terça-feira, 22 de agosto de 2017



As Sete Últimas Declarações de Jesus na Cruz

Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. 

 Romanos 5:6-11 

E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram, e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.

 Lucas 23:33 

 Introdução

         A morte de Jesus Cristo não foi uma morte normal, nem uma morte por acaso. As Escrituras largamente profetizavam deste sacrifício muitos séculos antes de ter acontecido. O próprio Cristo ensinou que para isto tinha vindo. Ele disse a Pilatos em João 19:38: Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.

                                              

         Jesus também disse aos Seus discípulos que daria voluntariamente a Sua vida, ninguém lha iria tirar. Jesus sabia e conhecia a hora que se aproximava e orou ao Pai para que O fortalecesse em tudo o que iria suportar e que iria sofrer: …Pai, é chegada a hora… (João.17:1).

 

         Depois de traído e preso durante a noite no jardim, Jesus foi em poucas horas foi julgado ilegalmente no Sinédrio judaico, que buscavam falso testemunho contra Jesus para poderem dar-lhe a morte; e não o achavam… (Mateus 26:59-60). Logo ali começou o sofrimento de Jesus: Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam. (v.67)

 

Depois levaram Jesus a Pilatos, autoridade romana, governador que o remeteu a Herodes que com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o de uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos. (Lucas 23:7,11).

 

Novamente perante Pilatos, Jesus vai ser julgado publicamente pela autoridade romana e perante a multidão enraivecida que pedia furiosamente, crucifica-o, crucifica-o. Fazendo a vontade do povo, …tendo mandado açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado. (Mat.27:26).

 

Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã, a 3ª hora dos judeus, contada desde o nascer do sol. Neste período, Jesus falou por três vezes, referindo-Se aos outros. Ao meio-dia, a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra (Mateus 27:45). Durante este período, Jesus falou por mais quatro vezes, dizendo respeito a Si mesmo. Às 15 horas, a hora nona, Jesus expirou. São um total de sete as frases, as palavras, que Jesus pronunciou durante estas terríveis seis horas.

 

         Além do profundo significado da cruz, estas sete declarações de Jesus na cruz são autênticas lições espirituais e um ministério. Não vamos seguir uma ordem particular.

 

I. Uma palavra de PERDÃO – Lucas 23:34

E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem…

É uma oração que expressa a Sua compaixão e amor pelos Seus inimigos. A ignorância dos soldados foi circunstâncial, porque foram envolvidos na crucificação por ordens superiores.

 

Os judeus tinham as promessas, desde Abraão, Moisés e dos profetas. Os judeus esperavam o Messias. Mas não O reconheceram e crucificaram Aquele que era a esperança de Israel. Agora, Jesus suplica ao Pai que os perdoe, que tenha misericórdia, pois não sabiam quem estavam a crucificar. E era necessário que se cumprisse a redenção e a profecia bem clara de Isaías 53.

 

E a resposta do Pai não se fará esperar. O salteador crucificado ao Seu lado e o centurião romano, em poucos minutos, chegam à fé e à conversão a Jesus. O centurião reconhecerá: Verdadeiramente este era o Filho de Deus… deu glória a Deus dizendo: Na verdade, este homem era justo. (Mat.27:54; Luc.23:47).

 

Com estas palavras, Jesus intervém junto do Pai como Mediador, implorando perdão. Cristo estava a ser humilhado, em grande sofrimento, pregado numa cruz. Mas orava e intercedia junto do Pai, revelando a misericórdia divina diante do pecador que Ele ama.

 

Isaías escreveu: … e intercedeu pelos transgressores. (53:12); …Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios… Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rom.5:6,8)

II. Uma palavra de COMPAIXÃO – João 19:26-27

Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E, desde aquela hora, o discípulo a recebeu em sua casa.

 

Em primeiro lugar vamos ver o que estas palavras NÃO significam.

 

Não significa que Jesus estava a entregar a igreja aos cuidados de Maria, como interpreta a teologia católica romana. OS romanistas vêem nesta passagem que Jesus estava a colocar Maria como mãe da igreja. Dizem que o apóstolo João ali presente representa a igreja e que Jesus estava a dizer a Maria: Mulher, eis aí o teu filho (eis aí a igreja).

 

Mas isto é uma grande heresia e uma deturpação do texto bíblico. Porque vejam que no v.27 o discípulo a recebeu em sua casa. Foi assim que João interpretou as palavras de Jesus.

 

Portanto, a interpretação é muito simples. Do alto da cruz, Jesus contempla a sua mãe e entrega-a aos cuidados do apóstolo João que doravante a amparia, pois é provável que José já tivesse morrido. Vemos o cuidado de Jesus pela família mesmo na crítica hora da morte: …eis aí tua mãe…eis aí o teu filho.

Jesus queria que a Sua mãe fosse bem cuidada depois da Sua morte. Estas palavras de Jesus mostram apenas o amor, o carinho e a preocupação de Jesus pela Sua mãe.

 

III. Uma palavra de SALVAÇÃO – Lucas 23:42-43

E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

 

A oração/pedido daquele homem é uma das mais ousadas: Senhor, lembra-te de mim…

 

Enquanto o outro condenado insultava e reprovava a Jesus, este outro, pelo contrário, arrependido, reconhece o seu erro e pecado. Ele repreende o outro: …tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? Reconhece que ele injusto e que Jesus era justo.

 

A salvação está sempre aberta para todos até à hora da morte. A salvação estava disponível para aqueles dois, mas apenas um a recebeu. Ele mostra confiança, ele profere com grande declaração de fé a um Rei moribundo, a um Rei envolto em zombaria, dor e vergonha.

 

Aquele arrependido reconheceu que a morte não seria o fim de tudo para ele e que além da morte existia um reino celestial onde Jesus é Rei e Senhor. Aquele homem exerceu uma fé em nada inferior aos dos heróis da fé de Hebreus 11.

 

As palavras de Jesus, dando-lhe confiança, deram-lhe mais do que ele pensara ou pedira. Não teria que esperar por um futuro longínquo. Não, seria naquele mesmo dia, em poucos momentos: hoje.

 

…comigo no paraíso, isto é, compartilhando com o próprio Senhor Jesus o lugar e a condição de bem-aventurança no paraíso.

 

Temos aqui, também algumas outras verdades nestas palavras finais de Jesus na cruz:

1.º- O sono da alma é uma doutrina falsa de várias seitas, como TJ, Adventistas 7º Dia. A alma é imortal e depois da morte não fica a dormir na sepultura à espera de uma decisão divina. A alma também não será destruída se não for salva. Não! Existe céu e inferno. Depois da morte, a alma estará ou no céu com Deus ou no inferno, consoante a pessoa é um salvo ou um ímpio.

 

2.º- A demonstração da justificação pela fé. Aquele homem pecador creu em Jesus, arrependeu-se do seu pecado e recebeu de imediato a salvação de Deus. Como Paulo e Silas disseram ao carcereiro em Filipos: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo. (Actos 16:31)

 

3.º- Jesus é o Salvador e tem a autoridade para pronunciar uma palavra que garante a salvação eterna do pecador que se volta para Ele em fé e arrependimento.

 

4.º- Nenhum mérito, nenhuma obra humana, nem mesmo as ordenanças divinas da Ceia e do Baptismo são necessários para a salvação de uma alma. A salvação vem da graça de Deus e é pela fé: Pela graça sois salvos, por meio da fé… (Efésios 2:8).

         Esta promessa de Jesus é também para todo o crente, palavras de conforto, de paz, certeza e de salvação.

 

IV. Uma palavra de SOFRIMENTO ESPIRITUAL – Mateus 27:46; Marcos 15:34

E perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lama sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?

   Aproximava-se o momento crucial da morte de Jesus. Agora, Jesus, conscientemente, cumpre mais outra profecia bíblia, a do Salmo 22:1. Este grito de Jesus assinalou a realidade de que, naquele momento, Ele foi feito pecado por nós, Deus lançou sobre o pecado da humanidade:

Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. (II Cor.5:21);

…fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. (Gál.3:13);

…provasse a morte por todos. (Hebreus 2:9)

 

Ilustração do livro.

Suponham que neste livro estão escritos todos os meus, os teus pecados. A minha outra mão simboliza Jesus na cruz. Deus diz pelo profeta Isaías: …mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. (Isaías 53:6). Lançar o livro na outra mão

 

O que estava a acontecer em que Jesus Se viu sozinho e abandonado pelo próprio Pai?

Jesus era o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Deus abandonou Jesus, o Filho Unigénito, que naquele momento era o representante dos homens pecadores, para que provasse a morte em substituição do homem pecador! Naquele momento, Jesus estava a suportar a justiça de Deus, recebe estava a receber o castigo de Deus sobre Ele, a ira de Deus sobre o pecado: Porque, como, pela desobediência de um só homem (Adão), muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um (JESUS), muitos serão feitos justos (Rom.5:19).

 

 Era o grito de angústia do Cordeiro, do Salvador que Se estava a sacrificar a Si mesmo, sozinho, abandonado pelo Deus Santo e humilhado pelos homens cruéis e ímpios. Sozinho!

Era a hora das trevas. O Filho clamou, mas do Pai não houve qualquer resposta. Jesus foi abandonado para que nós não o fôssemos.

 

V. Uma palavra de ANGÚSTIA e de SOFRIMENTO FÍSICO – João 19:28

Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.

A vida inteira de Jesus, o Messias, do mais ínfimo pormenor até ao maior, cumpriu as profecias do AT.. Aqui, conscientemente, Jesus cumpria a profecia do Salmo 69:21: Deram-me fel por mantimento, e na minha sede deram-me a beber vinagre.

 

Estes sofrimentos físicos faziam parte integral dos momentos finais da Sua missão terrena. Foi um grito por parte d’Aquele que garantira aos outros: e quem crê em mim nunca terá sede. (João 6:35)… porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. (João 4:14). Esta é a água que o nosso Salvador nos oferece, mas para a ganhar para nós Ele mesmo teve que experimentar a sede horrível na cruz do calvário.

 

Os soldados tentaram dar a Jesus vinho com mirra, mas ele não o tomou (Mc.15:23). Para cumprir a Escritura, Jesus recusou o vinho, mas aceitou o vinagre. Recusou tomar qualquer droga par alívio da sua dor. Queria estar consciente para a plena concretização da redenção da humanidade. Mas Jesus aceitou beber vinagre para ficar lúcido até ao final (Jo. 19:29).

 

Esta exclamação tem um importante significado teológico que mostra a humanidade de Jesus. Cristo era verdadeiro homem. Nos tempos das primeiras igrejas grassou uma heresia proveniente de uma seita conhecida como gnosticismo. Dentro dessa seita, havia ainda um grupo mais restrito, os docetistas. Ensinavam que o corpo de Cristo era uma ilusão e que a Sua crucificação tinha sido apenas aparente, não real. Diziam que Deus não poderia estar contido na matéria. Não entenderam e rejeitaram a encarnação.

 

Basta lermos o evangelho de João e a sua clara revelação: E o Verbo se fez carne. Como homem, Jesus teve sede e morreu.

 

Os apóstolos foram claros em todos os seus escritos do NT ao afirmarem a humanidade, assim, como a divindade, mas também a HUMANIDADE de Jesus.

Assim, aqui, o apóstolo João registou claramente esta palavra de Jesus na cruz na Sua agonia humana: Tenho sede. Quem estava a morrer na cruz era homem, além de Deus. O Seu sangue estava a esvair-se e humanamente o corpo pedia a compensação de líquido.

 

VI. Uma palavra de VITÓRIA – JOÃO 19:30

E quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado…

Jesus pronunciou a palavra grega, o verbo “tetelestai”, que significa: “Está tudo pago, está tudo cumprido”. Nós podemos terminar uma obra magnífica, mas será sempre imperfeita. Só Deus faz tudo perfeito.

 

Aqui, conscientemente, Jesus sabe que a Sua grande obra da redenção estava terminada, concluída com todo o sucesso, perfeitamente. Jesus sabe que todos os propósitos e desígnios de Deus foram concretizados. Ele já tinha profetizado em João 17:4: Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. Com esta declaração:

1.- Jesus sabe que satisfez todas as exigências da justiça de Deus para a salvação do homem perdido e condenado: …se ofereceu a si mesmo, imaculado, a Deus… (Heb.9:14)

2.- Jesus sabe que cumpriu tudo quanto foi escrito pelos profetas.

3.- Jesus sabe que o caminho para o Santo dos Santos foi aberto pelo Seu sangue, o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

4.- Jesus sabe que foi uma consumação tremenda, mas gloriosa, sabe que provou a morte por todos.

5.- Jesus sabe que pela Sua morte redentora, pelo derramamento do Seu sangue na cruz, Deus estava reconciliado com os homens: Isto é, Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados… (II Cor.5:19).

 

Também significa que nada mais há a acrescentar para a salvação dos pecadores. A salvação está completa. Nenhuma obra humana meritosa se pode acrescentar, mas unicamente pela obra perfeita de Cristo na cruz.

 

VII. Uma palavra de INTIMIDADE, CONFIANÇA E DE UNIDADE COM O PAI – Lucas 23:46 - E clamando Jesus com grande brado, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.

…E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. (João 19:30)

E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. (Mateus 27:50)

 

A morte de Jesus não foi por esgotamento. Como Ele mesmo tinha dito, foi um acto voluntário: …ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou… (João 10:18). Jesus rendeu-Se ao Pai no momento que Ele decidiu.

 

Jesus sempre esteve em unidade e em comunhão com o Pai, desde o princípio até ao fim da Sua existência terrena. Começou o Seu ministério com oração. Orou no início da Sua paixão no jardim do Getsemani. À medida que o crucificaram e as horas passavam, orava ao Pai e expirou orando em íntima comunhão, intimidade, confiança e unidade com o Seu Pai amado. 

 

Na hora da Sua morte, Jesus foi para o Pai. Jesus sabia que o Seu corpo permaneceria ali, preso na cruz, para ser sepultado e ressuscitaria dali a três dias.

Mas o Seu espírito não adormeceu, mas seria com toda a certeza recebido pelo Pai logo após a Sua morte.

 
Conclusão

Esta é a mesma confiança que nós temos.

Também o mesmo acontece connosco, os crentes salvos. Ao morrermos, o nosso corpo fica cá e será sepultado. Mas o nosso espírito parte para estar com o nosso Pai celestial.

Foi Jesus que ganhou para nós esta salvação na Sua cruz no Calvário.

E nas Suas últimas sete palavras, nos Seus últimos gritos, nas Suas últimas sete declarações temos maravilhosas lições que podemos aplicar hoje às nossas vidas pessoais.

 
         Glória ao nome do Senhor Jesus Cristo

Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista de Moreira da Maia

terça-feira, 4 de julho de 2017


 

Correr bem a corrida cristã

Corríeis bem; quem vos impediu para que não obedeçais à verdade?  

(Gálatas 5:7) 

Introdução     

          Comecemos por ver o motivo desta carta: O apóstolo Paulo escreveu esta carta às igreja da Galácia (1:2), uma província romana na Ásia Menor, hoje a Turquia.

Paulo estava muito preocupado e os seus receios estão logo no capítulo 1:6-11. Aquelas igrejas estavam a ser atacadas por falsos mestres com falsas doutrinas e com ensinos que não correspondiam ao verdadeiro Evangelho de Jesus que Paulo tinha pregado naquela região e segundo o qual aquelas pessoas se tinham convertido pondo a sua fé em Jesus Cristo.

Por isso, Paulo adverte aquelas igrejas de que estavam a passar do verdadeiro evangelho de Jesus para outro evangelho (v.6), mas que era falso.

 

Quais os principais problemas que aquelas igrejas estavam a demonstrar?

 

Aqueles falsos mestres ensinavam que, para a salvação, não era suficiente crer no Salvador, não era suficiente ter fé em Jesus Cristo, mas que também tinham quer ser circuncidados para garantia da salvação. Diziam às igrejas que além da fé também tinham que ter obras. Esses mestres falsos eram conhecidos como judaizantes porque exigiam dos crentes das igrejas de Jesus, práticas que pertenciam ao judaísmo, que pertenciam à Lei de Moisés, como a circuncisão.

 

Ora isto preocupou bastante o apóstolo Paulo levando-o a escrever esta carta às igrejas daquela região. Vejam as alusões que Paulo faz sobre o problema:

 

- …mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. (1:7)

- …se alguém vos anunciar outro evangelho, além do que já recebestes, seja anátema (quer dizer, maldito) – 1:9

- E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram… (2:4)

- Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade? (3:1)

         - Todos aqueles, pois, que são das obras da lei, estão debaixo da maldição… (3:10)

- Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. (5:2)

- Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando. (5:12)

 

Afinal, aqueles crentes tinham começado bem a corrida da vida cristã com fé em Jesus Cristo, mas agora corriam o risco de desobedecer ao verdadeiro evangelho de Jesus. Estavam a perder de vista unicamente a Pessoa do Salvador Jesus e o Seu sacrifício na Cruz para salvar o pecador.

Por isso, em 5:7, Paulo lança uma grande pergunta: “Vocês estavam a correr bem a corrida da vida cristã, mas agora alguém vos está a perturbar para vos impedir de obedecerem à verdade de Jesus.”

 

Isto é uma grande lição para nós hoje que somos crentes em Jesus Cristo.

 

PROPÓSITO DESTE ESTUDO: Como filhos de Deus, devemos saber que a corrida da vida cristã começa com fé no Senhor Jesus e assim deve continuar por toda a nossa vida. Também hoje os crentes enfrentam problemas semelhantes.

 

Paulo usa aqui a metáfora, a ilustração da corrida para descrever a vida cristã. Como os atletas no estádio, o crente começa a corrida da vida cristã quando crê no Salvador Jesus e deve permanecer firmemente nela, com vigor, progredindo sempre, não caindo, não desfalecendo, não se desviando. E o progresso dessa corrida deve manter-se até chegar à meta.

 

         Pensemos em nós mesmos?

- Como está a nossa corrida da vida cristã?

- Temos permitido que falsos ensinos perturbem a nossa firmeza ao Evangelho de Jesus?

- Estamos a ser fiéis, consistentes, firmes na nossa corrida?

- Estamos a deixar que o mundo nos atrase ou perturbe a nossa obediência à verdade?

 

         Gostava que olhássemos para os primeiros crentes da igreja em Jerusalém e tomássemos para nós hoje o seu grande exemplo de fidelidade ao Evangelho de Jesus e à igreja de Jesus. O seu exemplo da corrida da vida cristã.

 

Vamos ver isto em Actos capítulo 2. Foi no Dia de Pentecostes, o dia em que o Espírito Santo desceu sobre a igreja de Jesus que aguardava o cumprimento dessa promessa de Jesus. Nesse dia, Pedro pregou o Evangelho e milhares creram em Jesus, arrependidos do seu pecado e foram baptizados.

 

Vamos ver apenas o seguinte:

 

1. Os sinais de genuína conversão a Jesus apresentados em Actos 2, destacando apenas alguns deles.

 

2. O magnífico relato de Lucas em Actos 2 mostra-nos a grande mudança nas atitudes e nas vidas de milhares de pessoas convertidas no dia de Pentecostes.

 

3. A fidelidade e a firmeza daqueles crentes ao Evangelho comprovado nas suas vidas diárias.

 

Vamos ler Actos 2:37-38, 41-42, 46.

 

 

Não havia dúvida acerca da experiência profunda e pessoal daqueles homens e mulheres. Eles foram totalmente transformados na mente e no coração.

 

A descrição de Actos 2 assegura-nos que o arrependimento pode e deve ser discernido, comprovado. Podem ver-se as marcas, as evidências práticas da nossa salvação e nas vidas daqueles que, pela fé em Jesus, verdadeiramente se convertem e se arrependem do seu pecado.

 

Vamos ver essas marcas visíveis, tal como o Senhor Jesus disse: Pelos seus frutos os conhecereis.

 

1.ª - Convicção de pecado – E ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração…

         A primeira marca que se vê nesta passagem é a experiência da convicção do pecado que conduziu ao verdadeiro arrependimento. Eles ouviram a pregação do Evangelho de Cristo na pregação de Pedro e compungiram-se em seu coração, ou seja, tiveram o seu “coração traspassado, perfurado”.

Tiveram vergonha do seu pecado e tiveram um genuíno anseio pelo perdão de Deus. Voltaram-se para Deus, deixaram o pecado. Começaram a corrida da vida cristã.

 

 

2.ª - Capacidade de entender as Escrituras Sagradas – E perseveravam na doutrina dos apóstolos – v.42 -          “Doutrina” quer dizer “ensino”.

Indica agora que os novos crentes continuaram fortemente ligados aos ensinamentos bíblicos dos apóstolos; eles persistiram ou perseveraram. OS crentes não deram ouvidos a mestres falsos, mas à Palavra de Deus.

 

Nós hoje temos a doutrina dos apóstolos onde? Apenas na Bíblia. É à Bíblia que nos temos que agarrar na nossa vida cristã. E quando alguém nos ensinar, devemos comprovar se esse ensino está de acordo com a Bíblia.

 

Um verdadeiro convertido entende a importância da Palavra de Deus, quer conhecê-la mais, ama-a, firma-se nela, apega-se e é leal à Palavra.

 

Pessoas ainda não salvas acham a Bíblia complicada, obscura, difícil, sem sentido e sem valor. Mas quando são verdadeiramente convertidas, as páginas da Bíblia resplandecem como a luz e os seus corações são aquecidos e inspirados pela Palavra de Deus. Antes eram cegos, mas agora, a conversão a Jesus e o arrependimento, capacita-os a ver a Palavra com novos olhos.

 

As páginas da Bíblia eram secas, mas agora têm vida. Agora progridem na fé pela Palavra que leem. Agora, para os arrependidos e convertidos, a Bíblia tem firme autoridade sobre as suas vidas, desejam fazer tudo o que ela diz, são desafiados e guiados pelo ensino das Escrituras. E a perseverança na Palavra de Deus é um excelente sinal de que a Palavra vive e reina neles. É uma marca de que estão a correr bem a corrida da vida cristã. Assim prosseguiam a sua corrida.

 

3.ª - Laços familiares e fraternos - E perseveravam… na comunhão… v.42

         Aqui, gostava de ressaltar outra marca do convertido arrependido que está a correr bem a corrida da vida cristã. Tem a ver com quem ele gosta de estar.

         Naquele Dia de Pentecostes, aqueles que colocaram a sua confiança em Cristo, logo se tornaram firmemente ligados aos outros crentes em Jesus, ao povo de Deus. Era o profundo desejo de estar com os outros irmãos na fé.

 

I João 1:7 diz: …mas se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros. O crente passou das trevas para a luz e agora caminha na luz e tem comunhão com aqueles que também andam na luz. Também I João 3:14 diz: Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.  

 

Isto quer dizer que o convertido passa a gostar da companhia dos seus irmãos na fé, sente-se disposto a permanecer depois dos cultos para conversar com outros crentes, comunhão espiritual, muito diferente do que gostava antes de ser crente em Jesus.

 

Se o crente continua a dizer que os seus melhores amigos e as suas melhoras companhias são os descrentes, algo não está bem. Cuidado com as nossas companhias. Ter fortes laços com os nossos irmãos na fé é um grande sinal de que estamos a correr bem a corrida da vida cristã.

 

4.ª - A descoberta da oração – E perseveravam… nas orações. – v.42

Outra marca de que estamos a caminhar bem no Evangelho é a prática da oração. Não vamos ver um descrente em oração de joelhos perante Deus. Mas quando ele se converte ao Senhor, sabe que agora tem acesso directo a Deus por meio de Cristo e entrega-se à oração.

 

Aqueles novos convertidos de Actos 2 não ficavam longe das reuniões de oração, não faltavam às reuniões. Tornaram-se conscientes de que eram filhos de Deus e que o Seu Sumo-sacerdote, Jesus, nos céus ouvia todo o clamor deles. Acreditaram no privilégio e no poder da oração, individual e colectiva.

 

Levavam os seus problemas em oração, oravam por eles próprios, pelas suas famílias, pelos parentes, amigos e inimigos não salvos, oravam pelos que os maltratavam e perseguiam (Actos 4:23-31). Oravam pelo progresso da igreja, intercediam e também louvavam ao Senhor.

 

O crente, filho de Deus, tem um forte desejo de orar, de entrar na presença de Deus, porque o Espírito Santo que habita nele o impele a isto. Uma vida de oração comprova que estamos bem na corrida do Evangelho.

 

5. O novo coração - …comiam juntos com alegria e singeleza de coração – v.46

Os novos convertidos do Dia de Pentecostes eram caracterizados por uma dedicação sincera ao Senhor, pela lealdade de coração descrita como singeleza de coração, ou, “sinceridade de coração, coração macio, oposto de rochoso, duro”.

 

Noutras palavras, antes do encontro com o Evangelho de Cristo, eles não eram assim, mas ocorreu neles uma grande mudança a todos os níveis das suas vidas. 

Ocorreu uma grande mudança nos seus actos, pensamentos, sentimentos mais íntimos, uma abertura ao Senhor e às coisas de Deus, dedicação, prontidão para mudar os seus estilos de vida com a intenção de agradar a Deus.

 

É como Paulo diz em I Cor.5:17: Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eus que tudo se fez novo. Tudo, tudo, é mesmo tudo.

Cumpriu-se a promessa de Deus em Ezequiel 11:19: Um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne.

Um novo coração inclui uma atitude de grande reverência e respeito pelo Senhor, bem como um profundo amor por Ele. É isso que vemos em Actos 2:43: E em toda a alma havia temor, ou seja, um temor reverente. A pessoa orgulhosa foi transformada num coração amável e humilde.  

 

Conclusão

         Muitos outros sinais de que estamos a ser fiéis na corrida da vida cristã são mencionados no NT, mas este estudo resumiu-se àqueles que foram mais visíveis nas vidas daqueles crentes.

 

         Aqueles crentes começaram a corrida da sua vida cristã e permaneciam fiéis. Eles, sim, corriam bem.

O que é que o Evangelho de Jesus pede de cada um de nós:

1. Um arrependimento verdadeiro, convicção do pecado. O coração quebrantado, compungido e contrito volta-se para Deus para obter perdão.

2. O crente volta-se para a Palavra de Deus e persevera nos seus ensinamentos fiéis, nas suas doutrinas.

3. Torna-se real uma forte ligação de pertencer ao povo de Deus – perseverar na comunhão com os outros irmãos na fé. Vir a este acampamento, por exemplo.

4. Uma nova realidade, a de orar, incluindo louvor, petições: perseveravam nas orações.

5. Um novo coração é dado por Deus, juntamente com nova alegria, a alegria da salvação, novo carácter, novos gostos, desejo de agradar e de obedecer a Deus. (v.46)

 

         Corramos todos bem. Que nada nos impeça de obedecer à verdade do Evangelho de Jesus

 

 

Rui Simão
Pastor na igreja evangélica baptista em Moreira da Maia