quinta-feira, 18 de abril de 2019


 Jesus Cristo, o Messias, o Servo Sofredor do Senhor

(Isaías 53)  
          
  Isaías tem cerca de 70 citações no NT. Escrito 700 anos antes de Cristo, o profeta faz revelações desde o nascimento à morte e ressurreição de Jesus. O cap. 53 dá-nos uma imagem clara e real dos sofrimentos e do triunfo do Messias, Jesus Cristo. A mensagem profética aplica-se, em primeiro lugar, a Israel. Mas Jesus veio e morreu por todo o mundo.
O israelita João o Baptista disse: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29), não apenas de Israel. Paulo, apóstolo, pregava que o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego (Rom.1:16).
Outro israelita, o apóstolo João, também disse que Jesus é a propiciação pelos nossos pecados, mas não apenas de Israel, mas, também, pelos de todo o mundo (I Jo.2:2)

Intriga-nos a violenta forma de entrega, a forma de sacrifício de Jesus? A Escritura revela-nos claramente que o MOTIVO que levou o próprio Filho de Deus a entregar-Se assim nas mãos de Deus e dos homens foi o AMOR de Deus pelo homem perdido, condenado a uma eternidade no inferno sem Deus: Mas Deus prova o seu amor para connosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rom.5:8). Não havia outra forma de salvação dadas as exigências da justiça do Deus Santo e tipificadas pelos sacrifícios da Lei de Moisés.

Vejamos a majestosa profecia de Isaías 53.

 

v.1 – A incredulidade daqueles que ouviram a mensagem. Jesus disse em João 12:37-38: E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?


          A mensagem do evangelho de Jesus foi propalada, foi anunciada por profetas e estava contida nas Escrituras. Foi clara, mas caiu em ouvidos surdos, rejeitaram Jesus, o Messias. Romanos 10:16 diz: Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? Apenas poucos creram.

 

v.2 – Aqui começa a revelação dos sofrimentos de Jesus, o Messias. Cristo será depois grandemente exaltado: será exaltado, e elevado e mui sublime (Is.52:13). Mas primeiro é descrita a Sua profunda humilhação, sofrimentos e morte. A humilhação de Jesus é mostrada com grande profundidade.

O texto inicia mostrando a Sua humilde aparência, não impressionou ninguém, não foi filho de rei num palácio, mas foi sem glória, num lar de carpinteiro (Is.52:14).

 

v.3 – Não tinha qualidades visíveis atractivas que impressionassem. Foi homem de tristezas mesmo antes da crucificação. Desprezado e rejeitado pela própria família e conterrâneos, como um leproso cortado do convívio da sociedade.

O verso começa e termina dizendo que Jesus foi desprezado. Foi o Servo Sofredor por excelência, tido sem valor algum.

 

v.4 – A profecia assume agora um novo aspeto. Começa a desvendar o mistério do sofrimento descrito. Jesus sofreu por nós, pecadores, um sofrimento vicário, substitutivo, voluntário: ele tomou sobre si… levou sobre si… as nossas enfermidades. Os sofrimentos de Jesus deveram-se ao pecado, nosso, não d’Ele. Aflito… oprimido sugere alguém violentamente atingido pela mão de Deus. Na verdade, Jesus foi ferido de Deus, um sofrimento como castigo pelo pecado, expressão da ira do Deus Santo contra o pecado.

 

v.5 – Continua a profecia sobre sofrimento vicário de Jesus, o Messias. Mas ele contrasta novamente com o nós. Foram as nossas transgressões a causa de ter sido ferido (“traspassado”), moído. Aponta para grande sofrimento e morte violenta. Foi o castigo da nossa paz. Um castigo resultou em paz, chagas trouxeram cura. Foi assim que a nossa dívida foi paga. E porque Jesus aceitou as suas pisaduras pelas nossas transgressões, resultou em termos sido sarados, perdoados. O que nós merecíamos, Jesus suportou.

 

v.6 – Um retrato da situação do pecador: desgarrado… desviado pelo seu caminho que leva à perdição, destituído da glória de Deus. O ato supremo de Deus foi pôr sobre o Seu Servo os pecados das ovelhas levando-O a dar a Sua vida pelas ovelhas. Foi assim que Ele Se tornou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Foi Deus Quem fez e decidiu isso.

 

v.7 – A descrição do Seu sofrimento chega agora ao clímax ao descrever a maneira como Jesus suportou tudo. Ele não ofereceu resistência nem proferiu um único som. Jesus sofreu violentos maus-tratos como um animal às mãos dos homens (Is.50:6ss). Jesus permitiu ser humilhado sem oferecer resistência, sem reagir até mesmo com palavras: mudo… não abriu a sua boca. Foi um silêncio voluntário do nosso Salvador.  Foi, como um cordeiro…


v.8 – Jesus foi levado para a execução na cruz, condenado à morte: foi cortado da terra dos viventes. O tempo da sua vida foi curto, morreu aos 33 anos. Tudo aconteceu, Jesus foi atingido por causa da transgressão do pecador. Meu povo refere-se profeticamente a Israel. Mas a morte de Jesus foi por toda a humanidade.

v.9 – A intenção do sepultamento do Santo Filho de Deus, o Servo Sofredor, foi tão vergonhosa e humilhante quanto a Sua morte: Puseram a sua sepultura com os ímpios. Mas dois homens ricos, tementes a Jesus, José de Arimateia e Nicodemos, adiantaram-se, pediram o Seu corpo e sepultaram-No com honra num sepulcro novo (Mat.27:57-60; Jo.19:39-40).
O v.8 conclui que a morte de Jesus foi a de um inocente, de atos e de palavras, mas que cumpria a redenção sacrificial do mundo; …nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.
Deus recompensou a Sua inocência e o primeiro sinal disto é o lugar do Seu túmulo.

v.10 – Temos aqui a questão de como deve ser entendido o sofrimento de Cristo. O profeta oferece mais uma vez uma explicação, revela as razões profundas e misteriosas do sofrimento de Jesus. Não foi condenado por qualquer culpa encontrada n’Ele, mas porque ao SENHOR agradou moê-lo. Era a vontade oculta de Deus: agradou. Havia um objetivo divino glorioso. A vida, a alma de Jesus foi posta por expiação do pecado. Este foi o motivo, o glorioso propósito de Deus. Jesus foi a oferta pela culpa do pecado.

Foi do agrado de Deus moê-lo – nada menos! Era a obra de Deus fazer enfermar o Seu Filho. No sistema sacrificial da Lei de Moisés, a Oferta pela Culpa e a Oferta pelo Pecado era as únicas ofertas expiatórias.

A segunda metade do versículo apresenta já o resultado glorioso do sofrimento e sacrifício vicário de Jesus. Posteridade aponta para os descendentes espirituais, os crentes. Bom prazer do SENHOR prosperará… é o futuro fruto da obra de Cristo.

v.11 – O Senhor agradou-Se e aceitou como completo o sacrifício do Messias. Continua a satisfação de Deus pela oferta sacrificial de Jesus. A justiça de Deus foi satisfeita. A salvação foi alcançada.
A justificação do pecado foi concretizada e disponível a todo o que crê em Jesus: justificará a muitos, não todos, pois nem todos creem.
Somente porque o Messias leva as iniquidades deles sobre si, confere a Sua justiça vicária a todo aquele que crê, e este, por sua fé, é justificado do seu pecado e salvo.

v.12 – Por ter concretizado a redenção, Deus vai dar ao Seu Filho todos aqueles a quem Ele confere a Sua justiça, ou seja, a todos aqueles que crerem.  O Homem de Dores, o Servo Sofredor é agora um Rei conquistador, pois venceu a batalha da salvação.

          A finalizar, o profeta repete as bases para Jesus receber tudo isto, porquanto…
         
Voluntariamente, derramou a sua alma na morte.

… foi contado com os transgressores, morreu crucificado no meio de criminosos.
         
Mais uma vez, para que fique bem claro, Cristo levou sobre si o pecado de muitos…
…pelos pecadores intercedeu, logo no local da Sua morte e hoje no céu, ressurecto, à direita do Pai.

Conclusão
 Esta grande profecia fornece-nos um quadro tremendamente completo da morte que Cristo realizou em favor de Israel e por todo o mundo. O Redentor, o Messias, não pode ser outro senão Jesus.
A morte de Jesus satisfez as justas exigências de Deus no julgamento contra o pecado. Nós nunca nos poderíamos salvar a nós mesmos. Apenas este sacrifício era necessário e suficiente: E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas, também, pelos de todo o mundo. (I João 2:2)

                    Moreira, 18 de Abril de 2019 (RO)                                                    
Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia


quarta-feira, 27 de março de 2019



Vivendo  em  face  do fim  de  tudo 

 Relações entre os cristãos


"E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração."



"Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros…"

I Pedro 4:7-11


Introdução

Pela primeira vez Pedro vai dizer abertamente o que já várias vezes estava implícito na sua carta: o fim de todas as coisas está próximo. O fim da história está marcado por uma poderosa intervenção de Deus. Isto inclui o Retorno de Jesus e o juízo final: …o fim está próximo… Também Tiago 5:8 diz a vinda do Senhor está próxima.

Os cristãos devem viver as suas vidas na terra em face do fim de tudo. É viver nessa sensação de estar às portas do desfecho da história.

Mas a expectativa da vinda de Jesus a qualquer momento tem implicações no nosso modo de vida, pois tudo é visto com olhos diferentes. Afecta a nossa espiritualidade.

I. Implicações Pessoais – (v.7) – Qual o impacto pessoal na perspetiva iminente do fim? Sede sóbrios e vigiai em oração. Três coisas são pedidas:

1.-Ser sóbrio, manter a cabeça fria, não embriagado pelo mundo, a mente equilibrada, não deixar que alguma coisa do mundo venha perturbar a capacidade de ver e pensar claramente;

2.-Vigiar, olhando para o mundo na perspetiva do seu fim iminente, não nos perturbemos nem percamos a esperança;

3.-Orar, manter íntima comunhão com o Senhor. Sobretudo, não nos centremos em nós mesmos e não enfraqueçamos no nosso bom testemunho cristão.


Mas a perspetiva do fim iminente de todas as coisas também afeta a maneira como os crentes de se relacionam entre si, até que Jesus venha. É disso que Pedro fala já a seguir.


II. Testemunho, Relações entre os Cristãos – vs. 8-11 “…uns para com os outros…”

1. AMOR - v.8 – Mas, sobretudo… - Acima de tudo… - É um modo de chamar a nossa atenção para alguma coisa especial. O que é? O amor entre os irmãos na fé. Temos que ser verdadeira família. O amor é um dos principais temas do NT. É a lei real, áurea, determinada pelo próprio Senhor Jesus: O meu mandamento é este: Que vos amei uns aos outros, assim como eu vos amei. (Jo.15:12). O amor entre os cristãos é a nossa maior característica.


          Mas Pedro fala do tipo de amor que devemos ter, mais além: …tende ardente amor uns para com os outros… Tenham um amor intenso. Numa sociedade cada vez mais hostil, fria, este amor entre eles era fundamental, para os manter cada vez mais unidos. Além disso, este amor forte e sincero entre os cristãos traz outras bênçãos nas relações entre os irmãos.


Quais? …porque o amor cobrirá a multidão de pecados. Olhem o valor do amor!

O amor encobre, perdoa as ofensas dos irmãos contra nós. O amor ardente encobre as transgressões, não tem necessidade de se fixar nas faltas cometidas pelos crentes uns contra os outros. O amor sincero contribui para dar solução às diferenças entre nós, promovendo a unidade e o perdão. Se o amor for forte, afogará as faltas irritantes, acalmará a crítica, a fúria das ofensas.

Paulo escreveu: O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (I Cor.13:7)


É como o amor de Deus revelado na cruz de Jesus. Esse amor que foi à cruz cobriu a multidão do nosso pecado, redimiu-nos, perdoou-nos, salvou-nos. Aqui, a atitude de amor intenso dos irmãos uns pelos outros vai superar as tensões e levar ao perdão de ofensas. E mesmo aqueles que fraquejaram, ou se desviaram, devem ser tratados com amor, que encobre pecados e ofensas e ressalta o amor de Deus por todos, para que regressem.


2. HOSPITALIDADE - v.9 – Sendo hospitaleiros uns para com os outros…

A tónica de Pedro neste trecho é as relações entre os cristãos. Isto é marcado pela repetição de uns para com os outros (“eis heautus”). A próxima coisa de que fala, e que tem relação direta com o amor entre eles, é a prática da hospitalidade.


 Naquele tempo, as viagens eram bem mais demoradas do que hoje e bem mais difícil levar dinheiro por causa dos assaltantes. Assim, os pregadores e os missionários cristãos que estavam constantemente a viajar tinham que ser hospedados. Hospedar os missionários era e foi uma obra sumamente fundamental para o progresso e o espalhar do evangelho pelo mundo. Incluía também prover todas as suas necessidades enquanto permanecessem lá.


A hospitalidade era importante para a vida da comunidade cristã dos primeiros séculos. Senão, reparem. Não havia ainda templos, todas as reuniões eram feitas em casas. Eis alguns exemplos:

Ler: E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão."(At.8:3);
E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo." (At.5:42);
As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áquila e Priscila, com a igreja que está em sua casa." (I Cor.16:19; Rom.16:5);
Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa." (Col.4:15);
E à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa:" (Filémon 2).


As casas teriam que estar abertas para receber cada congregação. Assim, os lares dos crentes eram centrais para a sua vida cristã, lugar de culto, de comunhão com os irmãos. Muitas famílias perderam tudo, os bens, a família, por causa da perseguição aos crentes. Outros fugiam. Assim, estes crentes tinham que ser cuidados e recebidos.


Logo, ser hospitaleiro era fundamental. Mas vejam o que Pedro acrescenta à hospitalidade: sem murmurações. Ser hospitaleiro sem desprazer, com paciência, baseado no amor que tudo suporta.  Era isto que Pedro pedia nos relacionamentos dos crentes.


3. SERVIÇO - v.10 – Cada um administre aos outros o dom como o recebeu…
        Vida cristã não é só teoria, é vida de serviço aos outros. Jesus é o nosso maior exemplo. Ele foi o Servo de Deus, chamado de Servo Sofredor. Ele mesmo disse que não veio para ser servido, mas para servir (Mc.10:45). Pedro dá mandamentos p/n/relacionamentos.


Tomando o exemplo de Jesus, vamos nós também administrar aos outros o dom espiritual que Deus nos deu. Cada um de nós tem pelo menos um dom espiritual dado por Deus para o serviço cristão. Vejam em I Cor.12 uma boa definição e explicação desta dávida divina de dons espirituais. Os vs.7 e 11 são claros: …é dada a cada um para o que for útil… repartindo, particularmente, a cada um, como quer.


Nenhum crente é excluído porque todos receberam dons com os quais podem e devem servir aos outros. O que é um dom? É uma capacidade, um talento, uma vocação especial que Deus dá para o serviço dentro da comunidade cristã.


Nunca devemos esquecer isto. Um dom espiritual é dado gratuita e soberanamente pelo Espírito Santo de Deus e a sua função é servir. Nada mais do que isto. Usar o seu, ou seus dons para autopromoção, para vaidade, é absolutamente contrário ao propósito divino.


Vejam o v.10 de Pedro: Cada um… recebeu… Deus nivela todos e torna todos igualmente importantes uns para com os outros. E o que deve fazer? Reparem que o verbo é administrar. Deve fazer bom e sábio uso do seu dom. É para usar nos outros, para servir de bênção e de ajuda aos outros. Eu sirvo outros com o dom que Deus me deu, e também outros irmãos usam o seu dom para comigo. Ninguém é excluído. Não é só receber, mas dar.


…como bons mordomos (despenseiros). Refere-se ao mordomo, o administrador da casa, o encarregado de atender às necessidades de todos. …da multiforme graça de Deus. Multiforme significa “diversidade”. Graça é um favor gracioso de Deus e imerecido por nós.

O que possuímos recebemos de Deus. Assim, nós somos um depósito da variada graça de Deus para servirmos aos outros com amor e humildade sinceros.


 Conclusão – Relações entre os cristãos em face do fim

Pedro diz que na perspetiva da Vinda de Jesus, num mundo cada vez mais frio e adverso aos crentes, devemos intensificar o nosso bom testemunho. Como?

Todos recebemos dons espirituais. Portanto, todos participamos. Não há maiores ou melhores entre os cristãos. Todos recebemos de Deus o que possuímos.

Em face do fim dos tempos, que seja este o nosso bom testemunho, de um bom relacionamento como família cristã, como filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo:

- ardente amor uns para com os outros;

- hospitalidade, sem murmurações;

- servir uns aos outros com o dom que Deus nos depositou;

- ser um bom mordomo da graça de Deus

Rui Simão
Pastor na Igreja Evangélica Baptista em Moreira da Maia

sábado, 16 de fevereiro de 2019



A Pureza de Vida

Para que, no tempo que ainda vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus.

I Pedro 4:1-6 (v.2)


Introdução

O Evangelho no qual cremos oferece-nos as abundantes riquezas de Cristo. Uma dessas riquezas é sermos transformados por Deus à imagem do Seu Filho, o Senhor Jesus.



Isto traz um imperativo de vida que é a nossa santificação. A nossa conversão a Jesus, a nossa fé tem que levar a uma vida santa. Assim, este trecho de I Pedro 4 dá-nos razões de vida a partir do modelo que Jesus nos deixou e diz-nos: VIVAM A NOVA VIDA DE CRENTE, DE FORMA SANTA E PURA, ESTIMULADOS, INCENTIVADOS PELO EXEMPLO DE JESUS.

 

Vamos, então, ver o que a Palavra de Deus nos ensina NESTE TEMA agora no cap.4:

A PUREZA, A SANTIDADE DE VIDA DO CRENTE EM JESUS no mundo.



v.1 – O v.1 começa por ensinar uma grande verdade: …Cristo padeceu por nós na carne…

Jesus veio ao mundo para nos salvar da culpa e da condenação do nosso pecado. Como foi isso feito? Foi feito através do padecimento do Seu corpo (carne) até à Sua morte na cruz. Vejam bem. Jesus NÃO morreu por Ele, mas por nós. Fez isso por amor.



Depois, o texto dá-nos uma ordem: armai-vos. É a ilustração do cristão como um soldado preparado para a guerra. Estamos, nesta vida, neste mundo, envolvidos numa batalha constante, a batalha da vida cristã, para nos mantermos fiéis a Deus. Lutamos contra o pecado. Lutamos pela pureza, pela santidade vida. Este trecho fala vivamente disto.



O cristão, aquele que crê em Jesus, identifica-se com Jesus: Já estou crucificado com Cristo… (Gá.2:20). A ideia é que, tal como Jesus padeceu na carne e morreu e deu solução ao problema do pecado, assim também agora o crente, unido a Jesus, tem o poder de abandonar o pecado, de romper com a vida de pecado, com o hábito do pecado:

…já cessou do pecado neste mundo.

Cessou quer dizer, PAROU de pecar, acabou com a vida de pecado.



Esta vida de santidade e de pureza do crente prossegue no texto, já a seguir. Vejam!



v.2 – Agora fala do nosso dia-a-dia. A expressão na carne refere-se à vida física. Os cristãos têm um tempo para viver aqui na terra, antes de morrerem, antes do Pai nos chamar. E este tempo, como se vive, é importante para Deus. É o tempo da vossa peregrinação de 1:17.



Como deve o crente viver o resto da sua vida aqui na terra? Qual a nossa decisão?



As duas opções são:

a) Viver segundo as concupiscências, as paixões, dos homens (o v.3 vai detalhar um pouco estes vícios);

b) Viver segundo a vontade de Deus. Este é o tema importante nesta carta.



É claro qual deve ser o nosso estilo de vida. Qual é? Qual a nossa escolha?

É viver segundo a vontade de Deus e NÃO segundo a vontade humana carnal.



E a vontade de Deus é que aquela pessoa que agora ama a Jesus e crê n’Ele se liberte definitivamente da forma de viver do mundo. Pedro já se referiu a isto desta forma. Vejam: …não vos conformando com as concupiscências, paixões, que antes havia na vossa ignorância (1:11);

…que vos abstenhais das concupiscências, paixões carnais que combatem contra a alma. (2:11).



v.3 – Aqui, Pedro diz que já bastou de fazer coisas que eram deste mundo e não de Deus.  

Não é mais para o crente continuar a viver as paixões próprias do homem. Essa NÃO É a vontade de Deus.

E dá uma lista de coisas impróprias, de vícios carnais: andando em dissoluções…

         

É uma lista que aponta para uma vida de sensualidade, de excessos, libertinagem, de atitudes que apontam sobretudo para o pecado com o próprio corpo.

Isto já não faz parte da vida de um crente. O Evangelho transforma a pessoa para não mais viver assim. O crente nasceu de novo pelo poder da Palavra, do Espírito Santo.



          Reparem como termina a lista. Termina com a expressão abomináveis idolatrias.

          As idolatrias são cultos a imagens e não ao Deus vivo e verdadeiro. E há formas de idolatria muito pesadas e impróprias por esse mundo fora.



Mas vejam como Deus vê a idolatria, o que Deus lhe chama? abominável, detestável. Isto é, totalmente contra a vontade de Deus.



          E todo o versículo 3 diz: “Os descrentes deleitam-se nisto. Vocês, crentes, antes de conhecerem a Jesus, também participaram destas indecências no tempo passado da vida, mas agora já não. De agora em diante é tempo de servir ao Deus vivo, em pureza.”



v.4 – É como se Pedro estivesse a dizer: “Fostes seus companheiros de devassidão no passado, mas agora eles falam mal de vós, ferem-vos, por vós não quererdes mais viver como eles”.



De facto, ser crente em Jesus leva a uma mudança tal na vida do cristão que leva a um rompimento com a sociedade em que se vive, com vizinhos, com colegas de trabalho, com parentes e amigos, que não conseguem ver nada de errado no que fazem e dizem, pois todo o mundo o faz.



          Reparem na imagem que a Bíblia dá da vida mundana fora da vontade de Deus: …correr num excesso de devassidão… Judas 13 chama a essa vida devassa de ondas impetuosas do mar que espumam as suas mesmas abominações…



É uma vida sem freios, totalmente dominada pelos instintos carnais, paixões. É uma corrida que se vai precipitar em algo muito mau.



v.5 – Mas agora chegamos a um ponto importante. Há consequências, haverá um juízo para o tipo de vida escolhido para viver, ou de acordo com as concupiscências dos homens ou segundo a vontade de Deus.



Cada pessoa será julgada de acordo com as suas obras: hão-de dar conta… Haverá prestação de contas perante um grande e Justo Juiz, Deus.

         

Actos 17:30-31 diz: Mas Deus… anuncia agora, a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam, porquanto tem determinado um dia em que, com justiça, há-de julgar o mundo…

         

Não haja ilusões e que ninguém tenha dúvidas. Em 3:20 Pedro deu o exemplo do grande julgamento de Deus que se abateu sobre a terra no tempo de Noé, o Dilúvio.



Este mundo vai chegar ao fim e cada um é responsável pela forma como viveu a sua vida neste mundo, pelos actos que praticou. Deus, Jesus, está preparado para julgar os vivos e os mortos, quer dizer, TODOS sem exceção.



          O Juiz deste julgamento é competente para julgar com justiça, sem falhar. Ele já tem tudo preparado. Será inútil tentar defender-se, pois a vida de cada um é maior prova contra ele. Apocalipse 20:12 diz: E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus; e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.



 Conclusão

Há uma ideia de urgência e de iminência que precisa de ser captada pelas pessoas. A expressão do v.5 está preparado para julgar indica que esse acontecimento não está distante, não está longe, segundo os cálculos divinos. Está tudo pronto.

Por toda a sua carta, Pedro fala do julgamento final como estando aí, às portas, que pode dar-se a qualquer momento.

Por isso, o mundo descrente e perdido tem que ouvir o Evangelho da salvação, precisa de crer em Jesus Cristo como Salvador, precisa de arrepender-se do seu pecado e voltar-se para Deus numa nova vida, vida de pureza e de santidade.


Para que, no tempo que ainda vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus. (4:2)

Rui Simão
pastor na igreja evangélica baptista em Moreira da Maia

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018



Nascimento de Jesus

E vimos, e testificamos, que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.

I João 4:14


Introdução

Neste trecho de I João 4:7-14 o tema central é o amor de Deus. O v. 9 é um dos mais conhecidos versículos da Bíblia: Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Mas o que vemos é que ao falar que Deus é amor, João dá aqui a maior prova do amor de Deus que é o Pai ter enviado o Seu Filho ao mundo. Assim, temos aqui a verdadeira história do nascimento de Jesus, a história do Natal: …o Pai enviou o seu Filho para Salvador do mundo. (v.14).


I. O tema do Natal
   NATAL - palavra que significa "nascimento". O que celebramos, neste caso, é o nascimento neste mundo de Alguém único - JESUS CRISTO.

Se quisermos contar a uma criança o que é o Natal numa única declaração, se quisermos dar a alguém o tema do Natal, ou explicar a alguém por que é que celebramos o natal, está aqui.


          Natal não tem nada a ver com pai natal, com presentes, com reunião da família. A razão do Natal é esta: …o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.


          Vamos ver algumas declarações importantes sobre a razão da vinda ao mundo de Jesus, algumas lições acerca do motivo da encarnação de Jesus, os motivos reais da declaração de I João, o Pai enviou o Seu Filho para Salvador do mundo.


1. – Vejamos Mateus 1:18-21, o relato clássico do nascimento de Jesus, em especial os vs.18 e 21: Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim… e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome JESUS – PORQUÊ? - ; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.



Então vejam que Mateus segue a mesma verdade de João. Jesus nasceu para nos salvar da culpa e da condenação dos nossos pecados.



2. – Vamos agora para Lucas 2:10-11. O tema é o mesmo. Anjos vão anunciar aos pastores o nascimento de Jesus e dizem: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria – trago boas notícias, trago o Evangelho -, que será para todo o povo: pois, na cidade de David, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
Reparem no mesmo tema: o Salvador.


O tema do natal não é que nasceu um menino, embora tenha nascido um menino; o tema do natal não é que nasceu um Rei, embora tenha nascido um Rei. O tema do natal é que veio o Salvador do mundo.

3. – Vejamos em Lucas 2:25-30, o v.30. Jesus foi levado aos oitos dias de vida pelos seus pais para ser circuncidado no templo, como era a lei judaica. Estava lá um homem justo e temente a Deus, Simeão, que aguardava a promessa da vinda do Messias. Quando este idoso Simeão vê o bebé Jesus ao colo dos pais, ele diz: Pois já os meus olhos viram a tua salvação. Estão a ver?


Este idoso olha para Jesus e diz que está a ver, não apenas o Salvador, que é, mas que está a ver a salvação de Deus. Jesus é a salvação. Jesus disse: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.


A história do natal é que a salvação de Deus foi enviada ao mundo. A salvação não é apenas um plano, que é, mas é uma Pessoa, Jesus Cristo: …o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.


É isto que celebramos no natal. Está é a verdadeira história.

Se nós nos pudéssemos salvar a nós mesmos, então não precisaríamos de um Salvador.

Se houvesse algo em nós ou algo que nós pudéssemos fazer, se alguma boa obra nossa nos salvasse, se nós pudéssemos ser bons o suficiente para entrar no céu, então por que é que Deus mandaria o Seu Filho para Salvador do mundo?



Mas a história divina do Natal encerra em si mais lições profundas e únicas que precisamos de conhecer. Por isso, voltemos a I João 4.



II. O Amor de Deus - I João 4:9-11

João aqui baseia o seu argumento da dádiva histórica de Jesus no quê? No amor de Deus. Depois de dizer claramente no v.8 que Deus é amor, João diz que Deus provou, que Deus MANIFESTOU, Deus expressou o Seu amor enviando o Seu Filho à terra.



Vejam o v.9, onde está o facto concreto de que Deus TANTO nos amou que enviou o seu Filho unigénito ao mundo. Houve muitas manifestações do amor de Deus, mas nenhuma a este nível. Esta é a verdadeira razão do natal.



Vejam o v.16: E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor… 



      A vinda, a encarnação de Cristo é, pois, uma revelação concreta e histórica do amor de Deus. Nunca houve, nem nunca haverá maior dádiva do que a dádiva que Deus fez do Seu Filho. Esta é a verdadeira razão de celebrarmos o natal. O amor de Deus comprovado em Jesus em carne.



III. Deus enviou o Seu Filho para ter um relacionamento connosco

A Bíblia ensina-nos que foi Deus o Autor deste relacionamento. Foi Deus quem deu o primeiro passo, não nós. Vejam o v.19: Nós o amamos a ele… - PORQUÊ? - , porque ele nos amou primeiro. É um amor que quer um relacionamento pessoal.



O v.10 diz que o amor primário não é nosso, mas o de Deus, amor incondicional, e todo o amor que houve, ou que há em nós é apenas uma resposta ao amor original, o amor de Deus. Foi Deus quem nos amou primeiro: Nisto está o amor, não em que NÓS tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho…



Foi Deus Quem iniciou o processo, o plano da salvação. Foi o Seu amor. Nós estávamos perdidos, mas Ele veio, Ele procurou-nos, Deus iniciou a redenção, o Pai iniciou a reconciliação, foi Deus Quem deu o primeiro passo para o relacionamento com o homem. Isto é natal.



        Mas agora queria que prestássemos atenção às três afirmações em cada uma delas diz que Deus enviou o Seu Filho (vs.9,10,14). Filho, indica singularidade. Jesus é o Filho no sentido absoluto, é o unigénito, único. O escritor, João, usa esta expressão para nos dizer que não se pode conceber nenhuma dádiva maior de Deus porque não era possível nenhuma dádiva maior. Foi este o Seu dom inefável, do Filho unigénito, pois não tinha outro (II Co.9:15).



1.º- Deus enviou o seu Filho… para que por ele vivamos (v.9) – Jesus veio para vivermos por meio d’Ele, para que pudéssemos ter vida eterna. Isto é o natal.



2.º- …Deus enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados (v.10) – O que significa “propiciação”? É apaziguar a ira de alguém e relacionar-se com ela por meio de uma oferta.



A maravilhosa verdade do evangelho é que somos salvos da ira de Deus e reconciliados com Ele porque Deus tomou a iniciativa e enviou o Seu Filho ao mundo.

Este Filho deu a Sua vida em sacrifício na cruz para pagar a culpa dos nossos pecados.



Estávamos mortos em ofensas e pecados, debaixo da ira e do juízo de Deus.

Nós, pecadores, não podíamos resolver o problema dos nossos pecados.

Mas Jesus foi à cruz satisfazendo a justiça do Deus Santo, apaziguando a Sua ira. Isso é propiciação.



Nós não conseguíamos resolver o problema do nosso pecado, não temos essa capacidade.



Vejam I João 3:4-5. Qualquer que pratica o pecado – E ISSO SOMOS TODOS NÓS – também transgride a lei; porque o pecado é a transgressão da lei. Ou seja, basta uma pequena desobediência a Deus e já somos transgressores.

Mas observem o v.5: E bem sabeis que ele se manifestou – ou seja, JESUS VEIO AO MUNDO – para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado.  

Por isso é que Jesus é nosso Salvador e propiciação, porque é perfeito.



3.º- …o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo (v.14) – Somos pecadores, precisamos de um Salvador e Jesus veio para salvar não apenas a mim, ou a ti, mas ao mundo todo.



Conclusão

Eu nunca poderia resolver a culpa do meu pecado, mas apenas Jesus. Por isso o Pai O enviou ao mundo. Então, natal é o envio do Filho para essa reconciliação do pecador com Deus. Deus tinha que Se fazer carne, Deus tinha que Se manifestar em carne, Deus tinha que habitar entre nós.



Natal traz a revelação da salvação de Deus, a prova do Supremo amor de Deus em Jesus, enviado do céu à terra.

Jesus aqui nasceu e viveu como homem perfeito para salvar o homem perdido: Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós… (I João 3:16).



Porque Deus amou o mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)


Se queres celebrar verdadeiramente o natal, crê neste Jesus, crê na Sua obra salvífica na cruz. Crê em Jesus neste natal, se ainda o não fizeste, para poderes receber gratuitamente a salvação eterna de Deus.



                        Moreira, 23 de Dezembro de 2018 (17h)  

Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista em Moreira da Maia
(adaptado de Pr R. J.)