depois de morto, ainda fala.
 

Concluímos, pois, que o sacrifício agradável a Deus é aquele que é feito pela fé, que é o resultado de buscar conhecer Quem Deus é, no que é que Deus Se agrada e tratar Deus como alguém Único e Especial, que merece o nosso melhor. Foi o caso de Abel

Conclusão

            De acordo com Romanos 12:1, o sacrifício agradável a Deus é a entrega da nossa própria vida ao Senhor Deus. Tudo feito por Jesus Cristo.  

segunda-feira, 28 de maio de 2018



Quanto Custa ser um Cristão?

“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?” (Lucas 14:25-30) (v.28)

 
          Este versículo é de grande importância. Poucas são as pessoas que não fazem esta pergunta com frequência: Quanto custa? Ao comprar um terreno, ao construir e mobilar uma casa, ao fazermos planos para o futuro, ao decidirmos sobre a educação dos nossos filhos, sobre namoro e casamento, etc..
Seria sábio e prudente se nos sentássemos a considerar com calma os gastos que tudo isto implicaria.

Quanto à vida cristã, as pessoas evitariam muitos dissabores e desilusões se ao menos fizessem a pergunta: Quanto custa ser um crente verdadeiramente santo?

Estas perguntas são decisivas. Por um lado, por não as terem formulado desde o princípio, muitas pessoas que pareciam ter iniciado uma carreira cristã, mais tarde mudaram o seu rumo e perderam-se para sempre no inferno. É muito comum ver como muitas pessoas recebem a Palavra com alegria. Porém, depois de algum tempo, afastam-se e voltam aos seus pecados: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." (I João 2:19)
Por outro lado, há muitos que não consideram o custo de ser um verdadeiro cristão, bíblico, um crente santo. Os nossos tempos requerem de um modo muito especial que paremos e consideremos o custo e o estado especial das nossas almas.

Este tema deve preocupar-nos. Sem dúvida, o caminho da vida eterna é um caminho delicioso. Porém, não é sábio da nossa parte fecharmos os olhos ao facto de que se trata de um caminho estreito e que a cruz vem antes da coroa. Ler Mc.8:34-38.

I.  Quanto custa ser um verdadeiro cristão?

A. O custo para Deus
Em primeiro lugar, o maior custo para sermos crentes é o de Deus. É um custo único e incalculável. Custou a vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo, do céu à terra a fim de dar, de entregar a Sua vida em sacrifício numa cruz.

Para sermos cristãos, salvos, custou nada menos que a crucificação de Jesus para salvar a nossa alma. Cristo levou sobre Si mesmo a culpa do nosso pecado. Deus lançou sobre Cristo o pecado de todo o mundo e Jesus pagou-o com a Sua morte, substituindo-nos, morrendo por nós: Porque fostes comprados por bom preço (I Cor.6:20); E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que por muitos é derramado (Mar.14:24); "...mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos." (Isaías 53:6)

B. O custo para o Crente
O custo maior foi para Deus. Mas, o que o homem tem que estar disposto a abandonar? “Quanto custa?”. O que é que a Deus exige do crente?

           Não custa grande coisa ser um cristão de aparência. Só requer que a pessoa assista aos cultos do domingo e, durante a semana, seja medianamente moralista. Este é o “cristianismo” da grande parte dos que se dizem crentes na nossa época. Mas, Jesus avisou sobre o caminho da vida eterna: Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem (Mat.7:14).


         Segundo a Palavra de Deus, custa caro ser cristão bíblico, santo, separado do mundo.  A conversão não consiste numa confortável decisão tomada por uma pessoa, num confortável sofá, para logo em seguida ser levado suavemente ao céu. A conversão marca o início de um caminho maravilhoso com Jesus, mas, segui-Lo exige que calculemos o seu custo. Vejamos, uma por uma, algumas coisas que custam sermos cristãos segundo a Palavra de Deus.


1) Custará a sua Justiça Própria
      Deverá abandonar o orgulho e a auto-estima da sua própria bondade. Deverá contentar-se em ir para o céu como um pobre pecador, salvo pela gratuita graça de Deus e pelos méritos e justiça de outro, Jesus. Deverá aceitar que estava perdido, desgarrado como uma ovelha, longe de Deus e condenado. Quanto à salvação, deverá aceitar que isto não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie (Ef.2:8-9). Deve confiar absoluta e unicamente em Jesus, e negar o seu orgulho. As obras nada contam para salvar.


2) Custará os seus pecados
Deverá abandonar todo o hábito,  toda a prática, todo o estilo de vida, toda a forma de pensar que sejam maus aos olhos de Deus. Deve virar o seu rosto contra o pecado, romper com o pecado, crucificar o pecado, mesmo contra a opinião do mundo. Não pode estabelecer nenhuma trégua especial com nenhum pecado que amava antes de ter sido feito um filho de Deus pela fé em Jesus Cristo, a conversão. Deve considerar todos os pecados como inimigos mortais da sua alma e odiar todo o caminho de falsidade.
Por pequenos ou grandes, ocultos ou manifestos que sejam os pecados, deve renunciar completamente a todos eles. Sem dúvida, estes pecados tentarão vencê-lo, porém jamais poderá ceder. A sua luta contra o pecado será contínua e não admitirá trégua de nenhum tipo. Está escrito: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e um espírito novo...(Ez.18:31).

3) Custará o seu amor à vida fácil
Para correr com êxito a corrida ao céu, requer-se esforço e sacrifício. Haverás de velar diariamente e estar alerta. Em cada hora e em cada instante deverás vigiar a tua conduta, as tuas companhias e os lugares que frequentas. Tens que vigiar tua língua, o teu temperamento, os teus pensamentos, a tua imaginação, os teus motivos e tua conduta nas tuas relações diárias. Terás que ser diligente na leitura da Bíblia, na tua vida de oração. Romanos 12:2.

4) Custará o favor do mundo.
Se desejas agradar a Deus deves saber que serás depreciado pelo mundo. Muitos serão perseguidos e odiados, desprezados e criticados pela sua vida cristã. O Mestre Jesus disse: Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão vossa. (Jo.15:20).

Esta é apenas uma curtíssima lista do que "custará" a uma pessoa ser cristã. Devemos aceitar o facto de que não é uma lista insignificante. Nada podemos riscar dela. O crente está disposto a abandonar qualquer coisa que se levante entre a sua alma e o céu. Uma fé que não custa nada, nada vale. Um cristianismo barato - sem a cruz - cedo ou tarde se verá que é inútil.

 II) A Importância de Calcular o Custo
Por não haverem calculado o custo, muitos dos pretensos seguidores de Jesus voltaram-Lhe as costas “... e já não andavam com ele” (Jo.6:66). 
Por não haver calculado o custo, Demas abandonou a companhia de Paulo, abandonou o evangelho, deixou a Cristo e uniu-se ao mundo. “Porque Demas me desamparou, amando o presente século” , diz-nos Paulo (II Tm.4: 10). Porquê? Porque nunca chegaram a saber o que é o cristianismo da Bíblia.

 Também não se deve oferecer às pessoas um Evangelho doce e agradável, simplificando as exigências do Evangelho. Devemos mostrar a urgência da salvação, mas não oferecer um Evangelho simples e barato.
Não foi esta a maneira de proceder do nosso Senhor Jesus?
O evangelista Lucas diz-nos que, em certa ocasião, Jesus avisou: Ora, ia com ele uma grande multidão; e voltando-se, disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:25-27).
Esta doutrina de Jesus é clara quanto ao custo da vida cristã.

III) A riqueza de aceitar o custo e ser fiel
Mas, vale a pena aceitar pagar o preço de ser um cristão fiel. A pessoa que verdadeira e biblicamente tem Jesus como seu Salvador, nunca perderá a sua salvação. Jesus garante-nos isto: E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão (Jo.10:28).
 
Vale a pena perder o mundo para ganhar Cristo e a salvação eterna: Está escrito: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc.8:36). Vale a pena caminhar para o céu, porque o inferno é um lugar real onde “ o bicho que nunca morre e o fogo que nunca se apaga.


IV. Conclusão
Cada dia é dia de salvação, dia de decisão por Cristo. Só o Senhor Jesus Cristo salva, pois sacrificou-Se a Si mesmo numa cruz pagando o preço do pecador condenado, extraviado, culpado das suas transgressões às leis do Deus Supremo. Só a fé em Jesus Cristo leva à eternidade.
Que hoje possa ser dia de arrependimento e de fé no Salvador Jesus. Ele morreu, foi sepultado e ressuscitou dos mortos para salvar todo o perdido.
Muito Lhe custou a salvação da tua alma.
Mas, como o próprio Senhor Jesus alertou, que cada um considere também o custo de O seguir hoje, dia a dia, até ao fim.
Mas crê que vale a pena, porque é o único caminho que leva ao céu.
 
 Rui Simão

sexta-feira, 27 de abril de 2018



A Preciosidade de Jesus Cristo

E, chegando-vos para ele – pedra viva… eleita e preciosa… para vós, os que credes, é preciosa...  

I Pedro 2:4, 6-8

Introdução 
    A PRECIOSIDADE DE CRISTO. Os versículos que acabámos de ler atestam bem esta verdade. Acabamos de ler a comparação do Senhor a uma pedra, viva e preciosa. Para nós, crentes, Jesus é precioso. Cada pessoa salva deve poder dizer de coração e com uma convicção inabalável: “Para mim, Jesus é precioso”.

         A palavra “precioso” ocorre 11 vezes no NT. Querem transmitir-nos a ideia de algo de valor incalculável, algo que merece louvor e honra, algo ou alguém de valor inestimável. Algo ou alguém de preço incalculável, merecedor de majestade. E com razão podemos resumir tudo dizendo que Jesus é precioso.  

           No que é que o Senhor Jesus Cristo é precioso? Vamos ver isto em DOIS aspetos.
 

I. Jesus é precioso para Deus

          Deus olha para o Seu filho e vê Aquele em cuja honra Se agrada. O Pai disse isto mesmo logo no início da obra de Jesus, no rio Jordão: “Este é o meu filho amado.”

 
No v.4 lemos: chegando-vos para ele. Apresenta em resumo a atitude daquele que hoje é crente. Chegámo-nos a Jesus, crendo e confiando n’Ele como nosso Salvador para recebermos o perdão dos nossos pecados. Pensemos em tudo o que precisou acontecer para que o homem pudesse efetivamente aproximar-se de Deus e somos levados à admiração. Para que esta aproximação pudesse acontecer, Deus expôs o Seu próprio Filho a morrer vergonhosamente numa cruz. Isto foi necessário para pagar o preço do pecado da humanidade, pois o pecado punha um abismo separador entre Deus e o homem: Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus… (Is.59:2).
 

Mas Jesus fez a paz com Deus por meio da Sua morte na cruz e agora o homem tem livre acesso a Deus (Rm.5:1-2). E o próprio Deus proclama o convite: Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas… sim, vinde… inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim, e a vossa alma viverá… (Is.55:1-3). Este mesmo convite foi estendido por Jesus a todos: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos… (Mat.11:28). O convite é repetido a todos: E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. (Ap.22:17). Ao morrer Jesus, o véu do templo foi rasgado e a boa nova pode ser anunciada: o caminho para Deus está aberto a todos. Qualquer um pode aproximar-se do Salvador.
 

Todos precisam de chegar-se a Jesus, pois ele é a pedra viva, eleita e preciosa. Ele não nos lançou fora, mas recebe-nos. Quando pensamos em pedras pensamos em algo morto, sem vida. Mas Jesus é a pedra viva, pois morreu e ressuscitou de entre os mortos. A Sua ressurreição é a força da nossa fé e da nossa mensagem: Jesus é o Deus vivo e presente.
 

Este Senhor vivo, numa ou noutra altura fará parte da vida de cada homem. Porquê? Porque diante de Jesus, todos têm que tomar uma posição. Como duas linhas paralelas, é-nos dito agora como esta Pedra, Jesus, é considerada e avaliada, primeiramente da parte dos homens e depois da parte de Deus.
 

II. Jesus avaliado pelos homens – Por parte dos homens, Jesus, a Pedra, foi rejeitado: …reprovada, na verdade, pelos homens…

O grego indica uma rejeição efetiva, depois de uma avaliação. Os homens olharam para o Senhor Jesus, analisando as Suas palavras e atitudes e, depois, reprovaram-No. Jesus não serve para eles. Não havia lugar para Ele sequer nascer. Rejeitaram-No em Jerusalém crucificando-O fora da cidade. Não havia lugar para Jesus nas suas vidas e projetos. Preferem edificar as suas vidas nas tradições e erros humanos. Jesus, a pedra viva, rejeitada pelos homens.

Lembrando-nos as palavras de Isaías 53:3 - Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Ou como João diz em Jo.1:11 – Veio para o que era seu e os seus não o receberam.
 

Isto é o que diz o v.4. Mas vejam o v.7 que diz …a pedra que os edificadores reprovaram… No v.4 vemos o povo em geral. No v.7, Jesus foi rejeitado pelos líderes, pelos escribas, sacerdotes, fariseus, que tinham a responsabilidade de ensinar as Escrituras, rejeitaram o Messias, Jesus, o Salvador.

Os homens continuam a não achar que Jesus é essa pedra fundamental em cima da qual se constrói uma vida. Seguramente, este é o maior erro de avaliação que alguém pode cometer em toda a sua vida. Mas, enquanto os homens olharam desta maneira para Jesus, Deus não.
 

III. Jesus avaliado por Deus - …mas para com Deus, eleita e preciosa – Deus enviou ao mundo o Único que podia salvar o homem da condenação. O Único que podia realizar os propósitos de Deus. Não havia outro na vasta criação idóneo para efetuar a nossa redenção. Não havia outro em todo o universo capaz de satisfazer as exigências da justiça de Deus. Só Jesus, eleito e precioso. Precioso aos olhos do Pai e terá que ser precioso aos nossos olhos também.

      Por isso, Deus apresenta o Seu Salvador ao mundo: Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios. (Is.42:1). E o mundo tem que crer, confiar totalmente no Salvador apresentado com alegria por Deus: Eis aqui o meu servo, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma.

Tantas coisas maravilhosas na Bíblia mostram e expressam o prazer que Deus tem no Seu Filho. Ele é precioso para o Seu Pai, escolhido. Em Jesus, nós somos eleitos. Cristo é o eleito de Deus, e nós somos eleitos nele.
 

Pensemos na preciosidade de Jesus. Olhando para Aquele bebé na manjedoura em Belém de Quem os anjos cantaram: Hoje vos nasceu o Salvador. O Eterno, o Soberano, ei-Lo entre palhas, mas precioso aos olhos do Seu Pai. Depois, desprezado pelos homens, o mais indigno entre os homens, mas era tão precioso ao Pai. Numa terra seca, onde havia apenas morte, apareceu a vida, Jesus, eleito e precioso.

Na cruz ouvimos o escárnio, a zombaria, a gritaria das multidões contra Jesus. Vieram as trevas que silenciaram as vozes dos pecadores e ouviu-se a voz forte d’Aquele que sempre deu prazer ao Pai: Está consumado…Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. Tão precioso para Deus, pois deu a Sua vida pelos pecadores a fim de os remir para a eternidade no céu.
 

Provavelmente, a coisa mais valiosa para qualquer pessoa é a sua própria vida. Lembrem-se o que Satanás disse a Deus sobre Job: pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. (Jb.2:4). Não é o que vemos quando o assaltante aponta uma arma e a pessoa dá-lhe tudo para salvar a sua vida?
 

Mas Jesus deu a Sua vida por nós. Por isso Ele é precioso. Não pensemos no Senhor Jesus como sendo a vítima do calvário, como se Ele fosse obrigado a fazer aquilo, como se estive a sofrer o que era inevitável. Ele mesmo disse: Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida… ninguém ma tira de mim, mas eu, de mim mesmo, a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. (Jo.10:17-18). Jesus deu a Sua vida pelas ovelhas. Temos que reconhecer o Seu amor e porque amou deu a Sua vida.
 

Por isso, como Cristo deve ser precioso para nós. Ele resgatou-nos com o seu precioso sangue (1:19). Jesus é precioso: E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. (I João 3:5). Vejam, chamo a vossa atenção para a forma verbal. Não diz “ não havia, não tinha”, mas sim não há pecado. Jesus nunca pecou, nunca ofendeu o Seu Pai, Ele é precioso. Quanto mais meditamos em Jesus, mais precioso fica.
 

IV. Como deve este Jesus precioso afetar a nossa vida? Que implicações tem em nós? Se realmente Jesus é precioso, fará alguma diferença para nós? Pensemos apenas em duas coisas.
 

Primeiro, a nossa vida e dois exemplos em contraste.

1. Como NÃO deve afetar-nos – Quase no fim da Sua vida, Jesus falou com Pedro e disse-lhe: não podes agora seguir-me. Mas Pedro, num momento de emoção, disse a Jesus: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida. Mas Jesus disse-lhe que O iria negar em poucas horas. (João 13:36-38). Quantas vezes é assim connosco também? Numa hora dizemos que O amamos, que a nossa vida é d’Ele, que faremos tudo, faremos tudo para Jesus e para a igreja. Mas no dia seguinte tudo esfria e volta ao normal. Sejamos fiéis sempre, libertos das emoções, tendo Jesus como precioso.
 

2. Como deve Jesus afetar-nos – Pensemos no caso de Paulo em Atos 20:24: Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. Mais tarde, ouvimos este mesmo Paulo dizer: Acabei a carreira, guardei a fé.

A preciosidade de Cristo levou Paulo a entregar-lhe a sua própria vida.
 
Conclusão
              Debaixo de emoções é fácil. Mas Jesus tem que ser sempre precioso nas nossas vidas. Ele é o eleito de Deus para ser o nosso Salvador. Jesus é a pedra viva, fundamental nas nossas vidas. Os homens rejeitam, reprovam Jesus. Mas para nós Ele é precioso, nos momentos de ânimo, nos momentos de sucesso, mas também nos momentos de aparente derrota e de dificuldades. Tudo isso, por causa da preciosidade de Jesus nas nossas vidas.

Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia