sábado, 29 de janeiro de 2022

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Ano Novo / Fim de Ano

Um Grande desejo de Deus

                             "No princípio, criou Deus os céus e a terra."

                                              Génesis 1

 

Introdução – Eis que um novo ano de 2022 é colocado pelo Senhor Deus perante nós.



         Pensando neste novo ano, gostaria que meditássemos no seguinte.  


- Qual é um grande, qual é um dos maiores desejos de Deus? 

- Se o Senhor Deus tem a Sua vontade, se o Senhor Deus tem um desejo, qual será um dos Seus maiores desejos? 


Vamos meditar em três verdades importantes neste tema.


  

I. Deus criou-nos d’Ele mesmo, a partir d’Ele mesmo – Génesis 1

Vamos começar por aprender algo essencial sobre Deus. Deus é o Criador de todas as coisas. E quando Deus deseja ou quer algo, Ele simplesmente cria isso. Deus tem o poder e a capacidade únicas de falar e as coisas serem criadas. Iremos ver isto aqui mesmo em Génesis. 

No princípio, quando Deus estava a criar toda a existência que vemos e conhecemos, quando Deus desejava alguma coisa, Ele falava e as coisas iam aparecendo durante os seis dias da criação. Deus criou e Deus fez coisas que não existiam ainda.

 

Esta palavra hebraica, "bara", criar, significa “criar a partir do nada”. 


Por exemplo, em Gén.1:3, disse Deus: Haja luz. E houve luz. Antes não existia luz. 


Nós não criamos nada. Não é correto dizermos que o oleiro criou um vaso. Não, o oleiro formou um vaso a partir do barro que já existia. Ele nem sequer criou o barro. Deus criou tudo o que existe e nós agora fazemos, formamos coisas, mas a partir do que Deus já criou, não a partir do nada, como Deus criou.

 

É muito importante compreendermos o processo criador de Deus. Não existia nada. Deus teve a vontade, teve o desejo de criar. Então, Deus falou e as coisas começaram a aparecer. 

Agora vejam melhor este processo: No princípio, criou Deus os céus e a terra (1:1). Depois, nos v.11-12, 24, Deus fala à terra para, a partir da terra, serem criadas, produzidas mais coisas: erva verde, árvores, almas viventes, gado e répteis, aves. 

Depois, nos vs.20ss, Deus fala às águas e estas produzem as grandes baleias e os peixes que enchem os mares, lagos e rios do planeta.

 

E é a Terra e as águas que sustentam todos esses animais, esses seres que foram criados a partir deles. E, um dia, quando morrerem, eles voltam à terra e às águas de onde foram criados, produzidos. É importante vermos esta ligação, este divino processo criador.

 

Porque é que isto é importante?

Porque quando chegamos ao v.26, quando Deus teve a vontade e o desejo de criar o homem, Deus não falou nem à terra, nem às águas. A quem é que Deus falou para criar o homem? O Deus Trino falou a Si mesmo: E disse Deus: Façamos o homem…

 

Qual é a grande lição aqui? 

Nós viemos do próprio Deus, fomos criados a partir d’Ele mesmo Nós somos sustentados por Deus. E quando partirmos, o nosso espírito volta para Deus. 

Vejam o que Eclesiastes 12:7 diz do homem e não diz de mais nenhum outro ser criado: E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.


Morre o corpo e volta para o pó da terra de onde foi formado: E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente. (Gn.2:7). 

Só o corpo é que morre, o espírito não morre, vai apresentar-se perante Deus e receber a decisão do seu destino final, céu ou inferno.


     A criação do homem é única por excelência. O corpo foi criado a partir do pó da terra, mas temos um espírito que nos distingue de tudo o que foi criado. O espírito do homem não foi criado, produzido a partir da terra. O Deus Trino (P/F/ES) falou a Si mesmo e criou o homem.

Por isso, é Deus, nosso Criador, Quem nos sustenta, num relacionamento único, especial.

 

II. Deus criou-nos COMO Ele é – Génesis 1:26

 

Aqui, o resto do texto ensina que Deus nos criou, não apenas d’Ele mesmo, mas também COMO Ele é: …façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança. Então, nesta altura em que ainda não há pecado no mundo, Adão, primeiro homem, é santo como Deus, é puro, é a imagem de Deus em tudo o que é e que faz. Não tem um pensamento impuro, uma palavra errada, não tem uma atitude reprovável. Ele parece-se com Deus.

 

Prosseguindo para os vs.18ss, Adão começa a interagir com a criação de Deus, dá nome aos animais, mas eis que ele se sente só, sem ninguém com quem pudesse interagir e viver plenamente, alguém como ele mesmo: mas para o homem não se achava ajudadora idónea.

Adão procurava uma companhia que o completasse, alguém com quem compartilhar a vida, mas não havia. Adão estava só. Então, v.21, Deus adormece Adão profundamente, toma uma parte do seu próprio corpo, uma costela, cria uma mulher e trouxe-a a Adão. Quando Adão acorda, olha e fica maravilhado. Deus criou e deu-lhe alguém único que o completava.


Deus sabia exatamente o que melhor agradaria e completaria Adão. E deu a Adão alguém que ele desejava. De tal forma Deus fez o melhor para Adão que a seguir ele e a mulher, Eva, se unem no matrimónio e tornam-se ambos uma só carne (Gn.2:23-25).

 

Como é que Deus sabia que a única que satisfaria exata e totalmente Adão seria alguém que se tornaria sua esposa?

Porque um grande desejo de Deus que lhe traz alegria, satisfação és tu.


Na verdade, Deus deseja a tua companhia. Deseja que a Sua existência eterna seja compartilhada contigo, com os homens e as mulheres que Ele criou. Deus quer unir-Se, como num matrimónio, contigo. E assim passar cada dia da eternidade contigo, comigo.


Por isso, Deus criou-nos com vontade própria, com livre arbítrio, para que cada pessoa possa fazer livremente a sua escolha e dizer: “Meu Deus, amo-te”. Este é o ponto 3.

 

III. Deus criou-nos com a livre decisão de podermos crer n’Ele e amá-Lo – Génesis 1

Temos o primeiro homem e mulher que se unem como um casal, marido e mulher.

Qual é a ilustração que Deus usa na Sua Palavra para melhor descrever a união do crente com Ele? É a figura do casamento. 

        A igreja, todos aqueles que creram, se arrependeram e confiaram em Jesus como seu Salvador, recebem a vida eterna e são a noiva de Cristo.


        Quando Paulo fala sobre a união em casamento de um homem e uma mulher, que se unem e são os dois uma só carne, diz que esse mistério é a respeito de Cristo e da igreja (Ef.5:30-32). Que os crentes são a noiva de Cristo e que serão unidos totalmente para a eternidade está em Ap.19:7: …são vindas as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.

 

Então, Deus deixa bem claro que quer passar a eternidade com os homens e mulheres que Ele criou, numa união perfeita ilustrada pela união de um casamento. Por isso, somos chamados a esposa do Cordeiro. Esta é uma das maiores expressões do amor de Deus.

 

Como prova de um dos maiores desejos e vontade de Deus expressa na Bíblia, vou ler uma das frases mais repetidas que provam o que Ele quer de nós. Está em toda a Bíblia.

(Êx.6:7) E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus;

(Lv.26:12) E andarei no meio de vós, e eu vos serei por Deus, e vós me sereis por povo;

(Jr.7:23) Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; 

(Jr.11:4) Dai ouvidos à minha voz, e fazei conforme a tudo quanto vos mando; e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.;

(Jr.24:7) E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou o Senhor; e ser-me-ão por povo, e eu lhes serei por Deus; porque se converterão a mim de todo o seu coração.; 

(Jr.30:22) E ser-me-eis por povo, e eu vos serei por Deus.; 

(Jr.31:33)  Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.; (Ez.11:20) …e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus.; 

(Ez.14:11) Para que a casa de Israel não se desvie mais de mim, nem mais se contamine com todas as suas transgressões; então eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus, diz o Senhor Deus.; (Ez.36:28) E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.; 

(Ez.37:23, 27) …e os livrarei de todas as suas habitações, em que pecaram, e os purificarei. Assim eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus…. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.; 

(Os.2:23) e eu direi àquele que não era meu povo: Tu és meu povo; e ele dirá: Tu és meu Deus!; 

(Zc.8:8)  E trá-los-ei, e habitarão no meio de Jerusalém; e eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus em verdade e em justiça. 

(II Co.6:16) …como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.; 

(Hb.8:10) Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo; 

(Ap.21:1-3)  E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como uma esposa adornada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. 

Conseguimos ver, em toda a Bíblia.? Qual é um grande desejo de Deus?

 

Podemos dizê-lo desta maneira. Ele quer unir-te a Ele, "casar" contigo e viver contigo eternamente. E Deus preparou tudo, pela Sua graça, para que fosse possível. 

Se qualquer pessoa simplesmente disser “Sim, creio em Jesus, confio na Sua obra redentora na cruz onde Cristo morreu por mim, para pagar a culpa do meu pecado”, por essa fé em JEsus, Deus torna-nos a Sua esposa. 

Todos os nossos pecados são perdoados, lavados no sangue de Cristo, removidos de nós como o Este dista do Leste.

Arrependidos, confessando a Cristo com a nossa boca e no coração crendo no Seu Nome e no Seu sacrifício na cruz, Deus faz-nos nascer de novo, muda o nosso coração e somos feitos Seus filhos, arrependidos, pela fé em Jesus. Foi por isso que Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida”, pois nós estávamos mortos em ofensas e pecados (Ef.2).


Conclusão – Neste novo ano, um grande desejo de Deus és tu, é a tua companhia para sempre com Ele mesmo: e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.  

  

                       Moreira, 09 de Janeiro de 2022 (16.30h)             


Rui Simão, pastor                                                           


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

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A Incarnação do Filho de Deus

A Paz de Deus em Jesus Cristo

 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou… não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. 

                                       (João 14:27)

Introdução – Esta é a época do ano quando, querendo ou não, as nossas mentes e corações se voltam para o nascimento de Jesus Cristo neste mundo. Não há nenhuma probabilidade de que o nosso Salvador Jesus Cristo tenha nascido nesse dia 25 de Dezembro.

O mundo chama-lhe natal. Nós preferimos pensar na incarnação, pois João 1:14 escreve: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...".

 

     No entanto, quer seja em Dezembro ou em Agosto, não existe dano algum em pensarmos e meditarmos na incarnação, em louvarmos ao Senhor Deus pelo nascimento do Salvador do Mundo, o Senhor Jesus Cristo. Sim, porque quando o fazemos estamos a meditar nas Escrituras, e só nelas, sobre a Encarnação do Filho de Deus, a Sua Primeira Vinda ao mundo.

Afinal, na noite do Seu nascimento houve grande celebração dos anjos de Deus.

 

        Qual foi um dos principais motivos que levaram Deus a enviar o Seu Filho ao mundo? A PAZ. Era necessária a Paz de Deus com o homem pecador. Por isso, lemos em Efésios 2:14, 17 sobre a vinda de Jesus ao mundo: Porque ele é a nossa paz…E, vindo ele, evangelizou a paz… Porque, por ele… temos acesso ao Pai…; "...Deus nos reconciliou consigo mesmo, por Jesus Cristo" (II Cor.5:19)

 

  Jesus veio pela paz com Deus, paz essencial à salvação do perdido. Vindo, fez a paz com Deus.

Tanto mais que, na Sua despedida deste mundo, Jesus despede-Se em paz. Ele faz isto com toda a clareza lá naquele discurso na Quinta-feira à noite, à mesa, a comer a páscoa, na última refeição com os Seus amados apóstolos num aposento, no grande cenáculo mobilado.

 

I. A Paz Sobrenatural – O Último Legado de Jesus ao Seu Povo – v.27

         Este v.27 é digno de uma mensagem única. Não podemos deixar de meditar nele com profundidade. Nós ouvimos o Senhor Jesus a dizer: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá… 

Vamos, por isso, pensar na paz a que Jesus se refere aqui

 

      “Paz” é uma palavra popular, muito conhecida. É um anseio, é uma realidade quase impossível. Há uma procura constante pela paz. Vejam quantos ativistas perseguem a paz por forma a oferecê-la ao mundo, às populações, às nações. Em milhares de anos de civilização, o mundo conheceu bem poucos anos de paz. Parece que o mundo é incapaz de a encontrar e de a preservar.


 

A realidade é que a turbulência, a falta de paz está em nós, perto de nós, ao nosso redor, e além de nós, dominando este mundo caído. Há uma ausência de paz pessoal, de paz familiar, de paz local, paz nacional, paz internacional. 

Sabem, por exemplo, que há dezenas de milhões de pessoas presas pelo mundo inteiro? 


Num dos mais populosos países do globo há mais de dois milhões de pessoas na prisão. É uma das maiores taxas de encarceramento do planeta. Nas ruas e bairros mesmo dos países com maior capacidade de dar o melhor aos seus cidadãos, regista-se a oferta de tudo menos da ansiada paz.

 

          Falta paz no mundo e no final dessa lista de ausências está a da paz pessoal, do indivíduo.

 

         As pessoas, na verdade, querem paz nas suas vidas. Querem alguma tranquilidade dentro dos seus relacionamentos mais próximos e íntimos, nas famílias e nas comunidades, e assim por diante. Todos querem estar livres de problemas, livres do stress, livres de ameaças, do medo, da ansiedade, da depressão, do desespero, do conflito.

Todos procuram isto, a paz, muitos tentam fazer a paz. É curioso que quando uma pessoa morre, a frase mais comum é “que descanse em paz”. Esta ideia, nem sempre correcta, de que ao menos com a morte vem a paz. Sim, pois sabemos pelas Escrituras que só tem paz quem morre crente em Jesus Cristo e vai para a presença de Deus.

 

 “…não a dou como o mundo a dá…”, diz Jesus 

 Como é que o mundo procura e oferece a paz? 

      Nas diversões, nas drogas, nos medicamentos, no entretenimento, nas compras. Uma pergunta: "Quantos tratados de paz que foram assinados foram rompidos através da história humana?" Resposta: Todos eles.

 

        Mas há uma paz que vem só de Deus, veio pela encarnação, veio com a chegada de Jesus a este mundo. E essa é a paz que nos está a ser apresentada neste v.27.

 Somente as Escrituras, apenas Deus através da Sua Palavra, podem apontar com autoridade para a paz real. A Bíblia vê e apresenta-nos a paz de uma forma única. 

       A declaração que melhor resume a paz é esta de João 14:27, pois fala dela de uma forma completamente diferente: “Estou a dar-te a minha paz; não é a paz que o mundo te dá”.

                           E que torna esta declaração mais fascinante é o momento em que é dada.

Este momento em que o nosso Senhor fala sobre paz e apresenta esta paz como a Sua própria paz que Ele está a conceder aos seus seguidores, é o momento mais dramático, potencialmente mais perturbador e mais angustiante da Sua vida.

 

Em poucas horas o Senhor vai ser executado numa cruz e Ele sabe disso. Jesus sabe de todos os detalhes que O esperam. Na Sua divina omnisciência, o Senhor sabe o que enfrenta. Ele sabe que não será apenas crucificado, não é apenas a realidade física disso. Há muito mais.

Jesus, na cruz, será separado do Seu Pai e será punido por todos os pecados de todas as pessoas através de toda a história humana. Ele sabe o que está a enfrentar. Ele é "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".

 

    Mas mesmo assim fala este v.27: deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. PORQUÊ? Porque Jesus está em paz. Ou seja, a paz de Jesus não depende das circunstâncias. Não é como o mundo a dá. 

Quantas vezes dizemos a alguém: “Vejo que o meu amigo não está em paz, está ansioso, nervoso, perturbado!” Resposta: “Como é que posso estar em paz se estou com um problema enorme na minha vida?”  Mas a paz que Jesus tem e dá não é assim.

         

II. A Natureza e a Fonte da Paz Transcendente – v.27

       À paz que Cristo dá e promete chama-lhe de a minha paz. É d’Ele. Pertence a Jesus, é profunda e duradoura. Esta paz é uma dádiva e um depósito gratuitos: deixo-vos… vos dou.

 

Pertence especialmente a Jesus dá-la, porque Ele veio ao mundo precisamente para nos dar paz com Deus. Colossenses 1:20 acrescenta o que o Pai fez com a vinda de Jesus: …havendo por ele feito a paz… por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas… 

Pensemos agora muito bem nas palavras de João 3:17: Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Veio para fazer a paz de Deus com o pecador.

Jesus comprou-a pelo seu próprio sangue, comprou-a pelo Seu próprio sacrifício na cruz e é a vontade do Pai que Ele nos dê esta paz, paz ao pecador arrependido e crente no Evangelho. É designada nas páginas do NT de a paz de Cristo, a paz de Deus que excede todo o entendimento. é altíssima, é riquíssima, é profunda.

    Esta paz é descrita em II Cor.5:19 e 18 assim: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados… e tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo, por Jesus Cristo.

Jesus encarnou, nasceu neste mundo porque a paz com Deus era necessária a cada pecador a fim de ser aceite por Deus. Quando a pessoa crê que Jesus pagou o preço do seu pecado, é perdoada por Deus por causa do trabalho de Jesus na cruz. O seu pecado está justificado por Deus. Por isso, todo o crente tem paz com Deus.

 

Mas, além dessa paz e reconciliação com Deus, na Sua vinda, Jesus também transmite essa paz às vidas dos crentes. A paz de Deus entra nos nossos corações. Jesus deixa e dá essa paz que tem um grande impacto transformador no próprio coração e vida dos crentes.

De tal forma, que a paz e o amor entre os crentes, povo de Deus, são a marca distintiva de que somos filhos de Deus. Vejam João 13:34-35.

 Já II Coríntios 5:41 diz: Porque o amor de Cristo nos constrange.

 O que significa "o amor de Cristo nos constrange"?

Significa que a encarnação, a vinda de Jesus e o que Ele fez ao vir a este mundo força-nos, impele-nos, muda a forma como pensamos e desafia-nos a agir de maneira diferente. Não podemos ficar indiferentes perante o amor de Jesus. O Seu amor muda como vemos os outros, em especial os nossos irmãos na fé. É um amor que desafia. Somos constrangidos, impulsionados a ter paz e a amar os outros.  O amor de Cristo é poderoso e transformador!

Por isso, naquela noite de despedida, Jesus diz-lhes mais sobre a importância de se amarem e de terem paz nos corações e uns com os outros: Jo.15:12;

 Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco. (II Cor.13:11)

Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; (I Pe.1:22

Conclusão 

Só Jesus pode dar esta paz, o mundo não a pode dar. Pois Ele, além de "Maravilhoso", é o "Príncipe da Paz". É uma paz divina, a minha paz. Ou seja, é de Jesus, vem do céu, na Sua encarnação, é sobrenatural.

 É sobrenatural por causa da sua fonte e natureza; porque não se encontra em mais lado nenhum, não é como o mundo a dá. Jesus encarnou para esta paz e amor. Paz com Deus. Amor de Deus. Paz e amor com nossos irmãos na fé, são a marca distintiva dos crentes.

          Já tens a paz de Jesus? Crê n’Ele para que sejas salvo e alcances esta paz, reconciliação do pecador com Deus: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou… O meu mandamento é este: Que vos amei uns aos outros como eu vos amei. Para isto Jesus Nasceu. 

Rui Simão, pastor

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Apocalipse - A Chave da Revelação

As Últimas Palavras de Jesus à Igreja

A Chave da Revelação

“Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim, diz o Senhor…”

Apocalipse 1:8-11

Introdução - Estas são as últimas palavras de Jesus à Sua Igreja! Porque é que Deus nos deu este livro? O Título e o motivo do livro estão logo no v.1: REVELAÇÃO… É uma revelação do futuro que aguarda a humanidade: …as coisas que brevemente devem acontecer… É uma revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu e que, pelo seu anjo entregou esta revelação ao Seu apóstolo João, o último apóstolo vivo. Isto ocorreu cerca de 65 anos depois da Sua ressurreição de entre os mortos. João encontrava-se exilado na ilha de Patmos e o v.9b explica bem a razão. 

          Enquanto a igreja de Jesus estava ser perseguida e muitos outros foram martirizados às mãos do imperador romano Domiciano, João foi banido para ali por causa da sua fé.

          Então, no meio dessa situação, Deus concedeu à Sua igreja esta grande revelação d’Ele mesmo e do futuro. E Jesus ordenou que toda a revelação fosse escrita num livro e que tudo fosse enviado às sete igrejas. O Senhor achou que aquelas igrejas precisavam deste livro. E não apenas elas, mas também nós hoje precisamos desta revelação.

 

          Mas antes de ter a primeira visão da revelação, João, o último apóstolo de Jesus vivo, recebe uma reafirmação do senhorio soberano de Cristo na história, o Governador de tudo.

 

         

I. Apocalipse apresenta-nos a Pessoa de Deus e do Senhor Jesus Cristo

          Todo o livro faz-nos uma descrição poderosa e majestosa de Deus no céu e uma apresentação gloriosa do Senhor Jesus Cristo. João repete e repete esta grande verdade da Pessoa de Deus e Jesus. Vamos ler com atenção para concluirmos que um dos propósitos é ensinar quem Deus é e que Jesus é este Deus: Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim… (Vejam bem Apoc. 1:4 e 5a, 7-8, 11-13; 21:4-6 e 22:12-13).

 

 

          Alfa e Ómega são as primeiras letras do alfabeto grego. Temos que nos apropriar da verdade desta afirmação de Deus. Por isso, não podemos ter apenas uma mensagem.

 

          O que significa? Eu sou… o princípio mostra a divindade de Jesus Cristo, que Ele é eterno, que Ele é incriado. “Não há nada, não ninguém antes de Mim, nada Me precede”. É uma declaração surpreendente.

 

          Vejam, Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Eu sou o Alfa, quer dizer que, na Divindade, Jesus não é o Beta, Ele é Deus. Ele é eterno, possui todos os atributos divinos. Jesus é absolutamente o início e o fim de tudo. Tudo começa e acaba n’Ele.

 

          Por exemplo, Isaías 44:6 diz: Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. Reparem que afirma–se de Deus o mesmo que de Jesus. Ele tem a primeira e a última palavra da História. Nunca houve um momento em que Deus não estava.

 

          O Salmo 90:2 diz: Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.

 

          Deus é infinito. Deus é Santo, Justo, Misericordioso, amor, todos os atributos, e Ele nunca deixou de O ser, não melhorou, nunca começou a ser, mas sempre foi O que é e Quem é. Ele é eternamente tudo o que é. Cristo é o início de tudo, é o Alfa.

 

          Jesus é o propósito da história. A Bíblia diz que todo o Universo foi criado por Ele e para Ele mesmo, para a Sua glória, para manifestar tudo o que Jesus é. Tudo foi orientado em relação a Cristo, o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Tudo para manifestar essa grandeza. Vejam as portentosas palavras de Colossenses 1:15-19 sobre Cristo:

          O qual é imagem do Deus invisível, o primogénito (O Alfa) de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogénito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse…

          Jesus é o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro, como diz Apoc. 22:13

 

         Olhando para a criação, nada do que foi criado expressa melhor a Pessoa de Deus, a não ser o eterno Filho de Deus. Hebreus 1:8, 10 revela o que o Pai diz do Filho: Mas, do Filho, diz… Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.

 

O Universo inteiro com cada uma das suas partes, visíveis e invisíveis, poderes, anjos, tudo o que sabemos e que desconhecemos, tudo foi criado pelo Filho e para o Filho. Tudo é por causa do Filho, o Alfa e o Ómega. Deus queria que cada coisa que fosse vista no céu e na terra, na criação, queria que nós soubéssemos que foi criado por causa do Filho.

 

Deus criou a nossa fantástica mente para pensarmos em Cristo, criou o olho para um dia contemplarmos a Cristo. Deus criou todos os nossos sentidos para que por eles percebêssemos quão grande é o amor do Pai pelo Filho. Todo o Universo é uma expressão do dom do Pai para o Filho, porque tudo foi criado por ele e para ele, o Alfa e o Ómega.

 

Em Génesis 1:31 lemos que terminada a criação viu Deus tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom. Porquê? Apenas porque o mar era bonito, o céu era lindo, os animais, as estrelas, etc? Não, mas sim porque tudo mostrava a glória de Cristo, do Filho, pois tudo foi feito para Ele. Deus via a glória do Filho amado reflectida na criação.

 

 Por isso, o Salmo 19 diz: Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia… A criação “fala” do grande amor de Deus pelo Filho exibida na majestade de tudo quanto foi feito. Assim, Jesus declara; Tudo quanto o Pai tem é meu.. (Jo.16:15)

 

Também em Génesis 1:26-27, vemos Deus ao criar o homem, dizendo, …à nossa imagem, conforme à nossa semelhança. O homem é a coroa da criação de Deus. Porquê? Porque no homem Deus pode expressar mais a glória de Cristo. Assim, em Rom.8:29 lemos que o propósito final é que o homem salvo será conforme à imagem de seu Filho. Tudo por causa da glória de Jesus, porque Ele é o Alfa e o Ómega de tudo.

 

I João 3:2 diz: Amados, agora somos filhos de Deus e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque assim como é, o veremos.

Em Romanos 8:29 lemos: Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho. Este é o propósito máximo de Deus, de sermos a imagem de Cristo, Seu querido Filho, o Alfa e o Ómega.

         

Conclusão - A história está nas mãos de Cristo e, no final, a humanidade vai encontrá-Lo como Juiz, o Ómega. O futuro é certo porque Jesus é eterno. Jesus abrange toda a realidade. Ele é o princípio e o fim, o eterno Jesus, que criou todas as coisas, que fez com que todas as coisas viessem a ser e a existir, como vemos em Gén.1:1; No princípio, criou Deus os céus e a terra. E agora, em Apocalipse 21:6, Ele fará tudo de novo, eternamente: Eis que faço novas todas as coisas… Eu sou o Alfa e o Ómega.

 

E esta renovação de todas as coisas pelo Alfa e o Ómega inclui a satisfação da mais profunda necessidade do homem: a salvação, estar com Deus, fome e sede de Deus. Daí o convite a todos os homens: A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.

 

O caminho está aberto para todos que sentirem a sua necessidade e se voltem para Deus para serem satisfeitos. Ou beber do vinho da ira de Deus, o cálice do vinho da indignação da sua ira (Ap.14:10; 16:19; 18:3), ou, muito melhor, aceitar o convite, esta oferta da água da vida, a vida eterna, oferecida pelo Alfa e Ómega, o princípio e o fim.

 

E por fim, em Apoc.22:12-13, Jesus, o Alfa e o Ómega diz que cedo venho e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. Ou seja, Ele vai criar tudo de novo, faz um convite para a salvação e tem um galardão para a dar a cada um.

 

Jesus, Deus, é a chave desta revelação à humanidade porque Ele é o Alfa e o Ómega, o primeiro e o derradeiro, o que é, e que era, e que há-de vir.

 

Moreira, 25 de Julho de 2019 (RO)

domingo, 31 de maio de 2020


 
Olhar para Deus, o Senhor, em tempo de Grande Crise 1

Regozijai-vos sempre… em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus…
 (I Tes.5:16-18)


Introdução
Ainda no meio da crise desta Pandemia Covid-19 provocada pelo novo corona vírus, esta é a primeira mensagem da nossa igreja na reabertura das portas para permitir os cultos da forma o mais normal possível, mas ainda com muitas condicionantes.

De qualquer das formas, creio que, sem dúvida, este é um momento para fazermos DUAS coisas muito importantes:

1.- Momento de Gratidão ao Senhor
Este é um momento de grande agradecimento ao Senhor Deus pela Sua proteção e pelo Seu favor durante estes meses.  Agradecimento ao Senhor pelo Seu amor, pelo Seu cuidado demonstrado a tantos níveis e de tantas formas nas nossas vidas e nas dos nossos familiares. Levantemos os nossos olhos e os nossos corações e sejamos gratos ao nosso Deus.

Olhem o que diz a Palavra de Deus: Bom é louvar ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo; Para de manhã anunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade. (Salmo 92:1-2); Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome. (Sl.100:4); Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre. (Sl.136:1)

2.- Momento de Reflexão
Mas este também é o momento de reflexão. Não podemos perder de vista as lições que Deus nos quis dar e está a dar com esta pandemia. Achar que isto foi apenas mais um acontecimento no mundo e nas nossas vidas e não refletir, não meditar, será muito mau, será desperdiçar grandes ensinamentos. Por isso, a pergunta:

O que é que o Senhor Deus nos quis mostrar, ao Seu povo e ao mundo?

A Pandemia do novo corona vírus é a maior crise que afetou todo o mundo desde a Segunda Guerra Mundial. Reparem, esta pandemia veio pela ação de um vírus, aquele foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo, incluindo todas as grandes potências. Morreram mais de 60 milhões de pessoas.

Esta Pandemia o que fez? Fechou o mundo inteiro – lockdown - e os acontecimentos ocorreram como peças de dominó que não paravam de cair uma atrás das outras a cada dia. Grandes danos caíram sobre a economia mundial e, consequentemente, sobre as populações e as famílias, por tudo ter fechado e parado apenas por cerca de 3 meses.
As repercussões ainda estão por determinar. Mas meditemos bem. O que é que pudemos ver? O poder draconiano, fortíssimo, dos governos sobre os detalhes da vida das pessoas que passou para um novo nível que nós não conhecíamos, mesmo nas nações livres.

Tudo isto parece uma simulação, um teste para o Anticristo que está para vir no poder do diabo. Vejam apoc.134,,7: …o dragão, que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?... e foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua e nação. E certamente que o diabo poria o Anticristo a governar o mundo hoje se não houvesse quem o detivesse, o Espírito Santo de Deus: Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado (II Tes.2:7).

Como vimos, a OMS declarou uma Pandemia, indicou medidas sanitárias de confinamento, que tudo deveria fechar. E assim aconteceu na maioria das nações deste planeta. Foi declarado o Estado de Emergência e depois o Estado de Calamidade com as restrições impostas às pessoas e às empresas. Como vimos, com facilidade, mesmo nas maiores potências livres do mundo, as liberdades das pessoas foram cortadas. Vieram muitas restrições por causa da saúde. Foi decretado que não podíamos sair de nossas casas. Foi decretado o que poderia abrir e quem é que poderia sair e de que maneira. As igrejas e os lugares de culto foram fechados na maior parte do mundo.

Subitamente, a internet e o telemóvel assumiram os papéis principais. Tudo passou a ser online, as escolas, os médicos, etc. Imaginem só se os governos dissessem que para as pessoas poderem abastecer-se nos supermercados, nas farmácias, levantar dinheiro, etc, seria necessária uma senha e que essa senha só era dada às pessoas se as pessoas aceitassem determinada regra!  Esse será o cenário do Anticristo que virá. E se essa senha fosse contra os nossos princípios cristãos bíblicos? É por isso que isto foi um teste.

Então, devemos tirar todas as lições desta Pandemia. Algumas perguntas importantes:
Onde e como está o meu coração nisto tudo?
O que é que esta grande crise mostrou?
Como é que esta grande crise testou a minha coragem, a minha fé?
O que é que foi revelado? O que é que o Senhor me/nos quis mostrar e ensinar?

Aqui, gostaria de dividir a resposta em dois grupos: 1.º- Crentes e 2.º- Não crentes. Hoje apenas teremos tempo de tratar do primeiro grupo - Crentes.
Lições da Pandemia Covid-19 para os Crentes

I. Olhar para Deus, o Senhor, em tempo de Grande Crise
   Os crentes, os filhos de Deus no meio da Pandemia Covid-19

1. Será que eu realmente, verdadeiramente acredito que é Deus Quem muda os tempos e que os meus tempos estão nas Suas mãos?
          Vejam duas passagens bíblicas:  Falou Daniel, dizendo: Seja bendito o nome de Deus de eternidade a eternidade, porque dele são a sabedoria e a força; E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis. (Dan.2:20-21);
Mas eu confiei em ti, Senhor; e disse: Tu és o meu Deus. Os meus tempos estão nas tuas mãos… (Sl.31:14-15). Estamos a agir acreditando que isto é verdade?

2. Que os nossos corações estejam focados nas realidades do céu e não do mundo
          Nesta crise, não tiremos os nossos olhos da realidade bíblica: Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. (Col.3:1-4) No meio da crise nesta terra, temos os pés na terra, mas os olhos no céu.

3. Vamos manter a mente de um peregrino cuja cidadania está no céu e está simplesmente numa viagem, numa passagem por este mundo como se estivesse numa terra estranha
          Que possamos cantar do fundo do nosso coração:” Este mundo não é a minha casa. Estou apenas a passar por ele”. Não lancemos raízes profundas neste mundo. Não amemos este mundo como a mulher de Lot amava Sodoma e olhou para trás. Em desobediência à expressa ordem de Deus, ela olhou com pena para o mundo de pecado que Deus estava a destruir. Por isso temos a advertência solene de Jesus quanto aos últimos tempos: Lembrai-vos da mulher de Lot (Lc.17:32).

Que a bandeira mais alta para nós seja a bandeira do céu e não a deste mundo. Vejam o que Hebreus 11 diz do que ia no coração de Abraão: Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus… confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra… Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. (Hb.11:10, 13, 16). No meio desta Pandemia, a nossa verdadeira cidade está no céu.

4. Alegremo-nos nas tribulações como o Senhor nos diz para fazermos, compreendendo o propósito e os benefícios delas na vontade de Deus
          Vejam o que o nosso Deus nos diz em Romanos 5:3-5: E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
                                   
A palavra “gloriamos” tem a ideia de “alegrar-se, regozijar-se”, ter confiança, certeza, vangloriar-se nas tribulações. É o oposto de ficar desencorajado, frustrado, oprimido, abatido, derrotado, zangado com as tribulações. É assim que nos devemos ver agora.

5. Confiemos na Palavra de Deus e acreditemos nas Suas promessas de uma maneira real e prática
          A vida cristã não é teoria e conhecimento. Devemos questionar-nos a cada passo: Será que eu acredito mesmo que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus? (Rom.8:28). Acredito firmemente que os meus tempos estão nas Suas mãos? (Sl.31:15). Que o Senhor é o meu pastor, nada me faltará? (Sl.23:1), que certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida? (Sl.23:6). Acredito que o justo não é desamparado nem a sua semente mendigará o pão? (Sl.37:25). Acredito que Deus nunca me deixará nem me desamparará? (Heb.13:5).

Que seja este o nosso testemunho diário nesta Pandemia. Que seja isto aquilo que os outros vejam e ouçam de nós. Não duvidemos, não receemos, não nos queixemos, não fiquemos confusos, frustrados, agindo como agem, fazendo como fazem os perdidos sem Deus à sua volta. Nós somos a luz do mundo e o sal da terra, disse-nos o Senhor Jesus.

          Estou a buscar verdadeiramente em primeiro lugar o reino de Deus e a Sua justiça, ou outras coisas têm o primeiro lugar?

          Que possamos dizer como Job: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor… receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? (1:21; 2:10).

          Que possamos dizer como Habacuque: Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.

6. Que esta crise mostre que nós verdadeiramente NÃO amamos este mundo, que nós NÃO estamos conformados com este mundo
          Esta crise serviu para nos mostrar que a par da responsabilidade e do dever de cuidarmos das nossas vidas e das vidas dos nossos queridos, o nosso coração não pode amar mais este mundo do que ao Senhor, ficando ansiosos, tristes e preocupados com aquilo que poderia acontecer com os nossos planos que já tínhamos para este mundo, mas que não se irão concretizar: “Eu tinha marcado isto, eu todos os dias fazia aquilo, eu ia receber aqueloutro, etc, etc, mas agora perdi tudo!”.

Olhem o que diz a Palavra de Deus: E não sede conformados com este mundo (Rom.12:2). Não reagir com decepção porque foram fechadas muitas atividades que afinal são coisas vãs que pertencem a este mundo, mostrando assim que não somos mais amigos deste mundo do que de Deus. Vejam o diz a Palavra do Senhor:  Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (I João 2:15-17);

Não tenhamos pena do que “perdemos”, do que fomos privados de ter.

Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. (Tiago 4:4). Esta Pandemia foi, é uma simulação, um teste ao nosso coração cristão.

7. Esta Pandemia que nos fechou mostrou como gastámos o nosso tempo
          Quando ficámos fechados e confinados em nossas casas, impedidos de uma vida normal, tivemos a oportunidade de também aí evidenciar o carácter da nossa vida cristã. Por exemplo, orar mais ao Senhor, ler mais as Escrituras, testemunhar mais usando a internet ou o telefone. Pudemos encorajar mais os outros com a Palavra de Deus ajudando-os a pensar melhor sobre esta crise dando-lhes uma visão correcta, bíblica, do que se está a passar.

Fomos proibidos de abrir as portas das igrejas, mas os cultos continuaram pela internet. O nosso amor ao Senhor pôde ser mostrado quando procurámos permanecer fiéis não falhando aos cultos online. Afinal estávamos retidos em casa e havia mais tempo. Vejam o que diz Romanos 12:11: Não sejamos vagarosos no cuidado, (que não vos falte o zelo) sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor.

Conclusão
Olhar para Deus, o Senhor, em tempo de Grande Crise.
Regozijai-vos sempre… em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus…
Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista de moreira da maia
(Adaptado de David Cloud)