segunda-feira, 27 de abril de 2020

Apocalipse - A Visão do Trono da Majestade Divina - Introdução

As Últimas Palavras de Jesus à Igreja

 A Visão do Trono da Majestade Divina - Introdução

“Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu…”

Apocalipse 4:1 (caps 4 e 5)

 

Introdução – Chegámos agora à terceira parte do maravilhoso livro do Apocalipse. Hoje faremos apenas uma introdução ao que Deus nos vai revelar a partir daqui. Devemos sentir-nos gratos e privilegiados por termos a honra de vislumbrar a “Sala” onde se encontra Deus no Seu majestoso Trono. A divisão de TODO o livro está em 1:19:

1.ª - Escreve as coisas que tens visto – é o que João viu no início, no cap. 1, a visão de Jesus glorificado;

2.ª – e as que são – foram os caps 2 e 3, as cartas às sete igrejas da Ásia com a revelação de Jesus para a Sua igreja e que contém uma perspetiva da igreja ao longo da história;

3.ª – e as que, depois destas, hão-de acontecer. Esta é a terceira e a parte mais longa do livro, cap. 4 a 22. O que contém? Tem a informação que todos querem saber, a revelação profética do futuro que aguarda a humanidade. Aqui temos o que ainda está por acontecer.

 

          Como sabemos que esta é a terceira parte do livro? Porque 4:1 começa precisamente assim: Depois destas coisas…, a mesma expressão grega de 1:19: …as coisas…depois destas… João recebe um convite: Sobe aqui e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. É assim que sabemos que inicia a terceira parte do livro.

 

          Os capítulos desta longa terceira parte do livro, de forma simples, dividem-se assim:

. Caps.4-5 – Uma Visão da Majestade de Deus, Pai e Filho, no Trono, com cenas celestiais;

. Caps. 6-19 – Os acontecimentos do período da Tribulação na terra e a Segunda Vinda;

. Caps. 20-22 – O Reino Milenar de Jesus, Julgamento do Grande Trono Branco, destruição desta terra e a Nova Criação de todas as coisas, a Nova Jerusalém e a Eternidade.

 

          A futura vinda do Reino de Deus inclui o quê? Inclui a destruição dos poderes do mal, a destruição de Satanás e dos seus demoníacos seguidores, a destruição da morte.

 

          Mas antes de serem destruídos, esses poderes maus vão empenhar-se num esforço final desesperado de tentar destruir o povo de Deus. Porém, nesse terrível conflito definitivo entre Satanás e Deus, o relato do Apocalipse começa logo por revelar Quem está no trono a governar o universo: É Deus, o Pai e o Senhor Jesus Cristo (caps.4-5).

 

          Por isso, estas visões levam-nos para diante do trono de Deus de onde procederão todas as demais predições e onde está o comando de todos os acontecimentos finais. Deus é aqui visto como o Senhor, digno de toda a honra, glória e poder, incluindo o poder sobre a terra, que foi usurpado pelas forças malignas.

 

          Iniciemos, pois, os caps.4 e 5, antes de começar o período da Tribulação na terra.

 

Temos uma visão celestial de onde e de Quem procederão os julgamentos sobre a terra.

 

          Tal como termina 3:21, e me assentei com meu Pai, no seu trono, a cena dos caps.4 e 5 é do Trono e de Duas Pessoas da Trindade, Deus, o Pai e Deus o Filho.

 

          Deus, o Pai, é o foco do cap.4. Ver: …um assentado sobre o trono… ao que estava assentado sobre o trono… Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus…ao que estava assentado sobre o trono… (vs.2b-3a,8b 9).

 

         E Deus, o Filho, o Cordeiro, é o foco do cap.5, antes de começarem os juízos: …E olhei e eis que estava no meio do trono…um Cordeiro… prostraram-se diante do Cordeiro… digno é o Cordeiro… (vs. 6, 8 12).

          Ambos os capítulos iniciam referindo-se ao trono. Vejam 4:2 e 5:1. Trono é o lugar onde se assentam os reis. Aponta para poder, autoridade, comando.

 

          Os papeis de Deus, o Pai, e de Deus, o Filho, são diferentes nestes dois caps. O cap. 4 destaca o Pai como o Criador, O cap.5 destaca Deus, o Filho, como o Redentor.

 

          Vejam, por exemplo, quanto a Deus Pai, o início de 4:11: Digno és… Se formos para 5:9, 12 diz o mesmo de Deus Filho: Digno é…

 

          Quanto a Deus Pai, o texto de 4:11 prossegue e diz porque é que é digno: …Senhor, de receber glória, e honra e poder, porque tu criaste todas as coisas…

 

          Quanto a Deus Filho, o Cordeiro, Jesus, 5:9, 12 também explica porque é que é digno de ser adorado: porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens… Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força e honra…

 

          O que é que estamos a ver aqui? O que está a acontecer no céu? Está a acontecer adoração celestial, pura e perfeita por parte de milhões de milhões, e milhares de milhares (5:11). Deus, o Pai, a ser glorificado porque Ele criou todas as coisas. Deus, o Filho, a ser glorificado por Ele redimiu todas as coisas e as reconciliou com Deus.

 

          Para que servem os caps. 4 e 5? Para nos mostrarem onde está o poder, a soberania e o comando, a autoridade. Estamos a ver, para nosso ensino,  verdadeira e pura adoração no céu dirigida a Deus, o Pai, e a Deus, o Filho.

 

          Vejam a conclusão desta adoração, a conclusão dos dois caps 4 e 5. Está em 5:13-14, e o que vemos? Vemos adoração ao Pai e ao Filho. Verdadeira adoração é assim, nada tem a ver com formas de adoração que vemos hoje em tantas igrejas com atitudes desordenadas, histeria, descontrolo, barulho.

 

         Verdadeira adoração tem razão, tem racionalidade, tem objetivo, tem foco. É o culto racional de que Paulo fala em Romanos 12:2. O único foco da adoração é Deus, nada mais, ninguém mais.

 

         Quando começarmos a ver mais à frente no estudo do Apocalipse, os juízos, os castigos, os julgamentos de Deus sobre a terra nos caps. 6-19, de tanta intensidade e de tanta severidade, podemos perguntar: Será que Deus tem realmente o direito de julgar o mundo, a criação como Ele o vai fazer?  A resposta está aqui:

 

         Vejamos apenas alguns poucos exemplos: 6:4, 8: E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada... e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com mortandade, e com as feras da terra. Podemos imaginar isto?

 

8:7, 9: E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra; e queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada… E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar…

 

9:5-6, 18: E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem; e o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem. E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles… Por estes três foi morta a terça parte dos homens…

 

16:2: E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem.

 

 

          Poderemos sequer imaginar o que Deus vai enviar a esta terra?

 

          Então, Será que Deus tem realmente o direito de julgar o mundo, a criação como Ele o vai fazer?

          E a resposta a esta questão é encontrada nos caps 4 e 5, na cena, na visão celestial, antes mesmo dos acontecimentos, antes mesmo dos julgamentos iniciarem.

 

          Em 16:7, lemos: E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos.

 

          Aprendemos que Deus, o Pai, e Deus, o Filho, são dignos, estão qualificados, pois através das Suas mãos divinas veio a criação de tudo; através de Deus veio a redenção do pecado. Deus é o Criador e também o Redentor.

 

          Deus, o Filho, saiu da glória, desceu à terra, deixou a eternidade e entrou no tempo dos mortais, encarnou para redimir o homem pecador, através do Seu próprio sacrifício, da Sua crucificação, morte e ressurreição dos mortos.

 

          Portanto, não há maiores credenciais do que estas. O Criador e o Redentor, no Seu tempo, na Sua providência, no Seu poder Omnipotente e justo têm o direito de julgar a Sua criação e estes dois caps 4 e 5 servem para o provar.

          Provam o poder e o direito divinos de intervir assim no mundo.

 

          Não é verdade que o homem está sempre a levantar o seu dedo e a desafiar Deus? “Deus não tem o direito de fazer isto!” Mas tem, pois Ele é o Criador e o Sustentador de tudo o que existe. Na verdade, nós nem sequer teríamos o nosso próximo respiro se ele não fosse permitido, sustentado pelo poder de Deus.

 

          Estes dois caps. 4 e 5, também servem para nos assegurar o quê?

          Que Deus vai intervir na humanidade, não demorará a ocorrer e que nenhum poder, nem mesmo o de Satanás, o pode impedir.

 

          Vejam bem: O apóstolo João esteve até aqui com uma visão sobre a terra, sobre a longa história da igreja nas suas lutas e vitórias, nas suas derrotas, nas suas advertências e promessas feitas por Jesus, o Senhor da igreja (caps. 2 e 3).

 

          Mas, agora, a sua atenção é voltada para uma visão completamente diferente, celestial, sem alarme, sem turbulência, sem sustos de adversários, de segurança e paz perfeitas, de glória, de luz, de adoração, de esperança, uma visão de Deus entronizado. v.8

 

          João pôde assim ver que, afinal, por trás do palco dos acontecimentos, que os nossos olhos não veem, Deus está a governar o universo, no Seu trono. Deus não Se separou da Sua criação. Tem tudo sob controlo.

 

          Outra pergunta: Para que servem os juízos, os desastres que Deus vai lançar sobre a humanidade?

          São instrumentos usados por Deus, quer para castigar o mundo iníquo que afronta a Santidade e autoridade de Deus, quer para trazer os homens de volta a Si, se eles se arrependerem, se eles crerem.  

 

          De quem é a decisão? A decisão é pessoal, é de cada um. As opções são apenas duas: 1.ª - Seguir ao Senhor Deus ou; 2.ª - seguir aos poderes demoníacos que procuram cativar e controlar as mentes das pessoas nesta terra onde também têm poder? Não podemos esquecer 1:1-3,8.

 

          Sabermos isto deve servir para nosso consolo e esperança, nós que vivemos no meio de tantas tribulações, perseguições. A lição global do livro do Apocalipse é esta também, que os homens vejam que o caminho de Deus, do Evangelho de Jesus é sempre o melhor.

 

A Introdução a esta terceira parte do livro já vai um pouco longa, eu sei. Mas quero concluir entrando apenas no início do v.1 do cap.4.

 

I. A Sala do Trono de Deus – Cap.4

         Algumas coisas importantes são ensinadas logo no primeiro versículo. Aqui, gostaria de dizer algo muito relevante à medida que prosseguimos o estudo deste livro maravilhoso.

Apocalipse não é um livro de fácil entendimento. Nem sempre há consenso sobre o significado dos acontecimentos aqui descritos. Há posições doutrinárias diferentes quanto aos acontecimentos finais da história da humanidade que é o tema principal deste livro do Apocalipse.

Não é nosso propósito entrar em controvérsias, nem em debates que não tragam edificação espiritual.

Por isso, procuraremos esclarecer o texto com as respostas mais adequadas debaixo desta orientação: A Escritura explica-se a si mesma.

 

         O Cap. 4 divide-se em três partes: 1. João é chamado ao Céu para ver estas coisas, para observar uma cena celestial (v.1); 2. A Visão que João observou no Céu (vs.2-8); 3. O Cântico de adoração pelas entidades celestiais a Deus o Pai como Criador (vs.9-11).

 

1.- A Convocação, a Chamada de João para o Céu

Para melhor compreendermos a razão do livro temos que recuar um pouco ao seu início. O apóstolo João estava exilado na ilha grega de Patmos por determinação das autoridades romanas (1:9). Aqui, João recebe a primeira visão. Qual é? A visão do Senhor Jesus em glória, exaltado, caminhando no meio de candelabros de ouro com mandamentos e revelações para as igrejas (1:10-15, 19).

Essas sete igrejas apresentam-nos a visão sobre a igreja de Cristo ao longo da História até ao final, representadas pelas cartas às sete igrejas da Ásia (caps.2 e 3).

 

v.1 – Depois destas coisas –A atenção do apóstolo João é desviada da terra para o céu pois vai agora receber novas visões celestiais. Diz que ele olhou e via ver algo.

 

…eis… - Esta palavra chama a nossa atenção para algo importante e excitante.

 

…estava uma porta aberta no céu… - A barreira, o véu que esconde o mundo celestial foi temporariamente aberto como uma porta que se abre. Esta é a porta da revelação. Veremos como as cenas do apocalipse mudam do céu para a terra e da terra ara o céu.

 

De seguida, João vai ouvir uma voz que fala com ele e vai identificá-la. É a primeira voz, que como trombeta ouvira falar comigo… João identifica a voz que fala com ele como sendo a primeira que lhe falou, a voz de Jesus (1:10). A trombeta indica que é uma voz poderosa para uma poderosa convocação.

A convocação é uma chamada para João subir ao céu: Sobe aqui…. Para quê? …e mostrar-te-ei as coisas que, depois destas, devem acontecer.

 

Conclusão

Ou seja, Jesus está a dizer que vai mostrar a João coisas no céu, os caps 4 e 5, e as coisas que a seguir, na sequência do que é revelado nos caps 4 e 5, vão acontecer sem falha alguma, os caps. 6 em diante.

 

E o que é? São os terríveis acontecimentos finais da história da humanidade e, depois

finalmente o início da eternidade.

 

           

Moreira,      de               de 2020 (      )

sábado, 29 de fevereiro de 2020



Crise do Coronavírus (Covid- 19) e o Rei Jeosafá
…e não sabemos o que faremos; porém, os nossos olhos estão postos em ti...
II Crónicas 20:12

Introdução – Adaptação e baseado num estudo entregue pelo pastor Jason Seville numa igreja evangélica na China, não identificada por razões de segurança.


Este pastor diz que enquanto está sentado no seu apartamento na China, um país infestado pelo Coronavírus, não consegue pensar numa oração melhor do que aquela, proferida por um rei da Judeia desesperado, mas confiante, chamado Jeosafá (II Cr 20.12).

          Os olhos de um mundo ansioso estão nessa crise de saúde global. Empresas e escolas, na China, e no mundo inteiro, estão a atrasar ou a fechar as suas atividades. As fronteiras estão a fechar-se. E nos últimos dias, muitas companhias aéreas suspenderam todas as viagens dentro e fora deste grande país.
Em todos os momentos da nossa vida, especialmente nas crises, devemos voltar-nos para o Senhor em humildade e em oração: “Não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti Senhor”. Para entendermos o contexto, lemos 20:1-3.

          Esta antiga perspetiva de Jeosafá é mais apropriada para Fev./Março de 2020 do que poderíamos pensar. Naquela altura, exércitos perigosos aproximavam-se de Judá. Mas sua fé era abrangente. Jeosafá não estava a confiar no Senhor apenas diante de uma potencial derrota militar, mas para qualquer desastre que pudesse vir! Vejam o v.9.

        Jeosafá confiava, apesar do grande perigo. Mesmo diante de peste ou praga, ele clamava a Deus. E, dada a atual ameaça de pandemia, precisamos de aprender a fazer o mesmo. Aqui estão cinco aspetos, da confiança de Jeosafá em Deus, que podem nos ajudar hoje.

I. Confiemos no Senhor, apesar dos receios
“Então, Jeosafá temeu e pôs-se a buscar ao SENHOR… (v.3a)
Ele não era sobre-humano; ele era uma pessoa normal, como nós. O passo inicial de quem confia na ajuda de Deus – naqueles dias ou nos nossos – deve ser o de admitir fraqueza. É uma boa atitude chegar agora diante do Senhor e dizer-Lhe honestamente como estamos, assustados, se for o caso.  Não é vergonha.

          O objetivo é sermos sinceros, confiando n’Ele, mesmo nas nossas preocupações mais profundas. Jeosafá escolhe confiar no Senhor, ao que também nós HOJE somos chamados. A confiança é sempre uma escolha. E é isso que teremos que fazer repetidamente: CONFIAR.

II. Incentivar os outros a confiarem também em Deus – vs.3b-4
          Depois de Jeosafá buscar a Deus, ele proclama um jejum nacional: Então Jeosafá temeu, e pôs-se a buscar o Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá. E Judá se ajuntou, para pedir socorro ao Senhor; também de todas as cidades de Judá vieram para buscar ao Senhor. (II Cr. 20.3,4). O rei sabe de onde vem a verdadeira ajuda e leva outros a irem até lá em busca de esperança.

          Quando todos ao nosso redor estão receosos e alarmados, os nossos vizinhos temem que o céu esteja a desabar, devemos lembrar uns aos outros que servimos a um Deus amoroso, misericordioso e soberano (Sl. 91).

          Ao levarmos as nossas ansiedades ao Senhor em oração, podemos experimentar uma paz que ultrapassa o entendimento: Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Fp 4.6-7).
E, quando experimentamos tal paz, a esperança contra cultural, contraintuitiva, que temos em Cristo, é revelada: e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, (I Pe. 3.15). Afinal, a nossa fé é pessoal, mas não privada. Incentivemos os outros a confiar em Deus.

III. Clamemos ao Senhor – vs.5-12
          Jeosafá oferece um modelo de oração nos versículos 5-12. Ele apela ao caráter de Deus, às Suas promessas e às Suas ações no passado. A oração então culmina no v.12.
          Talvez nos sintamos assim à luz do Coronavírus, impotentes, ansiedade a aumentar com riscos de contágio. Sigamos o exemplo do rei Jeosafá, orando ao Senhor e dizendo-Lhe que estamos sem capacidade de resolução, mas que a nossa esperança está fixa no nosso Deus Todo-Poderoso. Quantas de nossas orações devem terminar com uma frase como essa?
Esta é a postura do cristão. Apelemos, clamemos conforme os atributos da Pessoa do nosso Deus, confessemos a nossa incapacidade e coloquemos os nossos olhos no Senhor.

IV. Lembremo-nos da salvação do Senhor – v.17
Deus lembra-nos que está pronto para nos ajudar e quando Ele está na luta, a vitória é certa e todo o poder vem do Senhor a nosso favor. Ao confiarmos n’Aquele que pode lutar em nosso nome, somos convidados a olhar e ver a salvação do Senhor.

          O Coronavírus pode estabilizar na próxima semana. Ou pode piorar. As nossas famílias podem ser poupadas desta pandemia ou não. Mas temos que continuar a olhar e a buscar a salvação de Deus. Não porque Ele necessariamente prove o Seu amor por nós protegendo-nos, mas porque Ele já demonstrou O Seu amor enviando Cristo para morrer por nós enquanto ainda éramos pecadores, para que quem nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Rm 5.8; Jo 3.16).

          Oremos para que as famílias sejam protegidas e poupadas.

O objetivo é estarmos preparados para nos confortarmos e também confortarmos outros, muitos na perspetiva de uma morte física que pode vir, testemunhando de Cristo como Salvador para vida eterna.

V. Adoração, mesmo durante a crise – 20:21-22
Jeosafá confiou e guiou outros a confiarem em Deus. Mas observe o final: adoração. Em II Cró. 20.21, antes mesmo da vitória, o rei leva o povo a louvar. O resultado, ver v.22.

Como esta cena final faz parte da confiança em Deus? Porque se Deus é bom, e se sabemos que podemos confiar n’Eele, podemos adorá-Lo mesmo no meio do sofrimento. Podemos louvá-Lo e dar-Lhe glória, mesmo sob a ameaça de perigo de aumento deste vírus.

          Reparem que Deus não disse a Jeosafá para fazer isto. Ele não foi instruído por Deus a convocar um culto. Foi decisão e iniciativa de um homem, de um rei que conhecia e que amava a Deus, de um rei que confiava no poder de Deus, que sabia que Ele agiu no passado, age no presente e continuará a agir. É dessa maneira que devemos procurar ao Senhor.

VI. Algumas lições que o Coronavírus nos deveriam ensinar
1. A nossa fragilidade humana: Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce. Passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não será mais conhecido. (Sl.103:15-16);
2. A nossa igualdade. O vírus não respeita fronteiras, nem povos. Apenas o Senhor nos pode proteger;
3. A nossa falta de controlo, de domínio da situação. Podemos apenas minimizar com higiene e disciplina;
4. A dor de ser excluído, isolado. Lembra-nos Lev.13:45, em que o Senhor ordenou que o leproso fosse isolado da comunidade para não espalhar a doença, e gritasse “imundo, imundo”;
5. A diferença entre Medo e Fé. Qual é a nossa reação perante esta crise? Jesus ensinou-nos a orar, “mas livra-nos do mal”  e disse, “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo.14:27); 6. A nossa necessidade de Deus e de oração: O Senhor te ouça no dia da angústia, o nome do Deus de Jacó te proteja. Envie-te socorro desde o seu santuário, e te sustenha desde Sião. (Sl.20:1-2);
7. A nossa verdadeira esperança está em Deus: Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. (Rom.14:8); Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca irá morrer. Crês tu isto? (Jo.11:25-26)

         
Conclusão - Os judeus saem no dia seguinte e a ameaça desapareceu. Não dizemos que Deus milagrosamente resolverá todos os nossos problemas se começarmos a adorar. Mas, certamente, o grande problema de muitos crentes – o problema da descrença – será resolvido se começarmos a adorar ao Senhor. Temos aqui esta lição.
Diante do Coronavírus, que os cristãos de todo o mundo tenham uma confiança inabalável no Senhor, mesmo quando não sabemos o que vem a seguir.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O Testemunho de João o Baptista – O Cordeiro de Deus

"Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo."

João 1:29

Introdução

Depois de um testemunho profundamente teológico e doutrinário sobre a Pessoa de Jesus nos vs.1-18, começando agora neste versículo 19 e até ao 51, passamos à segunda secção do evangelho de João, a saber, o testemunho dado por João o Batista e pelos seus discípulos sobre a Pessoa de Jesus.

 

Hoje queremos debruçar-nos sobre a grandiosa declaração de João o Batista: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1:29, 36).

 

I. O Testemunho de João sobre Jesus

João é extremamente cuidadoso para que, na missão que recebeu de Deus, não seja confundido. Por isso, ele afirma que NÃO É o Cristo, nem Elias, nem o profeta (1:25).

Assim, João dá grande testemunho sobre Jesus, dizendo que Jesus é Superior, de tal forma que ele nem era digno de sequer abaixar-se e desatar-lhe a correia da alparca. Diz também que Jesus é eterno, é antes de mim, porque foi primeiro do que eu (vs.27,30).

 

Por que é que João o Batista está a dizer isto agora?

Porque João quer destacar a grande Pessoa e a grande Missão de Jesus no v.29: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Nenhum homem normal poderia ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Tudo o que foi dito de Jesus até agora, desde o v.1, era essencial para que fosse o Cordeiro de Deus removedor do pecado.

 

Nenhum homem comum poderia ou pode tirar pecados. Ninguém está qualificado para poder tirar o pecado do mundo a não ser Jesus. Apenas o Verbo eterno, Deus que Se fez carne, apenas Aquele que é a luz, apenas o Filho Unigénito pode ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Tinha que ser Deus feito homem. Só Jesus o pode ser. É um aviso que aqui temos.

 

Reparemos como é que João o Batista podia estar tão certo sobre Jesus. Foi o próprio Deus, Aquele que o chamou para esta missão de preparar Israel para a chegada do Messias, que lhe revelou isto. Vemos isso no v.33.

 

 

II. O Cordeiro de Deus – v.29 – O que tinha que ser?

Este é o grande destaque, o ponto alto do testemunho de João o Batista sobre Jesus. A partir daqui, ele vai começar a diminuir e Jesus vai começar a crescer em Israel (3:30).

 

Esta afirmação sobre Jesus vai designar a razão da vinda ao mundo do Filho de Deus. Vemos isto em I João 3:5: E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Esta é a razão da aparição de Jesus. Esta é a razão da encarnação.

 

Agora, porque é que João acrescenta …e nele não há pecado? Porque era assim que os cordeiros tinham que ser para poderem tirar pecados. Tinham que ser sem mancha.

 

Vamos ler no AT como tinham que ser escolhidos os cordeiros que apontavam para Jesus, o Cordeiro de Deus. A primeira referência está na instituição da primeira Páscoa, quando Deus determina: O cordeiro será sem mancha…o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. (Êx.12:5).

Depois, em Lev.4:32-35: Mas, se pela sua oferta trouxer uma cordeira para expiação do pecado, sem defeito trará. E porá a sua mão sobre a cabeça da oferta da expiação do pecado, e a degolará por oferta pelo pecado, no lugar onde se degola o holocausto. Depois o sacerdote com o seu dedo tomará do sangue da expiação do pecado, e o porá sobre as pontas do altar do holocausto; então todo o restante do seu sangue derramará na base do altar…assim o sacerdote por ele fará expiação dos seus pecados que cometeu, e ele será perdoado.

 

         Mas todo o crente do NT e todo o temente a Deus do AT sabe que o sangue de animais não pode tirar o pecado humano. É o que diz Hebreus 10:4: Porque é impossível que o sangue dos toiros e dos bodes tire os pecados.

 

 Então, o que é estava a acontecer no tempo do Êxodo, de Levítico, no Tabernáculo, no templo?

Parábolas, dramas, figuras que apontavam para o futuro em que o verdadeiro cordeiro removeria o pecado do mundo. Mas lá no AT, quando o pecador levava o cordeiro para sacrifício, punha as suas mãos na cabeça do animal, o sangue dele era aspergido no altar, ele podia ver que de nenhuma forma aquele animal poderia na verdade retirar o seu pecado, a sua culpa. Mas apontava para o futuro.

 

        E João o Batista sabia isto muito bem. Ele conhecia Isaías 53, ele conhecia Levítico, ele era profeta, saturado com a Palavra de Deus. Assim, quando viu Jesus, quando recebeu a revelação de Deus, pôde ver que tudo estava a tornar-se realidade. Tinha chegado o tempo. Ali estava agora o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 

        Pedro não escreveu nenhum evangelho, mas também deu testemunho desta realidade na sua primeira carta: Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o procioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado. (I Pe.1:18-19).

 

        Perante o Deus Santo, cada pecador precisa de um substituto, de um cordeiro puro e sem mancha, que não existe. Nenhum homem pode levar e pagar o pecado do outro. Todo o homem é pecador. Mas não foi assim com Jesus.

 

        Quando Jesus nasceu, não foi de semente humana. Ele é Filho de Deus.

       

        Como sabemos isto?

Quando o anjo anunciou a Maria o nascimento de Jesus, disse: E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. (Lc.1:35).  

Jesus podia ser o Cordeiro de Deus porque não era um homem normal, era Santo, era Deus-homem, puro e perfeito, sem pecado, sem mancha.

Pedro acrescenta: O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano (I Pe. 2:22).

Hebreus 3:15 diz de Jesus: …como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

 

III. O Cordeiro de Deus – v.29 – O que significa?

Significa duas coisas muito importantes.

 

1. Que Jesus teria que morrer.

Mas teria que morrer como um cordeiro sacrificial morria: abatido. Só João, o escritor, usa a palavra grega “σφάζω” (sphazó, sfad'-zo) que incida a forma como se matavam os cordeiros no sacrifício pelo pecado: matar com violência.

 

Temos isto noutro livro que João escreveu, Apocalipse, onde o Cordeiro aparece por cerca de 24 vezes: E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos, um Cordeiro, como havendo sido morto (grega “σφάζω” (sphazó, sfad'-zo)…

 

 Reparem que Jesus já tinha encarnado, tinha cumprido o Seu ministério redentor na terra, tinha sido crucificado, ressuscitado e ascendido à glória celestial, sentando-Se à direita do Pai no trono.

 Mas mesmo no céu, glorificado, Jesus é visto como o Cordeiro.

 

Neste mundo, Jesus era o Cordeiro de Deus porque tinha que morrer. Foi por isto que Deus O mandou e foi para isso que Ele veio. Para poder tirar o pecado do mundo, tinha que ser o Cordeiro de Deus e tinha que ser morto, abatido com violência.

 

Então, este é o grande testemunho de João o Batista, o Filho de Deus tomou a forma humana para poder ser sacrificado como um cordeiro.

 

2. Todo o mundo beneficiaria da Sua morte, não apenas os judeus.

Jesus era o Messias judeu, profetizado séculos antes, nasceu na mais pequenina terra do mundo, entre um pequeníssimo povo chamado Israel, mas não morreria apenas pelo pecado de Israel. João diz que este Cordeiro morreria para tirar o pecado do mundo inteiro.

 

Estas duas verdades, de que Jesus teria que morrer como cordeiro, não apenas pelos judeus mas pelo mundo inteiro, estão juntas e sumarizadas nas palavras do sumo-sacerdote  Caifás que falou profeticamente em João 11:49-52. E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.

 

Jesus não morreria só pelos judeus, mas pelo mundo.

 

 João também escreve sobre isto em I João 2:2: E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.

 

Propiciação  é uma oferta que se dá a alguém que está irado para acalmar a sua ira. A propiciação de Jesus significa que a Sua morte remove a ira do Deus Santo contra o pecado porque tira o pecado.

O Cordeiro tira o pecado e remove a ira de Deus, não apenas dos judeus, mas dos gentios de todo o mundo.

Apocalipse 5:9-10 diz: Digno és de tomar o livro… porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo e nação… digno é o Cordeiro que foi morto…

 

Vemos este precioso removedor da ira de Deus em João 3:36: Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

 

O que é que isto significa?

Não que cada pessoa no mundo está salva, mas que qualquer pessoa no mundo que ponha a sua fé em Jesus será salva. Se crer em Jesus, o seu pecado foi removido pelo Cordeiro. A ira de Deus foi tirada pelo Cordeiro. Não nenhuma raça, nenhuma nacionalidade, nenhuma etnia, nenhum estatuto sócio-económico excluído.

 

Mas a todos quantos o receberem, quem crer no Seu nome (João 1:12), os seus pecados são tirados e a ira de Deus removida e são feitos filhos de Deus e tenha vida eterna (Jo.1:12; 3:16).

 

Nós olhamos para o mundo e vemos como está perdido no seu pecado. Tantas religiões, milhares e milhares de deuses na Índia, no Japão, na China, tantos rituais, tanta procura por purificação, tantos sacrifícios e ofertas, tantos caminhos propostos, pessoas caminham centenas, milhares de quilómetros, atravessam continentes em busca de algo que possa purificar as suas almas, as suas consciências, mas tudo em vão.

Vemos ocidentais a irem em busca nas religiões orientais, e vice-versa, mas tudo em vão, tudo perdido, porque só o Deus-homem, Jesus Cristo, puro e perfeito, na cruz Se deu em sacrifício pelo pecado do mundo inteiro.

 

Conclusão

Jesus é o nosso Cordeiro e o nosso Senhor. Cada pessoa presente nesta sala é um pecador merecedor da ira de Deus. Só há um caminho para que o teu pecado seja tirado éter o favor de Deus. Não é trabalhando para Deus. Não é limpando a nossa vida. Isso é fruto.

O único caminho é crer em Jesus como o glorioso Cordeiro de Deus. Jesus disse: Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados. (João 8:24).

 

Creiamos em Jesus como o nosso Cordeiro, Salvador e Senhor. E diremos como os apóstolos: E o sangue de Jesus Cristo, seu filho, nos purifica de todo o pecado. (I João 1:7)