sábado, 29 de fevereiro de 2020



Crise do Coronavírus (Covid- 19) e o Rei Jeosafá
…e não sabemos o que faremos; porém, os nossos olhos estão postos em ti...
II Crónicas 20:12

Introdução – Adaptação e baseado num estudo entregue pelo pastor Jason Seville numa igreja evangélica na China, não identificada por razões de segurança.


Este pastor diz que enquanto está sentado no seu apartamento na China, um país infestado pelo Coronavírus, não consegue pensar numa oração melhor do que aquela, proferida por um rei da Judeia desesperado, mas confiante, chamado Jeosafá (II Cr 20.12).

          Os olhos de um mundo ansioso estão nessa crise de saúde global. Empresas e escolas, na China, e no mundo inteiro, estão a atrasar ou a fechar as suas atividades. As fronteiras estão a fechar-se. E nos últimos dias, muitas companhias aéreas suspenderam todas as viagens dentro e fora deste grande país.
Em todos os momentos da nossa vida, especialmente nas crises, devemos voltar-nos para o Senhor em humildade e em oração: “Não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti Senhor”. Para entendermos o contexto, lemos 20:1-3.

          Esta antiga perspetiva de Jeosafá é mais apropriada para Fev./Março de 2020 do que poderíamos pensar. Naquela altura, exércitos perigosos aproximavam-se de Judá. Mas sua fé era abrangente. Jeosafá não estava a confiar no Senhor apenas diante de uma potencial derrota militar, mas para qualquer desastre que pudesse vir! Vejam o v.9.

        Jeosafá confiava, apesar do grande perigo. Mesmo diante de peste ou praga, ele clamava a Deus. E, dada a atual ameaça de pandemia, precisamos de aprender a fazer o mesmo. Aqui estão cinco aspetos, da confiança de Jeosafá em Deus, que podem nos ajudar hoje.

I. Confiemos no Senhor, apesar dos receios
“Então, Jeosafá temeu e pôs-se a buscar ao SENHOR… (v.3a)
Ele não era sobre-humano; ele era uma pessoa normal, como nós. O passo inicial de quem confia na ajuda de Deus – naqueles dias ou nos nossos – deve ser o de admitir fraqueza. É uma boa atitude chegar agora diante do Senhor e dizer-Lhe honestamente como estamos, assustados, se for o caso.  Não é vergonha.

          O objetivo é sermos sinceros, confiando n’Ele, mesmo nas nossas preocupações mais profundas. Jeosafá escolhe confiar no Senhor, ao que também nós HOJE somos chamados. A confiança é sempre uma escolha. E é isso que teremos que fazer repetidamente: CONFIAR.

II. Incentivar os outros a confiarem também em Deus – vs.3b-4
          Depois de Jeosafá buscar a Deus, ele proclama um jejum nacional: Então Jeosafá temeu, e pôs-se a buscar o Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscar ao Senhor. (II Cr. 20.3,4). O rei sabe de onde vem a verdadeira ajuda e leva outros a irem até lá em busca de esperança.

          Quando todos ao nosso redor estão receosos e alarmados, os nossos vizinhos temem que o céu esteja a desabar, devemos lembrar uns aos outros que servimos a um Deus amoroso, misericordioso e soberano (Sl. 91).

          Ao levarmos as nossas ansiedades ao Senhor em oração, podemos experimentar uma paz que ultrapassa o entendimento: Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Fp 4.6-7).
E, quando experimentamos tal paz, a esperança contra cultural, contraintuitiva, que temos em Cristo, é revelada: e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, (I Pe. 3.15). Afinal, a nossa fé é pessoal, mas não privada. Incentivemos os outros a confiar em Deus.

III. Clamemos ao Senhor – vs.5-12
          Jeosafá oferece um modelo de oração nos versículos 5-12. Ele apela ao caráter de Deus, às Suas promessas e às Suas ações no passado. A oração então culmina no v.12.
          Talvez nos sintamos assim à luz do Coronavírus, impotentes, ansiedade a aumentar com riscos de contágio. Sigamos o exemplo do rei Jeosafá, orando ao Senhor e dizendo-Lhe que estamos sem capacidade de resolução, mas que a nossa esperança está fixa no nosso Deus Todo-Poderoso. Quantas de nossas orações devem terminar com uma frase como essa?
Esta é a postura do cristão. Apelemos, clamemos conforme os atributos da Pessoa do nosso Deus, confessemos a nossa incapacidade e coloquemos os nossos olhos no Senhor.

IV. Lembremo-nos da salvação do Senhor – v.17
Deus lembra-nos que está pronto para nos ajudar e quando Ele está na luta, a vitória é certa e todo o poder vem do Senhor a nosso favor. Ao confiarmos n’Aquele que pode lutar em nosso nome, somos convidados a olhar e ver a salvação do Senhor.

          O Coronavírus pode estabilizar na próxima semana. Ou pode piorar. As nossas famílias podem ser poupadas desta pandemia ou não. Mas temos que continuar a olhar e a buscar a salvação de Deus. Não porque Ele necessariamente prove o Seu amor por nós protegendo-nos, mas porque Ele já demonstrou O Seu amor enviando Cristo para morrer por nós enquanto ainda éramos pecadores, para que quem nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Rm 5.8; Jo 3.16).

          Oremos para que as famílias sejam protegidas e poupadas.

O objetivo é estarmos preparados para nos confortarmos e também confortarmos outros, muitos na perspetiva de uma morte física que pode vir, testemunhando de Cristo como Salvador para vida eterna.

V. Adoração, mesmo durante a crise – 20:21-22
Jeosafá confiou e guiou outros a confiarem em Deus. Mas observe o final: adoração. Em II Cró. 20.21, antes mesmo da vitória, o rei leva o povo a louvar. O resultado, ver v.22.

Como esta cena final faz parte da confiança em Deus? Porque se Deus é bom, e se sabemos que podemos confiar n’Eele, podemos adorá-Lo mesmo no meio do sofrimento. Podemos louvá-Lo e dar-Lhe glória, mesmo sob a ameaça de perigo de aumento deste vírus.

          Reparem que Deus não disse a Jeosafá para fazer isto. Ele não foi instruído por Deus a convocar um culto. Foi decisão e iniciativa de um homem, de um rei que conhecia e que amava a Deus, de um rei que confiava no poder de Deus, que sabia que Ele agiu no passado, age no presente e continuará a agir. É dessa maneira que devemos procurar ao Senhor.

VI. Algumas lições que o Coronavírus nos deveriam ensinar
1. A nossa fragilidade humana: Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce. Passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não será mais conhecido. (Sl.103:15-16);
2. A nossa igualdade. O vírus não respeita fronteiras, nem povos. Apenas o Senhor nos pode proteger;
3. A nossa falta de controlo, de domínio da situação. Podemos apenas minimizar com higiene e disciplina;
4. A dor de ser excluído, isolado. Lembra-nos Lev.13:45, em que o Senhor ordenou que o leproso fosse isolado da comunidade para não espalhar a doença, e gritasse “imundo, imundo”;
5. A diferença entre Medo e Fé. Qual é a nossa reação perante esta crise? Jesus ensinou-nos a orar, “mas livra-nos do mal”  e disse, “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo.14:27); 6. A nossa necessidade de Deus e de oração: O Senhor te ouça no dia da angústia, o nome do Deus de Jacó te proteja. Envie-te socorro desde o seu santuário, e te sustenha desde Sião. (Sl.20:1-2);
7. A nossa verdadeira esperança está em Deus: Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. (Rom.14:8); Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca irá morrer. Crês tu isto? (Jo.11:25-26)

         
Conclusão - Os judeus saem no dia seguinte e a ameaça desapareceu. Não dizemos que Deus milagrosamente resolverá todos os nossos problemas se começarmos a adorar. Mas, certamente, o grande problema de muitos crentes – o problema da descrença – será resolvido se começarmos a adorar ao Senhor. Temos aqui esta lição.
Diante do Coronavírus, que os cristãos de todo o mundo tenham uma confiança inabalável no Senhor, mesmo quando não sabemos o que vem a seguir.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O Testemunho de João o Baptista – O Cordeiro de Deus

"Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo."

João 1:29

Introdução

Depois de um testemunho profundamente teológico e doutrinário sobre a Pessoa de Jesus nos vs.1-18, começando agora neste versículo 19 e até ao 51, passamos à segunda secção do evangelho de João, a saber, o testemunho dado por João o Batista e pelos seus discípulos sobre a Pessoa de Jesus.

 

Hoje queremos debruçar-nos sobre a grandiosa declaração de João o Batista: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1:29, 36).

 

I. O Testemunho de João sobre Jesus

João é extremamente cuidadoso para que, na missão que recebeu de Deus, não seja confundido. Por isso, ele afirma que NÃO É o Cristo, nem Elias, nem o profeta (1:25).

Assim, João dá grande testemunho sobre Jesus, dizendo que Jesus é Superior, de tal forma que ele nem era digno de sequer abaixar-se e desatar-lhe a correia da alparca. Diz também que Jesus é eterno, é antes de mim, porque foi primeiro do que eu (vs.27,30).

 

Por que é que João o Batista está a dizer isto agora?

Porque João quer destacar a grande Pessoa e a grande Missão de Jesus no v.29: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Nenhum homem normal poderia ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Tudo o que foi dito de Jesus até agora, desde o v.1, era essencial para que fosse o Cordeiro de Deus removedor do pecado.

 

Nenhum homem comum poderia ou pode tirar pecados. Ninguém está qualificado para poder tirar o pecado do mundo a não ser Jesus. Apenas o Verbo eterno, Deus que Se fez carne, apenas Aquele que é a luz, apenas o Filho Unigénito pode ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Tinha que ser Deus feito homem. Só Jesus o pode ser. É um aviso que aqui temos.

 

Reparemos como é que João o Batista podia estar tão certo sobre Jesus. Foi o próprio Deus, Aquele que o chamou para esta missão de preparar Israel para a chegada do Messias, que lhe revelou isto. Vemos isso no v.33.

 

 

II. O Cordeiro de Deus – v.29 – O que tinha que ser?

Este é o grande destaque, o ponto alto do testemunho de João o Batista sobre Jesus. A partir daqui, ele vai começar a diminuir e Jesus vai começar a crescer em Israel (3:30).

 

Esta afirmação sobre Jesus vai designar a razão da vinda ao mundo do Filho de Deus. Vemos isto em I João 3:5: E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Esta é a razão da aparição de Jesus. Esta é a razão da encarnação.

 

Agora, porque é que João acrescenta …e nele não há pecado? Porque era assim que os cordeiros tinham que ser para poderem tirar pecados. Tinham que ser sem mancha.

 

Vamos ler no AT como tinham que ser escolhidos os cordeiros que apontavam para Jesus, o Cordeiro de Deus. A primeira referência está na instituição da primeira Páscoa, quando Deus determina: O cordeiro será sem mancha…o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. (Êx.12:5).

Depois, em Lev.4:32-35: Mas, se pela sua oferta trouxer uma cordeira para expiação do pecado, sem defeito trará. E porá a sua mão sobre a cabeça da oferta da expiação do pecado, e a degolará por oferta pelo pecado, no lugar onde se degola o holocausto. Depois o sacerdote com o seu dedo tomará do sangue da expiação do pecado, e o porá sobre as pontas do altar do holocausto; então todo o restante do seu sangue derramará na base do altar…assim o sacerdote por ele fará expiação dos seus pecados que cometeu, e ele será perdoado.

 

         Mas todo o crente do NT e todo o temente a Deus do AT sabe que o sangue de animais não pode tirar o pecado humano. É o que diz Hebreus 10:4: Porque é impossível que o sangue dos toiros e dos bodes tire os pecados.

 

 Então, o que é estava a acontecer no tempo do Êxodo, de Levítico, no Tabernáculo, no templo?

Parábolas, dramas, figuras que apontavam para o futuro em que o verdadeiro cordeiro removeria o pecado do mundo. Mas lá no AT, quando o pecador levava o cordeiro para sacrifício, punha as suas mãos na cabeça do animal, o sangue dele era aspergido no altar, ele podia ver que de nenhuma forma aquele animal poderia na verdade retirar o seu pecado, a sua culpa. Mas apontava para o futuro.

 

        E João o Batista sabia isto muito bem. Ele conhecia Isaías 53, ele conhecia Levítico, ele era profeta, saturado com a Palavra de Deus. Assim, quando viu Jesus, quando recebeu a revelação de Deus, pôde ver que tudo estava a tornar-se realidade. Tinha chegado o tempo. Ali estava agora o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 

        Pedro não escreveu nenhum evangelho, mas também deu testemunho desta realidade na sua primeira carta: Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o procioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado. (I Pe.1:18-19).

 

        Perante o Deus Santo, cada pecador precisa de um substituto, de um cordeiro puro e sem mancha, que não existe. Nenhum homem pode levar e pagar o pecado do outro. Todo o homem é pecador. Mas não foi assim com Jesus.

 

        Quando Jesus nasceu, não foi de semente humana. Ele é Filho de Deus.

       

        Como sabemos isto?

Quando o anjo anunciou a Maria o nascimento de Jesus, disse: E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. (Lc.1:35).  

Jesus podia ser o Cordeiro de Deus porque não era um homem normal, era Santo, era Deus-homem, puro e perfeito, sem pecado, sem mancha.

Pedro acrescenta: O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano (I Pe. 2:22).

Hebreus 3:15 diz de Jesus: …como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

 

III. O Cordeiro de Deus – v.29 – O que significa?

Significa duas coisas muito importantes.

 

1. Que Jesus teria que morrer.

Mas teria que morrer como um cordeiro sacrificial morria: abatido. Só João, o escritor, usa a palavra grega “σφάζω” (sphazó, sfad'-zo) que incida a forma como se matavam os cordeiros no sacrifício pelo pecado: matar com violência.

 

Temos isto noutro livro que João escreveu, Apocalipse, onde o Cordeiro aparece por cerca de 24 vezes: E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos, um Cordeiro, como havendo sido morto (grega “σφάζω” (sphazó, sfad'-zo)…

 

 Reparem que Jesus já tinha encarnado, tinha cumprido o Seu ministério redentor na terra, tinha sido crucificado, ressuscitado e ascendido à glória celestial, sentando-Se à direita do Pai no trono.

 Mas mesmo no céu, glorificado, Jesus é visto como o Cordeiro.

 

Neste mundo, Jesus era o Cordeiro de Deus porque tinha que morrer. Foi por isto que Deus O mandou e foi para isso que Ele veio. Para poder tirar o pecado do mundo, tinha que ser o Cordeiro de Deus e tinha que ser morto, abatido com violência.

 

Então, este é o grande testemunho de João o Batista, o Filho de Deus tomou a forma humana para poder ser sacrificado como um cordeiro.

 

2. Todo o mundo beneficiaria da Sua morte, não apenas os judeus.

Jesus era o Messias judeu, profetizado séculos antes, nasceu na mais pequenina terra do mundo, entre um pequeníssimo povo chamado Israel, mas não morreria apenas pelo pecado de Israel. João diz que este Cordeiro morreria para tirar o pecado do mundo inteiro.

 

Estas duas verdades, de que Jesus teria que morrer como cordeiro, não apenas pelos judeus mas pelo mundo inteiro, estão juntas e sumarizadas nas palavras do sumo-sacerdote  Caifás que falou profeticamente em João 11:49-52. E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.

 

Jesus não morreria só pelos judeus, mas pelo mundo.

 

 João também escreve sobre isto em I João 2:2: E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.

 

Propiciação  é uma oferta que se dá a alguém que está irado para acalmar a sua ira. A propiciação de Jesus significa que a Sua morte remove a ira do Deus Santo contra o pecado porque tira o pecado.

O Cordeiro tira o pecado e remove a ira de Deus, não apenas dos judeus, mas dos gentios de todo o mundo.

Apocalipse 5:9-10 diz: Digno és de tomar o livro… porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo e nação… digno é o Cordeiro que foi morto…

 

Vemos este precioso removedor da ira de Deus em João 3:36: Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

 

O que é que isto significa?

Não que cada pessoa no mundo está salva, mas que qualquer pessoa no mundo que ponha a sua fé em Jesus será salva. Se crer em Jesus, o seu pecado foi removido pelo Cordeiro. A ira de Deus foi tirada pelo Cordeiro. Não nenhuma raça, nenhuma nacionalidade, nenhuma etnia, nenhum estatuto sócio-económico excluído.

 

Mas a todos quantos o receberem, quem crer no Seu nome (João 1:12), os seus pecados são tirados e a ira de Deus removida e são feitos filhos de Deus e tenha vida eterna (Jo.1:12; 3:16).

 

Nós olhamos para o mundo e vemos como está perdido no seu pecado. Tantas religiões, milhares e milhares de deuses na Índia, no Japão, na China, tantos rituais, tanta procura por purificação, tantos sacrifícios e ofertas, tantos caminhos propostos, pessoas caminham centenas, milhares de quilómetros, atravessam continentes em busca de algo que possa purificar as suas almas, as suas consciências, mas tudo em vão.

Vemos ocidentais a irem em busca nas religiões orientais, e vice-versa, mas tudo em vão, tudo perdido, porque só o Deus-homem, Jesus Cristo, puro e perfeito, na cruz Se deu em sacrifício pelo pecado do mundo inteiro.

 

Conclusão

Jesus é o nosso Cordeiro e o nosso Senhor. Cada pessoa presente nesta sala é um pecador merecedor da ira de Deus. Só há um caminho para que o teu pecado seja tirado éter o favor de Deus. Não é trabalhando para Deus. Não é limpando a nossa vida. Isso é fruto.

O único caminho é crer em Jesus como o glorioso Cordeiro de Deus. Jesus disse: Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados. (João 8:24).

 

Creiamos em Jesus como o nosso Cordeiro, Salvador e Senhor. E diremos como os apóstolos: E o sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de todo o pecado. (I João 1:7)

terça-feira, 31 de dezembro de 2019


O Pacto da Igreja Baptista

São admitidos a membro da igreja somente as pessoas que se arrependeram, que exerceram a sua fé na Pessoa e obra de Jesus Cristo e professaram esta fé publicamente  pelo seu baptismo nas águas por imersão. Estes, são salvos pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo, foram regenerados, nasceram de novo.  

As Sagradas Escrituras, a Bíblia, é a única regra de fé e prática do crente em Jesus Cristo. A igreja tem, também, a sua Declaração Doutrinária (ou Confissão de Fé) que é conhecida e aceite por cada membro da igreja, e o Pacto da Igreja. A Declaração Doutrinária resume o que a igreja crê. O Pacto, por sua vez, descreve como a igreja espera que os membros se comportem. A Declaração Doutrinária diz respeito à doutrina. O Pacto da Igreja diz respeito à conduta, ao testemunho de vida de cada crente. 



sábado, 23 de novembro de 2019



Evangelho de João

A Glória de Deus Revelada em Jesus – Jesus, a Luz Divina

Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo…

João 1:9-13



Introdução

O início do quarto evangelho antecipa a temática de todo o livro: que na vida e obra de Jesus Cristo a glória de Deus foi revelada de maneira única e perfeita.



No início, 1:1-18, está contida toda a substância e o tema do evangelho inteiro: Deus Filho, o Verbo eterno, originário de toda a existência, vida e luz, tornou-se carne, habitou entre nós. Jesus foi a revelação perfeita que Deus quis fazer de Si mesmo ao mundo.



Este evangelho de João mostra-nos como Deus Se fez carne para que homens e mulheres cressem nele e vivessem: Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. (João 20:31).



          No Prólogo (1:1-18), na abertura do seu evangelho, João revela-nos o Senhor Jesus numa linguagem metafórica, figurada. Ele diz-nos que Jesus é o Verbo (a Palavra), a vida e a luz. Cada uma destas é uma forma de falar da Divindade de Jesus. Ao apresentar Jesus como o Verbo, a vida e a luz, João ensina-nos verdades básicas, essenciais e importantíssimas para a fé cristã. São ensinamentos muito profundos e necessários a todo o crente em Jesus.



Ele é o Verbo, ou a Palavra, porque é a comunicação de Deus. Ele é a vida porque é a vida eterna em Si mesmo e é o Criador que trouxe tudo à existência e que dá a vida a tudo o que vive. E Ele é a luz porque é o verdadeiro iluminador da vida.



Nós já considerámos os primeiros 8 versículos e falámos sobre Jesus como o Verbo e a vida. Hoje vamos prosseguir no texto e debruçar-nos sobre o v.9 em diante em que Jesus é apresentado como a luz. Na verdade, João refere-se a Jesus várias vezes como a luz.



v.9 – Ali estava a luz verdadeira… -  Pensando apenas na vida num mundo natural ela é feita de luz e de trevas. De dia temos o sol e luz. À noite temos escuridão, trevas, um pouco atenuadas pela luz da lua e das estrelas. Mas para vermos na escuridão precisamos de uma luz. Então, Jesus é descrito aqui como sendo essa luz que ilumina, mas não a noite escura.



Jesus, com o Seu divino poder, é uma iluminação espiritual que dissipa as trevas, que rasga, que vence as trevas e a escuridão do pecado e da descrença. Jesus é uma luz que brilha a fim de capacitar o homem a conhecer a verdadeira vida e a razão da sua existência neste mundo.



          Um exemplo: Quando estamos às escuras nada vemos, e um raio de luz atinge a retina do nosso olho, ilumina as coisas e passamos a vê-las. Onde há luz, nós vemos. Onde não há luz, não vemos. É isso que faz Jesus, no Seu poder divino. Quando Jesus, a luz divina atinge a alma do homem, há iluminação para que o homem conheça as coisas espirituais.



          Aparte de Jesus não há Palavra, não há vida, não há a luz do entendimento, tudo é trevas.

Mas Ele é a luz verdadeira no meio de um mundo de engano. Num mundo cheio de religiões que dizem ser a verdadeira, na verdade apenas Jesus é a luz verdadeira.



Neste Evangelho, a Luz, Jesus, brilhou neste mundo e mostrou a verdade do Salvador. A Luz brilhou e revelou a natureza do pecado e dos pecadores aos olhos de Deus. Iluminou a verdade sobre os crentes, a verdade sobre Deus. Isto porque Ele é a luz verdadeira.



Prossegue o v.9 e diz que esta revelação verdadeira veio para quem?

Veio todo o homem que vem ao mundo. É para TODOS sem distinção. Deus amou o mundo, Deus quer que todos sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade. (I Tim.2:4).



Portanto, se as pessoas permanecem nas trevas, não é por falta da luz, mas porque deliberadamente preferem as trevas. Ninguém chegou à salvação senão pela luz verdadeira que é Jesus. Ele diz em Jo.8:12: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. Também diz em João 3:16-19.



V.10. – Jesus estava no mundo que Ele criou, que Lhe deve a existência, mas esse mundo não o reconheceu. Por trinta anos, Jesus esteve em Nazaré e foi vizinho das pessoas. Mas na primeira vez que Ele pregou lá quiseram matá-Lo.

Depois, por mais três anos, Jesus andou por todo o Israel, fez milagres fabulosos, pregou grandes mensagens. Ele era Deus em carne. Ele era o Deus invisível tornado visível e palpável. Ele mostrou a Sua glória às pessoas ao estar no mundo. No entanto, o mundo das pessoas não o conheceu. Recusaram reconhecer Jesus a luz verdadeira.



v.11 – Veio… e os seus não o receberam – Este é um versículo muito conhecido e decorado do NT. João vai dar-nos a compreensão da natureza dos pecadores neste mundo. E vai aprofundar ainda mais este ensino ao realçar antes que a luz veio e estava no mundo.



Este versículo não repete o anterior. O v.10 diz que Jesus veio para o mundo das pessoas em geral. E agora no 11 Jesus veio numa revelação especial ao povo de Deus, Israel.



Veio para a Sua casa. Veio para o povo com quem Deus fez Alianças. No entanto, fizeram como antes. Deus queixa-Se que lhes mandou profetas, mas ignoraram-nos e não fizeram caso de Deus. E fizeram o mesmo com Jesus.

Nós sabemos como o homem tem rejeitado Deus. Isso é sério. Mas uma coisa é rejeitar homens, profetas de Deus, rejeitar a Palavra escrita inspirada por Deus num rolo. Mas muito pior é rejeitarem a luz verdadeira. Rejeitar Deus feito carne, vendo a sua glória cheio de graça e de verdade. E isto foi verdade há dois mil anos e também o é hoje.



v.12 – Mas, a todos quantos o receberam… - Esta é uma das grandes declarações do NT. MAS… indica que entre quem não compreendeu, não conheceu, não recebeu Jesus, houve um remanescente que Lhe deu as boas-vindas quando Ele veio. Houve quem o recebeu.



Receber, aqui é “aceitar, apossar-se, tomar com a mão algo ou alguma pessoa para usar”. Então, todos aqueles que receberam o Verbo divino que encarnou, a vida, a luz verdadeira que veio ao mundo, Jesus. Aqueles que creram, aqueles que aceitaram, que tomaram a Jesus pela sua mão, esses entraram para a família de Deus, foram feitos filhos de Deus.

Receber é depositar a sua fé em Jesus, é crer no seu nome.  



v.13 –  O v.13 antecipa a declaração mais completa sobre o novo nascimento que será feita mais à frente no cap. 3. O nascimento na família de Deus é bem diferente do nascimento físico.  A pessoa teve um nascimento espiritual que lhe permite entrar na família cujo Pai é Deus. Depende da pessoa receber, aceitar, crer n’Aquele a quem Deus enviou, Jesus.



Resumindo os vs. 12 e 13: TODA a pessoa que não despreza, que não ignora, mas que aceita, que toma pela sua mão, que recebe pela fé o enviado de Deus ao mundo, Jesus, entra para a família de Deus como Seu filho. Estes nascem de Deus.



I João 5:1 confirma esta verdade: Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus.   



Conclusão

Jesus Cristo é o Deus eterno que se fez homem, que deixou a glória celestial e assumiu a forma humana, vivendo neste mundo como qualquer pessoa. João apresenta-O de uma maneira única e profunda chamando-Lhe o Verbo, a vida, a luz verdadeira que veio ao mundo.

Apesar de Jesus ser Deus e de trazer a luz da verdade da vida e do propósito da vida para cada pessoa, poucos O compreenderam e não O aceitaram naquele tempo, tal como hoje.

          Mas a todos quantos o receberam, foram feitos filhos de Deus.

Rui Simão
pastor na igreja evangélica baptista em moreira da maia