domingo, 31 de maio de 2020


 
Olhar para Deus, o Senhor, em tempo de Grande Crise 1

Regozijai-vos sempre… em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus…
 (I Tes.5:16-18)


Introdução
Ainda no meio da crise desta Pandemia Covid-19 provocada pelo novo corona vírus, esta é a primeira mensagem da nossa igreja na reabertura das portas para permitir os cultos da forma o mais normal possível, mas ainda com muitas condicionantes.

De qualquer das formas, creio que, sem dúvida, este é um momento para fazermos DUAS coisas muito importantes:

1.- Momento de Gratidão ao Senhor
Este é um momento de grande agradecimento ao Senhor Deus pela Sua proteção e pelo Seu favor durante estes meses.  Agradecimento ao Senhor pelo Seu amor, pelo Seu cuidado demonstrado a tantos níveis e de tantas formas nas nossas vidas e nas dos nossos familiares. Levantemos os nossos olhos e os nossos corações e sejamos gratos ao nosso Deus.

Olhem o que diz a Palavra de Deus: Bom é louvar ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo; Para de manhã anunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade. (Salmo 92:1-2); Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome. (Sl.100:4); Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre. (Sl.136:1)

2.- Momento de Reflexão
Mas este também é o momento de reflexão. Não podemos perder de vista as lições que Deus nos quis dar e está a dar com esta pandemia. Achar que isto foi apenas mais um acontecimento no mundo e nas nossas vidas e não refletir, não meditar, será muito mau, será desperdiçar grandes ensinamentos. Por isso, a pergunta:

O que é que o Senhor Deus nos quis mostrar, ao Seu povo e ao mundo?

A Pandemia do novo corona vírus é a maior crise que afetou todo o mundo desde a Segunda Guerra Mundial. Reparem, esta pandemia veio pela ação de um vírus, aquele foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo, incluindo todas as grandes potências. Morreram mais de 60 milhões de pessoas.

Esta Pandemia o que fez? Fechou o mundo inteiro – lockdown - e os acontecimentos ocorreram como peças de dominó que não paravam de cair uma atrás das outras a cada dia. Grandes danos caíram sobre a economia mundial e, consequentemente, sobre as populações e as famílias, por tudo ter fechado e parado apenas por cerca de 3 meses.
As repercussões ainda estão por determinar. Mas meditemos bem. O que é que pudemos ver? O poder draconiano, fortíssimo, dos governos sobre os detalhes da vida das pessoas que passou para um novo nível que nós não conhecíamos, mesmo nas nações livres.

Tudo isto parece uma simulação, um teste para o Anticristo que está para vir no poder do diabo. Vejam apoc.134,,7: …o dragão, que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?... e foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua e nação. E certamente que o diabo poria o Anticristo a governar o mundo hoje se não houvesse quem o detivesse, o Espírito Santo de Deus: Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado (II Tes.2:7).

Como vimos, a OMS declarou uma Pandemia, indicou medidas sanitárias de confinamento, que tudo deveria fechar. E assim aconteceu na maioria das nações deste planeta. Foi declarado o Estado de Emergência e depois o Estado de Calamidade com as restrições impostas às pessoas e às empresas. Como vimos, com facilidade, mesmo nas maiores potências livres do mundo, as liberdades das pessoas foram cortadas. Vieram muitas restrições por causa da saúde. Foi decretado que não podíamos sair de nossas casas. Foi decretado o que poderia abrir e quem é que poderia sair e de que maneira. As igrejas e os lugares de culto foram fechados na maior parte do mundo.

Subitamente, a internet e o telemóvel assumiram os papéis principais. Tudo passou a ser online, as escolas, os médicos, etc. Imaginem só se os governos dissessem que para as pessoas poderem abastecer-se nos supermercados, nas farmácias, levantar dinheiro, etc, seria necessária uma senha e que essa senha só era dada às pessoas se as pessoas aceitassem determinada regra!  Esse será o cenário do Anticristo que virá. E se essa senha fosse contra os nossos princípios cristãos bíblicos? É por isso que isto foi um teste.

Então, devemos tirar todas as lições desta Pandemia. Algumas perguntas importantes:
Onde e como está o meu coração nisto tudo?
O que é que esta grande crise mostrou?
Como é que esta grande crise testou a minha coragem, a minha fé?
O que é que foi revelado? O que é que o Senhor me/nos quis mostrar e ensinar?

Aqui, gostaria de dividir a resposta em dois grupos: 1.º- Crentes e 2.º- Não crentes. Hoje apenas teremos tempo de tratar do primeiro grupo - Crentes.
Lições da Pandemia Covid-19 para os Crentes

I. Olhar para Deus, o Senhor, em tempo de Grande Crise
   Os crentes, os filhos de Deus no meio da Pandemia Covid-19

1. Será que eu realmente, verdadeiramente acredito que é Deus Quem muda os tempos e que os meus tempos estão nas Suas mãos?
          Vejam duas passagens bíblicas:  Falou Daniel, dizendo: Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele são a sabedoria e a força; E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis. (Dan.2:20-21);
Mas eu confiei em ti, Senhor; e disse: Tu és o meu Deus. Os meus tempos estão nas tuas mãos… (Sl.31:14-15). Estamos a agir acreditando que isto é verdade?

2. Que os nossos corações estejam focados nas realidades do céu e não do mundo
          Nesta crise, não tiremos os nossos olhos da realidade bíblica: Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. (Col.3:1-4) No meio da crise nesta terra, temos os pés na terra, mas os olhos no céu.

3. Vamos manter a mente de um peregrino cuja cidadania está no céu e está simplesmente numa viagem, numa passagem por este mundo como se estivesse numa terra estranha
          Que possamos cantar do fundo do nosso coração:” Este mundo não é a minha casa. Estou apenas a passar por ele”. Não lancemos raízes profundas neste mundo. Não amemos este mundo como a mulher de Lot amava Sodoma e olhou para trás. Em desobediência à expressa ordem de Deus, ela olhou com pena para o mundo de pecado que Deus estava a destruir. Por isso temos a advertência solene de Jesus quanto aos últimos tempos: Lembrai-vos da mulher de Lot (Lc.17:32).

Que a bandeira mais alta para nós seja a bandeira do céu e não a deste mundo. Vejam o que Hebreus 11 diz do que ia no coração de Abraão: Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus… confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra… Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. (Hb.11:10, 13, 16). No meio desta Pandemia, a nossa verdadeira cidade está no céu.

4. Alegremo-nos nas tribulações como o Senhor nos diz para fazermos, compreendendo o propósito e os benefícios delas na vontade de Deus
          Vejam o que o nosso Deus nos diz em Romanos 5:3-5: E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
                                   
A palavra “gloriamos” tem a ideia de “alegrar-se, regozijar-se”, ter confiança, certeza, vangloriar-se nas tribulações. É o oposto de ficar desencorajado, frustrado, oprimido, abatido, derrotado, zangado com as tribulações. É assim que nos devemos ver agora.

5. Confiemos na Palavra de Deus e acreditemos nas Suas promessas de uma maneira real e prática
          A vida cristã não é teoria e conhecimento. Devemos questionar-nos a cada passo: Será que eu acredito mesmo que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus? (Rom.8:28). Acredito firmemente que os meus tempos estão nas Suas mãos? (Sl.31:15). Que o Senhor é o meu pastor, nada me faltará? (Sl.23:1), que certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida? (Sl.23:6). Acredito que o justo não é desamparado nem a sua semente mendigará o pão? (Sl.37:25). Acredito que Deus nunca me deixará nem me desamparará? (Heb.13:5).

Que seja este o nosso testemunho diário nesta Pandemia. Que seja isto aquilo que os outros vejam e ouçam de nós. Não duvidemos, não receemos, não nos queixemos, não fiquemos confusos, frustrados, agindo como agem, fazendo como fazem os perdidos sem Deus à sua volta. Nós somos a luz do mundo e o sal da terra, disse-nos o Senhor Jesus.

          Estou a buscar verdadeiramente em primeiro lugar o reino de Deus e a Sua justiça, ou outras coisas têm o primeiro lugar?

          Que possamos dizer como Job: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor… receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? (1:21; 2:10).

          Que possamos dizer como Habacuque: Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.

6. Que esta crise mostre que nós verdadeiramente NÃO amamos este mundo, que nós NÃO estamos conformados com este mundo
          Esta crise serviu para nos mostrar que a par da responsabilidade e do dever de cuidarmos das nossas vidas e das vidas dos nossos queridos, o nosso coração não pode amar mais este mundo do que ao Senhor, ficando ansiosos, tristes e preocupados com aquilo que poderia acontecer com os nossos planos que já tínhamos para este mundo, mas que não se irão concretizar: “Eu tinha marcado isto, eu todos os dias fazia aquilo, eu ia receber aqueloutro, etc, etc, mas agora perdi tudo!”.

Olhem o que diz a Palavra de Deus: E não sede conformados com este mundo (Rom.12:2). Não reagir com decepção porque foram fechadas muitas atividades que afinal são coisas vãs que pertencem a este mundo, mostrando assim que não somos mais amigos deste mundo do que de Deus. Vejam o diz a Palavra do Senhor:  Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (I João 2:15-17);

Não tenhamos pena do que “perdemos”, do que fomos privados de ter.

Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. (Tiago 4:4). Esta Pandemia foi, é uma simulação, um teste ao nosso coração cristão.

7. Esta Pandemia que nos fechou mostrou como gastámos o nosso tempo
          Quando ficámos fechados e confinados em nossas casas, impedidos de uma vida normal, tivemos a oportunidade de também aí evidenciar o carácter da nossa vida cristã. Por exemplo, orar mais ao Senhor, ler mais as Escrituras, testemunhar mais usando a internet ou o telefone. Pudemos encorajar mais os outros com a Palavra de Deus ajudando-os a pensar melhor sobre esta crise dando-lhes uma visão correcta, bíblica, do que se está a passar.

Fomos proibidos de abrir as portas das igrejas, mas os cultos continuaram pela internet. O nosso amor ao Senhor pôde ser mostrado quando procurámos permanecer fiéis não falhando aos cultos online. Afinal estávamos retidos em casa e havia mais tempo. Vejam o que diz Romanos 12:11: Não sejamos vagarosos no cuidado, (que não vos falte o zelo) sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor.

Conclusão
Olhar para Deus, o Senhor, em tempo de Grande Crise.
Regozijai-vos sempre… em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus…
Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista de moreira da maia
(Adaptado de David Cloud)

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Apocalipse - A Visão do Trono da Majestade Divina - Introdução

As Últimas Palavras de Jesus à Igreja

 A Visão do Trono da Majestade Divina - Introdução

“Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu…”

Apocalipse 4:1 (caps 4 e 5)

 

Introdução – Chegámos agora à terceira parte do maravilhoso livro do Apocalipse. Hoje faremos apenas uma introdução ao que Deus nos vai revelar a partir daqui. Devemos sentir-nos gratos e privilegiados por termos a honra de vislumbrar a “Sala” onde se encontra Deus no Seu majestoso Trono. A divisão de TODO o livro está em 1:19:

1.ª - Escreve as coisas que tens visto – é o que João viu no início, no cap. 1, a visão de Jesus glorificado;

2.ª – e as que são – foram os caps 2 e 3, as cartas às sete igrejas da Ásia com a revelação de Jesus para a Sua igreja e que contém uma perspetiva da igreja ao longo da história;

3.ª – e as que, depois destas, hão-de acontecer. Esta é a terceira e a parte mais longa do livro, cap. 4 a 22. O que contém? Tem a informação que todos querem saber, a revelação profética do futuro que aguarda a humanidade. Aqui temos o que ainda está por acontecer.

 

          Como sabemos que esta é a terceira parte do livro? Porque 4:1 começa precisamente assim: Depois destas coisas…, a mesma expressão grega de 1:19: …as coisas…depois destas… João recebe um convite: Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. É assim que sabemos que inicia a terceira parte do livro.

 

          Os capítulos desta longa terceira parte do livro, de forma simples, dividem-se assim:

. Caps.4-5 – Uma Visão da Majestade de Deus, Pai e Filho, no Trono, com cenas celestiais;

. Caps. 6-19 – Os acontecimentos do período da Tribulação na terra e a Segunda Vinda;

. Caps. 20-22 – O Reino Milenar de Jesus, Julgamento do Grande Trono Branco, destruição desta terra e a Nova Criação de todas as coisas, a Nova Jerusalém e a Eternidade.

 

          A futura vinda do Reino de Deus inclui o quê? Inclui a destruição dos poderes do mal, a destruição de Satanás e dos seus demoníacos seguidores, a destruição da morte.

 

          Mas antes de serem destruídos, esses poderes maus vão empenhar-se num esforço final desesperado de tentar destruir o povo de Deus. Porém, nesse terrível conflito definitivo entre Satanás e Deus, o relato do Apocalipse começa logo por revelar Quem está no trono a governar o universo: É Deus, o Pai e o Senhor Jesus Cristo (caps.4-5).

 

          Por isso, estas visões levam-nos para diante do trono de Deus de onde procederão todas as demais predições e onde está o comando de todos os acontecimentos finais. Deus é aqui visto como o Senhor, digno de toda a honra, glória e poder, incluindo o poder sobre a terra, que foi usurpado pelas forças malignas.

 

          Iniciemos, pois, os caps.4 e 5, antes de começar o período da Tribulação na terra.

 

Temos uma visão celestial de onde e de Quem procederão os julgamentos sobre a terra.

 

          Tal como termina 3:21, e me assentei com meu Pai, no seu trono, a cena dos caps.4 e 5 é do Trono e de Duas Pessoas da Trindade, Deus, o Pai e Deus o Filho.

 

          Deus, o Pai, é o foco do cap.4. Ver: …um assentado sobre o trono… ao que estava assentado sobre o trono… Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus…ao que estava assentado sobre o trono… (vs.2b-3a,8b 9).

 

         E Deus, o Filho, o Cordeiro, é o foco do cap.5, antes de começarem os juízos: …E olhei e eis que estava no meio do trono…um Cordeiro… prostraram-se diante do Cordeiro… digno é o Cordeiro… (vs. 6, 8 12).

          Ambos os capítulos iniciam referindo-se ao trono. Vejam 4:2 e 5:1. Trono é o lugar onde se assentam os reis. Aponta para poder, autoridade, comando.

 

          Os papeis de Deus, o Pai, e de Deus, o Filho, são diferentes nestes dois caps. O cap. 4 destaca o Pai como o Criador, O cap.5 destaca Deus, o Filho, como o Redentor.

 

          Vejam, por exemplo, quanto a Deus Pai, o início de 4:11: Digno és… Se formos para 5:9, 12 diz o mesmo de Deus Filho: Digno é…

 

          Quanto a Deus Pai, o texto de 4:11 prossegue e diz porque é que é digno: …Senhor, de receber glória, e honra e poder, porque tu criaste todas as coisas…

 

          Quanto a Deus Filho, o Cordeiro, Jesus, 5:9, 12 também explica porque é que é digno de ser adorado: porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens… Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força e honra…

 

          O que é que estamos a ver aqui? O que está a acontecer no céu? Está a acontecer adoração celestial, pura e perfeita por parte de milhões de milhões, e milhares de milhares (5:11). Deus, o Pai, a ser glorificado porque Ele criou todas as coisas. Deus, o Filho, a ser glorificado por Ele redimiu todas as coisas e as reconciliou com Deus.

 

          Para que servem os caps. 4 e 5? Para nos mostrarem onde está o poder, a soberania e o comando, a autoridade. Estamos a ver, para nosso ensino,  verdadeira e pura adoração no céu dirigida a Deus, o Pai, e a Deus, o Filho.

 

          Vejam a conclusão desta adoração, a conclusão dos dois caps 4 e 5. Está em 5:13-14, e o que vemos? Vemos adoração ao Pai e ao Filho. Verdadeira adoração é assim, nada tem a ver com formas de adoração que vemos hoje em tantas igrejas com atitudes desordenadas, histeria, descontrolo, barulho.

 

         Verdadeira adoração tem razão, tem racionalidade, tem objetivo, tem foco. É o culto racional de que Paulo fala em Romanos 12:2. O único foco da adoração é Deus, nada mais, ninguém mais.

 

         Quando começarmos a ver mais à frente no estudo do Apocalipse, os juízos, os castigos, os julgamentos de Deus sobre a terra nos caps. 6-19, de tanta intensidade e de tanta severidade, podemos perguntar: Será que Deus tem realmente o direito de julgar o mundo, a criação como Ele o vai fazer?  A resposta está aqui:

 

         Vejamos apenas alguns poucos exemplos: 6:4, 8: E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada... e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com mortandade, e com as feras da terra. Podemos imaginar isto?

 

8:7, 9: E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra; e queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada… E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar…

 

9:5-6, 18: E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem; e o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem. E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles… Por estes três foi morta a terça parte dos homens…

 

16:2: E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem.

 

 

          Poderemos sequer imaginar o que Deus vai enviar a esta terra?

 

          Então, Será que Deus tem realmente o direito de julgar o mundo, a criação como Ele o vai fazer?

          E a resposta a esta questão é encontrada nos caps 4 e 5, na cena, na visão celestial, antes mesmo dos acontecimentos, antes mesmo dos julgamentos iniciarem.

 

          Em 16:7, lemos: E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos.

 

          Aprendemos que Deus, o Pai, e Deus, o Filho, são dignos, estão qualificados, pois através das Suas mãos divinas veio a criação de tudo; através de Deus veio a redenção do pecado. Deus é o Criador e também o Redentor.

 

          Deus, o Filho, saiu da glória, desceu à terra, deixou a eternidade e entrou no tempo dos mortais, encarnou para redimir o homem pecador, através do Seu próprio sacrifício, da Sua crucificação, morte e ressurreição dos mortos.

 

          Portanto, não há maiores credenciais do que estas. O Criador e o Redentor, no Seu tempo, na Sua providência, no Seu poder Omnipotente e justo têm o direito de julgar a Sua criação e estes dois caps 4 e 5 servem para o provar.

          Provam o poder e o direito divinos de intervir assim no mundo.

 

          Não é verdade que o homem está sempre a levantar o seu dedo e a desafiar Deus? “Deus não tem o direito de fazer isto!” Mas tem, pois Ele é o Criador e o Sustentador de tudo o que existe. Na verdade, nós nem sequer teríamos o nosso próximo respiro se ele não fosse permitido, sustentado pelo poder de Deus.

 

          Estes dois caps. 4 e 5, também servem para nos assegurar o quê?

          Que Deus vai intervir na humanidade, não demorará a ocorrer e que nenhum poder, nem mesmo o de Satanás, o pode impedir.

 

          Vejam bem: O apóstolo João esteve até aqui com uma visão sobre a terra, sobre a longa história da igreja nas suas lutas e vitórias, nas suas derrotas, nas suas advertências e promessas feitas por Jesus, o Senhor da igreja (caps. 2 e 3).

 

          Mas, agora, a sua atenção é voltada para uma visão completamente diferente, celestial, sem alarme, sem turbulência, sem sustos de adversários, de segurança e paz perfeitas, de glória, de luz, de adoração, de esperança, uma visão de Deus entronizado. v.8

 

          João pôde assim ver que, afinal, por trás do palco dos acontecimentos, que os nossos olhos não veem, Deus está a governar o universo, no Seu trono. Deus não Se separou da Sua criação. Tem tudo sob controlo.

 

          Outra pergunta: Para que servem os juízos, os desastres que Deus vai lançar sobre a humanidade?

          São instrumentos usados por Deus, quer para castigar o mundo iníquo que afronta a Santidade e autoridade de Deus, quer para trazer os homens de volta a Si, se eles se arrependerem, se eles crerem.  

 

          De quem é a decisão? A decisão é pessoal, é de cada um. As opções são apenas duas: 1.ª - Seguir ao Senhor Deus ou; 2.ª - seguir aos poderes demoníacos que procuram cativar e controlar as mentes das pessoas nesta terra onde também têm poder? Não podemos esquecer 1:1-3,8.

 

          Sabermos isto deve servir para nosso consolo e esperança, nós que vivemos no meio de tantas tribulações, perseguições. A lição global do livro do Apocalipse é esta também, que os homens vejam que o caminho de Deus, do Evangelho de Jesus é sempre o melhor.

 

A Introdução a esta terceira parte do livro já vai um pouco longa, eu sei. Mas quero concluir entrando apenas no início do v.1 do cap.4.

 

I. A Sala do Trono de Deus – Cap.4

         Algumas coisas importantes são ensinadas logo no primeiro versículo. Aqui, gostaria de dizer algo muito relevante à medida que prosseguimos o estudo deste livro maravilhoso.

Apocalipse não é um livro de fácil entendimento. Nem sempre há consenso sobre o significado dos acontecimentos aqui descritos. Há posições doutrinárias diferentes quanto aos acontecimentos finais da história da humanidade que é o tema principal deste livro do Apocalipse.

Não é nosso propósito entrar em controvérsias, nem em debates que não tragam edificação espiritual.

Por isso, procuraremos esclarecer o texto com as respostas mais adequadas debaixo desta orientação: A Escritura explica-se a si mesma.

 

         O Cap. 4 divide-se em três partes: 1. João é chamado ao Céu para ver estas coisas, para observar uma cena celestial (v.1); 2. A Visão que João observou no Céu (vs.2-8); 3. O Cântico de adoração pelas entidades celestiais a Deus o Pai como Criador (vs.9-11).

 

1.- A Convocação, a Chamada de João para o Céu

Para melhor compreendermos a razão do livro temos que recuar um pouco ao seu início. O apóstolo João estava exilado na ilha grega de Patmos por determinação das autoridades romanas (1:9). Aqui, João recebe a primeira visão. Qual é? A visão do Senhor Jesus em glória, exaltado, caminhando no meio de candelabros de ouro com mandamentos e revelações para as igrejas (1:10-15, 19).

Essas sete igrejas apresentam-nos a visão sobre a igreja de Cristo ao longo da História até ao final, representadas pelas cartas às sete igrejas da Ásia (caps.2 e 3).

 

v.1 – Depois destas coisas –A atenção do apóstolo João é desviada da terra para o céu pois vai agora receber novas visões celestiais. Diz que ele olhou e via ver algo.

 

…eis… - Esta palavra chama a nossa atenção para algo importante e excitante.

 

…estava uma porta aberta no céu… - A barreira, o véu que esconde o mundo celestial foi temporariamente aberto como uma porta que se abre. Esta é a porta da revelação. Veremos como as cenas do apocalipse mudam do céu para a terra e da terra ara o céu.

 

De seguida, João vai ouvir uma voz que fala com ele e vai identificá-la. É a primeira voz, que como trombeta ouvira falar comigo… João identifica a voz que fala com ele como sendo a primeira que lhe falou, a voz de Jesus (1:10). A trombeta indica que é uma voz poderosa para uma poderosa convocação.

A convocação é uma chamada para João subir ao céu: Sobe aqui…. Para quê? …e mostrar-te-ei as coisas que, depois destas, devem acontecer.

 

Conclusão

Ou seja, Jesus está a dizer que vai mostrar a João coisas no céu, os caps 4 e 5, e as coisas que a seguir, na sequência do que é revelado nos caps 4 e 5, vão acontecer sem falha alguma, os caps. 6 em diante.

 

E o que é? São os terríveis acontecimentos finais da história da humanidade e, depois

finalmente o início da eternidade.

 

           

Moreira,      de               de 2020 (      )

sábado, 29 de fevereiro de 2020



Crise do Coronavírus (Covid- 19) e o Rei Jeosafá
…e não sabemos o que faremos; porém, os nossos olhos estão postos em ti...
II Crónicas 20:12

Introdução – Adaptação e baseado num estudo entregue pelo pastor Jason Seville numa igreja evangélica na China, não identificada por razões de segurança.


Este pastor diz que enquanto está sentado no seu apartamento na China, um país infestado pelo Coronavírus, não consegue pensar numa oração melhor do que aquela, proferida por um rei da Judeia desesperado, mas confiante, chamado Jeosafá (II Cr 20.12).

          Os olhos de um mundo ansioso estão nessa crise de saúde global. Empresas e escolas, na China, e no mundo inteiro, estão a atrasar ou a fechar as suas atividades. As fronteiras estão a fechar-se. E nos últimos dias, muitas companhias aéreas suspenderam todas as viagens dentro e fora deste grande país.
Em todos os momentos da nossa vida, especialmente nas crises, devemos voltar-nos para o Senhor em humildade e em oração: “Não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti Senhor”. Para entendermos o contexto, lemos 20:1-3.

          Esta antiga perspetiva de Jeosafá é mais apropriada para Fev./Março de 2020 do que poderíamos pensar. Naquela altura, exércitos perigosos aproximavam-se de Judá. Mas sua fé era abrangente. Jeosafá não estava a confiar no Senhor apenas diante de uma potencial derrota militar, mas para qualquer desastre que pudesse vir! Vejam o v.9.

        Jeosafá confiava, apesar do grande perigo. Mesmo diante de peste ou praga, ele clamava a Deus. E, dada a atual ameaça de pandemia, precisamos de aprender a fazer o mesmo. Aqui estão cinco aspetos, da confiança de Jeosafá em Deus, que podem nos ajudar hoje.

I. Confiemos no Senhor, apesar dos receios
“Então, Jeosafá temeu e pôs-se a buscar ao SENHOR… (v.3a)
Ele não era sobre-humano; ele era uma pessoa normal, como nós. O passo inicial de quem confia na ajuda de Deus – naqueles dias ou nos nossos – deve ser o de admitir fraqueza. É uma boa atitude chegar agora diante do Senhor e dizer-Lhe honestamente como estamos, assustados, se for o caso.  Não é vergonha.

          O objetivo é sermos sinceros, confiando n’Ele, mesmo nas nossas preocupações mais profundas. Jeosafá escolhe confiar no Senhor, ao que também nós HOJE somos chamados. A confiança é sempre uma escolha. E é isso que teremos que fazer repetidamente: CONFIAR.

II. Incentivar os outros a confiarem também em Deus – vs.3b-4
          Depois de Jeosafá buscar a Deus, ele proclama um jejum nacional: Então Jeosafá temeu, e pôs-se a buscar o Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscar ao Senhor. (II Cr. 20.3,4). O rei sabe de onde vem a verdadeira ajuda e leva outros a irem até lá em busca de esperança.

          Quando todos ao nosso redor estão receosos e alarmados, os nossos vizinhos temem que o céu esteja a desabar, devemos lembrar uns aos outros que servimos a um Deus amoroso, misericordioso e soberano (Sl. 91).

          Ao levarmos as nossas ansiedades ao Senhor em oração, podemos experimentar uma paz que ultrapassa o entendimento: Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Fp 4.6-7).
E, quando experimentamos tal paz, a esperança contra cultural, contraintuitiva, que temos em Cristo, é revelada: e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, (I Pe. 3.15). Afinal, a nossa fé é pessoal, mas não privada. Incentivemos os outros a confiar em Deus.

III. Clamemos ao Senhor – vs.5-12
          Jeosafá oferece um modelo de oração nos versículos 5-12. Ele apela ao caráter de Deus, às Suas promessas e às Suas ações no passado. A oração então culmina no v.12.
          Talvez nos sintamos assim à luz do Coronavírus, impotentes, ansiedade a aumentar com riscos de contágio. Sigamos o exemplo do rei Jeosafá, orando ao Senhor e dizendo-Lhe que estamos sem capacidade de resolução, mas que a nossa esperança está fixa no nosso Deus Todo-Poderoso. Quantas de nossas orações devem terminar com uma frase como essa?
Esta é a postura do cristão. Apelemos, clamemos conforme os atributos da Pessoa do nosso Deus, confessemos a nossa incapacidade e coloquemos os nossos olhos no Senhor.

IV. Lembremo-nos da salvação do Senhor – v.17
Deus lembra-nos que está pronto para nos ajudar e quando Ele está na luta, a vitória é certa e todo o poder vem do Senhor a nosso favor. Ao confiarmos n’Aquele que pode lutar em nosso nome, somos convidados a olhar e ver a salvação do Senhor.

          O Coronavírus pode estabilizar na próxima semana. Ou pode piorar. As nossas famílias podem ser poupadas desta pandemia ou não. Mas temos que continuar a olhar e a buscar a salvação de Deus. Não porque Ele necessariamente prove o Seu amor por nós protegendo-nos, mas porque Ele já demonstrou O Seu amor enviando Cristo para morrer por nós enquanto ainda éramos pecadores, para que quem nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Rm 5.8; Jo 3.16).

          Oremos para que as famílias sejam protegidas e poupadas.

O objetivo é estarmos preparados para nos confortarmos e também confortarmos outros, muitos na perspetiva de uma morte física que pode vir, testemunhando de Cristo como Salvador para vida eterna.

V. Adoração, mesmo durante a crise – 20:21-22
Jeosafá confiou e guiou outros a confiarem em Deus. Mas observe o final: adoração. Em II Cró. 20.21, antes mesmo da vitória, o rei leva o povo a louvar. O resultado, ver v.22.

Como esta cena final faz parte da confiança em Deus? Porque se Deus é bom, e se sabemos que podemos confiar n’Eele, podemos adorá-Lo mesmo no meio do sofrimento. Podemos louvá-Lo e dar-Lhe glória, mesmo sob a ameaça de perigo de aumento deste vírus.

          Reparem que Deus não disse a Jeosafá para fazer isto. Ele não foi instruído por Deus a convocar um culto. Foi decisão e iniciativa de um homem, de um rei que conhecia e que amava a Deus, de um rei que confiava no poder de Deus, que sabia que Ele agiu no passado, age no presente e continuará a agir. É dessa maneira que devemos procurar ao Senhor.

VI. Algumas lições que o Coronavírus nos deveriam ensinar
1. A nossa fragilidade humana: Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce. Passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não será mais conhecido. (Sl.103:15-16);
2. A nossa igualdade. O vírus não respeita fronteiras, nem povos. Apenas o Senhor nos pode proteger;
3. A nossa falta de controlo, de domínio da situação. Podemos apenas minimizar com higiene e disciplina;
4. A dor de ser excluído, isolado. Lembra-nos Lev.13:45, em que o Senhor ordenou que o leproso fosse isolado da comunidade para não espalhar a doença, e gritasse “imundo, imundo”;
5. A diferença entre Medo e Fé. Qual é a nossa reação perante esta crise? Jesus ensinou-nos a orar, “mas livra-nos do mal”  e disse, “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo.14:27); 6. A nossa necessidade de Deus e de oração: O Senhor te ouça no dia da angústia, o nome do Deus de Jacó te proteja. Envie-te socorro desde o seu santuário, e te sustenha desde Sião. (Sl.20:1-2);
7. A nossa verdadeira esperança está em Deus: Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. (Rom.14:8); Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca irá morrer. Crês tu isto? (Jo.11:25-26)

         
Conclusão - Os judeus saem no dia seguinte e a ameaça desapareceu. Não dizemos que Deus milagrosamente resolverá todos os nossos problemas se começarmos a adorar. Mas, certamente, o grande problema de muitos crentes – o problema da descrença – será resolvido se começarmos a adorar ao Senhor. Temos aqui esta lição.
Diante do Coronavírus, que os cristãos de todo o mundo tenham uma confiança inabalável no Senhor, mesmo quando não sabemos o que vem a seguir.