quinta-feira, 23 de agosto de 2018



O Único Fundamento é Cristo

 Primeira Epístola Universal de Pedro


Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa… a pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi a principal da esquina.

I Pedro 2:6-7

Introdução  

            Pedro está a escrever àquelas igrejas que vivam no meio de grande paganismo e idolatria, com enormes templos e lugares de adoração aos inúmeros deuses gregos e romanos. Quer animá-los e, sobretudo, fortalecê-los com o ensino sobre Qual é e Quem é o verdadeiro alicerce, fundamento da nossa fé: Jesus Cristo é a pedra principal da esquina, O ÚNICO FUNDAMENTO da nossa fé. Este fundamento, Jesus, é o eleito por Deus, e é precioso. O mundo rejeita-O, troca-O por outro fundamento, mas tal conduz ao erro e à perdição. De facto, apenas quem crer em Jesus, a pedra principal, o fundamento, não será confundido. O resto é falso.

            Não apenas o próprio Deus o afirma através de Pedro, mas também através de Paulo em I Coríntios 3:11: Porque ninguém, vejam bem, ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.

            Eles e nós não podemos esquecer isto: O fundamento teológico sobre o qual construímos a nossa fé. Na nossa caminhada cristã temos que trazer de novo à memória, periodicamente, as verdades bíblicas sobre as quais assenta a nossa fé.

            É o que agora vai ser lembrado àqueles crentes.



I. O único fundamento é Cristo 

          Irmãos, nós cremos que Jesus é o nosso único fundamento. Só por Ele somos salvos. Mas porquê? Por que é que Jesus é a pedra angular, a pedra de esquina?

O diabo é anti Deus, mentiroso, odeia Jesus, é inimigo da verdade e combate a fé. Por isso, nós estamos rodeados de religiões e de grupos religiosos que, ou negam a divindade de Jesus ou negam Jesus como único e suficiente Salvador, como único fundamento da fé. Ou então, além disto, vão desprezar Jesus em tudo, vão acrescentar algo ao que Jesus é e fez.

Se queremos saber se alguma teologia é verdadeira ou falsa, é fácil. Até podem ter uma aparência fantástica, de evangelho, carregam a Bíblia debaixo do braço, etc. Pergunte o que acham sobre Jesus: “Para si quem é Jesus? “Mediante a resposta, por mais que se pareça com a verdade, se negam a divindade de Jesus, negam Jesus como fundamento. Dividem o fundamento dizendo que é Jesus e mais alguém, mais Maria, mais obras, isto aqui também faz parte, também ajuda à salvação, então negam o único fundamento e é falsidade.

De facto, apenas Jesus nos permite aferir da verdade baseada nas Escrituras.



Posso dar apenas alguns exemplos que nos são mais conhecidos que nos ajudam a fortalecer a nossa fé e confiança em Jesus como único fundamento, a pedra principal da fé.



1. Mórmons – Grupo com milhões de seguidores em todo o mundo, considera que Jesus nada mais é do que o irmão mais velho da humanidade, o primeiro que foi criado por Deus, mas que não é Deus nem o único Salvador. Para eles, mais importante do que a Bíblia, é o Livro do Mórmon. Têm outros fundamentos, os seus profetas, mas não é Jesus nem a Sua expiação na cruz. Para eles, Jesus é um tropeço, não a pedra de esquina, o fundamento da fé.



2. Espiritismo de Allan Kardec – Para este grupo, a pessoa alcançará a eternidade com Deus através de sucessivas reencarnações: morre o corpo, o espírito renasce noutra existência, e assim por diante com sucessivas existências, reencarnações ao longo de milhares de anos e que levam ao aperfeiçoamento. Dizem que é pela reencarnação que a pessoa vai sendo expiada das suas imperfeições e sendo aperfeiçoada. Jesus Cristo e a Sua obra redentora na cruz não é o seu fundamento.

Para eles, Jesus é um tropeço, não a pedra de esquina, o fundamento da fé.



3. Testemunhas de Jeová

            Este grupo é amplamente conhecido em todo o mundo. Têm aparência de cristianismo, mas seguem um evangelho que eles próprios criaram pela sua particular interpretação da Bíblia. São fiéis à Torre de Vigia cujo Corpo Governante, considerado por eles como os profetas atuais, recebe revelação de Deus e as suas revistas e publicações são os seus verdadeiros guias e principais fundamentos.

            Para este grupo, quem está fora da direção da Torre de Vigia não tem salvação. Jesus não é Deus, mas um deus, foi o primeiro ser que Deus criou. Negam claramente a divindade de Jesus, por isso, negam o verdadeiro fundamento bíblico. Têm uma tradução bíblica só deles.

Para eles, Jesus é um tropeço, não a pedra de esquina, o fundamento da fé.


4. Catolicismo

            Este é o maior grupo cristão no mundo inteiro. Poderão estar a pensar: “Calma, a igreja católica até crê que Jesus é o Salvador!” Mas temos que ver como é que eles tratam Jesus. Se Jesus não é o único Salvador, é heresia. Se dividem o fundamento que é Jesus, que a salvação é pela fé mais as obras da pessoa, já é fugir da Bíblia. O líder da igreja é o papa, não é Jesus. Fazem uma interpretação completamente errada de Mateus 16:13-18. Vou ler e atentar bem nas palavras de Jesus quando responde: … tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. (v.18) Jesus faz um trocadilho nas palavras no grego: “Tu és Petros (substantivo masculino) que indica pequenos fragmentos de pedra, pedrinhas, e sobre esta Petra (substantivo feminino, grande bloco rochoso, rocha sólida) distinto de Petros, sobre esta declaração (tu és os Cristo, o Filho do Deus vivo) edificarei a minha igreja.

Jesus está a dizer: “Sobre mim, a Pedra, o fundamento sólido, edificarei a minha igreja.”

            E como a Bíblia se explica a si mesma, como a Bíblia se interpreta a ela mesma, dentro de si mesma, a explicação para esta afirmação de Jesus sobre qual é o fundamento da igreja, vamos para I Pedro 2:6. Jesus é a principal pedra da esquina e quem nele crer não será confundido. Paulo diz o mesmo em I Cor.3:11 e em Efésios 2:20: Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.

            Portanto, o ensino católico de que a igreja foi assente em Pedro, o primeiro papa, é um desvio do único fundamento que é Jesus Cristo.



            Jesus é o único fundamento da nossa fé. Vamos ver alguns motivos



II. Porque é que Jesus é o Único Fundamento da nossa fé? Porquê? Porque não o dividimos com mais nada nem ninguém?



1. Jesus é Deus – I João 5:20 - E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.


            E Jesus é Deus apenas por esta declaração? Não! Para ser Deus, tem que possuir 4 atributos exclusivos da divindade. Quais são? A Eternidade (não deve a Sua existência a ninguém), a Omnipotência (possui todo o poder), a Omnisciência (possui todo o conhecimento) e a Omnipresença (está em todo o lugar simultaneamente)

a) Eternidade - Em João 8:58, Jesus escandalizou os judeus quando disse: Antes que Abraão existisse, eu sou. Jesus é eterno, não deve a Sua existência a ninguém.

b) Omnipotência - Em Mateus 2818, Jesus disse: É-me dado todo o poder, no céu e na terra.

c) Omnisciência – Hebreus 7:25 diz: …vivendo sempre para interceder por eles. Jesus sabe de tudo o que acontece connosco. Sabe do que precisamos, conhece as nossas lutas. Tranquilizemos as nossas almas, pois Jesus sabe de tudo, intercede junto do Pai por nós.

d) Omnipresença – Jesus disse em Mateus 28:20: Eis que estou convosco até à consumação dos séculos. Jesus está aqui, está em África, está na Ásia, na Austrália, está em todo o lugar.



2. Jesus ressuscitou de entre os mortos - Jesus está na glória celestial, sentado à direita do Pai, dirigindo todo o Universo cheio de poder e majestade. Ele não está morto, venceu o diabo. Por isso, é o fundamento da nossa fé.



3. Jesus é perfeito, nunca pecou quando esteve em carne – Hebreus 4:15 afirma que Jesus, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Por isso, é o fundamento da nossa fé. Só Jesus tem o Nome Salvador: E em nenhum outro há salvação, porque também, debaixo do céu, nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. (At.4:12).

            I Timóteo 2:5 diz que há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem. É só Jesus. Não pode ser trocado por nada nem por ninguém.

            Em João 6:68-69, Pedro disse a Jesus: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

      

Conclusão - As pessoas têm que ser muito cuidadosas em termos espirituais, bíblicos. Onde, sobre o quê e sobre Quem, Quem está a edificar a sua vida? Hoje, vemos fora e dentro do meio evangélico, a serem lançados diversos fundamentos, como cada um quer, e mesmo sem Cristo. Só existe um fundamento sobre o qual se pode erigir o edifício espiritual. Vejam bem em I Cor.3:10 que Paulo adverte: Veja cada um como edifica sobre ele. No v.11 confirma que o fundamento da fé verdadeira já está posto. Foi Deus que O pôs, não há outro e ninguém pode pôr outro. É Jesus Cristo, o fundamento da nossa fé.

 Rui Simão, pastor

                    Moreira, 22 de Julho de 2018 (17h)  

terça-feira, 31 de julho de 2018



O que deixar e o que desejar

Primeira Epístola Universal de Pedro

O Crescimento na Palavra

Deixando, pois, toda a malícia… Desejai… para que… vades crescendo.

I Pedro 2:1-3

Introdução

            Entramos agora na terceira parte da terceira seção de I Pedro que vai de 1:12-2:10.

              O Apóstolo Pedro continua a mostrar àqueles grupos de cristãos o que implica o seu novo estatuto, o resultado da sua fé em Jesus: crescer espiritualmente na Palavra do Senhor.



            O que exige de nós a nossa salvação? A resposta começou a ser dada já nos vs.15 e 16: Santidade de vida. Não é opcional, faz parte da nossa salvação. Somos filhos de um Deus Santo, recebemos uma nova natureza quando o Senhor nos fez filhos d’Ele pela nossa fé em Jesus. Por isso, outro resultado da nossa fé no Salvador Jesus é o novo nascimento, nascemos de novo pela palavra de Deus (v.23). É precisamente debaixo desta verdade, deste pensamento do novo nascimento que Pedro prossegue agora a sua exortação e que vem a seguir.



            Qual é o nome que se dá a alguém que nasce hoje? É um bebé.

              Ora, esta é a figura do cristão. Os cristãos, nascidos de novo, são agora como bebés, como meninos novamente nascidos. Precisam de se desenvolver e de crescer. E o alimento para tal é a Palavra de Deus, é a própria Palavra pela qual foram gerados.

              Esta nova vida que o crente tem é vivida no mundo, com as pressões e as lutas diárias até que o Senhor Jesus venha ou nos chame para Ele.

       

        O cristão nascido de novo vive numa contante luta entre o velho homem e o novo. O novo luta por impor-se e crescer. O velho é constantemente realimentado pelo mundo ao redor e pelas paixões interiores até que sejam totalmente transformadas pelo Espírito santo que habita nele e o santifica.

                                        

              Como é que isto se processa na vida do crente, essa pessoa que creu em Jesus Cristo, essa pessoa que se arrependeu do seu pecado e que nasceu de novo? É uma ação em duas direções: despojar-se do antigo e alimentar o novo. Vamos ver o que Pedro diz sobre os aspetos práticos e da nova vida que cumpre viver aquele que nasceu de novo.



I. O que temos de DEIXAR – “Deixando, pois…”  - v.1 -Não podemos iludir-nos. Ser crente não é uma brincadeira. É a maior decisão da vida de uma pessoa. É uma decisão com implicações eternas e imediatas. Ser crente implica mudanças. Sempre devemos recordar o que Paulo escreve em II Cor.5:17: Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.



O pois, faz a ponte com a seção anterior e indica a continuidade do pensamento.

O crente tem de deixar. O grego indica: despojar-se, rejeitar, ou melhor, deixar de lado. É a figura de “despir roupas sujas, livrar-se de algo”. A ideia de Pedro é que o crente tem que lidar concretamente e tomar uma atitude em relação ao pecado livrando-se, afastando-se. E a seguir dá como que uma lista do que deve ser deixado de lado, uma lista de cinco vícios.



Já que somos de novo gerados, nascidos de novo, como poderíamos viver naqueles vícios que tipificam a vida antiga? Esta breve lista será depois aumentada a partir de 2:11ss.



   Analisemos a lista dos vícios, as coisas que têm de ser eliminadas da vida do crente em Jesus.



1.- Toda a Malícia - A primeira coisa a ser eliminada é toda a malícia. Observem a palavra toda. É mesmo toda e não apenas uma parte. Indica maldade, depravação, abrange todo o mal do mundo pagão, ímpio. Deixemos a maldade, livremos o nosso coração e as nossas vidas da malícia.



2.- Todo o Engano - A segunda coisa que tem que ser banida do crente que nasceu de novo é todo o engano. No grego é “dolo, ludíbrio, traições”. Engano é falsificar, é o espírito traiçoeiro que não hesita em usar de meios maus para obter vantagens. É astúcia, esperteza negativa e destrutiva. Jesus elogiou Natanael porque nele não havia dolo, engano: Eis aqui um verdadeiro israelita em quem não há dolo (João 1:47). Já o nosso Senhor Jesus é o nosso maior e grande exemplo a este nível: O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano (I Ped.2:22).

Os próximos vícios pecaminosos a serem deixados pelo novo crente estão no plural.



3.- Fingimentos - Significa hipocrisias. É querer parecer o que não é. É ser um ator na vida, um mentiroso. São atitudes insinceras como as máscaras com que as pessoas fingidas e desonestas se apresentam umas às outras. Foi a maior acusação de Jesus aos fariseus. Vejam o que Deus nos diz: Abominação ao SENHIR são os perversos de coração, mas os de caminho sincero são o seu deleite. (Prov.11:20). Job podia dizer de si mesmo: (Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade. (Job 31:6). Não haja fingimentos em nós.



4.- Invejas - Fala também de ciúme e é descrita como uma das obras da carne de Gálatas 5:21. É querer ter o que o outro tem, ou invejar o que o outro é. É cobiça. Isto não é característico de um cristão. O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, benignidade, mansidão, temperança. Gálatas 5:26 diz: “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros”. Tiago 3:15 diz: “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica”. Ter inveja mostra que não estamos satisfeitos com o que Deus nos tem dado. Deixemos, livremo-nos das invejas.



5.- Todas as Murmurações - São maledicências, difamação, calúnia, falatório da vida alheia, geralmente fruto das invejas. Pedro ataca agora os pecados da língua, mas com um significando mais pesado, deixando implícito que se está a falar mal dos outros. É um pecado que puxa muito.

Vejam que em todos estes pecados estão em vista as relações sociais e humanas.



Depois de exortar ao abandono destes vícios, vem agora a preocupação com o novo que deve ocupar o lugar daquilo que foi abandonado na vida do novo crente.



II. O que devemos desejar – v.2 - Primeiramente, Pedro introduz uma figura que vai usar para nos ajudar a compreender melhor o que acontece com os crentes que nasceram de novo, que foram regenerados pela Palavra. Já viram um bebé a mamar ao peito da sua mãe? O bebé alimenta-se do seu leite como se a sua vida dependesse do mesmo; e é verdade.



Tendo nascido de novo, os crentes são como meninos novamente nascidos. Como os bebés anseiam pelo leite materno, assim os renascidos espiritualmente devem desejar com ardor, afetuosamente, o leite racional. Vejam a intensidade. Vejam o objeto do desejo ardente, o leite.  



Pedro não está a dizer aqui que aqueles crentes eram crentes recentes e que ainda era bebés espirituais. O que ele quer salientar é que, sem importar o seu estado espiritual presente, nem o tempo que já conhecem a Jesus, todos precisamos de crescer espiritualmente. E isso é feito como? Pela Palavra de Deus. É preciso anelar, é necessário ter sempre um desejo afetuoso pela Palavra de Deus para crescer, tal como uma criança recém-nascida anseia pelo leite da sua mãe.



O leite é aqui uma figura da Palavra de Deus, tema dos vs. anteriores, 1:23-25. O leite é usado como sinónimo de todo o alimento espiritual do qual todos os cristãos se devem alimentar até ao fim das suas vidas. Em I Tes. 2:7, Paulo interpreta o seu trabalho jutos dos tessalonicenses na figura de uma ama que amamenta os seus filhos.



Mas há aqui dois importantes adjetivos que caracterizam este leite: é racional, ou espiritual. Também é não falsificado, ou genuíno, puro, isento de mentira, o contrário de engano do v.1.



Temos um desejo intenso pela Palavra de Deus? Alimentamo-nos dela diariamente?

Esta atitude constante levará a um objetivo concreto: para que...

Reparem a sequência lógica do pensamento de Pedro: Deixando… Desejai… para que…



…por ele, pelo leite espiritual  da Palavra vades crescendo.  O alvo de todo o crente é a maturidade, o crescimento espiritual. Pedro considera que todos os crentes, quer recentes quer mais antigos, fortes ou fracos, a precisarem urgente e constantemente do leite da Palavra de Deus.



Nenhum crente alguma vez ficará tão avançado e forte em termos espirituais, que não precise mais do leite racional. Ninguém jamais atinge uma tão elevada espiritualidade que não possa ser como um mero bebé a desejar afectuosamente a Palavra de Deus para continuar a crescer até à maturidade. É a Palavra que nos alimenta, nutre a nossa alma, nos conforta, nos anima, nos dá esperança continuada e confiança no nosso Senhor e Salvador.



No v.3, por fim, a concluir a ideia iniciada no v.1, Pedro afirma que é o Senhor a verdadeira fonte do alimento espiritual: Se é que já provastes que o Senhor é bom.

O pano de fundo é o Salmo 34:8: Provai e vede que o SENHOR é bom.

O que Pedro está a fazer é a lembrar aqueles crentes que estas palavras se aplicam a eles: “Já tendes a experiência de que o Senhor é bom”.



Esta é uma verdade, uma certeza que atravessa toda a Bíblia. A maior prova da bondade de Deus teve o seu ápice na vinda ao mundo do Seu Filho. Esta suprema bondade mostrou-se real quando Jesus agiu indo à cruz em sacrifício de redenção pelos ímpios pecadores perdidos e condenados. A cruz mostrou as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para connosco, em Cristo Jesus. (Efés.2:7).



Anteriormente, o leite é a Palavra. Agora, é o próprio Senhor. O que Pedro quer resumir e ensinar profundamente aqui é que Quem está aqui em foco é o Senhor Jesus Cristo. Assim como um bebé recém-nascido fica muito satisfeito com o leite materno, desejando-o afectuosamente, assim também o filho de Deus já provou, anela pela nutrição espiritual que encontra em Jesus, buscando-O ferverosamente.



Conclusão - Pedro continua a ensinar-nos das implicações de se ser um crente nascido de novo pela fé em Jesus, regenerado pela Palavra de Deus: Santidade de vida, deixar as coisas da velha vida (v.1); Desejar a Palavra de Deus para crescer (v.2) sabendo que o Senhor é bom.


Rui Simão, pastor
                      Moreira, 22 de Abril de 2018 (17h) 

quarta-feira, 27 de junho de 2018



Oferecer Sacrifícios Espirituais agradáveis a Deus

Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

I Pedro 2:5

Introdução

           Este trecho do cap. 2 de Pedro está cheio de bom ensino bíblico. O apóstolo revelou para aqueles irmãos verdades importantíssimas que o Evangelho de Jesus nos trouxe. Jesus, o Salvador, o Messias, é a pedra viva  que trouxe uma nova realidade, Boas Novas. Agora, aquele que crê nesta pedra viva, Jesus, torna-se filho de Deus e casa de habitação, templo do próprio Deus. Deus faz morada no crente, somos o templo de Deus. Deus não habita em templos feitos pela mão dos homens, mas o crente é casa espiritual de Deus. Com a vinda de Cristo, acabou a ida ao templo para oferecer sacrifícios a Deus por meio dos sacerdotes. Agora, os crentes são eles mesmos sacerdócio santo, são pedras vivas a quem Deus pede que ofereçam sacrifícios espirituais agradáveis a Ele.

 
           Queria que meditássemos sobre quais são os sacrifícios espirituais que são agradáveis a Deus. E vamos ver isso no primeiro culto, nas primeiras ofertas ao Senhor Deus que a Bíblia regista. É a famosa história dos dois primeiros filhos de Adão e Eva, Caim e Abel, que se encontra em Génesis 4:1-16.
 

I. As ofertas de Caim e de Abel 

         No relato bíblico, vemos que os dois irmãos tinham um relacionamento com Deus. Receberam isto dos seus pais, Adão e Eva, já depois da Queda, já depois do pecado ter entrado no mundo pela desobediência do casal ao mandamento do Senhor.

Caim e Abel acreditavam em Deus e cultuavam a Deus, mas as suas atitudes eram muito diferentes nesta área espiritual. Tinham visões diferentes de Deus e de prestar culto a Deus.

Tal e qual nos nossos dias. Crentes acreditam em Deus mas nem todos têm uma mesma comunhão e uma igual entrega a Deus que agrada ao Senhor. O Senhor Jesus falou nisto na parábola do semeador, dizendo que uns produzirão fruto a 30, outros a 60 e outros a 100.
 

Vamos descobrir que o primeiro assassinato na Bíblia ocorreu num culto, numa reunião religiosa. O famoso e premiado escritor José Saramago mostrou a sua revolta contra Deus por causa desta história. Mas as Escrituras inspiradas pelo próprio Deus apresentam o texto com a mais perfeita naturalidade e realidade. Lemos nas Escrituras que os dois irmãos vão apresentar as suas ofertas a Deus. Hebreus 11 revela que se tratou de sacrifício. E no que consistiu?
 

1. Caim – Caim era lavrador da terra e trouxe, ofereceu a Deus do fruto da terra. Abel era pastor de ovelhas e trouxe dos primogénitos das suas ovelhas e da sua gordura.
 

Nos vs.4 e 5 temos a resposta de Deus a estas ofertas ao Senhor: …e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou.

 
A pergunta é: Porque é que Deus Se agradou de uma oferta e não da outra?
 

Nada na Bíblia diz que Deus prefere mais um culto com sacrifício de animais. Na Lei que Deus deu havia ofertas de cereais, ou manjares. Havia celebrações anuais em Israel com as festas das colheiras e dos primeiros frutos, as primícias.
 

    Precisamos de olhar melhor o texto bíblico (vs.3-5). Lemos simplesmente que Caim trouxe do fruto da terra. Ou seja, Deus foi tratado por Caim como um qualquer. Não há nenhum esforço, não escolheu a melhor fruta, ou a primeira. Simplesmente trouxe do que tinha à sua frente.
 

A maneira como Deus é tratado depende do nosso conhecimento d’Ele, qual a visão que temos d’Ele. 
Esse é o sério aviso e o lamento de Deus através do profeta Oséas: O meu povo foi destruído, porque lhe faltou conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei… 4:6)

Para Caim, Deus não merece nada especial e trata o Senhor como uma pessoa comum. E Deus lê e conhece os corações. Para Caim, Deus não merece prioridade. Qualquer coisa serve.  Caim dá o mínimo para Deus. É o reflexo do desinteresse do conhecimento de Deus, do afastamento de Deus. E Deus rejeita esta oferta, este culto de Caim. 
 

Leva o seu irmão para o campo e num sentimento perverso vai matá-lo. Não vemos arrependimento nenhum em Caim.
 
2. Abel – Já o caso de Abel é diferente. Hebreus 11:4 marca a grande diferença entre os irmãos. Diz que pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim…

Em que consistiu essa fé? Hebreus explica o que é a fé e que apenas pela fé que podemos ser aceites e agradáveis a Deus: Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. ... Ora, sem fé é impossível agradar-lhe…

 
Abel procurou conhecer Deus e saber em que é que Deus teria maior agrado e maior prazer. E a sua oferta é o reflexo disso mesmo. Abel trouxe dos primogénitos das suas ovelhas (primeiras crias) e da sua gordura.

O que é que Abel faz? Ele separa o melhor do rebanho. Abel olhou para Deus e quis prestar-Lhe um culto tratando Deus como alguém especial, que merece o melhor. O que ele fez mostra qual era o relacionamento que tinha com Deus. Abel buscava ao Senhor e queria o melhor para Deus. Hebreus confirma que por meio do sacrifício das suas ovelhas alcançou testemunho de que era justo. E é o próprio Deus que dá testemunho dos seus dons.

Passaram os séculos e aquele culto ficou para a história e continua a ser um incentivo para o povo de Deus. A fé de Abel ainda fala hoje: depois de morto, ainda fala.
 

Concluímos, pois, que o sacrifício agradável a Deus é aquele que é feito pela fé, que é o resultado de buscar conhecer Quem Deus é, no que é que Deus Se agrada e tratar Deus como alguém Único e Especial, que merece o nosso melhor. Foi o caso de Abel

Conclusão

            De acordo com Romanos 12:1, o sacrifício agradável a Deus é a entrega da nossa própria vida ao Senhor Deus. Tudo feito por Jesus Cristo.  

segunda-feira, 28 de maio de 2018



Quanto Custa ser um Cristão?

“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?” (Lucas 14:25-30) (v.28)

 
          Este versículo é de grande importância. Poucas são as pessoas que não fazem esta pergunta com frequência: Quanto custa? Ao comprar um terreno, ao construir e mobilar uma casa, ao fazermos planos para o futuro, ao decidirmos sobre a educação dos nossos filhos, sobre namoro e casamento, etc..
Seria sábio e prudente se nos sentássemos a considerar com calma os gastos que tudo isto implicaria.

Quanto à vida cristã, as pessoas evitariam muitos dissabores e desilusões se ao menos fizessem a pergunta: Quanto custa ser um crente verdadeiramente santo?

Estas perguntas são decisivas. Por um lado, por não as terem formulado desde o princípio, muitas pessoas que pareciam ter iniciado uma carreira cristã, mais tarde mudaram o seu rumo e perderam-se para sempre no inferno. É muito comum ver como muitas pessoas recebem a Palavra com alegria. Porém, depois de algum tempo, afastam-se e voltam aos seus pecados: "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." (I João 2:19)
Por outro lado, há muitos que não consideram o custo de ser um verdadeiro cristão, bíblico, um crente santo. Os nossos tempos requerem de um modo muito especial que paremos e consideremos o custo e o estado especial das nossas almas.

Este tema deve preocupar-nos. Sem dúvida, o caminho da vida eterna é um caminho delicioso. Porém, não é sábio da nossa parte fecharmos os olhos ao facto de que se trata de um caminho estreito e que a cruz vem antes da coroa. Ler Mc.8:34-38.

I.  Quanto custa ser um verdadeiro cristão?

A. O custo para Deus
Em primeiro lugar, o maior custo para sermos crentes é o de Deus. É um custo único e incalculável. Custou a vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo, do céu à terra a fim de dar, de entregar a Sua vida em sacrifício numa cruz.

Para sermos cristãos, salvos, custou nada menos que a crucificação de Jesus para salvar a nossa alma. Cristo levou sobre Si mesmo a culpa do nosso pecado. Deus lançou sobre Cristo o pecado de todo o mundo e Jesus pagou-o com a Sua morte, substituindo-nos, morrendo por nós: Porque fostes comprados por bom preço (I Cor.6:20); E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que por muitos é derramado (Mar.14:24); "...mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos." (Isaías 53:6)

B. O custo para o Crente
O custo maior foi para Deus. Mas, o que o homem tem que estar disposto a abandonar? “Quanto custa?”. O que é que a Deus exige do crente?

           Não custa grande coisa ser um cristão de aparência. Só requer que a pessoa assista aos cultos do domingo e, durante a semana, seja medianamente moralista. Este é o “cristianismo” da grande parte dos que se dizem crentes na nossa época. Mas, Jesus avisou sobre o caminho da vida eterna: Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem (Mat.7:14).


         Segundo a Palavra de Deus, custa caro ser cristão bíblico, santo, separado do mundo.  A conversão não consiste numa confortável decisão tomada por uma pessoa, num confortável sofá, para logo em seguida ser levado suavemente ao céu. A conversão marca o início de um caminho maravilhoso com Jesus, mas, segui-Lo exige que calculemos o seu custo. Vejamos, uma por uma, algumas coisas que custam sermos cristãos segundo a Palavra de Deus.


1) Custará a sua Justiça Própria
      Deverá abandonar o orgulho e a auto-estima da sua própria bondade. Deverá contentar-se em ir para o céu como um pobre pecador, salvo pela gratuita graça de Deus e pelos méritos e justiça de outro, Jesus. Deverá aceitar que estava perdido, desgarrado como uma ovelha, longe de Deus e condenado. Quanto à salvação, deverá aceitar que isto não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie (Ef.2:8-9). Deve confiar absoluta e unicamente em Jesus, e negar o seu orgulho. As obras nada contam para salvar.


2) Custará os seus pecados
Deverá abandonar todo o hábito,  toda a prática, todo o estilo de vida, toda a forma de pensar que sejam maus aos olhos de Deus. Deve virar o seu rosto contra o pecado, romper com o pecado, crucificar o pecado, mesmo contra a opinião do mundo. Não pode estabelecer nenhuma trégua especial com nenhum pecado que amava antes de ter sido feito um filho de Deus pela fé em Jesus Cristo, a conversão. Deve considerar todos os pecados como inimigos mortais da sua alma e odiar todo o caminho de falsidade.
Por pequenos ou grandes, ocultos ou manifestos que sejam os pecados, deve renunciar completamente a todos eles. Sem dúvida, estes pecados tentarão vencê-lo, porém jamais poderá ceder. A sua luta contra o pecado será contínua e não admitirá trégua de nenhum tipo. Está escrito: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e um espírito novo...(Ez.18:31).

3) Custará o seu amor à vida fácil
Para correr com êxito a corrida ao céu, requer-se esforço e sacrifício. Haverás de velar diariamente e estar alerta. Em cada hora e em cada instante deverás vigiar a tua conduta, as tuas companhias e os lugares que frequentas. Tens que vigiar tua língua, o teu temperamento, os teus pensamentos, a tua imaginação, os teus motivos e tua conduta nas tuas relações diárias. Terás que ser diligente na leitura da Bíblia, na tua vida de oração. Romanos 12:2.

4) Custará o favor do mundo.
Se desejas agradar a Deus deves saber que serás depreciado pelo mundo. Muitos serão perseguidos e odiados, desprezados e criticados pela sua vida cristã. O Mestre Jesus disse: Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão vossa. (Jo.15:20).

Esta é apenas uma curtíssima lista do que "custará" a uma pessoa ser cristã. Devemos aceitar o facto de que não é uma lista insignificante. Nada podemos riscar dela. O crente está disposto a abandonar qualquer coisa que se levante entre a sua alma e o céu. Uma fé que não custa nada, nada vale. Um cristianismo barato - sem a cruz - cedo ou tarde se verá que é inútil.

 II) A Importância de Calcular o Custo
Por não haverem calculado o custo, muitos dos pretensos seguidores de Jesus voltaram-Lhe as costas “... e já não andavam com ele” (Jo.6:66). 
Por não haver calculado o custo, Demas abandonou a companhia de Paulo, abandonou o evangelho, deixou a Cristo e uniu-se ao mundo. “Porque Demas me desamparou, amando o presente século” , diz-nos Paulo (II Tm.4: 10). Porquê? Porque nunca chegaram a saber o que é o cristianismo da Bíblia.

 Também não se deve oferecer às pessoas um Evangelho doce e agradável, simplificando as exigências do Evangelho. Devemos mostrar a urgência da salvação, mas não oferecer um Evangelho simples e barato.
Não foi esta a maneira de proceder do nosso Senhor Jesus?
O evangelista Lucas diz-nos que, em certa ocasião, Jesus avisou: Ora, ia com ele uma grande multidão; e voltando-se, disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:25-27).
Esta doutrina de Jesus é clara quanto ao custo da vida cristã.

III) A riqueza de aceitar o custo e ser fiel
Mas, vale a pena aceitar pagar o preço de ser um cristão fiel. A pessoa que verdadeira e biblicamente tem Jesus como seu Salvador, nunca perderá a sua salvação. Jesus garante-nos isto: E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão (Jo.10:28).
 
Vale a pena perder o mundo para ganhar Cristo e a salvação eterna: Está escrito: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc.8:36). Vale a pena caminhar para o céu, porque o inferno é um lugar real onde “ o bicho que nunca morre e o fogo que nunca se apaga.


IV. Conclusão
Cada dia é dia de salvação, dia de decisão por Cristo. Só o Senhor Jesus Cristo salva, pois sacrificou-Se a Si mesmo numa cruz pagando o preço do pecador condenado, extraviado, culpado das suas transgressões às leis do Deus Supremo. Só a fé em Jesus Cristo leva à eternidade.
Que hoje possa ser dia de arrependimento e de fé no Salvador Jesus. Ele morreu, foi sepultado e ressuscitou dos mortos para salvar todo o perdido.
Muito Lhe custou a salvação da tua alma.
Mas, como o próprio Senhor Jesus alertou, que cada um considere também o custo de O seguir hoje, dia a dia, até ao fim.
Mas crê que vale a pena, porque é o único caminho que leva ao céu.
 
 Rui Simão