segunda-feira, 26 de agosto de 2024

 

A Vinda do Dia de Cristo

Segunda Epístola de Paulo aos Tessalonicenses

Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda do nosso Senhor Jesus Cristo…

                                 (II Tes.2:1-12)

 

Introdução – Prosseguimos o estudo da 2ª Carta de Paulo à igreja na cidade Tessalónica. Na 1ª Carta, Paulo respondeu às dúvidas da igreja sobre a Vinda de Cristo e sobre o Dia do Senhor. Este chamado Dia não é um dia de 24h, mas uma série de vários acontecimentos que ocorrerão no espaço de alguns anos, no Fim dos Tempos, profetizados na Bíblia.

 

Na 1ª Carta, em I Ts.4:13-18, Paulo falou-lhes de um grande acontecimento: O Arrebatamento, em que Cristo virá do céu e vai tirar da terra toda a Sua igreja, todos os crentes, haverá a ressurreição dos mortos crentes e o Senhor recolhe todos para o céu.

  Ficarão na terra todos os descrentes e inicia o tempo da Grande Tribulação, a ira de Deus sobre o mundo ímpio. Paulo ensinou-os bastante bem sobre isto, sobre os Últimos Tempos.

 

Na verdade, muitos que andam na igreja, de lares crentes, mas que nunca tomaram a decisão pessoal de crer em Cristo, não serão arrebatados, ficam na terra.Depois,muitos virão a converter-se a Jesus durante a Grande Tribulação. São os chamados santos da tribulação. Infelizmente, estes passarão pelos tempos terríveis da Tribulação, mas serão salvos.

       Mas os crentes que estiverem vivos no dia do Arrebatamento, serão levados por Jesus

 

         Mas eis o que estava a acontecer em Tessalónica. A igreja estava a passar por grandes perseguições e, conf. v.2, ou por ensino falso de pregadores, ou por cartas falsas atribuídas a Paulo, concluíram que estavam já no meio da Grande Tribulação, porque Cristo já tinha vindo, ou já estava a começar a vinda de Jesus.

Tinham perdido o Arrebatamento, ficaram na terra, debaixo da ira de Deus sobre o mundo e que estaria próxima a 2ª Vinda de Cristo.

 

       Então, Paulo escreve esta 2ª Carta, em que, no cap. 2, visa acalmar a igreja por pensarem que o Dia de Cristo já iniciara e que eles estavam na Grande Tribulação. Vejam os vs.1-2.

 

Paulo vai dizer que eles não devem ficar abalados, porque esse tempo da Grande Tribulação, da ira de Deus sobre o mundo ímpio, descrito no Apocalipse, não começará sem que antes aconteçam duas coisas:  a apostasia e apareça o homem do pecado (v.3b).

 

   

  Um bom título para esta mensagem também poderia ser: Como é que eu sei que não estou na Grande Tribulação? (Há quem use Ap.8:7 e pergunte se ainda tem no quintal erva verde).

 

  (((-- No v.2 Paulo fala do Dia de Cristo. É um dia diferente do Dia do Senhor (I Ts.5:2). Este, é uma expressão bíblica, no AT/NT, que se refere à data futura dos acontecimentos finais, à ação poderosa e clara de Deus no fim da história da humanidade manifestando a Sua ira sobre o mundo. Não será apenas UM acontecimento, mas vários (Am.5:18-20;  Jl.1:15).

 

Já o Dia de Cristo não tem nada a ver com a ira ou julgamento sobre a terra. Ao invés disso, é o dia em que a igreja se reúne ao seu Senhor e Salvador nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor (I Co.1:8; Fp.1:6,10). --)))

 

          Este trecho apresenta, por vezes, algumas dificuldades. Porquê? Porque Paulo vai responder à igreja com duas coisas em mente. Primeira, tendo em conta o que já lhes escreveu na 1ª Carta e o que eles já sabiam porque os ensinou muito bem (vs.5 e 6a).

 

Depois, Paulo não segue uma ordem cronológica dos acontecimentos aqui. Paulo pressupõe muitas coisas que os tessalonicenses já sabiam, mas que nós não sabemos e, por isso, temos dificuldade em entender, em seguir o pensamento.

Mas Paulo está a ter em conta o Arrebatamento de que já falou antes (I Ts.4:13ss).

 

I.- A Vinda do dia de Cristo – A apostasia – 2:2-3a

vs.1 – A que vinda do Senhor Jesus Paulo se refere aqui? Diz que será a nossa reunião com ele. Claramente que aqui Paulo está a dizer que o assunto dos próximos versos será a reunião dos crentes com o nosso Salvador após e na altura do Arrebatamento da Igreja, que é o próximo e o 1º evento do Fim dos Tempos. Já lhes falou disto em I Ts.4:13-18.

 

vs.2-3 – Paulo pede que os crentes não se perturbem nem se deixem enganar por nada, nem por ninguém, nem mesmo por cartas falsamente atribuídas a Paulo com ensino diferente daquele que lhes deu. Jesus também avisou em Mc 13:5: Olhai, que ninguém vos engane. Há um perigo real da igreja, tal como o mundo,ser enganada sobre a vinda de Jesus.

 

v.2b -…o dia de Cristo estivesse já perto, tem a ideia que tenha chegado, estar já presente.

 

Cristo ainda não chegou, é o que Paulo lhes está a confirmar e a descansá-los.

 

v.3 – Na vinda de Cristo tem de acontecer a apostasia. Precisamos de compreender o significado desta palavra que no grego é mesmo apostasia. É importante perceber.

 

Muitos entendem que se refere a um afastamento da fé nas igrejas. Dando a entender que a vinda de Jesus para o Arrebatamento só acontecerá depois da apostasia da fé. Mas não é!

 

A palavra Apostasia, isoladamente, como aqui, é um substantivo (só usado 2x no NT) e significa: “deslocar-se da posição, separação, retirada, partida, remoção”. Ver At.21:21.

 

Já em I Tm.4:1, falando dos últimos dias, Paulo diz que, …nos últimos tempos apostatarão alguns da fé…  Aqui é um verbo e refere um afastar da fé por muitos que se acham crentes. O contexto e significado aqui de apostasia é diferente.

 

 Todas as primeiras sete traduções da Bíblia para o inglês, até à KJV de 1611, traduziram apostasia para “partida”. Elas são as seguintes: Wycliffe Bible (1384); Bíblia de Tyndale (1526); Bíblia de Coverdale (1535); Bíblia Cranmer (1539); Bíblia de culatras (1576); Bíblia de Beza (1583); Bíblia de Genebra (1608). 

 Isso apoia que o substantivo da palavra grega apostasia realmente significa "partida". Também a tradução latina de Jerónimo, a Vulgata, por volta do ano 400 ad traduz a apostasia para "discessio, que significa 'partida'".

 

    Portanto, neste presente v.3, todo o contexto, todas as evidências indicam que "apostasia" se refere à REMOÇÃO/RETIRADA dos crentes para fora deste mundo. Refere-se ao ARREBATAMENTO dos verdadeiros crentes salvos para se reunirem com Jesus nos ares.

 

          Então, resumindo, Paulo está a dizer aos crentes tessalonicenses para não desanimarem, nem se deixarem enganar, pois as perseguições que sofrem não significa que já começou a Tribulação, Cristo ainda não veio.

Antes de começar a Tribulação, primeiro, o Senhor Jesus virá para nos arrebatar da terra, levar a igreja nos ares com Ele, ressuscitados, transformados, para os céus. Apostasia, a igreja parte com Jesus para o céu.

  

II.- O Anticristo – 2:3bss

O segundo acontecimento de que Paulo fala é que assim que a igreja parte, é removida, logo depois do Arrebatamento, dá-se o aparecimento do Anticristo no mundo, chamado aqui de o homem do pecado, o filho da perdição. Será uma pessoa, um líder.

O Anticristo será um notável e grande opositor de Deus. Ele incorpora todas as más qualidades que fazem oposição e rebeldia a Deus. Mas o seu destino está traçado, perdição.

 

v.4 – A restante descrição dessa pessoa enfatiza a sua grande oposição a Deus (Dn.11:36).

O destaque da atuação do Anticristo no mundo é contra tudo… Deus. A grande inimizade deste homem do pecado que vai colocar-se no nível mais alto no mundo.

  A extensão da sua guerra contra Deus é que ele vai querer ser como Deus e exigir adoração.

 

Este se assentará como Deus no templo de Deus revela que para isto ser possível terá de haver um templo judaico em Jerusalém, que hoje não existe. Será o 3º templo, mas o mundo árabe opõe-se a esta construção. O Anticristo vai possibilitar a sua construção para que o mundo o adore ali como se fosse Deus.

 

Ele é revelado no princípio da Tribulação, em Apoc.6:1-2, na abertura do 1º Selo. É o cavaleiro do cavalo branco, que trará inicialmente uma era de paz e prosperidade a todo o mundo. Podem imaginar um mundo sem a igreja que foi tirada da terra e quem ficou vai possuir tudo o que era nosso, as nossas possessões.

 

Mas tudo isso mudará em pouco tempo. Três anos e meio depois de aparecer, o Anticristo vai mudar a sua atuação (Ap.13:1-8).

 

v.5 – Paulo passa agora a demonstrar porque é que o filho da perdição, o Anticristo ainda não se manifestou no mundo. A razão já era conhecida da igreja e Paulo lembra que já os tinha ensinado acerca de tudo isto. Ficamos a saber que Paulo instruíra os tessalonicenses oralmente acerca da Vinda do Senhor.

 

v.6 – Temos outra vez o exemplo em que nós, volvidos estes 2000 anos, não sabemos o que os tessalonicenses bem sabiam sobre este assunto da chegada do Anticristo.

 

O que é que eles sabiam? Sabiam que alguma entidade ainda se encontra presente na terra e é ela que está a impedir, a reter o homem do pecado a fim de que este seja revelado somente na ocasião própria e não antes, que apareça no tempo que Deus quer.

 

v.7 – Aqui, Paulo, reafirma que há uma entidade, debaixo do poder de Deus, que será retirada da terra, mas é a que retém o Anticristo e o impede de agir no mundo. Não é fácil saber a que se refere Paulo. Muitas opiniões têm sido dadas.

A que parece ser certa é que é a presença da igreja no mundo, igreja em quem habita o E.S., que é luz e sal, com o seu ministério de levar o evangelho da salvação ao mundo.

 

v.8 – Então, quando ocorrer o Arrebatamento, a retirada de toda a igreja, todos os crentes para o céu, esta força sai e fica aberta a porta para ser revelado abertamente o iníquo do v.3. Podem imaginar o que será o mundo sem nenhum bem na terra, mas só mal, injustiça?

 

Além de ser revelado aqui o seu aparecimento, também é revelada a sua queda, aniquilação, que ocorre na altura da esplendorosa Segunda vinda do Senhor Jesus, no fim dos sete anos da Tribulação e Grande Tribulação. O poder de Jesus é tal que basta o Espírito da sua boca.

 

v.9 – Paulo continua a descrever a manifestação da pessoa terrível do Anticristo. Diz que este recebe o poder e a inspiração do próprio diabo.

Assim como o Pai deu poder pelo ES ao Seu Filho, o Cristo, para fazer milagres e o bem, Satanás dá poder ao anticristo. Este é equipado com todo o poder para fazer obras poderosas, só que são mentira.

 

v.10 –A descrição da atividade do homem da iniquidade continua, descrevendo o seu efeito: com todo o engano da injustiça. O objetivo é enganar. Ele é iníquo, mau em tudo.

 

A atividade do seu efeito enganoso é em especial sobre os que perecem. Ou seja, os perdidos descrentes. É uma frase usada em contraste com os que se salvam.

 

Os que perecem, não estão salvos porque decidiram não receber o amor da verdade para se salvarem. Não escolheram crer em Cristo, receber a Palavra de Deus. São responsáveis pela sua própria perdição e são enganados pelo anticristo.

A verdade é a mensagem do evangelho, é Jesus, que é preciso receber.

 

v.11 – Paulo continua a revelar, agora, como é que os destinados à perdição, os descrentes, são enganados pelo filho da perdição, pelo anticristo. Uma vez que os descrentes recusaram a verdade, Deus lhes enviará um poder da ilusão, para que creiam a mentira.

 

Isto mostra o grande perigo de uma pessoa constantemente resistir à ação do ES para que creia no Salvador. Aquele que sistematicamente recusam crer e aceitar a verdade corem o risco de caírem na incapacidade de aceitar a verdade.

 

O que este versículo revela e ressalta é esta verdade: é que esta é uma ação deliberada de Deus, vem de Deus. Não podemos ignorar nem torcer esta verdade.

Romanos 1:24ss fala da mesma atitude de Deus que deliberadamente entrega a mais pecado. Esta é também um castigo de Deus sobre quem lhe resiste.

 

v.12 – A parte final deste trecho, 1-12, que revelou a entrada e a ação terrível do Anticristo no mundo, indica o derradeiro propósito de Deus, que é o julgamento e a condenação todos os que não creram (não deram crédito) a verdade, antes, pelo contrário, preferiram, escolheram, tiveram prazer na iniquidade, no pecado.

 

A ênfase final é colocada sobre a responsabilidade daqueles que são condenados. Em vez de aceitarem a verdade, deleitaram-se na iniquidade.

 

Conclusão

A conclusão deste trecho no v.12 é importante. As pessoas descrentes condenadas tiveram prazer na iniquidade. Deus irá condenar o deleite naquilo que é pecaminoso, maligno e imoral.

Em todos os tempos, o pecado consiste em deleitar-se naquilo que é errado e que os que persistem no pecado descobrem que se tornam incapazes de fazer o bem. E o pecado leva à morte.

 

O pecado não é a vontade de Deus para o homem. E a escravidão ao pecado, a incapacidade de lhe resistir, é a penalidade imposta por Deus e tem como consequência que vai levar à perdição eterna.

 

Mas também vemos aqui que isto não é inevitável. O homem tem a possibilidade de escolher a verdade e de crer nela para a salvação, de crer no Salvador Jesus.

 

Há um tempo para tomar esta decisão, HOJE, antes que seja tarde demais.

 

Cristo virá a qualquer momento, repentinamente, arrebatará da terra apenas a Sua igreja para o céu. E quando isso acontecer, ficam os descrentes num mundo onde se vai revelar o terrível Anticristo.

Decide hoje! Recebe o amor da verdade para seres salvo.

  Rui simão, pastor

 

Moreira, 23 de Junho de 2024 (16.30h)  

 


sexta-feira, 26 de julho de 2024


Israel, sua Origem e Existência, e o Conflito no Médio Oriente

 E disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os teus olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o lado do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente.

Porque toda esta terra que vês, te hei de dará a ti, e à tua descendência, para sempre.

(Génesis 13:14-15)

Introdução – O mundo está de novo em grande sobressalto por mais um estalar da guerra no Médio Oriente. Isto depois de no sábado, dia 7-10, o movimento terrorista palestiniano do Hamas ter atacado fortemente Israel causando milhares de mortos e enorme destruição.

     Em consequência, Israel está em guerra declarada para aniquilar o Hamas que se encontra na Faixa de Gaza, região palestiniana. Os danos são enormes e trágicos a todos os níveis.

 

 Em virtude do que está a acontecer na Faixa de Gaza e em Israel, precisamos de compreender o melhor possível os motivos para este conflito que dura há décadas e parece que não tem um fim à vista: Onde, quando, como começou, qual a sua importância?

 

Os atos cometidos são de uma crueldade sem par. Esta guerra envolve uma região, uma cidade, Jerusalém, uma nação que tem muita relevância no contexto bíblico e histórico.

 

Para iniciar, precisamos de perguntar: Porque é que Israel e a Palestina estão sempre em conflito? Qual é o principal motivo?

É este, a disputa pelo território, pela terra, por aquela terra.

 

As duas partes clamam que aquela terra lhes pertence e os árabes querem o seu domínio total.

Já houve uma decisão internacional para dividir aquele território.

Foi a Resolução 181 das Nações Unidas, aprovada em 1947, criando o Estado da Palestina e o Estado de Israel. A divisão da terra foi a seguinte: 53% para os cerca de 700 mil judeus que lá habitavam e 47% para os mais de 1 milhão e 400 mil árabes que lá viviam.

 

          Os judeus aceitaram e declararam o Estado de Israel em 14-05-1948. Os árabes mais radicais não aceitaram divisão nenhuma da terra com os judeus, defendendo que eles têm de possuir a totalidade da terra e ainda defendendo a aniquilação completa dos judeus.

 

Esta é a posição do Hamas, um movimento radical islâmico criado em 1987 que domina a Faixa de Gaza.

 

Então, a principal razão para este conflito entre Israel e os Palestinianos é porque os árabes muçulmanos reclamam a totalidade da terra e não aceitam a existência do Estado judaico na região.

Na verdade, ao fim da tarde do próprio dia 14 da criação do Estado de Israel, vários países árabes atacam e invadem Israel: Egipto, Síria, Arábia Saudita, Iraque, Líbano.

 

  Perante isto, vamos recuar muito na história e no tempo para entendermos como se chegou a este terrível conflito entre judeus e árabes palestinianos.

Comecemos pelas Escrituras Sagradas.

 

I.- Origem de Israel

Quando o pecado entrou no mundo, pelo primeiro casal, Adão e Eva no Jardim do Éden, Deus, na Sua misericórdia, proclamou logo ali e profetizou que enviaria ao mundo um Salvador, o Redentor da humanidade, o Messias, Jesus Cristo. Lemos isso em Gén.3:15.

 

Para que não houvesse qualquer dúvida da origem da Pessoa divina que viria do céu, encarnaria e entraria no nosso mundo, o próprio Deus vai revelar-nos a genealogia, a descendência de pessoas que se sucederão ao longo dos séculos até Cristo.

  Lemos isso logo em Gén.5. Depois, Deus não vai servir-se de qualquer nação que já existisse no mundo, mas vai criar de raiz a própria nação da qual nascerá o prometido Messias.

 

Onde vemos isso? Em Gén. 12:1-5, quando, há 4.000 anos atrás, Deus chama um homem de nome Abrão, pedindo que este saísse da sua própria terra, Ur, na Mesopotâmia e vá para a região de Canaã que hoje é a zona de conflito entre Israel e Palestinianos.

 

É aqui que tem origem a nação de Israel na terra onde se encontra hoje e vejam a grande promessa de Gn.13:14-15, que é para sempre.

 

Deus promete a Abraão, e à sua mulher Sara, um filho, Isaque, e que será na descendência desse filho que nascerá a nação de onde virá o Messias Salvador do mundo.

Então, já temos aqui a origem da nação e o lugar onde ela estaria na terra.

 

No entanto, surgiram problemas na obediência e na confiança na promessa de Deus.

A esposa de Abraão, Sara, era estéril e como os anos passavam, sugere que Abraão lhe dê um filho por meio da sua escrava egípcia Agar.

Isso ocorre e nasce o primeiro filho de Abrão com Agar, de nome Ismael. Mas a promessa de Deus era diferente, seria com o filho de Abraão e de sua mulher Sara, Isaque.

 

De Isaque nascerá toda a nação judaica e de Ismael virão os árabes muçulmanos.

 

É também muito importante em termos históricos sabermos que os nomes que Israel e os judeus têm hoje mantiveram-se desde a sua origem. Que nomes são estes?

 

1.- Os nomes para Israel

a)- Hebreus

Em Gén.11:10ss, temos, depois do Dilúvio universal, a descendência de SEM, um dos filhos de Noé e de quem irá descender Abrão, de onde nascerá a nação de Israel.

      No v.14 temos o nome Eber, de onde se originará a palavra hebreu. Em Gn.14:13, Abrão é a primeira pessoa a ser chamada hebreu. Então, os hebreus são os descendentes de Abraão.

 

b)- Israelitas

Abraão gerou a Isaque, Isaque gerou a Jacob. Em Gén.32:28, há um episódio em que Jacob luta com um Anjo e, na sequência, Deus muda o nome de Jacob para Israel.

Jacob, que agora é Israel, tem 12 filhos, que vêm a ser os 12 patriarcas que vão gerar as 12 tribos que formarão a nação de Israel. São israelitas. Devido a uma grande fome naquela altura na região, Jacob vai levar toda a sua família, cerca de 70 pessoas, para o Egito a fim de sobreviverem. No Egito, estes hebreus, que são também israelitas, vão ficar por mais de 400 anos e vão multiplicar-se até serem vários milhões, mas são escravizados ali.

 

Pela mão de Deus, são libertados sob a liderança de Moisés e dirigidos à terra prometida a Abraão, Canaã. Depois, sob a liderança de Josué, entram na terra e começam a conquistá-la às nações que lá habitavam, heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os perizeus, e os heveus, e os jebuseus (Dt.7:1). Não havia lá palestinianos.

 

Assim, Israel por muitas batalhas, herda a terra prometida por Deus mais de 4 séculos antes a Abraão. Essa terra é toda distribuída por Josué pelos milhões de hebreus, de israelitas. É a terra dada por Deus a Israel.

Esta é a terra que está no conflito de hoje no Médio Oriente.

 

Posteriormente, são escolhidos reis hebreus para governarem Israel.

O 2º rei, David, cerca do ano 1.000 a.C., designa Jerusalém como a capital de todo o Israel e onde será construído o Templo para adoração a Deus. Israel era o soberano proprietário daquela terra.

Depois, há uma divisão na nação e Israel passa a ter a norte o reino de Israel e a sul o reino de Judá, com os seus reis.

 

Surge uma invasão pelo império da Assíria que conquista a parte, o reino do norte de Israel e leva dali praticamente todos os hebreus, permanecendo em Israel bem poucos.

 

Assim, da nação, resta, a Sul, Judá, com apenas duas tribos, Judá e Benjamim.

 

Eis que cerca de 600 anos a.C. o império da Babilónia invade, conquista e destrói o reino de Judá, Jerusalém e o templo. Contudo, 70 anos depois, por decreto do rei Ciro, os hebreus regressam à sua terra, reconstroem a cidade e o templo. Estão de novo na sua terra.

 

c)- Judeus

Como surge este 3º nome? Como só restaram estas duas tribos, a tribo dominante, Judá, vai originar o termo judeu para os hebreus.

Portanto, eis estes três nomes que ainda permanecem para o povo de Deus: Hebreus, israelitas e judeus. Tanto que Jesus diz assim de Natanael: Eis aqui um verdadeiro israelita… (Jo.1:47) e à samaritana diz: …porque a salvação vem dos judeus (Jo.4:22).

 

        Deixando a parte bíblica, que também é histórica, vejamos a parte da História.

 

II.- A Parte da História

1.- Prosseguindo, estamos agora no 1º século.

 

Cerca de 40 anos depois de Jesus regressar aos céus, no ano 70 d.C., num mundo dominado pelo Império Romano, o general Tito com as suas tropas destrói Jerusalém e o templo, restando apenas o Muro que se vê hoje. Jesus profetizou isto quando disse aos Seus discípulos: …não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada (Mt.24:2)

Os judeus fogem, dispersam, e dá-se a maior Diáspora dos hebreus para África, Europa e Ásia. Contudo, sempre ficaram judeus na sua terra.

 

2.- No segundo século d.C., ano 132 a 135, houve uma revolta dos judeus por Barcoquebas contra o império romano. O Imperador Adriano derrotou os judeus e para cessar o ímpeto dos judeus, mudou o nome de Jerusalém para Capitolina, e a região passa a ser chamada de Palestina, palavra que tem a sua origem em “Filístia”.

 

Porquê esta mudança? Para humilhar os judeus dando àquela terra o nome de um dos seus piores adversários de sempre, os filisteus.

 

Então, a terra que Deus prometeu e deu a Israel passa a ter este nome, Palestina.

 

Como vemos, nada tem nada a ver com a terra pertencer aos palestinianos.

 

Porque palestinianos passaram a ser designados TODOS os que ali vivam, judeus e árabes, no que foi antes a terra de Israel. Foi assim, neste episódio do séc.II, que se originou a designação de Palestina.

 

3.- Prosseguindo a História, o Império Romano do ocidente termina por volta do ano 476 e eis que lhe sucede, a oriente, o Império Bizantino, capital em Constantinopla, Istambul que vai dominar a região da Palestina.

 

Vejam que, até aqui, houve naquela região o reino judaico por vários séculos, mas nunca ali houve reino ou qualquer autoridade designada de palestiniana.

 

Entretanto, a História prossegue, e a Palestina conhece mudanças por parte de Califados muçulmanos que a tomam, mas mantendo o nome de Palestina.

 

4.- E por volta do séc. VII, sendo já nascido Maomé, vai surgir o Alcorão e a religião muçulmana. Isto vai acrescentar mais problemas ao conflito entre árabes e judeus.

 

Numa das colinas da cidade de Jerusalém, o Monte Moriá, com o domínio árabe e a religião muçulmana na região, no início do séc. VII é construído o Domo da Rocha e a mesquita Al Aqsa, santuários considerados dos mais sagrados para os muçulmanos.

 

Então vejam o problema que surge aqui.

 

Estamos a falar da terra que foi prometida por Deus a Abrão, terra da nação de Israel, com os seus reis soberanos por séculos, mas que pelo curso da história, os judeus perderam o seu domínio, apesar de continuarem a viver ali.

 

Os judeus sabem que foi no Monte Moriá, um dos montes de Jerusalém, que Abraão foi para sacrificar o seu filho Isaque, como Deus lhe pediu, mas que não sucedeu.

E foi nesse mesmo monte que o rei Salomão construiu o templo judaico para adoração a Deus. Aquele lugar é sagrado para os judeus, faz parte da sua história desde a sua origem.

 

Só que os muçulmanos têm outra história. Segundo o seu livro sagrado, o Alcorão, dizem que naquele monte Moriá, Abraão foi lá para sacrificar, não Isaque, mas o seu filho Ismael, filho da escrava egípcia Agar e de onde descendem os árabes.

 

E, mais do que isso, o lugar do Domo da Rocha e a Mesquita Al Aqsa é sagrado para os muçulmanos porque acreditam que dali subiu ao céu o seu profeta Maomé.

 

Então, vejam o problema. Quer judeus, quer árabes, dizem que aquele lugar em Jerusalém lhes pertence, que Abraão foi ali sacrificar o seu filho.

 

Os judeus dizem que foi Isaque, e esta é a verdade. Mas os árabes dizem que foi Ismael. Vejamos que só existe uma verdade. Qual é? Vejamos!

 

Cerca de 1300 anos a.C., o hebreu Moisés escreveu Génesis e relata a história de Abraão que, numa ordem de Deus para provar a sua fé e obediência, levou Isaque, seu filho, para o sacrificar no Monte Moriá, na Jerusalém de hoje.

 

          E cerca de 2000 anos depois disto, séc. VII, o árabe Maomé escreve o Alcorão e diz que Abraão levou Ismael àquele lugar.

 

Isto é uma enorme deturpação da verdade história, é uma obra diabólica.

Quem conhece o relato bíblico e a rivalidade de Agar contra a sua senhora Sara e, depois, de Ismael contra Isaque, compreende (Gn.16:4 e 21:9)

Bem escreveu Paulo aos Gálatas: Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque. Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne (Ismael) perseguia o que o era segundo o Espírito (Isaque), assim é também agora. (4:28-29)

5.- Regressando, após esse período do séc.VII, a Palestina conheceu vários “impérios” que a dominaram, turcos, otomanos, entre outros. Mas nunca existiu uma autoridade palestiniana como hoje se fala.

          De 1517 a 1917 o Império Otomano controla toda a região (incluindo Síria e Líbano).

6.- Mas eis que a História está prestes a mudar no que respeita aos milhões de judeus dispersos pelo mundo desde o ano 70.

No século XIX (1850 em diante), judeus perseguidos nos territórios aonde estavam refugiados, começam a voltar para a região da Palestina juntando-se aos judeus que sempre ali permaneceram e que já estavam estabelecidos ali. Surgem novas cidades.

7.- Após a 1ª Guerra Mundial, o Império Otomano, que apoiava a Alemanha, foi derrotado e expulso do Oriente Médio pelas tropas aliadas, com apoio dos povos árabes.

Foram instituídos mandatos britânicos e franceses para as regiões que hoje correspondem à Síria, Iraque, Líbano, Palestina e Jordânia, cujas fronteiras artificiais foram devidamente reconhecidas pela Liga das Nações.

Chegados ao séc. passado, séc. XX, os judeus que se encontravam dispersos pelo mundo continuaram a sofrer perseguição, em especial na Europa Nazi. Deu-se o terrível holocausto de mais de 6 milhões de judeus assassinados.

Na sequência, muitíssimos judeus regressaram à Palestina, sua terra de origem histórica. Lembram-se que tinham saído de lá no ano 70, expulsos pelos romanos.

 

Então, temos uma Palestina agora com árabes e judeus a habitarem ali e os conflitos surgem e permanecem.

 

8.- Então, a Grã-Bretanha, que tinha a autoridade na região, entrega a resolução do problema às Nações Unidas em 1947. A Assembleia Geral da ONU determina a partilha da parte ocidental da Palestina entre um Estado judeu e outro Estado árabe, através da resolução 181.

 

A divisão da terra foi a seguinte: 53% para os cerca de 700 mil judeus que lá habitavam e 47% para os mais de 1 milhão e 400 mil árabes que lá viviam.

 

Os árabes recusam esta partilha. Mas em 14 de maio de 1948, os israelitas declaram a constituição do estado de Israel. Finalmente, aquele povo que recebeu a terra de Canaã prometida a Abraão, onde os seus reis dominaram por séculos, voltam a ter, não o mesmo espaço, mas um pedaço dessa terra, pois agora também lá vivem árabes, palestinos.

 

Israel aceita o pedaço de terra que lhe dão e aceita que ali vivam árabes. Mas os árabes não aceitam e ao cair da noite do primeiro dia da sua independência de 14 de Maio de 1948, Israel é atacado logo por 6 países árabes à sua volta, que serão derrotados.

 

E daí para cá, este conflito permanece entre em que o intento dos árabes é a eliminação de Israel daquele lugar, atacando diariamente e obrigando Israel a um esforço de defesa contínuo.

 

Para abreviar, na verdade nunca existiu na Palestina um rei palestino, um presidente palestino. Já de Israel sabemos que habitaram e reinaram ali por séculos.

 

 

Conclusão – Biblicamente, Deus prometeu que aquela seria a terra do Seu povo Israel para sempre: Porque toda esta terra que vês, te hei-de dar a ti, e à tua semente, para sempre (Gn.13:15). Em Jeremias 31:35-36, Deus promete sobre Israel: 35. Assim diz o Senhor, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o Senhor dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.

 

          Profeticamente, os planos de Deus para o final dos tempos envolvem, quer a nação de Israel, quer aquela terra. Por isso, depois de cerca de 2000 anos sem terra, Deus deu novamente terra aos hebreus, aos judeus, aos israelitas, a Israel em 1948.

 

Vejam que isto não significa que o Israel que hoje ali está é crente, porque não é. Israel ainda precisa de crer no Messias que rejeitaram há 2000 anos, Jesus. Paulo explica isto em Romanos 11, em especial nos vs. 25-26.

Possa o mundo inteiro, possa Israel voltar-se para Cristo, pois só em Jesus há salvação.

Rui Simão, pastor

 

 Moreira, 19 de Outubro de 2023 (RO)