domingo, 23 de setembro de 2018



Identidade dos Crentes em Jesus - "Mas vós sois"

 Primeira Epístola Universal de Pedro


Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido…

I Pedro 2:9-10

Introdução  

            Pedro está a escrever para animar e dar esperança aos crentes daquelas igrejas que vivam no meio de grande paganismo e idolatria, numa sociedade governada pelo império romano que infligia grande sofrimento a eles que seguiam um novo caminho, o Evangelho de Jesus Cristo.

              Vejam o que Pedro diz dos seus conflitos como crentes: 1:6, 2:20, 3:14, 16, 17, 4:4, 12-19.

              O Apóstolo Pedro continua a mostrar àqueles grupos de cristãos o que implica o seu novo estatuto, o resultado da sua fé em Jesus. Agora vai falar da sua (nossa) Identidade como Crentes.
         
I. A Identidade dos Crentes em Jesus  - Mas vós sois… - O que somos nós?


              Os vs.9-10 apresentam uma descrição da identidade dos cristãos. Eles são vistos como um grupo, como uma comunidade. AS palavras e as imagens têm como pano de fundo passagens bíblicas dos livros de Isaías e Êxodo do AT.


               Os crentes são o oposto dos não-crentes, aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes (v.8b). Desde a vinda de Jesus que a humanidade se divide em dois grupos: aceitar ou rejeitar Jesus, crentes ou descrentes, salvos ou perdidos.

              Mas vós, estabelece o contraste entre o v.8: “Mas vós, que obedeceis à palavra (ao contrário dos outros). "que tropeçam, que são desobedientes"


               E Pedro vai dar agora duas lições importantes. Quais são? Primeiro, uma série de quatro designações para o que são os crentes em Jesus. Segundo, segue-se uma descrição da missão para a qual foram chamados os crentes. É a identidade do crente. Vamos ver:


1. Mas vós sois a geração eleita – Tal como os judeus foram o povo que Deus escolheu para Se revelar ao mundo, os crentes no Filho Unigénito de Deus, Jesus, formam agora também o povo de Deus.

              Os cristãos são diferentes dos judeus. Os judeus rejeitaram o Messias Salvador desobedecendo à palavra de Deus. Mas os cristãos creram n’Ele, aceitaram-No. Os crentes foram eleitos para habitarem na pátria celestial com Deus eternamente. Que bênção e que privilégio! O ensino de que Deus elegeu alguns para a salvação e outros não, não tem base bíblica.  Não é a isto que Pedro aqui se refere.

2. Mas vós sois… o sacerdócio real – Os judeus, pela sua incredulidade e desobediência ao Messias Jesus, também perderam o sacerdócio que lhes pertencia para, por meio dele, serem uma bênção a todos os povos da humanidade. O sacerdote tinha a gloriosa responsabilidade de levar os pecadores a Deus, de tomar os seus sacrifícios para perdão e expiação dos seus pecados.



              Todos os crentes em Jesus são agora "sacerdócio". Nós temos agora a missão de, pelo Evangelho, levar o mundo ao Salvador Jesus para que se arrependam do seu pecado, creiam e sejam salvos. Como sacerdotes, nós também levamos ao mundo a mensagem da cruz, onde o Salvador foi crucificado, morreu para o perdão da culpa do pecador. A mensagem da Sua ressurreição dos mortos ao 3.º dia.


              O sacerdócio pertence agora àqueles que seguem o grande sumo-sacerdote, Jesus. Mas é acrescentado um ingrediente novo a este sacerdócio. No v.5 foram chamados de sacerdócio santo. Agora, somos sacerdócio real, do Rei, porque servimos ao Rei da terra, o Rei dos reis, o Reino de Deus. Apoc.1:6 diz que Jesus nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai.



3. Mas vós sois a nação santa – É uma designação semelhante a geração (gr.genos, etnos). É extraída de Êxodo 19:6: E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo.



            Mais uma vez é frisada a santidade que é requerida do povo de Deus. É um imperativo para aqueles que nasceram de novo e que estão a ser transformados à imagem de Jesus dia a dia. Somos santos porque fomos separados do mundo com as suas corrupções.



              Vejam, irmãos. Os crentes são um povo, uma nação exclusiva que vive no meio das outras nações da terra. Mas estamos separados para Deus, pela nossa conduta, fé, modo de viver. É isso que significa ser santo: Sede santos, porque eu sou santo, diz Deus (1:16).



3. Mas vós sois o povo adquirido – Por fim, os crentes são o povo de propriedade exclusiva de Deus. Vai buscar a ideia de Isaías 43:21; A esse povo que formei para mim…



            Os crentes em Jesus são um povo que pertence a Deus verdadeiramente.

              Vejam I Cor.6:19-20: Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.



            Não pertencemos a nós mesmo. Pertencemos ao Senhor e o preço, o custo da expiação foi a vida, o sangue de Jesus na cruz.



              Estas quatro designações dadas aos que são crentes em Jesus, geração, sacerdócio, nação, povo, deviam unir cada vez mais os crentes. Possuímos isto em comum. Somos povo de Deus, eleitos por Ele. Somo igreja, corpo de Cristo.



              Este povo descrito em palavras tão magnificentes e repletas de conteúdo tem uma grande missão no mundo: …para que… (v.9)



II. A Missão do povo de Deus no mundo - …para que, a fim de…

              Qual é o propósito, qual é a finalidade, qual é a missão dos crentes em Jesus neste mundo?



1. …para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas…

            Deus salvou-nos e fez-nos povo Seu para proclamarmos, anunciarmos, pregarmos pela palavra, mas também mediante o testemunho das nossas vidas dedicadas, o quê? As virtudes (de Deus).

            A palavra grega fala de “excelências, grandezas, louvores” de Deus. Estão em vista as grandes obras de Deus na história. No AT, Israel devia dar testemunho dos grandes feitos de Deus que os libertou do Egipto, abriu o Mar Vermelho, fez grandes milagres, deu-lhes grandes vitórias.

                                        

              Quais serão os grandes, os maravilhosos feitos de Deus que os cristãos devem anunciar agora? O milagre da encarnação de Jesus, a Sua morte e ressurreição, a transformação libertadora de vidas que confiam n’Ele como Salvador. O feito maior de Deus é, sem dúvida, é a vida e obra de Jesus que abre definitivamente diante dos homens, não o êxodo dos judeus, mas o êxodo, a libertação para a vida eterna. Temos que proclamar o feito do Evangelho. Isto é o Evangelho.



              E como é que Pedro aqui designa Deus? Deus é apresentado aqui como aquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.



            Vejam de novo o tema da chamada de Deus. Deus chama o pecador e este, no seu livre arbítrio, escolhe se aceita ou se rejeita a chamada de Deus. Vejam que no v.8 aqueles que tropeçam em Jesus são designados de desobedientes. Fizeram uma escolha deliberada,



                A nossa salvação é descrita aqui em forma figurada como “passar das trevas para a luz”. Trevas é o obscurantismo, o entenebrecimento causado pelo pecado. Vejam o grande contraste: Trevas é perdição. Luz é salvação. Também, a luz é sua, de Deus, é a Sua luz. E é caraterizada como maravilhosa; admirável, notável é o que sugere o grego.



              Vemos, assim, que aos grandes feitos de Deus, do passado, na vida, morte e ressurreição de Jesus, acrescentam-se os Seus grandes feitos de hoje, na vida dos crentes, fazendo-os passar “do império das trevas para o reino do Filho do seu amor. (Col.1:13), ou, como diz Pedro em 1:3, nos gerou de novo para a salvação. Esta é a nossa missão, anunciar estas maravilhas.



              No v.10 continua a descrição do que são agora os crentes em Jesus iniciada no v.9.



III. Duas coisas que os crentes antes não eram – v.10

              Antes da vinda do Messias Salvador Jesus, antes de crermos n’Ele, o que nós não éramos? Vejam a construção da frase: Vós que não… mas agora… Duas coisas que eles, leitores desta carta de Pedro, não eram, nem nós, e agora são, pela fé em Jesus Cristo.


1. Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo

            Vejam o que Pedro escreve sobre o passado deles, o que os caracterizava, as paixões mundanas que os dominavam, em 1:14 (ignorância) e 4:2-3. Sim, naquele tempo não eram povo. Longe de Deus ninguém pode achar-se povo de Deus. Mas agora sois povo de Deus, por causa de Jesus.


 2. Que não tínheis alcançado misericórdia

            A misericórdia de Deus, embora presente no mundo, não tinha ainda chegado a eles. Foi necessário Jesus entrar nas suas vidas para receberem a misericórdia salvadora (1:3): …mas agora alcançastes misericórdia.


Conclusão

            Estes versículos são eloquentes, pois enfatizam a distinta identidade (O que somos – Mas vóis sois…) e conduta apropriada (somos povo de Deus para quê?).

            Mesmo sendo estranhos na sociedade onde vivemos, estamos unidos pela mesma fé no mesmo Senhor, Jesus, a principal pedra da esquina, eleita e preciosa. Por isso, somos povo de Deus que alcançou a Sua grande misericórdia.

Rui Simão, pastor 

                    Moreira, 9 de Setembro de 2018 (17h)  

quinta-feira, 23 de agosto de 2018



O Único Fundamento é Cristo

 Primeira Epístola Universal de Pedro


Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa… a pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi a principal da esquina.

I Pedro 2:6-7

Introdução  

            Pedro está a escrever àquelas igrejas que vivam no meio de grande paganismo e idolatria, com enormes templos e lugares de adoração aos inúmeros deuses gregos e romanos. Quer animá-los e, sobretudo, fortalecê-los com o ensino sobre Qual é e Quem é o verdadeiro alicerce, fundamento da nossa fé: Jesus Cristo é a pedra principal da esquina, O ÚNICO FUNDAMENTO da nossa fé. Este fundamento, Jesus, é o eleito por Deus, e é precioso. O mundo rejeita-O, troca-O por outro fundamento, mas tal conduz ao erro e à perdição. De facto, apenas quem crer em Jesus, a pedra principal, o fundamento, não será confundido. O resto é falso.

            Não apenas o próprio Deus o afirma através de Pedro, mas também através de Paulo em I Coríntios 3:11: Porque ninguém, vejam bem, ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.

            Eles e nós não podemos esquecer isto: O fundamento teológico sobre o qual construímos a nossa fé. Na nossa caminhada cristã temos que trazer de novo à memória, periodicamente, as verdades bíblicas sobre as quais assenta a nossa fé.

            É o que agora vai ser lembrado àqueles crentes.



I. O único fundamento é Cristo 

          Irmãos, nós cremos que Jesus é o nosso único fundamento. Só por Ele somos salvos. Mas porquê? Por que é que Jesus é a pedra angular, a pedra de esquina?

O diabo é anti Deus, mentiroso, odeia Jesus, é inimigo da verdade e combate a fé. Por isso, nós estamos rodeados de religiões e de grupos religiosos que, ou negam a divindade de Jesus ou negam Jesus como único e suficiente Salvador, como único fundamento da fé. Ou então, além disto, vão desprezar Jesus em tudo, vão acrescentar algo ao que Jesus é e fez.

Se queremos saber se alguma teologia é verdadeira ou falsa, é fácil. Até podem ter uma aparência fantástica, de evangelho, carregam a Bíblia debaixo do braço, etc. Pergunte o que acham sobre Jesus: “Para si quem é Jesus? “Mediante a resposta, por mais que se pareça com a verdade, se negam a divindade de Jesus, negam Jesus como fundamento. Dividem o fundamento dizendo que é Jesus e mais alguém, mais Maria, mais obras, isto aqui também faz parte, também ajuda à salvação, então negam o único fundamento e é falsidade.

De facto, apenas Jesus nos permite aferir da verdade baseada nas Escrituras.



Posso dar apenas alguns exemplos que nos são mais conhecidos que nos ajudam a fortalecer a nossa fé e confiança em Jesus como único fundamento, a pedra principal da fé.



1. Mórmons – Grupo com milhões de seguidores em todo o mundo, considera que Jesus nada mais é do que o irmão mais velho da humanidade, o primeiro que foi criado por Deus, mas que não é Deus nem o único Salvador. Para eles, mais importante do que a Bíblia, é o Livro do Mórmon. Têm outros fundamentos, os seus profetas, mas não é Jesus nem a Sua expiação na cruz. Para eles, Jesus é um tropeço, não a pedra de esquina, o fundamento da fé.



2. Espiritismo de Allan Kardec – Para este grupo, a pessoa alcançará a eternidade com Deus através de sucessivas reencarnações: morre o corpo, o espírito renasce noutra existência, e assim por diante com sucessivas existências, reencarnações ao longo de milhares de anos e que levam ao aperfeiçoamento. Dizem que é pela reencarnação que a pessoa vai sendo expiada das suas imperfeições e sendo aperfeiçoada. Jesus Cristo e a Sua obra redentora na cruz não é o seu fundamento.

Para eles, Jesus é um tropeço, não a pedra de esquina, o fundamento da fé.



3. Testemunhas de Jeová

            Este grupo é amplamente conhecido em todo o mundo. Têm aparência de cristianismo, mas seguem um evangelho que eles próprios criaram pela sua particular interpretação da Bíblia. São fiéis à Torre de Vigia cujo Corpo Governante, considerado por eles como os profetas atuais, recebe revelação de Deus e as suas revistas e publicações são os seus verdadeiros guias e principais fundamentos.

            Para este grupo, quem está fora da direção da Torre de Vigia não tem salvação. Jesus não é Deus, mas um deus, foi o primeiro ser que Deus criou. Negam claramente a divindade de Jesus, por isso, negam o verdadeiro fundamento bíblico. Têm uma tradução bíblica só deles.

Para eles, Jesus é um tropeço, não a pedra de esquina, o fundamento da fé.


4. Catolicismo

            Este é o maior grupo cristão no mundo inteiro. Poderão estar a pensar: “Calma, a igreja católica até crê que Jesus é o Salvador!” Mas temos que ver como é que eles tratam Jesus. Se Jesus não é o único Salvador, é heresia. Se dividem o fundamento que é Jesus, que a salvação é pela fé mais as obras da pessoa, já é fugir da Bíblia. O líder da igreja é o papa, não é Jesus. Fazem uma interpretação completamente errada de Mateus 16:13-18. Vou ler e atentar bem nas palavras de Jesus quando responde: … tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. (v.18) Jesus faz um trocadilho nas palavras no grego: “Tu és Petros (substantivo masculino) que indica pequenos fragmentos de pedra, pedrinhas, e sobre esta Petra (substantivo feminino, grande bloco rochoso, rocha sólida) distinto de Petros, sobre esta declaração (tu és os Cristo, o Filho do Deus vivo) edificarei a minha igreja.

Jesus está a dizer: “Sobre mim, a Pedra, o fundamento sólido, edificarei a minha igreja.”

            E como a Bíblia se explica a si mesma, como a Bíblia se interpreta a ela mesma, dentro de si mesma, a explicação para esta afirmação de Jesus sobre qual é o fundamento da igreja, vamos para I Pedro 2:6. Jesus é a principal pedra da esquina e quem nele crer não será confundido. Paulo diz o mesmo em I Cor.3:11 e em Efésios 2:20: Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.

            Portanto, o ensino católico de que a igreja foi assente em Pedro, o primeiro papa, é um desvio do único fundamento que é Jesus Cristo.



            Jesus é o único fundamento da nossa fé. Vamos ver alguns motivos



II. Porque é que Jesus é o Único Fundamento da nossa fé? Porquê? Porque não o dividimos com mais nada nem ninguém?



1. Jesus é Deus – I João 5:20 - E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.


            E Jesus é Deus apenas por esta declaração? Não! Para ser Deus, tem que possuir 4 atributos exclusivos da divindade. Quais são? A Eternidade (não deve a Sua existência a ninguém), a Omnipotência (possui todo o poder), a Omnisciência (possui todo o conhecimento) e a Omnipresença (está em todo o lugar simultaneamente)

a) Eternidade - Em João 8:58, Jesus escandalizou os judeus quando disse: Antes que Abraão existisse, eu sou. Jesus é eterno, não deve a Sua existência a ninguém.

b) Omnipotência - Em Mateus 2818, Jesus disse: É-me dado todo o poder, no céu e na terra.

c) Omnisciência – Hebreus 7:25 diz: …vivendo sempre para interceder por eles. Jesus sabe de tudo o que acontece connosco. Sabe do que precisamos, conhece as nossas lutas. Tranquilizemos as nossas almas, pois Jesus sabe de tudo, intercede junto do Pai por nós.

d) Omnipresença – Jesus disse em Mateus 28:20: Eis que estou convosco até à consumação dos séculos. Jesus está aqui, está em África, está na Ásia, na Austrália, está em todo o lugar.



2. Jesus ressuscitou de entre os mortos - Jesus está na glória celestial, sentado à direita do Pai, dirigindo todo o Universo cheio de poder e majestade. Ele não está morto, venceu o diabo. Por isso, é o fundamento da nossa fé.



3. Jesus é perfeito, nunca pecou quando esteve em carne – Hebreus 4:15 afirma que Jesus, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Por isso, é o fundamento da nossa fé. Só Jesus tem o Nome Salvador: E em nenhum outro há salvação, porque também, debaixo do céu, nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. (At.4:12).

            I Timóteo 2:5 diz que há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem. É só Jesus. Não pode ser trocado por nada nem por ninguém.

            Em João 6:68-69, Pedro disse a Jesus: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

      

Conclusão - As pessoas têm que ser muito cuidadosas em termos espirituais, bíblicos. Onde, sobre o quê e sobre Quem, Quem está a edificar a sua vida? Hoje, vemos fora e dentro do meio evangélico, a serem lançados diversos fundamentos, como cada um quer, e mesmo sem Cristo. Só existe um fundamento sobre o qual se pode erigir o edifício espiritual. Vejam bem em I Cor.3:10 que Paulo adverte: Veja cada um como edifica sobre ele. No v.11 confirma que o fundamento da fé verdadeira já está posto. Foi Deus que O pôs, não há outro e ninguém pode pôr outro. É Jesus Cristo, o fundamento da nossa fé.

 Rui Simão, pastor

                    Moreira, 22 de Julho de 2018 (17h)  

terça-feira, 31 de julho de 2018



O que deixar e o que desejar

Primeira Epístola Universal de Pedro

O Crescimento na Palavra

Deixando, pois, toda a malícia… Desejai… para que… vades crescendo.

I Pedro 2:1-3

Introdução

            Entramos agora na terceira parte da terceira seção de I Pedro que vai de 1:12-2:10.

              O Apóstolo Pedro continua a mostrar àqueles grupos de cristãos o que implica o seu novo estatuto, o resultado da sua fé em Jesus: crescer espiritualmente na Palavra do Senhor.



            O que exige de nós a nossa salvação? A resposta começou a ser dada já nos vs.15 e 16: Santidade de vida. Não é opcional, faz parte da nossa salvação. Somos filhos de um Deus Santo, recebemos uma nova natureza quando o Senhor nos fez filhos d’Ele pela nossa fé em Jesus. Por isso, outro resultado da nossa fé no Salvador Jesus é o novo nascimento, nascemos de novo pela palavra de Deus (v.23). É precisamente debaixo desta verdade, deste pensamento do novo nascimento que Pedro prossegue agora a sua exortação e que vem a seguir.



            Qual é o nome que se dá a alguém que nasce hoje? É um bebé.

              Ora, esta é a figura do cristão. Os cristãos, nascidos de novo, são agora como bebés, como meninos novamente nascidos. Precisam de se desenvolver e de crescer. E o alimento para tal é a Palavra de Deus, é a própria Palavra pela qual foram gerados.

              Esta nova vida que o crente tem é vivida no mundo, com as pressões e as lutas diárias até que o Senhor Jesus venha ou nos chame para Ele.

       

        O cristão nascido de novo vive numa contante luta entre o velho homem e o novo. O novo luta por impor-se e crescer. O velho é constantemente realimentado pelo mundo ao redor e pelas paixões interiores até que sejam totalmente transformadas pelo Espírito santo que habita nele e o santifica.

                                        

              Como é que isto se processa na vida do crente, essa pessoa que creu em Jesus Cristo, essa pessoa que se arrependeu do seu pecado e que nasceu de novo? É uma ação em duas direções: despojar-se do antigo e alimentar o novo. Vamos ver o que Pedro diz sobre os aspetos práticos e da nova vida que cumpre viver aquele que nasceu de novo.



I. O que temos de DEIXAR – “Deixando, pois…”  - v.1 -Não podemos iludir-nos. Ser crente não é uma brincadeira. É a maior decisão da vida de uma pessoa. É uma decisão com implicações eternas e imediatas. Ser crente implica mudanças. Sempre devemos recordar o que Paulo escreve em II Cor.5:17: Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.



O pois, faz a ponte com a seção anterior e indica a continuidade do pensamento.

O crente tem de deixar. O grego indica: despojar-se, rejeitar, ou melhor, deixar de lado. É a figura de “despir roupas sujas, livrar-se de algo”. A ideia de Pedro é que o crente tem que lidar concretamente e tomar uma atitude em relação ao pecado livrando-se, afastando-se. E a seguir dá como que uma lista do que deve ser deixado de lado, uma lista de cinco vícios.



Já que somos de novo gerados, nascidos de novo, como poderíamos viver naqueles vícios que tipificam a vida antiga? Esta breve lista será depois aumentada a partir de 2:11ss.



   Analisemos a lista dos vícios, as coisas que têm de ser eliminadas da vida do crente em Jesus.



1.- Toda a Malícia - A primeira coisa a ser eliminada é toda a malícia. Observem a palavra toda. É mesmo toda e não apenas uma parte. Indica maldade, depravação, abrange todo o mal do mundo pagão, ímpio. Deixemos a maldade, livremos o nosso coração e as nossas vidas da malícia.



2.- Todo o Engano - A segunda coisa que tem que ser banida do crente que nasceu de novo é todo o engano. No grego é “dolo, ludíbrio, traições”. Engano é falsificar, é o espírito traiçoeiro que não hesita em usar de meios maus para obter vantagens. É astúcia, esperteza negativa e destrutiva. Jesus elogiou Natanael porque nele não havia dolo, engano: Eis aqui um verdadeiro israelita em quem não há dolo (João 1:47). Já o nosso Senhor Jesus é o nosso maior e grande exemplo a este nível: O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano (I Ped.2:22).

Os próximos vícios pecaminosos a serem deixados pelo novo crente estão no plural.



3.- Fingimentos - Significa hipocrisias. É querer parecer o que não é. É ser um ator na vida, um mentiroso. São atitudes insinceras como as máscaras com que as pessoas fingidas e desonestas se apresentam umas às outras. Foi a maior acusação de Jesus aos fariseus. Vejam o que Deus nos diz: Abominação ao SENHIR são os perversos de coração, mas os de caminho sincero são o seu deleite. (Prov.11:20). Job podia dizer de si mesmo: (Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade. (Job 31:6). Não haja fingimentos em nós.



4.- Invejas - Fala também de ciúme e é descrita como uma das obras da carne de Gálatas 5:21. É querer ter o que o outro tem, ou invejar o que o outro é. É cobiça. Isto não é característico de um cristão. O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, benignidade, mansidão, temperança. Gálatas 5:26 diz: “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros”. Tiago 3:15 diz: “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica”. Ter inveja mostra que não estamos satisfeitos com o que Deus nos tem dado. Deixemos, livremo-nos das invejas.



5.- Todas as Murmurações - São maledicências, difamação, calúnia, falatório da vida alheia, geralmente fruto das invejas. Pedro ataca agora os pecados da língua, mas com um significando mais pesado, deixando implícito que se está a falar mal dos outros. É um pecado que puxa muito.

Vejam que em todos estes pecados estão em vista as relações sociais e humanas.



Depois de exortar ao abandono destes vícios, vem agora a preocupação com o novo que deve ocupar o lugar daquilo que foi abandonado na vida do novo crente.



II. O que devemos desejar – v.2 - Primeiramente, Pedro introduz uma figura que vai usar para nos ajudar a compreender melhor o que acontece com os crentes que nasceram de novo, que foram regenerados pela Palavra. Já viram um bebé a mamar ao peito da sua mãe? O bebé alimenta-se do seu leite como se a sua vida dependesse do mesmo; e é verdade.



Tendo nascido de novo, os crentes são como meninos novamente nascidos. Como os bebés anseiam pelo leite materno, assim os renascidos espiritualmente devem desejar com ardor, afetuosamente, o leite racional. Vejam a intensidade. Vejam o objeto do desejo ardente, o leite.  



Pedro não está a dizer aqui que aqueles crentes eram crentes recentes e que ainda era bebés espirituais. O que ele quer salientar é que, sem importar o seu estado espiritual presente, nem o tempo que já conhecem a Jesus, todos precisamos de crescer espiritualmente. E isso é feito como? Pela Palavra de Deus. É preciso anelar, é necessário ter sempre um desejo afetuoso pela Palavra de Deus para crescer, tal como uma criança recém-nascida anseia pelo leite da sua mãe.



O leite é aqui uma figura da Palavra de Deus, tema dos vs. anteriores, 1:23-25. O leite é usado como sinónimo de todo o alimento espiritual do qual todos os cristãos se devem alimentar até ao fim das suas vidas. Em I Tes. 2:7, Paulo interpreta o seu trabalho jutos dos tessalonicenses na figura de uma ama que amamenta os seus filhos.



Mas há aqui dois importantes adjetivos que caracterizam este leite: é racional, ou espiritual. Também é não falsificado, ou genuíno, puro, isento de mentira, o contrário de engano do v.1.



Temos um desejo intenso pela Palavra de Deus? Alimentamo-nos dela diariamente?

Esta atitude constante levará a um objetivo concreto: para que...

Reparem a sequência lógica do pensamento de Pedro: Deixando… Desejai… para que…



…por ele, pelo leite espiritual  da Palavra vades crescendo.  O alvo de todo o crente é a maturidade, o crescimento espiritual. Pedro considera que todos os crentes, quer recentes quer mais antigos, fortes ou fracos, a precisarem urgente e constantemente do leite da Palavra de Deus.



Nenhum crente alguma vez ficará tão avançado e forte em termos espirituais, que não precise mais do leite racional. Ninguém jamais atinge uma tão elevada espiritualidade que não possa ser como um mero bebé a desejar afectuosamente a Palavra de Deus para continuar a crescer até à maturidade. É a Palavra que nos alimenta, nutre a nossa alma, nos conforta, nos anima, nos dá esperança continuada e confiança no nosso Senhor e Salvador.



No v.3, por fim, a concluir a ideia iniciada no v.1, Pedro afirma que é o Senhor a verdadeira fonte do alimento espiritual: Se é que já provastes que o Senhor é bom.

O pano de fundo é o Salmo 34:8: Provai e vede que o SENHOR é bom.

O que Pedro está a fazer é a lembrar aqueles crentes que estas palavras se aplicam a eles: “Já tendes a experiência de que o Senhor é bom”.



Esta é uma verdade, uma certeza que atravessa toda a Bíblia. A maior prova da bondade de Deus teve o seu ápice na vinda ao mundo do Seu Filho. Esta suprema bondade mostrou-se real quando Jesus agiu indo à cruz em sacrifício de redenção pelos ímpios pecadores perdidos e condenados. A cruz mostrou as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para connosco, em Cristo Jesus. (Efés.2:7).



Anteriormente, o leite é a Palavra. Agora, é o próprio Senhor. O que Pedro quer resumir e ensinar profundamente aqui é que Quem está aqui em foco é o Senhor Jesus Cristo. Assim como um bebé recém-nascido fica muito satisfeito com o leite materno, desejando-o afectuosamente, assim também o filho de Deus já provou, anela pela nutrição espiritual que encontra em Jesus, buscando-O ferverosamente.



Conclusão - Pedro continua a ensinar-nos das implicações de se ser um crente nascido de novo pela fé em Jesus, regenerado pela Palavra de Deus: Santidade de vida, deixar as coisas da velha vida (v.1); Desejar a Palavra de Deus para crescer (v.2) sabendo que o Senhor é bom.


Rui Simão, pastor
                      Moreira, 22 de Abril de 2018 (17h) 

quarta-feira, 27 de junho de 2018



Oferecer Sacrifícios Espirituais agradáveis a Deus

Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

I Pedro 2:5

Introdução

           Este trecho do cap. 2 de Pedro está cheio de bom ensino bíblico. O apóstolo revelou para aqueles irmãos verdades importantíssimas que o Evangelho de Jesus nos trouxe. Jesus, o Salvador, o Messias, é a pedra viva  que trouxe uma nova realidade, Boas Novas. Agora, aquele que crê nesta pedra viva, Jesus, torna-se filho de Deus e casa de habitação, templo do próprio Deus. Deus faz morada no crente, somos o templo de Deus. Deus não habita em templos feitos pela mão dos homens, mas o crente é casa espiritual de Deus. Com a vinda de Cristo, acabou a ida ao templo para oferecer sacrifícios a Deus por meio dos sacerdotes. Agora, os crentes são eles mesmos sacerdócio santo, são pedras vivas a quem Deus pede que ofereçam sacrifícios espirituais agradáveis a Ele.

 
           Queria que meditássemos sobre quais são os sacrifícios espirituais que são agradáveis a Deus. E vamos ver isso no primeiro culto, nas primeiras ofertas ao Senhor Deus que a Bíblia regista. É a famosa história dos dois primeiros filhos de Adão e Eva, Caim e Abel, que se encontra em Génesis 4:1-16.
 

I. As ofertas de Caim e de Abel 

         No relato bíblico, vemos que os dois irmãos tinham um relacionamento com Deus. Receberam isto dos seus pais, Adão e Eva, já depois da Queda, já depois do pecado ter entrado no mundo pela desobediência do casal ao mandamento do Senhor.

Caim e Abel acreditavam em Deus e cultuavam a Deus, mas as suas atitudes eram muito diferentes nesta área espiritual. Tinham visões diferentes de Deus e de prestar culto a Deus.

Tal e qual nos nossos dias. Crentes acreditam em Deus mas nem todos têm uma mesma comunhão e uma igual entrega a Deus que agrada ao Senhor. O Senhor Jesus falou nisto na parábola do semeador, dizendo que uns produzirão fruto a 30, outros a 60 e outros a 100.
 

Vamos descobrir que o primeiro assassinato na Bíblia ocorreu num culto, numa reunião religiosa. O famoso e premiado escritor José Saramago mostrou a sua revolta contra Deus por causa desta história. Mas as Escrituras inspiradas pelo próprio Deus apresentam o texto com a mais perfeita naturalidade e realidade. Lemos nas Escrituras que os dois irmãos vão apresentar as suas ofertas a Deus. Hebreus 11 revela que se tratou de sacrifício. E no que consistiu?
 

1. Caim – Caim era lavrador da terra e trouxe, ofereceu a Deus do fruto da terra. Abel era pastor de ovelhas e trouxe dos primogénitos das suas ovelhas e da sua gordura.
 

Nos vs.4 e 5 temos a resposta de Deus a estas ofertas ao Senhor: …e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou.

 
A pergunta é: Porque é que Deus Se agradou de uma oferta e não da outra?
 

Nada na Bíblia diz que Deus prefere mais um culto com sacrifício de animais. Na Lei que Deus deu havia ofertas de cereais, ou manjares. Havia celebrações anuais em Israel com as festas das colheiras e dos primeiros frutos, as primícias.
 

    Precisamos de olhar melhor o texto bíblico (vs.3-5). Lemos simplesmente que Caim trouxe do fruto da terra. Ou seja, Deus foi tratado por Caim como um qualquer. Não há nenhum esforço, não escolheu a melhor fruta, ou a primeira. Simplesmente trouxe do que tinha à sua frente.
 

A maneira como Deus é tratado depende do nosso conhecimento d’Ele, qual a visão que temos d’Ele. 
Esse é o sério aviso e o lamento de Deus através do profeta Oséas: O meu povo foi destruído, porque lhe faltou conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei… 4:6)

Para Caim, Deus não merece nada especial e trata o Senhor como uma pessoa comum. E Deus lê e conhece os corações. Para Caim, Deus não merece prioridade. Qualquer coisa serve.  Caim dá o mínimo para Deus. É o reflexo do desinteresse do conhecimento de Deus, do afastamento de Deus. E Deus rejeita esta oferta, este culto de Caim. 
 

Leva o seu irmão para o campo e num sentimento perverso vai matá-lo. Não vemos arrependimento nenhum em Caim.
 
2. Abel – Já o caso de Abel é diferente. Hebreus 11:4 marca a grande diferença entre os irmãos. Diz que pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim…

Em que consistiu essa fé? Hebreus explica o que é a fé e que apenas pela fé que podemos ser aceites e agradáveis a Deus: Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. ... Ora, sem fé é impossível agradar-lhe…

 
Abel procurou conhecer Deus e saber em que é que Deus teria maior agrado e maior prazer. E a sua oferta é o reflexo disso mesmo. Abel trouxe dos primogénitos das suas ovelhas (primeiras crias) e da sua gordura.

O que é que Abel faz? Ele separa o melhor do rebanho. Abel olhou para Deus e quis prestar-Lhe um culto tratando Deus como alguém especial, que merece o melhor. O que ele fez mostra qual era o relacionamento que tinha com Deus. Abel buscava ao Senhor e queria o melhor para Deus. Hebreus confirma que por meio do sacrifício das suas ovelhas alcançou testemunho de que era justo. E é o próprio Deus que dá testemunho dos seus dons.

Passaram os séculos e aquele culto ficou para a história e continua a ser um incentivo para o povo de Deus. A fé de Abel ainda fala hoje: depois de morto, ainda fala.
 

Concluímos, pois, que o sacrifício agradável a Deus é aquele que é feito pela fé, que é o resultado de buscar conhecer Quem Deus é, no que é que Deus Se agrada e tratar Deus como alguém Único e Especial, que merece o nosso melhor. Foi o caso de Abel

Conclusão

            De acordo com Romanos 12:1, o sacrifício agradável a Deus é a entrega da nossa própria vida ao Senhor Deus. Tudo feito por Jesus Cristo.